2008/03/23

A Morte é uma Puta

O escritor surpreendeu os portugueses ao revelar numa crónica que tinha sido operado a um cancro no intestino. Não se coíbe de falar sobre o assunto, até porque a morte é palavra habitual nas páginas dos seus livros, mas comove-se ao relembrar aqueles dias e o pós-operatório. Uma coisa é certa, saiu deste susto um homem diferente e com vontade de ser mais sincero e de outro amar.

A porta que dá entrada na garagem onde escrevia naquela tarde fica no fundo de um beco. António Lobo Antunes enterra-se num sofá preto e pede para começar a entrevista com um certo ar de vamos cumprir o combinado. No fim, dirá que nem deu pelo tempo passar e encaminha-se para a "tasca" onde pede ao empregado o habitual. Desta vez, só deu duas entrevistas para ajudar o lançamento do novo livro - O Meu Nome é Legião. Está a trabalhar no próximo...
De vez em quando ameaça que só escreverá mais dois ou três livros. Perdeu a vontade?

Não só não é isso que eu tenho vontade como tão-pouco é uma ameaça. Está muito mais relacionado com o medo de não ser mais capaz de escrever. Aparece a cada livro que acabo e pergunto-me se serei capaz de fazer um próximo. Ninguém que escreva a sério vai poder dizer isso. Também é uma espécie de negociação com a morte, deixa-me escrever mais um, mais dois, mais três... Gostava de ter tempo para escrever outro e arredondar o trabalho, é um círculo que ainda não está completo.

Quantos livros faltam para fechar esse círculo. Só mais um?

Gostava que fossem mais porque o círculo vai aumentando sem nos darmos conta. Eu gostava de viver mais duzentos anos mas é improvável que os tenha.

Sofre muito ao escrever?

Há instantes de intensa felicidade - às vezes sinto as lágrimas a caírem-me pela cara - e momentos de grande irritação porque num dia consigo fazer meia página e no noutro só três linhas. O material resiste, as palavras não chegam, o livro não sai. Normalmente as primeiras duas, três horas são perdidas, os mecanismos sensórios ainda estão muito vivos. Então, quando começo a estar cansado, as coisas começam a articular-se com mais facilidade. É como quando estamos a dormir e de repente temos a sensação de termos descoberto os segredos da vida e do mundo, mas sabemos que estamos a dormir. Lutamos para acordar e quando chegamos à superfície não temos nada, diluiu-se enquanto fomos subindo. Quando consigo um estado próximo dos sonhos é muito mais fácil trabalhar e só o tenho estando fatigado.

Já experimentou algumas substâncias para atingir esse estado artificialmente?

Nunca tomei drogas, nunca apanhei uma bebedeira na vida. Não bebo café, não me dá prazer. Acho que o único vício que tenho é fumar.

Portanto, é bem comportado?

Não é uma questão de comportamento, em casa dos meus pais não havia vinho à mesa, só água. Eram muitos filhos...

É normal os filhos romperem hábitos!

Não havia vinho à mesa da mesma maneira que a roupa passava de uns para os outros. Os meus pais deram-nos uma educação de grande austeridade, não tinham muito dinheiro.

Quando faz o julgamento da convivência com a vida acha que ambos se dão bem?

Nunca me pus esse problema, tenho tentado viver o melhor que posso. Fiz certamente muitos erros e continuarei a fazer - espero que menos - mas nós não fomos feitos para a morte, fomos feitos para a vida e sempre me custou ver o sofrimento alheio. Quando fazia muita medicina, não era só o sofrimento que custava mas a minha impotência para com ele. Acho que as pessoas não foram feitas para a morte mas para a vida e para a alegria.

Mas não há escapatória para a morte!

É mais simples do que se pensa. Este ano, tive um problema de saúde e sofri isso na pele, acho que o problema está ultrapassado mas foi um ano duro. E a minha atitude era sobretudo de espanto, e a minha preocupação era ter uma atitude digna e não cobarde. Vi pessoas com uma coragem extraordinária e aprendi com elas lições de vida, coragem e dignidade. As pessoas comportavam-se como príncipes perante a situação e eu pensava estou aqui com pessoas que são melhores do que eu, com uma imensa dignidade no sofrimento. Isso foi uma coisa que me comoveu muito e fez pensar que vale a pena viver entre os homens e com eles. Todo o sofrimento é injusto... Em nome do quê é que uma criança de três anos morre com um cancro ou uma leucemia? É muito injusto, qual a razão disso? Sempre me intrigou a razão deste sofrimento porque o do interior tê-lo-emos sempre. Estamos carregados de dúvidas e certezas e as perguntas que nos fazemos ficam muitas vezes sem resposta. Porque vivo assim, em que falhei e magoamos pessoas sem darmos conta com uma frase que para nós é completamente anódina. Julgo que o segredo é estarmos atentos aos outros mas frequentemente não estamos e, sobretudo, não reparamos que são diferentes de nós. Daí o problema de escrever, como colocar em palavras coisas que por definição são anteriores às palavras? Como tentar cercá-las com palavras? Há zonas em mim que desconheço, portas que nunca abri e que, no entanto, aparecem nos livros e provocam-me uma certa perplexidade ao querer saber de onde é que isto vem, de que profundidades nossas, que todos temos.

Por isso resguarda tanto a vida privada?

