2010/03/17
2010/03/16
Reservas mundiais de surf

Têm vindo a crescer os movimentos de conservação das ondas, como se pode ler aqui.
Vale a pena o movimento ambientalista não perder de vista estes aliados potenciais (e também potenciais degradadores) para a discussão racional do uso sustentável da costa.
tirado daqui
Voltaire
Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até à morte vosso direito de dizê-lo."
PSD, MR. HYDE, PSD, DR. JEKYLL
«Um dia, Manuela Ferreira Leite disse, fazendo ironia (e eu aqui defendi-a, então, porque lhe soube ler a ironia), que era preciso suspender a democracia no País por seis meses. Sem ironia, agora ela defende coisa menor: suspender, no partido, as críticas ao líder nos 60 dias anteriores a eleições. Por exemplo, Pacheco Pereira não poderá, se lhe der na gana, como já deu, pôr as setas do PSD ao contrário no seu blog. No partido dos tenores contra o líder (Pacheco Pereira contra Menezes, Santana Lopes contra Marcelo, Marcelo contra quase todos...), o crime de lesa-majestade! Ao proibir essas críticas, o congresso prometeu ao próximo líder - Coelho, Rangel ou Aguiar-Branco, quem for - a honra de ser Kim-Il-sung durante 60 dias. É caso para pôr Zita Seabra a suspirar: "Posso ter saído do PCP, mas o PCP veio atrás de mim..." Tudo nesta decisão é tolo. A começar por ter sido apresentada por Santana Lopes, com o seu longo historial de morder canelas aos líderes. Mas, sobretudo, surpreende ser no PSD. Ontem, lendo dezenas de opiniões (como hoje a Internet me permite), a indignação era quase unânime entre gente simpatizante do PSD. Para um partido acossado pela necessidade urgente de resultados práticos, esse sobressalto por uma ideia, a liberdade de expressão, só o honra. » [Diário de Notícias]
Parecer:
Por Ferreira Fernandes.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»
Roubado do Jumento
Parecer:
Por Ferreira Fernandes.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»
Roubado do Jumento
Lei da Rolha

Imagem retirada do Abrupto.
Constança Cunha e Sá, Congresso da Rolha, hoje no Correio da Manhã. Elementar:
«A norma aprovada pelo PSD que institui sanções — que podem ir até à expulsão — a todos os militantes que critiquem a direcção do partido dois meses antes das eleições não é apenas um episódio absurdo que pode ser eliminado num próximo congresso de acordo com os votos piedosos expressos pelos três candidatos à liderança. Independentemente da sua hipotética revogação, a proposta aprovada pela esmagadora maioria dos delegados, perante o silêncio cúmplice dos mesmos candidatos, revela de forma cristalina o estado em que se encontra actualmente o PSD.
Que o PSD considere que a melhor forma de garantir a sua unidade e coesão é sancionar quem ouse criticar as decisões sagradas da sua direcção, transformando, pelo caminho, uma questão que devia ser política num procedimento disciplinar, é algo que o desqualifica democraticamente. A ‘lei da rolha’, como já é conhecida esta extraordinária norma, ao atentar contra os princípios básicos da liberdade de expressão, é própria de um partido totalitário que preza, acima de tudo, uma falsa unanimidade, arquitectada de acordo com os velhos princípios do estalinismo.
O caso ganha contornos ainda mais surrealistas quando se sabe que o PSD tem feito da ‘asfixia democrática’ a sua principal bandeira, presidindo, neste momento, a uma comissão parlamentar que visa saber se existe liberdade de expressão em Portugal. O facto de a dr.ª Ferreira Leite, que é o rosto desta cruzada, achar tudo isto ‘muito bem’ só agrava, ainda mais, a situação. Depois de aprovar a asfixia no interior do partido, com o apoio da sua actual presidente, o PSD perdeu, como é óbvio, qualquer autoridade política para questionar o PS sobre a liberdade de expressão no país. Um partido não pode ter dois pesos e duas medidas e condenar a asfixia dos outros quando ele próprio é o primeiro a aplicá-la aos seus militantes.
Por último, a aprovação esmagadora desta proposta mostra bem o que o partido pensa sobre o seu futuro próximo e sobre os seus actuais candidatos. Ao contrário das proclamações épicas destes últimos, o PSD têm-nos na devida conta e sabe que nenhum deles tem força e autoridade para o unir o partido no essencial: daí que seja necessária uma norma estatutária para impedir a balbúrdia que, há muitos anos, se instalou no PSD. No fundo, o partido sabe que, ganhe quem ganhar, o próximo líder é, mais uma vez, um líder a abater.
Quer se goste ou não, a verdade é que o PSD é, de facto, o único seguro de vida que o eng.º Sócrates hoje tem.»
2010/03/15
Everybody Hurts-REM
When the day is long and the night, the night is yours alone,
When you're sure you've had enough of this life, well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries and everybody hurts sometimes
Sometimes everything is wrong. Now it's time to sing along
When your day is night alone, (hold on, hold on)
If you feel like letting go, (hold on)
When you think you've had too much of this life, well hang on
'Cause everybody hurts. Take comfort in your friends
Everybody hurts. Don't throw your hand. Oh, no. Don't throw your hand
If you feel like you're alone, no, no, no, you are not alone
If you're on your own in this life, the days and nights are long,
When you think you've had too much of this life to hang on
Well, everybody hurts sometimes,
Everybody cries. And everybody hurts sometimes
And everybody hurts sometimes. So, hold on, hold on
Hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on
Everybody hurts. You are not alone
When you're sure you've had enough of this life, well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries and everybody hurts sometimes
Sometimes everything is wrong. Now it's time to sing along
When your day is night alone, (hold on, hold on)
If you feel like letting go, (hold on)
When you think you've had too much of this life, well hang on
'Cause everybody hurts. Take comfort in your friends
Everybody hurts. Don't throw your hand. Oh, no. Don't throw your hand
If you feel like you're alone, no, no, no, you are not alone
If you're on your own in this life, the days and nights are long,
When you think you've had too much of this life to hang on
Well, everybody hurts sometimes,
Everybody cries. And everybody hurts sometimes
And everybody hurts sometimes. So, hold on, hold on
Hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on
Everybody hurts. You are not alone
David Beckham
A lesão de David Beckham no tendão de Aquiles, ontem, no jogo entre o Milão e o Chievo, representa o adeus ao mundial e, muito provavelmente, a despedida do futebol de topo (regressará, talvez, ao LA Galaxy ). Há quem faça contas à possibilidade de recuperação a tempo da África do Sul, mas parece não haver grande margem para ilusões. No meio da tristeza – que também é minha já que sempre lhe admirei o futebol mau grado o gosto para esposas -, fica a ironia: poucos dias antes da lesão que lhe sentenciaria a carreira, Beckham regressou a Old Trafford - onde não jogava desde foi vendido ao Real Madrid em 2003. Quando entrou em campo, aos 63 minutos, foi monumentalmente agraciado em rara expressão de memória e gratidão a um adversário do momento (vídeo em baixo). É difícil rever as imagens sem um arrepio.
O que ninguém nos tinha dito é que se cumpria o último desejo de um condenado.
Março, Marçagão
LUA NOVA : hoje às 21 h 01m
...e se não chover, então só volta a chover em Maio.
A acreditar no que ouvi dizer a um agricultor no Rossio de Estremoz no passado sábado, dia 13 de Março.
Aguardemos.
Mais informa o Borda D'Água ( para 2010 ) :
- Que hoje é dia de S. Clemente e também Dia do Consumidor.
- Que durante o mês de Março o dia aumenta em Lisboa 1h 16 m e no Porto 1h 20 m.
- Que astrologicamente : Homem calado e observador. Mulher honesta e piedosa. Os olhos serão a sua parte mais fraca. Incensos - Alfazema ; Pedra - Jade ; Metal - Estanho; Cor - Verde.
- Na Horta : preparar as estacas para feijões e ervilhas. Semear abóbora, alface, beterraba, couves, nabiça, ervilha, espinafre, feijão, melancia, melão, pepino, salsa, tomate, etc. Colher cebolas brancas e cebolinhos, rabanetes e azedas.
- No Jardim : semear amores-perfeitos, cravos, crisântemos, dálias, bocas-de-lobo e chagas, além das indicadas nos meses anteriores. Colher as flores de tulipas serôdias, campainhas brancas, narcisos e goivos.
- Animais : vacinar os porcos contra doenças rubras e os bovinos, caprinos e ovinos contra o carbúnculo.
Mãos à obra que há muito que fazer, digo eu.
...e se não chover, então só volta a chover em Maio.
A acreditar no que ouvi dizer a um agricultor no Rossio de Estremoz no passado sábado, dia 13 de Março.
Aguardemos.
Mais informa o Borda D'Água ( para 2010 ) :
- Que hoje é dia de S. Clemente e também Dia do Consumidor.
- Que durante o mês de Março o dia aumenta em Lisboa 1h 16 m e no Porto 1h 20 m.
- Que astrologicamente : Homem calado e observador. Mulher honesta e piedosa. Os olhos serão a sua parte mais fraca. Incensos - Alfazema ; Pedra - Jade ; Metal - Estanho; Cor - Verde.
- Na Horta : preparar as estacas para feijões e ervilhas. Semear abóbora, alface, beterraba, couves, nabiça, ervilha, espinafre, feijão, melancia, melão, pepino, salsa, tomate, etc. Colher cebolas brancas e cebolinhos, rabanetes e azedas.
- No Jardim : semear amores-perfeitos, cravos, crisântemos, dálias, bocas-de-lobo e chagas, além das indicadas nos meses anteriores. Colher as flores de tulipas serôdias, campainhas brancas, narcisos e goivos.
- Animais : vacinar os porcos contra doenças rubras e os bovinos, caprinos e ovinos contra o carbúnculo.
Mãos à obra que há muito que fazer, digo eu.
Gajos de Tomates
Comentário do João ao discursom de António Costa:
Foda-se …eu … fez chorar o menino… estou parvo e perplexo
qual menino?
Eu. Homens destes fazem-me sentir um menino…um menino pequeno, diminuído, daqueles que como tantos outros procuram homens de referência, homens modelo, homens verdadeiros que assumem beber vinho, com os seus valores, com a sua base, com as suas ideias e ideais, com solidez e com tomates para se assumirem…o menino é o Joãozinho que luta e busca não ser mais um desiludido de cabeça baixa sem capacidade, sabedoria e vontade para gritar ao bom estilo de … como numa musica chamada FMI … quantas menos souberes a quantas melhor para ti…sempre a merda do futuro…e eu hã? o que é que ando aqui a fazer…isto é que uma porra…anda aqui um gajo cheio de boas intenções… o menino é malcriado o menino é pequeno burguês… mas eu sou parvo ou quê…quero ser feliz… que se foda o futuro que se foda o progresso…deixem-me em paz mais vale só que mal acompanhado…não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho não há paciência …deixem-me em paz caralho…deixem-me sozinho… saiam daqui, saiam daqui deixem-me sozinho só um minuto vão vender jornais governos greves sindicatos e polícias e generais…deixem-me sozinho, só para sempre tratem-se da vossa vida que eu trato da minha silêncio porra…a culpa é vossa é vossa…oh mãe oh mãe oh mãe, mãe eu quero ficar sozinho, mãe eu não quero pensar mais, mãe que eu quero morrer, mãe eu quero desnascer ir-me embora sem sequer ter que me ir embora mãe por favor…tudo menos a casa em vez de mim… digam-me lá valeu a pena a travessia?
Foda-se …eu … fez chorar o menino… estou parvo e perplexo
qual menino?
Eu. Homens destes fazem-me sentir um menino…um menino pequeno, diminuído, daqueles que como tantos outros procuram homens de referência, homens modelo, homens verdadeiros que assumem beber vinho, com os seus valores, com a sua base, com as suas ideias e ideais, com solidez e com tomates para se assumirem…o menino é o Joãozinho que luta e busca não ser mais um desiludido de cabeça baixa sem capacidade, sabedoria e vontade para gritar ao bom estilo de … como numa musica chamada FMI … quantas menos souberes a quantas melhor para ti…sempre a merda do futuro…e eu hã? o que é que ando aqui a fazer…isto é que uma porra…anda aqui um gajo cheio de boas intenções… o menino é malcriado o menino é pequeno burguês… mas eu sou parvo ou quê…quero ser feliz… que se foda o futuro que se foda o progresso…deixem-me em paz mais vale só que mal acompanhado…não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho não há paciência …deixem-me em paz caralho…deixem-me sozinho… saiam daqui, saiam daqui deixem-me sozinho só um minuto vão vender jornais governos greves sindicatos e polícias e generais…deixem-me sozinho, só para sempre tratem-se da vossa vida que eu trato da minha silêncio porra…a culpa é vossa é vossa…oh mãe oh mãe oh mãe, mãe eu quero ficar sozinho, mãe eu não quero pensar mais, mãe que eu quero morrer, mãe eu quero desnascer ir-me embora sem sequer ter que me ir embora mãe por favor…tudo menos a casa em vez de mim… digam-me lá valeu a pena a travessia?
2010/03/14
Gajos de tomates
O discurso é um pouco longo mas vale a pena.
Um dos poucos que ainda os tem no sítio.
Antonio Costa - Presidente da Camara das Caldas da Rainha
Um dos poucos que ainda os tem no sítio.
Antonio Costa - Presidente da Camara das Caldas da Rainha
Público
Não, censura à imprensa não é isto
Era de esperar. As escutas do processo Face Oculta, a abortada tentativa de entrada da PT no capital da empresa proprietária da TVI, as dúvidas instaladas sobre a relação do primeiro-ministro com esse negócio e as audições no Parlamento têm dominado os títulos da imprensa nas últimas semanas e dividido os comentadores e a opinião pública. Os leitores deste jornal não são excepção e mostram-se particularmente atentos ao modo como, em títulos e textos, têm vindo a ser noticiados estes temas.
Recebi várias reclamações a este respeito, e tratarei hoje da primeira, que é anterior à minha entrada em funções, mas merece ser recuperada. Refere-se à manchete da edição de 12 de Fevereiro, a data em que o semanário Sol saía à rua com citações particularmente sensíveis de escutas obtidas no processo Face Oculta, apesar da providência cautelar que visava impedir a sua publicação. “Primeira tentativa em 30 anos de censura prévia a um jornal falhou” – rezava o principal título da capa, por cima de uma fotografia de José Sócrates.
A leitora Ana Pereira não gostou e disse-o em termos curtos e fortes: “A manchete (…) do PÚBLICO é mesquinha por colocar uma foto de alguém que nada tem a ver com a notícia. É mentirosa, porque esquece que existem casos de providências cautelares semelhantes muito frequentemente. É ainda confrangedora, porque mostra que o corpo editorial do PÚBLICO não percebe os fundamentos básicos do Estado de Direito”.
A meu pedido, o director adjunto Nuno Pacheco, que acompanhara o fecho dessa edição, reflectiu sobre as três acusações, concordando que “a manchete em causa tem vários problemas”.
Em primeiro lugar, a fotografia escolhida. Considera que “devia ter sido mudada”, porque “podia dar a ideia, errada, de que teria sido José Sócrates o autor da tentativa de calar o Sol, o que não era verdade”. Explica que a foto “tinha sido escolhida antes de a manchete ter sido escrita, porque a relevância das escutas deriva do facto de envolverem o primeiro-ministro”, mas que, “quando a manchete se centrou na providência cautelar”, deveria ter sido substituída, por exemplo, por “uma foto de Rui Pedro Soares”. Atenuante: “Mesmo assim, não é possível dizer que a foto de Sócrates é de alguém que nada tinha a ver com a notícia”, até porque a capa do Sol, como se dizia a abrir o texto da manchete, tinha “o perfil de José Sócrates a negro sobre um fundo vermelho e um grande título a branco: “O polvo”".
Quanto à questão de esta ter sido ou não “a primeira tentativa em 30 anos” de “impedir a publicação de uma notícia” através de uma providência cautelar, o director adjunto admite o erro (“não foi” de facto a primeira), mas sublinha que esses casos também “não acontecem “muito frequentemente”, como a leitora dá a entender”. Motivo do erro: tanto na redacção como entre fontes consultadas nessa data, “havia o convencimento” de que tratava do primeiro caso deste tipo, e só depois se verificou existirem precedentes, entre os quais uma providência cautelar dirigida ao extinto O Independente.
Na sua terceira crítica, a leitora referia-se presumivelmente ao facto de uma providência cautelar não poder ser descrita como “censura prévia”. Nuno Pacheco assim o entendeu e admite que “censura prévia devia ter vindo entre aspas”, pois “era uma classificação comparativa, não uma descrição literal”. Mas discorda da leitora na referência “aos fundamentos básicos do Estado de Direito”. A sua argumentação não pode, por falta de espaço, ser aqui reproduzida (valerá a pena ser colocada on-line), mas conduz à seguinte conclusão: “O uso e abuso desta figura jurídica [providência cautelar visando impedir a publicação de uma notícia] no caso da imprensa acabará por funcionar, a prazo, como uma espécie de censura prévia dentro das margens estritas da lei”.
Aqui chegados, perguntará o leitor o que penso eu de tudo isto. Pois bem, acho que a leitora fez críticas justificadas (que o responsável editorial citado aceita na maior parte) num caso que teria exigido melhor atenção às soluções encontradas para a capa do jornal. A escolha da fotografia é até, a meu ver, o único ponto discutível. Admito que pudesse “dar a ideia” de que teria sido o primeiro-ministro a promover a providência cautelar, mas bastaria ler o texto que a enquadrava para afastar essa ideia. Acresce que a ligação de Sócrates ao tema noticiado não era gratuita. Quanto à afirmação sobre o ineditismo da providência cautelar, não era verdadeira e deveria, a bem do rigor, ter sido prontamente corrigida.
Mas, a meu ver, a falta de rigor menos aceitável foi a que levou a falar de censura prévia. O conceito tem uma carga política e histórica, de anulação das liberdades de expressão e de imprensa, que não pode ser confundida com o direito de um cidadão a procurar contrariar, por via judicial, a publicação de matérias que considere poderem causar-lhe dano grave, para mais tratando-se, como era sabido, da intercepção de conversas privadas, cuja divulgação seria sempre de legalidade pelo menos duvidosa. A censura prévia é própria de uma ditadura, o direito em questão é natural num Estado de Direito.