Ela não tem importância nenhuma, só a mim me diz respeito. Quando fui operado escrevi essa crónica sobre o cancro porque já havia tanto jornalista e gente à volta do hospital que resolvi ser eu a dizer: Tenho um cancro no intestino. Não me deu prazer nenhum dizê-lo e garanto que não me deu prazer nenhum tê-lo. O pós-operatório foi horrível e duro, felizmente tive a sorte de ter um grande cirurgião e de todos os que lá trabalhavam serem de uma grande delicadeza. Só tenho gratidão.

O cancro está controlado?

Está controlado, neste momento o que faço são revisões periódicas. Claro que pode haver uma surpresa - pode haver sempre! - mas até agora tem estado tudo bem. É óbvio que na véspera de uma revisão estou tenso e fico assim até saber o resultado mas também sei que se houver um problema o Henrique (o cirurgião) vai lá e resolve-o. Preciso de tempo, preciso desse tempo, preciso ainda de trabalhar.

Está a lutar contra a morte apesar dela estar sempre presente nos seus livros...

Espero que a vida também! É inútil lutar contra a morte tal como é inútil lutar contra a vida. É inútil porque a morte é uma puta - desculpem o palavrão mas é a única palavra que encontro. Quando o meu pai morreu, o padre que foi rezar a missa disse que detestava aquilo porque nós não fomos feitos para a morte. De facto não fomos... Há pessoas de quem gostávamos e que já não podemos tocar e ver e cuja morte foi tão injusta. Ainda no sábado fui a enterrar um camarada da guerra que morreu num acidente de automóvel. Foi muito comovente ver aqueles homens duros, que fizeram a guerra, a chorar como crianças. Eu chorei também, gostava muito dele e agora quando nos reunirmos ele não vai lá estar. E não faz sentido que o Zé não esteja. Eu tenho que viver pelo meu pai, pelo Cardoso Pires, pelo Melo Antunes, estão dentro de mim até eu acabar.

Como contrariar a morte?

Ela corre mais depressa do que qualquer um de nós e a única coisa que posso fazer para contrariar é escrever, a única duração que posso ter é a que os livros tiverem. E aborrece-me que seja assim, é injusto que seja assim, embora haja momentos em que todos nós desejamos morrer, de desânimo e solidão. Há momentos em que quase temos inveja dos mortos porque a vida nem sempre é agradável e fácil mas, agora depois de ver as pessoas lutarem no hospital, senti que muitos pensamentos que tinha eram indignos perante tanta grandeza.

Isso alterou a sua forma de ser?

Eu agora jogo com as cartas para cima, está tudo à vista porque é a única maneira de viver. Demorei anos a perceber porque o conhecimento da vida chega sempre tarde e pensamos que ocultando conseguimos dar boa imagem aos outros. Agora é: eu sou assim! Peguem, larguem, não posso ser amado pelo mundo inteiro embora a sede de amor seja inextinguível. |

Qual é a sua atitude perante Deus?

Existe um velho provérbio húngaro que diz que na cova do lobo não há ateus, por isso julgo que não existe quem não acredite. O nada não existe na física ou na biologia e quando se lêem os grandes físicos entende-se como eram homens profundamente crentes, que chegaram a Deus através da física e da matemática e que falavam de Deus de uma maneira fascinante. A minha relação é a de um espírito naturalmente religioso, cada vez mais, não no sentido desta ou daquela igreja mas porque me parece que a ideia de Deus é óbvia. Cada vez mais o é para mim. É um bocado como diz Einstein, quando afirma que Deus não joga aos dados.

Como é essa relação?

É claro que me zango com Deus porque permite o sofrimento, mas talvez os seus desígnios tenham tais profundezas que não atinjo. O sofrimento sempre me foi incompreensível porque nascemos para a alegria. A minha atitude em relação à religião é essa, não estou a falar de igrejas, estou a falar em relação a Deus e não acredito quando as pessoas dizem que são agnósticas ou ateias. Não estou a dizer que a pessoa não esteja a ser sincera, mas dentro dela e em qualquer ponto há algo... Uma vez perguntaram ao Hemingway se acreditava em Deus e a resposta foi às vezes, à noite.

Então à noite também acredita?

Acredito sempre mas a dúvida e pôr constantemente em questão é próprio da fé. Muitas vezes pergunto-me será que existe? É óbvio que sim.

Recentemente foram reveladas as dúvidas de madre Teresa sobre a sua própria fé...

Todos os teólogos as tiveram, Sto. Ambrósio dizia "não busco compreender para crer, creio para compreender"; Sto. Agostinho esteve cheio de dúvidas toda a vida e o Sto. António... O mesmo se passa em relação aos livros, pergunto-me será que isto está bem feito? Não é esta palavra ainda, será que é possível fazer aquilo que eu quero fazer ou será demasiado ambicioso?

O título do seu último livro vem da Bíblia?

Estava a passear no Evangelho e apareceu-me. Foi a primeira vez que fui à Bíblia, não tinha título nenhum, não sabia como havia de o chamar e de repente tropeço naqueles versículos do Evangelho de São Lucas e pensei: é isto.

A sua formação em Psiquiatria não lhe dificulta a convivência consigo próprio?