Não é relevante, para a clareza desta distinção, o que cada um pense sobre a pertinência da interposição da providência cautelar (eu penso que é um problema do seu autor), sobre o mérito da decisão judicial (com os dados disponíveis, creio que foi uma má decisão) ou sobre a interpretação do “interesse público” que levou o Sol a trazer ao conhecimento geral o que a decisão judicial visava impedir que fosse divulgado (acho que foi uma interpretação legítima). São opiniões que não contendem com o que está em discussão: do ponto de vista do rigor jornalístico, uma providência cautelar aceite por um juiz não é, de modo algum, censura prévia.
Convém salientar que na peça para que a manchete remetia, nessa edição do PÚBLICO, nada se escrevia que permitisse sustentar o que se afirmava no título de capa, à excepção de uma opinião (não consensual, como resultava da própria notícia) escutada a um jurista. Em contrapartida, o editorial desse dia – que, sendo um texto não-assinado, é visto como representando a posição do jornal – tendia a sustentar a tese expressa na capa.
Não creio que faça sentido sugerir que o “abuso” de providências cautelares dirigidas à imprensa poderá conduzir a uma situação de censura (para mais quando se afirma que foi o primeiro caso e que viu falhado o objectivo). Nem vejo razão para presumir que, colocados perante um hipotético recurso epidémico a essa figura jurídica, os juízes portugueses iriam decidir, por sistema, contra a liberdade de imprensa. Em suma, a manchete criticada representa uma opinião, certamente legítima, mas não é, a meu ver, aceitável no plano da informação independente e rigorosa.
José Queirós, Provedor do leitor – “Público” 14 Mar 2010
Comentário meu
Infelizmente o Público é reincidente nesta matéria.
Veja-se o que o anterior provedor disse sobre o caso das escutas em Belém.
Infelizmente o Público alberga agora, como comentador, o antigo director que, livre das obrigações (que raramente cumpriu) inerentes ao cargo, continua a perorar, ao sábado, numa coluna de página inteira (mais espaço do que quando era director)
Infelizmente, também, o provedor não tem honras de primeira página e raramente (opinião minha) alguém o lê.
Nestas circunstancias vou deixar de comprar o Público.
Sei que estou a deitar fora a criança juntamente com a água do banho, o que é lamentável.
Talvez se houver mais gente como eu o Eng. Belmiro (o tal que só valoriza o mercado) e, por isso mesmo ninguém percebe como mantém uma empresa que ano após ano dá prejuízo, perceba que o Público deverá voltar ao seu desidério original.
Um jornal decente e de referencia.
Era de esperar. As escutas do processo Face Oculta, a abortada tentativa de entrada da PT no capital da empresa proprietária da TVI, as dúvidas instaladas sobre a relação do primeiro-ministro com esse negócio e as audições no Parlamento têm dominado os títulos da imprensa nas últimas semanas e dividido os comentadores e a opinião pública. Os leitores deste jornal não são excepção e mostram-se particularmente atentos ao modo como, em títulos e textos, têm vindo a ser noticiados estes temas.
Recebi várias reclamações a este respeito, e tratarei hoje da primeira, que é anterior à minha entrada em funções, mas merece ser recuperada. Refere-se à manchete da edição de 12 de Fevereiro, a data em que o semanário Sol saía à rua com citações particularmente sensíveis de escutas obtidas no processo Face Oculta, apesar da providência cautelar que visava impedir a sua publicação. “Primeira tentativa em 30 anos de censura prévia a um jornal falhou” – rezava o principal título da capa, por cima de uma fotografia de José Sócrates.
A leitora Ana Pereira não gostou e disse-o em termos curtos e fortes: “A manchete (…) do PÚBLICO é mesquinha por colocar uma foto de alguém que nada tem a ver com a notícia. É mentirosa, porque esquece que existem casos de providências cautelares semelhantes muito frequentemente. É ainda confrangedora, porque mostra que o corpo editorial do PÚBLICO não percebe os fundamentos básicos do Estado de Direito”.
A meu pedido, o director adjunto Nuno Pacheco, que acompanhara o fecho dessa edição, reflectiu sobre as três acusações, concordando que “a manchete em causa tem vários problemas”.
Em primeiro lugar, a fotografia escolhida. Considera que “devia ter sido mudada”, porque “podia dar a ideia, errada, de que teria sido José Sócrates o autor da tentativa de calar o Sol, o que não era verdade”. Explica que a foto “tinha sido escolhida antes de a manchete ter sido escrita, porque a relevância das escutas deriva do facto de envolverem o primeiro-ministro”, mas que, “quando a manchete se centrou na providência cautelar”, deveria ter sido substituída, por exemplo, por “uma foto de Rui Pedro Soares”. Atenuante: “Mesmo assim, não é possível dizer que a foto de Sócrates é de alguém que nada tinha a ver com a notícia”, até porque a capa do Sol, como se dizia a abrir o texto da manchete, tinha “o perfil de José Sócrates a negro sobre um fundo vermelho e um grande título a branco: “O polvo”".
Quanto à questão de esta ter sido ou não “a primeira tentativa em 30 anos” de “impedir a publicação de uma notícia” através de uma providência cautelar, o director adjunto admite o erro (“não foi” de facto a primeira), mas sublinha que esses casos também “não acontecem “muito frequentemente”, como a leitora dá a entender”. Motivo do erro: tanto na redacção como entre fontes consultadas nessa data, “havia o convencimento” de que tratava do primeiro caso deste tipo, e só depois se verificou existirem precedentes, entre os quais uma providência cautelar dirigida ao extinto O Independente.
Na sua terceira crítica, a leitora referia-se presumivelmente ao facto de uma providência cautelar não poder ser descrita como “censura prévia”. Nuno Pacheco assim o entendeu e admite que “censura prévia devia ter vindo entre aspas”, pois “era uma classificação comparativa, não uma descrição literal”. Mas discorda da leitora na referência “aos fundamentos básicos do Estado de Direito”. A sua argumentação não pode, por falta de espaço, ser aqui reproduzida (valerá a pena ser colocada on-line), mas conduz à seguinte conclusão: “O uso e abuso desta figura jurídica [providência cautelar visando impedir a publicação de uma notícia] no caso da imprensa acabará por funcionar, a prazo, como uma espécie de censura prévia dentro das margens estritas da lei”.
Aqui chegados, perguntará o leitor o que penso eu de tudo isto. Pois bem, acho que a leitora fez críticas justificadas (que o responsável editorial citado aceita na maior parte) num caso que teria exigido melhor atenção às soluções encontradas para a capa do jornal. A escolha da fotografia é até, a meu ver, o único ponto discutível. Admito que pudesse “dar a ideia” de que teria sido o primeiro-ministro a promover a providência cautelar, mas bastaria ler o texto que a enquadrava para afastar essa ideia. Acresce que a ligação de Sócrates ao tema noticiado não era gratuita. Quanto à afirmação sobre o ineditismo da providência cautelar, não era verdadeira e deveria, a bem do rigor, ter sido prontamente corrigida.
Mas, a meu ver, a falta de rigor menos aceitável foi a que levou a falar de censura prévia. O conceito tem uma carga política e histórica, de anulação das liberdades de expressão e de imprensa, que não pode ser confundida com o direito de um cidadão a procurar contrariar, por via judicial, a publicação de matérias que considere poderem causar-lhe dano grave, para mais tratando-se, como era sabido, da intercepção de conversas privadas, cuja divulgação seria sempre de legalidade pelo menos duvidosa. A censura prévia é própria de uma ditadura, o direito em questão é natural num Estado de Direito.
Não é relevante, para a clareza desta distinção, o que cada um pense sobre a pertinência da interposição da providência cautelar (eu penso que é um problema do seu autor), sobre o mérito da decisão judicial (com os dados disponíveis, creio que foi uma má decisão) ou sobre a interpretação do “interesse público” que levou o Sol a trazer ao conhecimento geral o que a decisão judicial visava impedir que fosse divulgado (acho que foi uma interpretação legítima). São opiniões que não contendem com o que está em discussão: do ponto de vista do rigor jornalístico, uma providência cautelar aceite por um juiz não é, de modo algum, censura prévia.
Convém salientar que na peça para que a manchete remetia, nessa edição do PÚBLICO, nada se escrevia que permitisse sustentar o que se afirmava no título de capa, à excepção de uma opinião (não consensual, como resultava da própria notícia) escutada a um jurista. Em contrapartida, o editorial desse dia – que, sendo um texto não-assinado, é visto como representando a posição do jornal – tendia a sustentar a tese expressa na capa.
Não creio que faça sentido sugerir que o “abuso” de providências cautelares dirigidas à imprensa poderá conduzir a uma situação de censura (para mais quando se afirma que foi o primeiro caso e que viu falhado o objectivo). Nem vejo razão para presumir que, colocados perante um hipotético recurso epidémico a essa figura jurídica, os juízes portugueses iriam decidir, por sistema, contra a liberdade de imprensa. Em suma, a manchete criticada representa uma opinião, certamente legítima, mas não é, a meu ver, aceitável no plano da informação independente e rigorosa.
José Queirós, Provedor do leitor – “Público” 14 Mar 2010
Comentário meu
Infelizmente o Público é reincidente nesta matéria.
Veja-se o que o anterior provedor disse sobre o caso das escutas em Belém.
Infelizmente o Público alberga agora, como comentador, o antigo director que, livre das obrigações (que raramente cumpriu) inerentes ao cargo, continua a perorar, ao sábado, numa coluna de página inteira (mais espaço do que quando era director)
Infelizmente, também, o provedor não tem honras de primeira página e raramente (opinião minha) alguém o lê.
Nestas circunstancias vou deixar de comprar o Público.
Sei que estou a deitar fora a criança juntamente com a água do banho, o que é lamentável.
Talvez se houver mais gente como eu o Eng. Belmiro (o tal que só valoriza o mercado) e, por isso mesmo ninguém percebe como mantém uma empresa que ano após ano dá prejuízo, perceba que o Público deverá voltar ao seu desidério original.
Um jornal decente e de referencia.
Asfixia Democrática
A asfixia democrática aterrou em Mafra.

O Convento de Mafra ficará para sempre ligado à asfixia democrática. Uma maioria qualificada de delegados ao Congresso do PSD, representando o «sentir» do partido, proibiu a liberdade de expressão aos militantes sociais-democratas: ninguém pode criticar os seus dirigentes. Agora já se percebe melhor o que se tem passado na Comissão de Ética e o que se vai passar na Comissão de Inquérito. A verdade é como o azeite...

O Convento de Mafra ficará para sempre ligado à asfixia democrática. Uma maioria qualificada de delegados ao Congresso do PSD, representando o «sentir» do partido, proibiu a liberdade de expressão aos militantes sociais-democratas: ninguém pode criticar os seus dirigentes. Agora já se percebe melhor o que se tem passado na Comissão de Ética e o que se vai passar na Comissão de Inquérito. A verdade é como o azeite...
UMA MÚSICA PARA CADA CANDIDATO À LIDERANÇA DO PSD
Pedro Aguiar Branco
Castanheira de Barros
Pedro Passos Coelho
Paulo Rangel
Castanheira de Barros
Pedro Passos Coelho
Paulo Rangel
Charlie "Bird" Parker

Jack Kerouac nasceu num dia 12 de Março, em 1922, em Lowell - Massachusetts.
Charles Parker morreu num dia 12 de Março, em 1955, em Nova Iorque. Aos 33 anos. O médico que realizou a autópsia disse que o seu corpo era o de um homem de 50 a 60 anos. Dependente de heroina, desde a adolescência, Parker morreu novo mas o brilho do seu saxofone ficou para sempre.
Jack Kerouac morreu mais tarde, em 1969, com 47 anos, em St. Petersburg - Florida. Com uma hemorragia interna resultante da cirrose que tinha devido aos excessos com o álcool. Vou voltar a ler "On the Road".
Em tempos de excessos os dois cruzaram-se. Jack era um admirador de Charles Parker e quando este morreu dedicou-lhe o poema que podem ouvir clicando no play debaixo das fotos.
2010/02/23
Crónicas de Bali - O Hotel
O Sofitel Semyanak em Bali é um 5 estrelas magnifico. Situado a 20 km do aeroporto dispõe de um corpo de hotel com quartos normais e uma zona de “bungalows” individuais junto à praia e ao redor da piscina.
Tínhamos alugado um quarto normal e fomos surpreendidos quando chegamos pela oferta de um upgrade para um desse bungalows, justamente o mais perto da praia.
A coisa era mgnifica. Quarto com duas camas com docel, duas casa de banho, living room enorme. Para além disso era rodeado por um muro invocando privacidade e no espaço entre a vedação e a casa tinha um jardim, um jaccuzi e uma plataforma de repouso/comtemplação de onde se podiam ver os famoso por-do-sol de Bali.
Por ali ficamos.
No dia seguinte a coisa era tão boa que eu sugeri perguntar quanto custava o upgrade para as novas instalações. A resposta foi, já não me lembro quanto, mas uma quantidade insuportável de dólares. Conheci então o Stephan no seu melhor de negociador. Proposta e contraproposta e o preço ficou aceitável.
No dia seguinte a internet não funcionava e tínhamos um problema na casa de banho. Mais negociações e não pagámos. Segundo dia problema na cas de banho e no jacuzzi. Resolvidos estes a internet continuava a não funcionar. No dia seguinte chegamos às quatro da tarde e o quarto não estava arrumado, daí nova bronca. Em suma não pagámos o upgrade durante 5 dias.
Ajudou também o facto do Stephan já ter lá estado e conhecer o director do hotel (eu pensava que era tanga).
Logo no primeiro dia quando íamos jantar passamos no bar da píscina onde estava o Robin com os outros chefes do hotel. Rapidamente ficamos amigos, particularmante do Bill (o chef), um americano grande e simpatiquissimo bem como a Miko e a Marita. Maisis tarde tivemos jantar (descrito à frente) memoravel
Tínhamos alugado um quarto normal e fomos surpreendidos quando chegamos pela oferta de um upgrade para um desse bungalows, justamente o mais perto da praia.
A coisa era mgnifica. Quarto com duas camas com docel, duas casa de banho, living room enorme. Para além disso era rodeado por um muro invocando privacidade e no espaço entre a vedação e a casa tinha um jardim, um jaccuzi e uma plataforma de repouso/comtemplação de onde se podiam ver os famoso por-do-sol de Bali.
Por ali ficamos.
No dia seguinte a coisa era tão boa que eu sugeri perguntar quanto custava o upgrade para as novas instalações. A resposta foi, já não me lembro quanto, mas uma quantidade insuportável de dólares. Conheci então o Stephan no seu melhor de negociador. Proposta e contraproposta e o preço ficou aceitável.
No dia seguinte a internet não funcionava e tínhamos um problema na casa de banho. Mais negociações e não pagámos. Segundo dia problema na cas de banho e no jacuzzi. Resolvidos estes a internet continuava a não funcionar. No dia seguinte chegamos às quatro da tarde e o quarto não estava arrumado, daí nova bronca. Em suma não pagámos o upgrade durante 5 dias.
Ajudou também o facto do Stephan já ter lá estado e conhecer o director do hotel (eu pensava que era tanga).
Logo no primeiro dia quando íamos jantar passamos no bar da píscina onde estava o Robin com os outros chefes do hotel. Rapidamente ficamos amigos, particularmante do Bill (o chef), um americano grande e simpatiquissimo bem como a Miko e a Marita. Maisis tarde tivemos jantar (descrito à frente) memoravel
2010/02/21
Cortiça versus Screwcaps
O montado, a rolha e o vinho
Desde há uns meses tem-se desenrolado uma discussão muito interessante sobre a utilização de vedantes alternativos à rolha de cortiça. Participei ativamente e fui-me sentindo cada vez menos confortável na minha posição inicial.
O raciocínio dominante é: garrafas de vinho podem ser vedadas com rolhas - rolhas são feitas de cortiça - cortiça vem de montados de sobro - montados são ecossistemas ricos em biodiversidade - a biodiversidade é um valor prioritário a preservar. Conclusão: as garrafas de vinho devem ser vedadas com rolhas para preservar a biodiversidade.
Surgiu um produtor de vinho que disse não à rolha e optou por uma cápsula de alumínio. Segue uma troca de posts e e-mails, com posições claras e distintas, e nas quais se misturaram uma série de aspetos relacionadas com o tema, envolvendo pessoas fora da população residente do blog Ambio e foi muito enriquecedor.
Mas, depois disto tudo, não consigo livrar-me de um sentimento de desorientação. Os produtores de cortiça vendem aos produtores de rolhas que vendem aos produtores de vinho que vendem aos consumidores finais. Um elo nesta cadeia salta fora. Caem-lhe em cima os consumidores finais, os produtores de rolhas e os produtores de cortiça, acusando-o de não proteger o sistema produtivo da cortiça e ser o grande violador da biodiversidade. Mas será que o produtor de vinho é moralmente obrigado a proteger um sistema que não é seu, mas do qual é somente um cliente? Não seria mais justo, se houver uma real preocupação por parte dos consumidores finais, destes em primeiro lugar cairem em cima dos produtores de cortiça que aparentemente não são capazes de proteger o sistema produtivo que os consumidores tanto valorizam? Não deviam ser primeiro os produtores de cortiça a autoquestionarem-se o que (não) fizeram para que o sistema que tanto valorizam se tornou frágil e em risco de desaparecer? Não serão em primeiro lugar os detentores dos montados os responsáveis pela sua preservação? E, ao fim e ao cabo, não devia ser o mercado de vinho a determinar qual a relevância da escolha do vedante para o consumidor final, através de um processo de seleção que eliminava simplesmente as ofertas que não apoiam a proteção do montado? Se é tão evidente que o mercado de vinhos já regressou para as tradicionais rolhas, então bastava ficar sorridentemente a assistir à falência de Champalimaud e amigos. Ou estarei a ver mal?
Por fim, para mim, tudo se resume ao post inicial do HPS: eu não compro.
E está tudo dito.
Henk Feith
Desde há uns meses tem-se desenrolado uma discussão muito interessante sobre a utilização de vedantes alternativos à rolha de cortiça. Participei ativamente e fui-me sentindo cada vez menos confortável na minha posição inicial.