Se os psiquiatras compreendem a mente humana? Não, isso é a vida que nos ensina a entender os outros. Algumas das pessoas mais cultas que conheci eram analfabetas e algumas das coisas mais profundas que ouvi foram ditas por pessoas de pouca instrução. Uma mulher disse-me uma vez 'quem não tem dinheiro não tem alma'.

Quando está a escrever nunca se sente como se estivesse no divã a tirar coisas de si?

Eu nunca deitei ninguém em nenhum divã e se o fiz ao longo da vida foi para me deitar lá também, não era para ficar a ouvi-la falar. A sensação que tenho é que estamos na idade da pedra do conhecimento, do entendimento humano e das emoções. Não sabemos nada, eu pelo menos sei muito pouco. Isto só tem a ver com a humildade, não sou vaidoso, apenas tenho orgulho. Sei mais ou menos qual é o meu lugar enquanto escritor e o resto da minha vida não é importante, falar da minha vida privada não tem importância nenhuma, os livros sim podem ser importantes mas eu até acho que todos deviam ser publicados anonimamente, sem nome de autor. Isso eliminaria imensos problemas. |
JOÃO CÉU E SILVA
NUNO FOX (imagem)

In DN 20 de Setembro de 2007

O Delito de Opinião I

O DELITO DE OPINIÃO


Existe em Portugal um delito de opinião para o qual uma pequena turba, que só parece grande porque é alimentada pelo silêncio de muitos, pede punição, censura, opróbrio, confissão pública do crime, rasgar de vestes. Esse delito de opinião é ter estado a favor da invasão do Iraque e é particularmente agravado nos casos raríssimos em que se continua a estar a favor, esses então de reincidência patológica que justificam prisão e banimento. Esta persistência no erro só pode mostrar tenebrosos defeitos de carácter e uma crueldade sem limites, que são apontados a dedo como devendo justificar o ostracismo e a incapacidade cívica. Como só se aplica a meia dúzia de pessoas, visto que a maioria dos apoiantes originais abjurou como Durão Barroso, ainda é mais fácil apontar o dedo. Se houvesse pelourinho na cidade, a turba lá nos levaria a mim e ao José Manuel Fernandes, que suporta nove décimos de ataques à sua direcção do Público por causa deste delito de opinião, para a humilhação pública.

Para essa turba que grita "crime" os factos interessam pouco, o conhecimento do que aconteceu fica confortado com meia dúzia de meias verdades, muitas falsidades, mas acima de tudo uma ignorância militante que não só não sabe como não quer aprender. Os factos não lhes interessam de todo. Olharem o Iraque em 2003, 2006, 2008 é a mesma coisa, só muda o número do final do ano. Têm uma tese e, aconteça o que acontecer, o que vale é a tese e essa tese é normalmente uma visão do mundo assente num único pilar, o anti americanismo militante por razões puramente ideológicas. Essas razões existem, mas raras vezes são enunciadas para não prejudicar o bater no peito moral com a suspeita de que a mão que bate o faz por uma política radical que não ousa mostrar-se. Desse ponto de vista, as críticas a Bush têm um precedente curioso, parecem as críticas a Churchill e a Reagan.

(Pax Americana vista pelo Berliner Illustrierte , Berlim - RDA, 3 de Março de 1951)

Sobre Churchill como "criminoso de guerra", visto pelos nazis; sobre a "imagem dos americanos como inimigos" construída pela República Democrática Alemã.


(Churchill como belicista num cartaz em Leipzig, RDA, 1954)



Representações dos Presidentes americanos como belicistas: Kennedy como "cão de guerra" ; Reagan como personagem do Dr. Strangelove e como cowboy conduzindo a América para a as "dark ages".


Há, como em todas as regras, meia dúzia de excepções de pessoas que foram contra a guerra e que o foram por razões mais sérias e que foram capazes de apontar erros reais da actuação dos americanos, em particular os que vinham quer da ignorância da dimensão daquilo em que se estavam a meter, quer da sua impreparação para o fazer e das suas erradas prioridades. Essas objecções sérias merecem ser discutidas e, nalguns casos, deve-se-lhes o reconhecimento da razão que tiveram antes do tempo. Mas, insisto, os interlocutores sérios são a excepção. Nesta matéria, quem faz a lei ideológica e tribunícia é o Bloco de Esquerda, muitas vezes secundado pela voz de Mário Soares. Todos falam com a linguagem, os slogans, os tiques, os excessos verbais, a arrogância moral e a pesporrência do Bloco de Esquerda e não querem saber de mais nada do que da condenação moral dos "responsáveis" por "muitas centenas de milhares de mortos". Os números são plásticos, podem ser exagerados porque são sempre números do "crime". Não lhes interessa Saddam, não lhes interessa a submissão dos xiitas, não lhes interessa a natureza de um regime que atacou aldeias curdas com armas químicas, não lhes interessa um ditador que provocou guerras, essas sim, com mais de um milhão de mortos, e que invadiu os países vizinhos. Nada mais lhes interessa.

Dito isto, vamos pois continuar a cometer o delito de opinião. A última coisa que direi é que, cinco anos depois, na operação iraquiana tudo correu bem, porque, em muitos aspectos, correu até bastante mal. Só que não é pelas mesmas razões, nem pelas mesmas causas, nem pelos mesmos motivos, dos que bradam ao crime e à "mentira". Mais adiante voltaremos aqui, mas comecemos pelo princípio.