O raciocínio dominante é: garrafas de vinho podem ser vedadas com rolhas - rolhas são feitas de cortiça - cortiça vem de montados de sobro - montados são ecossistemas ricos em biodiversidade - a biodiversidade é um valor prioritário a preservar. Conclusão: as garrafas de vinho devem ser vedadas com rolhas para preservar a biodiversidade.
Surgiu um produtor de vinho que disse não à rolha e optou por uma cápsula de alumínio. Segue uma troca de posts e e-mails, com posições claras e distintas, e nas quais se misturaram uma série de aspetos relacionadas com o tema, envolvendo pessoas fora da população residente do blog Ambio e foi muito enriquecedor.
Mas, depois disto tudo, não consigo livrar-me de um sentimento de desorientação. Os produtores de cortiça vendem aos produtores de rolhas que vendem aos produtores de vinho que vendem aos consumidores finais. Um elo nesta cadeia salta fora. Caem-lhe em cima os consumidores finais, os produtores de rolhas e os produtores de cortiça, acusando-o de não proteger o sistema produtivo da cortiça e ser o grande violador da biodiversidade. Mas será que o produtor de vinho é moralmente obrigado a proteger um sistema que não é seu, mas do qual é somente um cliente? Não seria mais justo, se houver uma real preocupação por parte dos consumidores finais, destes em primeiro lugar cairem em cima dos produtores de cortiça que aparentemente não são capazes de proteger o sistema produtivo que os consumidores tanto valorizam? Não deviam ser primeiro os produtores de cortiça a autoquestionarem-se o que (não) fizeram para que o sistema que tanto valorizam se tornou frágil e em risco de desaparecer? Não serão em primeiro lugar os detentores dos montados os responsáveis pela sua preservação? E, ao fim e ao cabo, não devia ser o mercado de vinho a determinar qual a relevância da escolha do vedante para o consumidor final, através de um processo de seleção que eliminava simplesmente as ofertas que não apoiam a proteção do montado? Se é tão evidente que o mercado de vinhos já regressou para as tradicionais rolhas, então bastava ficar sorridentemente a assistir à falência de Champalimaud e amigos. Ou estarei a ver mal?
Por fim, para mim, tudo se resume ao post inicial do HPS: eu não compro.
E está tudo dito.
Henk Feith
Cortiça versus Screwcaps
As rolhas vistas por um produtor de cortiça
A discussão sobre o uso das rolhas, que é mais que uma discussão sobre rolhas sendo sobretudo uma discussão sobre a integração da sustentabilidade nas decisões empresariais e nas decisões de consumo, tem neste post mais um desenvolvimento, desta vez por António Posser de Andrade:
"É inevitável deduzir que Miguel Champalimaud (MC) achou a minha resposta ao seu texto inicial insuficientemente estruturada para merecer a sua resposta.
Não estranhei, mas noto esta sua postura pois recebi algumas centenas de mensagens de apoio que tinham como denominador comum o facto de essa minha resposta estar bem fundamentada e bem estruturada. Enfim, é uma opinião que devo respeitar, mas tenho pena, pois devo admitir que custou-me muito tentar estruturar uma resposta a umas afirmações tão tendenciosas (para já não falar das perguntas) como as que Miguel Champalimaud proferiu.
Mas, como me incluiu na lista de endereços no seu segundo texto endereçado ao Sr. Arquitecto Henrique Pereira dos Santos decidi gastar mais algum tempo, apesar de com pouca esperança de mudar o “fundamentalismo” e o claro “engajamento” das suas opiniões; mas com o intuito claríssimo e prioritário de não deixar que a mesma mentira repetida muitas vezes passe a ser considerada, por alguém menos conhecedor do assunto, uma verdade.
Assim, continua a “luta”.
Após período extenso de reflexão claramente concluo que a falta de resposta do MC aos meus argumentos demonstra que Miguel Champalimaud realmente não quer debate nenhum pois, caso o quisesse, teria:
1- Respondido directamente ao que escrevi e não apenas colocado o meu nome em cc numa sua suposta resposta ao Sr. Arq. Henrique Pereira dos Santos.
2- Enviado essa sua suposta resposta ao correcto endereço de mail do Sr. Arq. Henrique Pereira dos Santos e não para um endereço de mail da Quinta da Marinha; que creio seja pertença do próprio Miguel Champalimaud ou da sua Quinta da Marinha (IMCEAMAILTO-as1075017+40sapo+2Ept@quintadamarinha.pt).
(Vai sempre a tempo de reenvia-lo para o correcto as1075017arroubasapo.pt, como se pode muito bem ver no correio electrónico que originalmente recebeu do Sr. Arquitecto.)
Fundamenta também esta minha convicção a certeza de que o MC já percebeu que está desactualizado ou simplesmente desconhece o que se passa na questão dos vedantes para vinho, em particular e, no sector da cortiça, em geral.
Pode-se deduzir isso pelas enormes confusões que faz em assuntos concretos, por ele próprio levantados, como por exemplo no que diz respeito às declarações do crítico Robert Parker. Note-se inclusive que, até o seu enólogo, pasme-se, não alinha pelas "convicções" do MC pois em recente entrevista a uma estação de televisão nacional refere (mal) em 5% os vinhos afectados com “sabor a rolha”. Afinal em que ficamos? Parker (que na primeira carta de MC era o seu primeiro e principal trunfo) afinal afirma que são menos de 1%, o enólogo da casa Montez Champalimaud fala de 5% e o MC brinda-nos com …. 15%. Oops, com certeza uma pequena gafe; sem querer, claro.
Ao mesmo tempo MC, que se auto-proclama um defensor da modernidade, demonstra estar bastante desactualizado com notícias realmente modernas sobre o sector e o produto que acusa de ser "passado"; tal como se pode ver ao menosprezar ou desconhecer o facto já mencionado no meu texto anterior sobre os vinhos da Nova Zelândia da marca "Nobilo", que são líderes nos EUA exactamente porque se diferenciaram da concorrência ao adoptar a nossa velha e antiga rolha de cortiça como seu vedante de eleição.
Mas tenho novidades para o MC sobre para onde sopram os ventos da modernidade. Agora, sobre o mercado Europeu e especificamente o Inglês:
http://www.guardian.co.uk/environment/2009/dec/31/sainsburys-corks
Ainda há tão pouco tempo a Inglaterra e as suas maiores cadeias de distribuição eram a ponta da lança das tampas de rosca de alumínio provenientes dos novos vinhos produzidos na sua Commonwealth. Parece que afinal as coisas estão a mudar. Boas notícias para Portugal sem dúvida. Para o MC? Ele é que sabe.
Especificamente sobre a putativa réplica do MC, a que ele me deu acesso, gostaria somente de dizer algumas coisas, pois os inúmeros argumentos apresentados não resistem a uma análise minimamente atenta. No interesse da rapidez da leitura e porque creio que já todos percebemos que os argumentos do MC não são de “quem quer discutir, argumentar e ver os ventos da História, mas antes de alguém engajado (sic)”, apenas noto que:
1- Uma análise do ciclo de vida dos diferentes vedantes e elaborado pela Price WaterhouseCoopers para um fabricante de rolhas, por acaso, até inclui o impacto ambiental de uma cápsula de PVC. Para ver onde a “modernidade”de MC nos levaria a todos, relembro que o vedante utilizado no Qt. do Côtto emite 24 vezes mais CO2 que a rolha de cortiça MAIS a cápsula, sendo que e como complemento a este dado informo que a existência do montado de sobro (só) em Portugal é responsável pela retenção ANUAL de 5 milhões de toneladas de CO2, conforme estudo especifico elaborado pelo ISA (Instituto Superior de Agronomia).
2- As ONG’s, goste-se ou não delas, são claras quando dizem que no mundo existem 100 000 empregos que dependem da cortiça. Trabalharão quase todos na mesma empresa? A verdade é que apenas a Associação de Cortiça de Portugal conta com centenas de empresas que são parte de um tecido empresarial que existe em vários países do mundo. Existe um líder na indústria? Claro, mas que indústria de sucesso na história do mundo não tem um líder?
3- Há empresas de cortiça que têm mais de metade das suas necessidades energéticas cobertas por biomassa, material obviamente renovável. Em algumas unidades essa % pode chegar aos 80%. Que “discute” realmente MC quando decide ignorar repetidamente factos como estes? Quanto à emissão de águas “lixiviadas” (sic) não sei se o adjectivo alguma vez existiu; mas há mais de uma década que não se usa cloro no processo produtivo da cortiça. Obviamente que MC deve seguir o seu próprio conselho: “visite-se uma moderna fábrica de cortiça com olhos de ver;” e se não o conseguir, tem sempre a opção de ver na internet “de forma exaustiva o moderno processo produtivo de uma rolha de cortiça”. E, imagine-se, até há jornalistas que se “atrevem”. Em http://www.wineanorak.com/corks_part1.htm está todo o processo descrito por alguém tem um doutoramento, é membro da Association of British Science Writers e que ganhou vários prémios pelos seus artigos e livros já publicados.
4- Sobre as referencias que MC faz a latas de atum, latas de cerveja e redbull e as suas considerações sobre a terra do Sobreiro e o estado de espírito daqueles que lá vivem, realmente não vou responder nem comentar, pois não o poderia fazer sem ser trocista ou ofensivo e a educação recebida, que prezo, impedem-me de o fazer. Mas deixo aqui um pequeno filme que espero ajude a desanuviar os espíritos. Até porque parece que o título tem destinatário próprio:
http://www.savemiguel.com/
5- Discutidas e argumentadas estas questões, abordemos, por último, “os ventos da História” e a afirmação de MC que o alumínio e o petróleo são os responsáveis pelo bem-estar da humanidade. Claro que para aquela parte da Humanidade que fica pior quando lhe poluem os rios e lhe retiram ar saudável para respirarem, essa afirmação poderá soar estranha. Para os que beneficiaram do petróleo e da enorme destruição causada pelas minas a céu aberto de onde se extraem os componentes do alumínio, os ventos da história já começaram a mudar, pois a sua consciência assim o dita.
É que até os economicistas sabem que uma performance positiva não é garantia de lucros futuros. O que parte da Humanidade já compreende, em números que não auspiciam nada de bom para os Quintas do Côtto deste mundo, é que não podemos continuar como no passado. Criar mecanismos de progresso económico e social sem que isso implique paisagens “inóspitas e com balanço negativo para a biodiversidade” é o que nos trazem esses “ventos da História”. E felizmente que assim é, porque sabemos que esses ventos são como as vinhas; há que semeá-los com cuidado ou os resultados serão diferentes do esperado.
Conclusão:
É minha convicção que:
- O MC não quer debate e sim uma salvadora publicidade para os seus vinhos.
- Está desactualizado e muito mal informado sobre vedantes para vinho e sobre o sector da cortiça.
- Está completamente desactualizado sobre a dinâmica evolução do mercado do vinho engarrafado e as tendências dos consumidores.
- Está contra que se descubra uma “mina de ouro” (???) em Portugal preferindo que elas existam em outros Países (provavelmente porque não é sua).
- Prefere continuar a produzir os seus vinhos com as suas tampas de alumínio mesmo sabendo que essa sua atitude, somada a de outros que pensam e são como ele, só poderá levar a um mundo ambientalmente exaurido e destruído onde as gerações vindouras, à custa destes irresponsáveis comportamentos, é que sofrerão e pagarão esta obsessiva corrida ao lucro.
- Está completamente a borrifar-se para o impacto social, económico e ambiental que o desaparecimento do montado de sobro traria a Portugal.
- Noto todavia com muito agrado duas coisas nestes textos do MC:
A- Que todas as acusações às rolhas de cortiça, implícitas no primeiro texto do MC, reduziram-se finalmente a uma defesa, no mínimo infantil, sobre a utilização das cápsulas de estanho e o fútil “não sou o único” referindo-se a um outro produtor. É caso para se dizer que, verdadeiramente, a montanha pariu um rato.
B- A enorme preocupação demonstrada pelo MC em baixar o máximo possível o preço dos seus produtos para possibilitar uma mais fácil aquisição do mesmo pelos seus clientes. Anotei e conto, quem sabe um dia, utilizar essa “generosidade”, quando pretender comprar um lote na Quinta da Marinha. Depois informarei a todos dos resultados obtidos.
Com estas palavras encerro a minha participação neste debate de ideias que se desejava construtivo; para que o fosse, era necessário que os seus intervenientes também o fossem. De minha parte dei o meu melhor mas parece-me, sinceramente, que este debate (como alguns vinhos que utilizam o screwcap) está a ficar “reduzido” ou “oxidado”, que são os termos com que os utilizadores das tampas de rosca de alumínio empregam para classificar vinhos com problemas causados, exactamente, pelo seu vedante de eleição, o screwcap.
Agradecido pela atenção que me deram,
António Posser de Andrade
Produtor Florestal"
A discussão sobre o uso das rolhas, que é mais que uma discussão sobre rolhas sendo sobretudo uma discussão sobre a integração da sustentabilidade nas decisões empresariais e nas decisões de consumo, tem neste post mais um desenvolvimento, desta vez por António Posser de Andrade:
"É inevitável deduzir que Miguel Champalimaud (MC) achou a minha resposta ao seu texto inicial insuficientemente estruturada para merecer a sua resposta.
Não estranhei, mas noto esta sua postura pois recebi algumas centenas de mensagens de apoio que tinham como denominador comum o facto de essa minha resposta estar bem fundamentada e bem estruturada. Enfim, é uma opinião que devo respeitar, mas tenho pena, pois devo admitir que custou-me muito tentar estruturar uma resposta a umas afirmações tão tendenciosas (para já não falar das perguntas) como as que Miguel Champalimaud proferiu.
Mas, como me incluiu na lista de endereços no seu segundo texto endereçado ao Sr. Arquitecto Henrique Pereira dos Santos decidi gastar mais algum tempo, apesar de com pouca esperança de mudar o “fundamentalismo” e o claro “engajamento” das suas opiniões; mas com o intuito claríssimo e prioritário de não deixar que a mesma mentira repetida muitas vezes passe a ser considerada, por alguém menos conhecedor do assunto, uma verdade.
Assim, continua a “luta”.
Após período extenso de reflexão claramente concluo que a falta de resposta do MC aos meus argumentos demonstra que Miguel Champalimaud realmente não quer debate nenhum pois, caso o quisesse, teria:
1- Respondido directamente ao que escrevi e não apenas colocado o meu nome em cc numa sua suposta resposta ao Sr. Arq. Henrique Pereira dos Santos.
2- Enviado essa sua suposta resposta ao correcto endereço de mail do Sr. Arq. Henrique Pereira dos Santos e não para um endereço de mail da Quinta da Marinha; que creio seja pertença do próprio Miguel Champalimaud ou da sua Quinta da Marinha (IMCEAMAILTO-as1075017+40sapo+2Ept@quintadamarinha.pt).
(Vai sempre a tempo de reenvia-lo para o correcto as1075017arroubasapo.pt, como se pode muito bem ver no correio electrónico que originalmente recebeu do Sr. Arquitecto.)
Fundamenta também esta minha convicção a certeza de que o MC já percebeu que está desactualizado ou simplesmente desconhece o que se passa na questão dos vedantes para vinho, em particular e, no sector da cortiça, em geral.
Pode-se deduzir isso pelas enormes confusões que faz em assuntos concretos, por ele próprio levantados, como por exemplo no que diz respeito às declarações do crítico Robert Parker. Note-se inclusive que, até o seu enólogo, pasme-se, não alinha pelas "convicções" do MC pois em recente entrevista a uma estação de televisão nacional refere (mal) em 5% os vinhos afectados com “sabor a rolha”. Afinal em que ficamos? Parker (que na primeira carta de MC era o seu primeiro e principal trunfo) afinal afirma que são menos de 1%, o enólogo da casa Montez Champalimaud fala de 5% e o MC brinda-nos com …. 15%. Oops, com certeza uma pequena gafe; sem querer, claro.
Ao mesmo tempo MC, que se auto-proclama um defensor da modernidade, demonstra estar bastante desactualizado com notícias realmente modernas sobre o sector e o produto que acusa de ser "passado"; tal como se pode ver ao menosprezar ou desconhecer o facto já mencionado no meu texto anterior sobre os vinhos da Nova Zelândia da marca "Nobilo", que são líderes nos EUA exactamente porque se diferenciaram da concorrência ao adoptar a nossa velha e antiga rolha de cortiça como seu vedante de eleição.
Mas tenho novidades para o MC sobre para onde sopram os ventos da modernidade. Agora, sobre o mercado Europeu e especificamente o Inglês:
http://www.guardian.co.uk/environment/2009/dec/31/sainsburys-corks
Ainda há tão pouco tempo a Inglaterra e as suas maiores cadeias de distribuição eram a ponta da lança das tampas de rosca de alumínio provenientes dos novos vinhos produzidos na sua Commonwealth. Parece que afinal as coisas estão a mudar. Boas notícias para Portugal sem dúvida. Para o MC? Ele é que sabe.
Especificamente sobre a putativa réplica do MC, a que ele me deu acesso, gostaria somente de dizer algumas coisas, pois os inúmeros argumentos apresentados não resistem a uma análise minimamente atenta. No interesse da rapidez da leitura e porque creio que já todos percebemos que os argumentos do MC não são de “quem quer discutir, argumentar e ver os ventos da História, mas antes de alguém engajado (sic)”, apenas noto que:
1- Uma análise do ciclo de vida dos diferentes vedantes e elaborado pela Price WaterhouseCoopers para um fabricante de rolhas, por acaso, até inclui o impacto ambiental de uma cápsula de PVC. Para ver onde a “modernidade”de MC nos levaria a todos, relembro que o vedante utilizado no Qt. do Côtto emite 24 vezes mais CO2 que a rolha de cortiça MAIS a cápsula, sendo que e como complemento a este dado informo que a existência do montado de sobro (só) em Portugal é responsável pela retenção ANUAL de 5 milhões de toneladas de CO2, conforme estudo especifico elaborado pelo ISA (Instituto Superior de Agronomia).
2- As ONG’s, goste-se ou não delas, são claras quando dizem que no mundo existem 100 000 empregos que dependem da cortiça. Trabalharão quase todos na mesma empresa? A verdade é que apenas a Associação de Cortiça de Portugal conta com centenas de empresas que são parte de um tecido empresarial que existe em vários países do mundo. Existe um líder na indústria? Claro, mas que indústria de sucesso na história do mundo não tem um líder?