Atentados de atribuição segura à Al-Qaida: Bali, Madrid, Tanzania, Argel.


Primeiro, há os pressupostos da decisão de invadir, tomada muito antes da invasão e não necessariamente pelas mesmas razões apresentadas publicamente para a justificar. A decisão de invadir tem pouco a ver com a existência de armas de destruição maciça, ou com a possibilidade de Saddam ser um apoiante da Al-Qaeda, que não era. A origem da decisão tem a ver com uma ideia mais global da resposta à crise suscitada pelo terrorismo apocalíptico que se verificou nas torres nova-iorquinas e no Pentágono, mas também nas embaixadas africanas dos EUA, nas discotecas de Bali, no metro de Londres, nos comboios suburbanos de Madrid e um pouco por todo o lado, da Índia à China, do Cáucaso aos Balcãs.

Na Administração americana surgiu a ideia de que, para combater a nova forma de guerra que é o terrorismo, não bastava erradicar as bases terroristas onde elas existiam (como no Afeganistão ou Sudão), o que era visto como um sintoma, mas ir à causa, à relação de forças que bloqueava todos os processos políticos que deveriam "distender" o Médio Oriente e permitir a resolução de conflitos antigos como o da Palestina. Esses conflitos não eram a causa do terrorismo da Al-Qaeda, de uma natureza diferente do Hezbollah ou do Hamas, mas, ao funcionarem como um irritante geral, bloqueavam as forças moderadas e moderadoras no mundo árabe-muçulmano e impediam a estabilização da região. A importância geoestratégica do Médio Oriente era crucial para o resto do mundo por causa da dependência do petróleo, líquido que tem a tendência natural para surgir só em sítios complicados.

Para que não se pense que estes argumentos são de agora, cito o que escrevi em Fevereiro de 2004:

"O 11 de Setembro revelava uma nova dimensão do terrorismo, que envolvia nações, grupos e indivíduos. Envolvia novas tecnologias de terror e toda uma série de novas tecnologias estavam (estão) na calha. Tinha um epicentro em parte do mundo muçulmano, tinha um epicentro dentro desse epicentro, o conflito israelo-palestiniano, envolvia nações como a Arábia Saudita, o Afganistão, o Paquistão, o Irão, a Síria, o Iraque , o Iémen, o Sudão, e algumas mais. Envolvia políticas que eram activamente prosseguidas por vários estados: o Afganistão servia de base a Bin Laden, mas o Iraque estava a tornar-se, junto com a Síria e o Irão, num dos principais desestabilizadores na Palestina.

Toda a panóplia de soluções diplomáticas tinha falhado em tornar a região mais segura. O conflito israelo-palestiniano parecia intratável, porque enquanto os grupos terroristas faziam explodir autocarros, os israelitas retaliavam em espécie. O crescimento do fundamentalismo muçulmano associava-se intimamente com as ditaduras da região. Os europeus e as Nações Unidas estavam mergulhadas numa política de manter a todo o custo o status quo. Restava aos americanos esperar outro atentado, a que se contava que reagissem outra vez pontualmente. Os americanos estavam a ser empurrados para um comportamento não muito diferente dos israelitas.

A admnistração Bush não aceitou esta passividade e fez uma coisa que já estava há muito esquecida pela passividade europeia e pelo politicamente correcto internacional: resolveu fazer uma política activa, de mudar brutalmente os dados da questão, que implicava acções militares preventivas sobre os estados que ou apoiassem grupos terroristas ou fossem fautores de políticas de desestabilização regionais. Esta politica resultou parcialmente na Síria e na Líbia, mas a sua prova dos nove teria que ser o Iraque. Por várias razões, o Iraque era o único país que tinha os meios e os recursos para prosseguir as políticas anti-americanas mais agressivas na região. Era também um país que se sabia disposto a tudo e com tradição de beligerância, um pária internacional que violava as resoluções das Nações Unidas todos os dias.

Estas eram as razões últimas da política americana e elas tem consistência. O que resta saber, e o episódio das ADM não é de bom augúrio, é se, sendo esta uma política arriscada, ousada e difícil, os americanos e os seus aliados tinham a capacidade militar e política para a levar a bom termo. Porque não é uma política de canhoneira, dão-se uns tiros e vão-se embora os barcos. Exige acções a longo prazo, persistência, e tem custos económicos e humanos consideráveis.

Ora, dito isto, preto no branco , eu partilho das razões porque Bush e Blair quiseram ir para a guerra, antes sequer de encontrarem o enganoso pretexto e legitimação nas AMD, e teria preferido que eles tivessem ficado pelas declarações de guerra do pós-11 de Setembro, que tinham uma clareza linear e disseram isto tudo: estamos em guerra e vamos onde for preciso para nos defendermos.

Na história do futuro o que julgará esta política é saber se a resposta global ao terrorismo teve ou não eficácia a longo prazo, se uma política activa, de resposta preventiva ao terrorismo. o travou, adiou ou minimizou como ameaça."
Se a discussão se centrar neste ponto, o da natureza da resposta americana e da sua razoabilidade, ela é frutuosa, porque contém um genuíno problema: o terrorismo fundamentalista e o modo de o defrontar. Para o discutir há que entrar em conta com os aspectos de maior complexidade que não só estão contidos no problema, como na suposta "solução" que estava implícita na invasão. E aqui é que existem as objecções mais sérias, como também muito do que correu mal no processo iraquiano e que podia ter sido evitado. Sim, porque nem tudo o que aconteceu no Iraque se deveu à invasão em si, nem aos pressupostos da invasão (alguns dos quais mostraram apontar no sentido correcto nos primeiros momentos), mas ao modo como foi efectuada a ocupação do Iraque. Ou seja, nem tudo o que aconteceu depois de 2003 se deve à invasão, nem é sua consequência necessária ou inevitável, nem a tem como pressuposto.

Muito do que aconteceu no Iraque deve-se a erros cometidos depois da invasão, uns inevitáveis devido ao modo ingénuo, ignorante e incompetente como foi previsto o período da ocupação, outros perfeitamente evitáveis e que se devem a erros clamorosos da Administração Bush.




(Ver no Abrupto a recensão do livro de Rajiv Chandrasekaran, Imperial Life in the Emerald City: Inside Iraq's Green Zone, 2006.)
Todas as críticas que salientam a imprudência e a impreparação americana para lidar com uma das áreas mais complexas do mundo, onde existe há muito tempo um nó górdio da política mundial, criado pelas potências europeias desde a divisão do império otomano e agravado por uma miríade de ideias ocidental como o marxismo, o nacionalismo e mesmo a forma moderna do fundamentalismo islâmico, têm razão de ser. Mas uma coisa é criticar os americanos pela sua ocupação do Iraque e outra é contestar a sua decisão de invadir e negar que nem todos os efeitos da invasão foram desastrosos e alguns foram conseguidos. Por detrás do fumo dos atentados em Bagdad, a única coisa que vemos na televisão, há muita coisa a mudar no Iraque e alguma no sentido desejado pelos americanos. Mas dizer isto parece que causa escândalo. Talvez por isso, fechar o que está a acontecer no Iraque debaixo de conclusões férreas, definidas de antemão desde 2003, e a que pouco interessa a realidade que não seja a dos atentados, é mais do domínio da propaganda do que da realidade.

Segundo, há a questão das "armas de destruição massivas". (Continua)

(Versão do Público, 22 de Março de 2008.)

2008/03/21

Underware

Espetaculo

Nomes

"Como chamar o órgão sexual masculino de acordo com o tempo:

Aos 3 anos chamas-lhe Pilinha
Aos 10 anos chamas-lhe Pirilau
Aos 20 anos chamas-lhe Cacete
Aos 25 anos chamas-lhe Piça
Aos 30 anos chamas-lhe Pau
Aos 35 anos chamas-lhe Mastro
Aos 40 anos chamas-lhe Caralho
Aos 50 anos chamas-lhe Pénis
Aos 60 anos chamas-lhe Membro
Após os 70 anos chamas…
chamas…
chamas…
chamas…
chamas…
chamas…
chamas…
e o filho da puta não responde!"

Life is Bowl full of Cherrys

2008/01/22

A questão do Kosovo

Partilho da opinião dos que defendem a inutilidade destas "Windependencias" idiotas e fúteis.
Para não deixar estas questões no esquecimento aqui vai um post e comentários do Abrupto.
A revisitar um dia destes.

LENDO
VENDO
OUVINDO
ÁTOMOS E BITS
de 21 de Janeiro de 2008

O Público tem hoje um título bizarro numa notícia sobre as eleições na Sérvia: "Sérvios do Kosovo votam contra Ocidente". Presumo que queriam dizer "contra a UE", porque contra o "Ocidente" só ignorando a história dos sérvios, e muito mais dos sérvios do Kosovo. Os sérvios do Kosovo consideram-se a última fronteira face ao Islão, o último baluarte do cristianismo e da "civilização" face à "barbárie" turca, representada hoje pelos albaneses. Consideram que foram eles a fronteira da Europa cristã e que pagaram um preço muito cruel por essa guarda avançada. Não lhes passa pela cabeça fazerem parte de um protectorado albanês, um país que pertence à Liga Islâmica. É verdade que consideram que a UE os abandonou, a própria UE que tão protectora é de outras minorias, e olham para Moscovo. Mas Moscovo para eles não é apenas um contra-poder dos EUA e da UE na Europa, é também a Santa Rússia, a mãe da ortodoxia, a Terceira Roma, protectora dos sérvios e dos búlgaros na luta contra os otomanos. A História ali conta demais, é por isso que dizer que votam contra o "Ocidente" não tem pés nem cabeça aplicado aos sérvios. Os sérvios são o "Ocidente".