3- Há empresas de cortiça que têm mais de metade das suas necessidades energéticas cobertas por biomassa, material obviamente renovável. Em algumas unidades essa % pode chegar aos 80%. Que “discute” realmente MC quando decide ignorar repetidamente factos como estes? Quanto à emissão de águas “lixiviadas” (sic) não sei se o adjectivo alguma vez existiu; mas há mais de uma década que não se usa cloro no processo produtivo da cortiça. Obviamente que MC deve seguir o seu próprio conselho: “visite-se uma moderna fábrica de cortiça com olhos de ver;” e se não o conseguir, tem sempre a opção de ver na internet “de forma exaustiva o moderno processo produtivo de uma rolha de cortiça”. E, imagine-se, até há jornalistas que se “atrevem”. Em http://www.wineanorak.com/corks_part1.htm está todo o processo descrito por alguém tem um doutoramento, é membro da Association of British Science Writers e que ganhou vários prémios pelos seus artigos e livros já publicados.
4- Sobre as referencias que MC faz a latas de atum, latas de cerveja e redbull e as suas considerações sobre a terra do Sobreiro e o estado de espírito daqueles que lá vivem, realmente não vou responder nem comentar, pois não o poderia fazer sem ser trocista ou ofensivo e a educação recebida, que prezo, impedem-me de o fazer. Mas deixo aqui um pequeno filme que espero ajude a desanuviar os espíritos. Até porque parece que o título tem destinatário próprio:
http://www.savemiguel.com/
5- Discutidas e argumentadas estas questões, abordemos, por último, “os ventos da História” e a afirmação de MC que o alumínio e o petróleo são os responsáveis pelo bem-estar da humanidade. Claro que para aquela parte da Humanidade que fica pior quando lhe poluem os rios e lhe retiram ar saudável para respirarem, essa afirmação poderá soar estranha. Para os que beneficiaram do petróleo e da enorme destruição causada pelas minas a céu aberto de onde se extraem os componentes do alumínio, os ventos da história já começaram a mudar, pois a sua consciência assim o dita.
É que até os economicistas sabem que uma performance positiva não é garantia de lucros futuros. O que parte da Humanidade já compreende, em números que não auspiciam nada de bom para os Quintas do Côtto deste mundo, é que não podemos continuar como no passado. Criar mecanismos de progresso económico e social sem que isso implique paisagens “inóspitas e com balanço negativo para a biodiversidade” é o que nos trazem esses “ventos da História”. E felizmente que assim é, porque sabemos que esses ventos são como as vinhas; há que semeá-los com cuidado ou os resultados serão diferentes do esperado.
Conclusão:
É minha convicção que:
- O MC não quer debate e sim uma salvadora publicidade para os seus vinhos.
- Está desactualizado e muito mal informado sobre vedantes para vinho e sobre o sector da cortiça.
- Está completamente desactualizado sobre a dinâmica evolução do mercado do vinho engarrafado e as tendências dos consumidores.
- Está contra que se descubra uma “mina de ouro” (???) em Portugal preferindo que elas existam em outros Países (provavelmente porque não é sua).
- Prefere continuar a produzir os seus vinhos com as suas tampas de alumínio mesmo sabendo que essa sua atitude, somada a de outros que pensam e são como ele, só poderá levar a um mundo ambientalmente exaurido e destruído onde as gerações vindouras, à custa destes irresponsáveis comportamentos, é que sofrerão e pagarão esta obsessiva corrida ao lucro.
- Está completamente a borrifar-se para o impacto social, económico e ambiental que o desaparecimento do montado de sobro traria a Portugal.
- Noto todavia com muito agrado duas coisas nestes textos do MC:
A- Que todas as acusações às rolhas de cortiça, implícitas no primeiro texto do MC, reduziram-se finalmente a uma defesa, no mínimo infantil, sobre a utilização das cápsulas de estanho e o fútil “não sou o único” referindo-se a um outro produtor. É caso para se dizer que, verdadeiramente, a montanha pariu um rato.
B- A enorme preocupação demonstrada pelo MC em baixar o máximo possível o preço dos seus produtos para possibilitar uma mais fácil aquisição do mesmo pelos seus clientes. Anotei e conto, quem sabe um dia, utilizar essa “generosidade”, quando pretender comprar um lote na Quinta da Marinha. Depois informarei a todos dos resultados obtidos.
Com estas palavras encerro a minha participação neste debate de ideias que se desejava construtivo; para que o fosse, era necessário que os seus intervenientes também o fossem. De minha parte dei o meu melhor mas parece-me, sinceramente, que este debate (como alguns vinhos que utilizam o screwcap) está a ficar “reduzido” ou “oxidado”, que são os termos com que os utilizadores das tampas de rosca de alumínio empregam para classificar vinhos com problemas causados, exactamente, pelo seu vedante de eleição, o screwcap.
Agradecido pela atenção que me deram,
António Posser de Andrade
Produtor Florestal"
Cortiça versus Screwcaps

Por um erro de endereçamento só um dia destes recebi a resposta de Miguel Champalimaud à minha carta sobre as rolhas. Aqui fica (e dentro de algum tempo publico também a carta de resposta de António Posser de Andrade).
"Recebida sua comunicação de 01 JAN 2010 sobre o assunto.
Das reacções e comentários recebidos até hoje, devo dizer-lhe, foi a única estruturada e com alguma consistência, pelo que se outra razão não houvesse, essa seria suficiente para que eu lhe escrevesse.
Começando por aquela permita-me esclarecer, que:
1. apenas considero “gente da retaliação e do boicote” aquela que, na internet ou outro meio, colectivamente promove o boicote ao consumo de vinho engarrafado vedado com tampaderosca/screwtop, como forma de punição e retaliação daqueles que se atreveram a pôr em causa publica e frontalmente o satus quo reinante.
Não parecendo ser esse o seu caso, apesar do óbvio próximo relacionamento com a Quercus, eventualmente não fará parte daquela gente.
1.1 Estando, no entanto, como por si claramente afirmado, na categoria “dos que boicotam tampasderosca/screwtops”, espero que boicote também todas as bebidas engarrafadas com tampasderosca/screwtops, como as águas, as cervejas Sagres e Superbock, Whiskies, Gins, Vodkas, Refrigerantes incluindo a Coca-cola e diversos sumos ditos de fruta, engarrafados em garrafas de vidro ou de plástico e não vedados com rolhas de cortiça ou sequer com qualquer produto à base da cortiça ou natural, bem como todas as bebidas e conservas contidas/embaladas em latas, vide redbull, atum etc, etc, porque a tal o obriga a coerência e a lógica subjacente ao seu afirmado boicote às tampasderosca.
2. Nenhum preconceito tenho contra qualquer grupo de potenciais clientes, porquanto apenas me move o propósito de fazer chegar a todos, vinho da mais elevada qualidade, ao mais baixo preço possível.
2.1 Sendo que, se para atingir aquele objectivo for necessário suprimir/substituir uma matéria subsidiária, pouco fiável e cara, não se hesite, faça-se!;
2.2 eu fiz, substituí a rolha de cortiça por uma tampaderosca/screwtop, às claras, publica e frontalmente;
2.3 não o fiz, escondendo-me atrás de vedantes de 2ª ordem feitos integralmente de subprodutos de cortiça, aglomerados de cortiça aglutinados com cola, rolhas ditas técnicas parcialmente feitas de cortiça e aglomerado de cortiça aglutinado com cola, ou ainda pior, vedantes imitando uma rolha como as rolhas de silicone, vide o vinho alentejano Quinta do Carmo, branco;
2.4 e fi-lo, após um longo período de investigação e reflexão, e de 40 anos a usar rolhas de cortiça, sendo hoje minha convicção que as actuais tampasde rosca/screwtops, são tecnicamente o melhor vedante de garrafa, para vinhos de guarda ou vinhos para beber desde logo.
3. O facto de, como refere, existir um elevado número de clientes que não pode comprar os meus vinhos com mais frequência, por neles não abundar o dinheiro, foi uma das razões que me fez mudar das rolhas de cortiça para as tampaderosca/screwtops.
3.1 Não querendo nem achando que deva esperar, que aquele detalhe da vida dos meus clientes – a falta de dinheiro - se altere, substituí a rolha de cortiça pela tampaderosca/screwtop, o que me permitiu baixar o custo total das matérias subsidiárias de cada garrafa de Quinta do Côtto e Teixeiró, em cerca de 40%;
3.2 o que propiciou a muitos dos meus clientes, menos endinheirados, beber com mais frequência os meus vinhos por estes serem agora bem mais baratos.
4. Da minha resposta não resulta que tenha dito que o Henrique ou outrem, é ignorante, mas sim que existem “pessoas com falta de informação”.
4.1 Também não disse que o Henrique ou outrem, ande a mando de terceiros, mas sim que existe um grupo de pessoas, e algumas delas pertencentes a diversas associações ambientalistas ou de produtores de cortiça e de rolhas, como a APPCOR, que a mando e no interesse de terceiros, que não se assumem publicamente, agem tendo em vista, punir e retaliar economicamente, contra aqueles que se atreveram a pôr em causa o status quo politico e económico reinante;
4.2 e para se constatar que assim é, e não um processo de intenções por mim inventado, basta aceder ao site http.www.ecologicalcork.com/files/artigo_
084.html, que o Henrique seguramente conhece como frequentador da internet que é, e interessado nestes assuntos;
4.3 ao afirmar na sua comunicação “…e a sua empresa prefere optar por uma solução fácil e barata, ainda que com implicações globais negativas, a optar por soluções globais que têm impactos globais positivos” optou por ser conclusivo sem fundamentar, o que sendo um estilo muito em voga na política e nos media, presente em toda a sua comunicação, não me parece próprio de quem quer discutir, argumentar, ver onde está a modernidade e os ventos da História, mas antes de alguém engajado.