*

Partilho da sua crítica ao título artigo do "Público" onde se diz que "Sérvios do Kosovo votam contra Ocidente". Infelizmente a questão do Kosovo e os problemas dos Balcãs em geral têm sido muito mal analisados pela nossa imprensa que, salvo algumas excepções honrosas, está notoriamente pouco preparada para retratar e analisar a complexidade desses conflitos. Mas o problema mais grave até nem é o da imprensa, mas o da classe política europeia e portuguesa, que parece ter, na melhor das hipóteses, algumas vagas ideias generalistas sobre o assunto. No meio da actual deriva europeia sobre a questão da independência do Kosovo, o artigo assinado pelo eurodeputado Mário David no "Expresso" desta semana, ("A armadilha do Kosovo e o Futuro da Europa") é uma invulgar voz de bom senso. O autor alerta para aquele que poderá ser "um gravíssimo precedente no âmbito do Direito Internacional" e para as consequências da actual política míope da União Europeia. Se a declaração de independência (unilateral) do Kosovo for reconhecida, interroga-se este, "que legitimidade haverá para obstaculizar que a República Serbsca não queira continuar na Bósnia Herzegovina? E a questão da Voivodina? Da Transnistria? ou da Transssilvânia? ou da Ossétia ou da Abcásia? Ou da Tchetchénia ou outras dezenas de repúblicas da zona que nunca ouvimos até agora falar? São nomes que não nos dizem quase nada? E quando o precedente for invocado pela Córsega, pela Flandres, pelo País Basco ou pela Catalunha? Aí já não vale?". Infelizmente tudo indica que esta União, que há vários anos está em dupla fuga para a frente - faz tratados e alargamentos alimentando uma ilusão de "Europa em movimento" -, vai optar pelo mais fácil: o reconhecimento da independência do Kosovo. Todavia, as consequências desta decisão aparecerão certamente mais à frente. Como este lembra, as futuras gerações europeias arriscam-se a ter de pagar a factura deste perigoso e irresponsável precedente, que abre caminho a "uma Europa atomizada de dezenas de regiões em permanente querela para a afirmação obsessiva das suas mini-identidades"! Quo vadis Europa?

(José Pedro Teixeira Fernandes)

*

O seu texto evocou-me um debate público sobre as embrulhadas balcânicas, vai para uma década, e onde uma intervenção que fiz sobre as motivações sérvias, próxima da sua argumentação, suscitou alguma desconfiança: arriar em Milosevic era mais digerível e descansativo... Se não considerarmos as heranças históricas e a forma como elas nos conferem um estatuto e nos posicionam no mundo, sempre nos irá escapar a razão maior para tantas reacções e alergias que pontuam o nosso contemporâneo; ganha a questão maior acuidade quando está em causa uma superfície de fricção entre duas civilizações. As leituras destes confrontos que se limitam ao campo do político acabam frequentemente por omitir o essencial: a forma como as sociedades se imaginam e se percepcionam, e como imaginam e percepcionam quem as avizinha... E isto será válido para os sérvios no Kosovo - mas também, e para me ficar por um só exemplo, para compreender a visceral aversão de húngaros ou polacos ao domínio russo-soviético.

(AERM)

2008/01/16

Play it Sam

R.G.A no BCP

Hoje deu-me uma de saudades do meu tempo de estudante. Das RGA's. Da sua preparação. Das reuniões prévias de preparação de propostas, etc. Das intervenções durante a RGA. Depois da célula do PS dos Banqueiros ter preparado a sua lista à direcção, veio a célula do PSD contrapropor outra depois de ter falado com a do CDS. E até há um sindicato que apoia uma das listas ! Deve ser dos amarelos ou nem desses há ? Ou será o PCP, que não tendo influência no sector dos banqueiros, instrumentalizou o sindicato ? Lamentável é o BE não ter implantação nos banqueiros. Que pena não poder ir à RGA do BCP ...e até sou accionista ! Não sou é já estudante e falta-me a paciência.

Com a devida vénia ao http://fim-de-semana-alucinante.blogspot.com/

Lei do Tabaco, Hitler e lei de Godwin

Estou sempre a aprender. Com as discussões sobre a Lei do Tabaco ( ou anti ) fiquei a conhecer a Lei de Godwin que diz :
" Se uma discussão na Internet se prolonga por algum tempo, a chance de aparecerem comparações envolvendo Hitler ou nazistas se aproxima de 100%."
Como pode ler aqui.

Em inglês a lei diz : "As an online discussion grows longer, the probability of comparison involving Nazis or Hitler approaches one."
Para quem saiba inglês aconselho esta leitura (clicar) que está bastante mais documentada do que a versão portuguesa.

Play it Sam, play As Time goes by

2008/01/13

Baloncesto in cilla con ruedas

Este fim de semna eu e o António fomos ver o pedro Goçalves jogar em Badajoz contra, diz ele,a melhor eqipa espanhola manted do Mideba.
A jornada foi magnifica, ganharem, o Pedro tem um espirito de luta incrivel para além dem ser tecnicamente muito bom.
Impressionante é o controlo da cadeira de rodas para além de uma perceentagem de conversão que faria envergonhar muitas equipas "normais".
Depois do jogo fomos para a parte velha de Badajoz onde no mais puro ambiente español jantamos. Fuma-se em todo o lado apesar da lei sermuito semelhante à nossa.
Hoje fomos a Olivença e Vilanueva del Fresno onde fomos vistar o Memorial de Humberto Delgado.
O estado de abandono mostra bem o desleixo com que as autoridades prtuguesas tratam coisas que representam marcos importantes da nossa liberdade.
Vou tentar espalhar este caso pela net nomeadamente na comunidade bloguista.

2008/01/06

A Tribo do "cacilho"

A propósito da lei do tabaco a forma como os cidadãos se estão a organizar na blogoesfera é algo que potencia o próprio meio.
Senão vejamos aqui com a devida vénia ao "A Origem das Espécies" como dinamizador.
Ainda estou para ver se o MST depois do artigo de ontem no Expresso dá alguma contribuição.
Adivinha-se que a lista se vai estender e que de aqui a algum tempo . ninguém liga nenhuma.
A ver vamos...

Guia de visitas.
[Em actualização]

Entretanto, fica aqui uma lista, mais ou menos organizada, de restaurantes e bares que não foram na cantiga proibicionista e mantêm zonas de fumadores nas suas salas, de acordo com a lei:

LISBOA: Snob, Café de São Bento, Procópio, Lamosa (R. Salitre), Blues Cafe, Bar do Bairro (sala própria), VirGula, Coccinella (Paço de Arcos), Finalmente, Lips (Os Balões), Galito (Carnide), Pinóquio, Papo Cheio, Cervejaria Trindade, Lábios de Vinho, Mercado do Peixe, Eclipse, Doca de Santo, Gambrinus, Delfim, Capricciosa, Portugália (Cais do Sodré e Almirante Reis), Pizaria Lucca, Olivier, Buddha Bar, Solar dos Presuntos, Stop do Bairro (Campo de Ourique) Restaurante Alfândega, Santo António de Alfama, Grande Elias, A Severa, República da Cerveja (Parque das Nações), Belém Bar Café, Pátio do Lenhador (Cascais), A Tasca do Careca, Piazza di Mare, Via Graça, City Café, Ladeira, The Taste Maker, Dois ao Quadrado (Sintra), Forno Velho, Fonte da Arcada, Chimarrão (Monsanto), Pastelaria Flor das Avenidas, Marisqueira O Nunes, O Cantinho dos Caracóis, Mata-Bicho (Carcavelos), Solar Pombalino, Mesón Andaluz (CascaisShopping), El Corte Inglés (restaurante do 7º piso), Culto da Tasca (Sintra), Café Astória (Parede), Suave, Peixe na Linha (Parede), Rodelas, Fox Trot, Brasileira do Chiado, People (Campo Pequeno).

PORTO: Cafeína, Quando Quando, Confeitaria Silva Porto, D. Gancho (Gaia), Shakesbeer, Canal 3, Brasserie de L’Entrecote, Paju, Solar do Pátio, Restaurante Campo Alegre, Franganito, Pinguin Café, Labirinto, Casa do Chocolate, J’Agora, 1/4 D' Águas (Leça), Boys'r'us, Moinho de Vento.

COIMBRA: Restaurante Viela (aceita fumadores), Bossa Nova, Café S. José, Via Lusitânia (sala própria), Taberna do Parque (sala própria), Velha Academia, Quinta das Lágrimas (área para fumadores), Café Samambaia (sala própria), Bar New on the Rocks (aceita fumadores), Irish Pub.

BRAGA: Artes e Sabores, Arcoense, Maximinos, D.ª Júlia, Migaitas, 053, Carpe Noctem, Sardinha Biba, Café Santos, Café Coelho, Casa das Artes.

SETÚBAL: A Torre (Samora Correia), Baco, Aldino, ADN, O Texugo, Sabor Mineiro, Café Planalto (Cova da Piedade), Café Remo (Sto. António da Caparica).

AVEIRO: Café Palácio, Bar 7. BEJA: Só Café, Pastelaria Paula, Café Adão, Shalom, Café Toninho, Pastelaria AlenDoce, Restaurante Tavernas, Karas. CASTELO BRANCO: A Muralha, Sical, Pick-Wick. ÉVORA: Café Alentejo, Pátio da Aldeia (Arraiolos), Time Out. FARO: Café Cidade Velha (área própria), Café Carminho (área própria), Centenário, La Reserve (S.J. Venda), Café Aliança. GUARDA: Colmeia, Dom Papão, Quinta do Rebelo, Café Central, Santo Vício, In Vistro Café. LEIRIA: Restaurante Casarão (área própria), Bar Alinhavar, Restaurante Tromba Rija (área própria), Sushi Club (Parceiros), Café Restaurante Lá Além. PORTALEGRE: Carpe Diem, República (sala própria), Ali Babá (sala própria). PORTIMÃO: A Quintinha (área própria), On the Rocks. SANTARÉM: Lagarto Bar (Sardoal), Boa Vida Bar (área própria), Adega do Bacalhau, Café Bogalho, em Alcanhões (aceita fumadores), Restaurante Adega do Bacalhau (área própria). VISEU: Obviamente, Grão Mestre, Forno da Mimi, Praia do Almargem.


Agradece-se o envio de mais informações ou correcções.

Categorias: vícios


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Comentários:
De Rui Afonso a 6 de Janeiro de 2008 às 07:04
Deixe-me acrescentar-lhe, em Braga, perto da Universidade, o restaurante 053, com sala para fumadores, e o muito concorrido "Carpe Noctem" que optou por clientes fumadores. Segundo o proprietário, "os não-fumadores continuarão a vir. E eu não abdico dos fumadores que sempre foram os meus clientes".
A bem da estabilidade tabágica... ;)


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De António Catarino a 6 de Janeiro de 2008 às 12:10
Acrescento o rstaurante People,Campo Pequeno, Lisboa


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De Isabela a 6 de Janeiro de 2008 às 12:46
Isto é subúrbio e não interessa a ninguém, mas acrescento, já agora, para bem dos fumadores: o café Planalto, nas Barrocas, Cova da Piedade, também é para fumadores. Só para fumadores, porque eu, sinceramente, não consigo lá entrar: nunca vi tanto fumo sair da porta de um estabelecimento. Ali todos juntinhos... a homenzada toda. E a beber bejecas, o felizes que eles são.