Passando ao cerne da questão por si levantada e que, se bem entendi, fundamenta a sua atitude pessoal de boicote às tampasderosca/screwtops a saber:
o abandono e substituição do uso de materiais com forte impacto positivo na sustentabilidade (a rolha de cortiça) por soluções que se encaixam num modelo económico assente no esgotamento de recursos não renováveis (a tampaderosca/screwtops).
5. Esmiuçando:
5.1 o actual uso da rolha de cortiça, incluindo a inerente e sempre presente cápsula de, estanho, complexo(1) ou PVC, é científica, tecnológica e economicamente orientada para a sustentabilidade;
(1) Complexo – cápsulas fabricadas a partir de alumínio complexo que consiste no laminado constituído por uma película de polietileno entre duas de alumínio. Ver http:www.acrelvas.pt/pt/índex.html
5.2 o alternativo uso de tampasderosca/screwtops é científica e tecnologicamente orientada para o esgotamento de recursos não renováveis;
5.3 a base dos vedantes de cortiça é um produto renovável com baixa incorporação energética;
5.4 a base dos vedantes tampaderosca/screwtop são materiais não renováveis com fortes incorporações energéticas;
5.5 as paisagens rurais produzidas a partir da produção de cortiça são lindas e têm um balanço positivo na biodiversidade;
5.6 as paisagens produzidas a partir da extracção de petróleo e ou alumínio são inóspitas e têm balanço negativo na biodiversidade.
6. Permita-me que contra argumente, ponto por ponto:
6.1 o actual uso da rolha de cortiça, incluindo a inerente e sempre presente cápsula de estanho, complexo(1) ou PVC, não é, ao contrário do que diz, especialmente orientado para a sustentabilidade porquanto:
6.1.1 o aumento do consumo de garrafas de vinho e outras bebidas engarrafadas, aumenta há cerca de 120 anos, de acordo com uma progressão geométrica, o que a prazo tornará a cortiça tão valiosa como o ouro por falta de oferta/raridade;
6.1.2 aquele facto associado à situação de Portugal dominar 80% da produção mundial de rolhas de cortiça, e de, daqueles 80% de rolhas portuguesas, cerca de 70% delas serem produzidas/comercializadas por uma só empresa, ou empresas de um grupo;
6.1.3 descambou/descambará, num descarado monopólio de facto e abuso de posição dominante, que todos conhecem e falam à boca pequena, mas ninguém combate;
6.1.4 até hoje a rolha de cortiça, apesar do seu elevado valor acrescentado inicial não se mostrou, nem utilmente reciclável nem reutilizável sob nenhum ponto de vista;
6.1.5 até hoje a produção de cortiça em bruto, seja no Alentejo seja no resto do país, só produziu regiões e ambientes humanos sociais deprimidos e gente dependente do permanente apoio estatal, vide todo o Portugal rural;
6.1.6 até hoje, a indústria de produção de rolhas de cortiça, só produziu regiões e ambientes humanos sociais deprimidos e gente dependente do permanente apoio estatal, vide os recentes despedimentos efectuados pela indústria e baixíssimo rendimento per capita dos operários envolvidos na indústria de produção de rolhas de cortiça em Portugal;
6.1.7 como todos sabem, mas fazem por esquecer ou omitir, à produção de uma rolha de cortiça está sempre associado, e hoje mais do que ontem, um elevado consumo energético com a cozedura e a lavagem da cortiça em bruto e das rolhas acabadas, com água e diversos produtos químicos, visando obter-se um produto isento de TCA e outras maleitas o que até hoje, diga-se, não foi conseguido.
Visite-se uma moderna fábrica de cortiça com olhos de ver;
6.1.8 acresce que a cada rolha de cortiça está associada, a sempre presente cápsula, de estanho, complexo(1) ou PVC, o que todos os que criticam as tampasderosca/screwtops de uma forma pouco séria, omitem propositadamente, assim tentando tapar o sol com a peneira.
6.2 Do uso de tampaderosca/screwtop, resulta o uso de uma cápsula de alumínio, reciclável como todos os metais, acrescendo que uma garrafa assim vedada, pode ser reutilizável quase indefinidamente, como útil vasilha;
6.2.1 temos assim, que onde tínhamos duas matérias subsidiárias, rolha de cortiça e cápsula de estanho, complexo(1) ou PVC, em que ambas não são reutilizáveis, passamos com a tampaderosca/screwtop a ter apenas uma matéria subsidiária reutilizável, como útil vedante de uma vasilha, incluindo a garrafa de vidro que continha a bebida inicial, que por força do vedante utilizado é também reutilizada mais frequentemente.
6.3 O por si afirmado não corresponde à realidade - o actual processo de produção de rolhas de cortiça implica a utilização de elevados recursos energéticos e a elevada produção de águas residuais industriais lixiviadas com altas percentagens de cloro e diversos produtos químicos altamente poluentes – convido-o, a si ou qualquer ambientalista, técnico ou industrial produtor de rolhas de cortiça, a descrever de forma exaustiva o moderno processo produtivo de uma rolha de cortiça.
A ver se alguém se atreve!
6.4 a base do vedante tampaderosca/screwtop é em tudo semelhante à da cápsula de estanho, complexo(1) ou PVC que acompanha todas as garrafas vedadas com rolhas de cortiça, com a vantagem de a tampaderosca/screwtop ser reutilizável e levar à reutilização da respectiva garrafa;
6.5 as paisagens rurais de montado de sobro, até hoje só produziram gente pobre e com um dos mais baixos rendimentos europeus per capita e vão continuar lindas se dos montados de sobro se deixar de extrair cortiça, ou seja, as paisagens lindas e a biodiversidade não vão desaparecer por se passar a utilizar tampaderosca/screwtop, aliás, como sabe, os montados de sobro originalmente não tinham como objectivo produzir cortiça ou rolhas de cortiça;
6.6 Algumas das paisagens produzidas a partir da extracção de alumínio e petróleo, serão como diz, inóspitas e com balanço negativo na biodiversidade, mas são também, há muito, as grandes responsáveis pelo actual elevado bem-estar global da humanidade que é o objectivo último de qualquer processo produtivo ou civilizacional.
Como vê, não quis nem quero varrer de uma penada para fora da discussão os aspectos da sustentabilidade e biodiversidade que considero matéria da maior importância e que estou preparado para discutir seriamente seja com quem for, desde que não se me imponha o acantonamento politico e económico, com base em sermões e lamechices ambientais ditas politicamente correctas, que fazem de uns os bons e dos outros os maus.
Pode ser que esteja enganado, ou a interpretar mal o que escreveu, mas esclareço-o, caso não saiba, que ao contrário do que diz, não existe uma “forte posição dominante de algumas empresas…” no sector da produção de rolhas de cortiça, mas apenas a forte posição dominante de uma empresa que, impune e descaradamente fixa, há longos anos e à margem da lei, os preços a jusante e a montante em toda a fileira da cortiça.
Termino, recomendando-lhe que quando esteja na presença de uma garrafa vedada com tampaderosca/screwtop, para a abrir, rode toda a cápsula da esquerda para a direita e não tente rodar apenas a parte superior da cápsula.
O uso da técnica correcta, mas óbvia, facilmente evitará qualquer dificuldade ou acidente de percurso, o que não será o caso do saca-rolhas, porque aí estará em causa simultaneamente o dito cujo que pode magoá-lo e a rolha de cortiça que pode partir-se ou mergulhar na garrafa, estragando o seu vinho.
Cumprimentos e um bom ano para si
15.JAN.2010
P.S. a) - não sendo um bloguista, por falta de tempo, agradeço que coloque esta carta no vosso blogue, desde que completa.
b) – deverá passar a ter presente que a grande maioria das cápsulas que usualmente são utilizadas pela indústria vinícola, porque de menor custo, são de complexo de alumínio ou pvc, isto é, têm como matéria prima base, o alumínio e o petróleo.
(1) Complexo – cápsulas fabricadas a partir de alumínio complexo que consiste no laminado constituído por uma película de polietileno entre duas de alumínio. Ver http:www.acrelvas.pt/pt/índex.html"
Posted by Henrique Pereira dos Santos at 6:35 PM 7 comments Links to this post
2010/02/20
Bem prega Frei Tomás

Por Daniel Oliveira
Em primeiríssima mão, as páginas 6 e 7 do jornal Sol na sua edição angola. Clique para aumentar (muito pesado)

Joaquim Oliveira tem negócios em Angola com Isabel dos Santos na ZON. Não vos preciso de explicar quem são os proprietários do semanário “Sol”. Será que é isso que explica que, ao contrário da edição portuguesa, o “Sol” tenha ido para Angola sem o conteúdo da página 7 (um anúncio do jornal a substituir), dedicada a Joaquim Oliveira? Seria feio que o que o “Sol” critica nos outros acontecesse na sua própria casa.
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