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De nuno f a 6 de Janeiro de 2008 às 12:53
CAFE REMO, SANTO ANTÒNIO DA CAPARICA, em frente ao futuro jardim urbano e ao pé da Orbitur


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De Isabel a 6 de Janeiro de 2008 às 14:40
Pois ..... Não vale a pena !!!!!! Tenho, ao longo da vida, sido apologista de que "Tudo vale a pena ....", mas, a verdade é que , com a idade, começo a optar por "Em Roma sê romano". Todos se vergam ao Poder da maioria e eu começo a ficar cansada. "O que há em mim é sobretudo cansaço ....". Ai ! Se Fernando Pessoa fosse vivo ...... Valha-nos o MST !!!!!


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De Permitido Fumar a 6 de Janeiro de 2008 às 15:26
Contribuam com os vossos comentários em www.locaispermitidofumar.blogspot.com ou por email para localivre@gmail.com para o guia que temos vindo a desenvolver


responder a comentário | discussão



De Local Livre a 6 de Janeiro de 2008 às 15:27
correcção: email locallivre@gmail.com


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2007/12/24

Lois Amstrong and Danny Kaye

When the Saints go marching in


2007/12/05

Nova ligações

Hoje iniciei a nova ligação wireless.
Funciona pelo menos em casa.

2007/10/14

João Paulo Bessa

Aqui se publicam textos de João paulo Bessa sobre o Mundial de Rugby

Respeito

Texto publicado na Caixa Fã


Respeito


“Depois de galhardamente ter defendido as suas cores, os Portugueses saíram do relvado de Guerland debaixo dos aplausos dos “All Blaks”.

Respeito meus senhores!”,

titulava o enviado especial do jornal L’Equipe ao jogo Nova Zelândia vs Portugal em Lyon no passado sábado.


Eu juntaria os 40 729 espectadores que enchiam por completo o Stade Guerland aplaudindo de pé a equipa portuguesa e exigindo uma volta ao estádio.


Jean-Claude Peyrin presidente da comissão médica da Liga nacional de Rugby de França temia pela integridade física dos portugueses ao afirmar que “á medida que o jogo fosse decorrendo, quando os níveis de descirnimento e auto defesa baixarem sabido que os Portugueses são generosos, poderão ultrapassar os limites da sua capacidade física, podendo, então, surgir lesões graves”.

Perante esta questão Jerry Collins, capitão dos All Blaks, respondia desta maneira. “Não vim aqui para levantar o pé, sou pago para jogar como jogo, não me vou retrair porque se fosse assim deixava de jogar Rugby. Isso não é respeitoso para com os portugueses.”


A equipa dos “All Blaks” que entrou em campo pesava mais 142 Kg que “Os Lobos.

No entanto a Nova Zelândia nunca utilizou o argumento peso. Nunca empurraram nem organizaram os seus temíveis “mauls dinâmicos”, tendo antes utilizado a técnica, a velocidade, e o jogo à mão, embelezando o espectáculo, embora sem nunca abdicar do seu rigor táctico.

Parafraseando um antigo jogador e treinador da selecção os All Blacks ganharam com elegância, classe e respeito.

A atitude, aliás, manteve-se depois do jogo com o convívio nas cabinas entre as duas equipas, uma “peladinha” com uma bola, desta vez redonda, que os portugueses ganham por 2-1 e um convite para jantar.


Falemos, então, de respeito.


Respeito dos jogadores pelos adversários e pelos árbitros, empenhando-se sempre ao máximo perante qualquer adversário e, em consequência não defraudar nem empobrecer o espectáculo e não contestando, em caso algum, as decisões da equipa de arbitragem.


Respeito dos árbitros pelos atletas ao exercer com eles um permanente diálogo pedagógico no decorrer do jogo, de modo a que o mesmo flua com o mínimo de interrupções e, ao mesmo tempo, punindo com rigor as violações às regras ou não pactuando com faltas grosseiras (faltas profissionais) que retiram beleza e movimento ao jogo.


Respeito da equipa de arbitragem pelo jogo e pelo espectáculo, ao solicitarem elementos externos de validação quanto existe a mais pequena dúvida sobre a validade de um “ensaio”, ao chamar ao diálogo os capitães de equipa chamando a atenção para a qualidade inferior do rugby praticado ou de jogadas consideradas mais violentas.


Respeito dos adeptos uns pelos outros e pelo jogo. Num estádio, os amantes de rugby misturam-se independentemente da equipa que apoiam. Os adeptos de rugby não assobiam o árbitro, não vaiam a outra equipa, aplaudem as boas jogadas independentemente de quem as faz e nas “ terceiras partes” convivem alegremente.

Pessoalmente, o momento mais arrepiante e emocionante da jornada, para além do inesquecível ensaio marcado por Rui Cordeiro foi assistir a um estádio completamente cheio, com todos os espectadores em pé e em silêncio, assistindo ao famoso “Haka” dos “AllBlacks”.


Em conclusão diria que o respeito é o ADN do Rugby.


Por tudo o que atrás foi escrito, sou FÃ incondicional do Rugby, d’Os Lobos e…dos All Blaks (rigorosamente por esta ordem).


Fernando Frazão