2010/08/01

Cervejas artesanais


Comentário a propósito deste post:

O problema é que nós não temos uma verdadeira cultura da cerveja.É normal que ao pedir uma Super Bock e para além da pergunta estúpida "quer copo?" vir um copo com o logo da Sagres ou com copo cilíndicro de wiskhy(?) ou até um copo com o logo da Sumol. Na Bélgica, na Holanda, na Alemanha, na República Checa isto é impensável.Já viram alguém, nestes países, beber da garrafa, esse desporto nacionalmente disseminado?Acrescente-se os copos gelados e secos. Enquanto nos países citados se molham os copos para retirar gas à cerveja aqui, quanto mais seco melhor, suponho que com o intuito de, depois, melhor arrotar , já sem falar da absurda baixa temperatura a que é normalmente servida.O mesmo se aplica ao wiskhy com gelo.O que o pessoal gosta mesmo é álcool.Seja de que maneira fôr.

Comentário a propósito deste post:

Há anos que tenho o privilégio de comprar vinho directamente ao produtor, no caso, um amigo e colega de longa data que, embora sendo um produtor de razoável dimensão, todos os anos reserva para os amigos o "puro da uva" sempre com a classificação de Bom a muito Bom.Por ser o "puro da uva" não leva conservantes o que implica o seu consumo de colheita a colheita.Depois de tentar todos os recipientes possíveis, garrafas tipo Borgonha com rolhas de cortiça, garrafas "cinco estrelas" com vedante de plástico tipo "carica", garrafões com rolha e vedante de plástico, depósitos de aço inoxidável com torneira "garantidamente estanques" e uma considerável quantidade de litros de vinho estragado ou passado veio,, finalmente o "sétimo céu".Compram-se em qualquer cooperativa agrícola os Bag-in-Box, enchem-se tendo o cuidado de ao colocar a rolha/torneira tirar todo o ar dentro do saco.A caixa e o saco custam mais ou menos dois euros (cinco litros).Armazena-se e consome-se sem estragar uma gota.Quando chega ao fim deita-se fora e pró ano compram-se outros.Outra questão a não desprezar é a de que o espaço de armazenamento é substancialmente reduzido.Já agora um pormenor. Na minha terra os "artistas", poupadinhos, já inventaram um alicate que retira a rolha/torneira sem a danificar o que permite lavar o saco e reutilizar.Quanto aos grandes produtores estão, como diz, a cometer um grande erro até porque os custos de engarrafamento julgo que são menores.Aqui há tempos soube que numa garrafeira da capital se estava a vender vinho de qualidade (comprovadamente) superior de um produtor (não digo o nome) que por a máquina de engarrafar normal se ter avariado se socorreu do expediente e vendeu o produto a 1,5€ o litro em embalagens destas.Sorte para quem tem informação previligiada. Pr mim não quero outra coisa.
Comentário a propósito deste post:

Tomar o nosso círculo de colegas na profissão, nomeadamente quando se adivinha pelo texto ser de nível superior ou o nosso círculo de amigos como representativo do nível cultural do país é, desculpe a expressão, um erro infantil e perigoso.

O Euro e o Cinema

Comemtário a prpósito deste post:

Pois é. O pessoal tem a memória curta.A penas um comentário sobre o "curiosamente" que colocou sobre a conversão para euros na sua ida ao cinema em 3 de Julho de 1999.O Euro foi lançado como moeda escritural e contabilística em 1 de janeiro de 1999 e como moeda corrente em 1 de janeiro de 2002 (três anos depois).Fui um dos responsáveis, com muito orgulho, da migração do Escudo para o Euro, nomeadamente na migração das Caixas Automáticas, da rede pública (Multibanco) e da rede privada do maior banco nacional, realizada numa única noite (2001/12/31) o que provocou o espanto e a admiração de toda a Europa, particularmente da sua comunidade bancária. Fique o registo.

Cartoons

Descilpem-me os puristas da língua pátria mas o título vai assim à inglesa.
Este blog da conta do que melhor se faz no mundo inteiro.

Chapeau

"Mérito de encontrar solução para a Vivo foi da PT"


Entrevista de Zeinal Bava ao DN sobre o negócio da VIVO/OI.

Com gestores como estes Portugal não precisa de ter medos. De nada.

Podem os pequeninos dizerem cobras e lagartos.

Fica a competência.

Acompanhemos futuros desenvolvimentos.

Com esta equipa a PT é imbatível.

Chapeau.

Aqui fica a entrevista:

Após o anúncio do meganegócio com a Telefónica, no dia em que se celebravam 12 anos sobre a compra da Vivo, o presidente executivo da PT revela os bastidores da maior disputa em que uma empresa portuguesa esteve envolvida. A intervenção do Governo, a diplomacia económica e a luta dos accionistas.
A venda da Vivo e a entrada na Oi foi um melhor negócio para os accionistas do que para a PT?
PT é dos accionistas, que numa Assembleia Geral decidiram que deveriam vender a Vivo a um valor x. Provavelmente, a 6,5 mil milhões teriam decidido não vender.
Mas foi um bom negócio para a PT?
Sim, porque vendeu-se a Vivo por um valor que é reconhecido por todos como extremamente atractivo e houve uma realização de valor importantíssima para a PT.
Mas não venderam pelo valor que estava proposto...
Venderam mais alto ainda! Correu--se o risco de ficarmos numa situação em que a PT pudesse até vender aquele activo mais baixo quando a Telefónica retira a proposta. Uma parte do mercado ficou preocupada também que com o processo de litigação pudesse resultar nisso.
Foi o seu caso?
Eu não fiquei preocupado porque desde o início considerámos que as ameaças que tinham sido feitas pela Telefónica não passavam de táctica negocial. Temos estilos diferentes - ninguém pode levar a mal - e o deles pautou por ser um discurso bastante hostil. Achámos que era táctico o não terem dado uma extensão à PT quando o Conselho de Administração solicitou mais 12 dias.
Esses 12 dias foram um risco calculado porque sabia que o diálogo não estava interrompido?
Sabíamos que tínhamos de resolver isto rapidamente, porque sendo estas empresas cotadas não podemos ter processos como este abertos por um tempo indeterminado. A incerteza no mercado gera desconto, e este destrói valor. Como a Telefónica trabalha para criar valor, e o caminho da litigação iria destruí-lo, seria penoso para ambas as partes fazê-lo.
Mesmo com valores tão altos em jogo?
Porque iria fazer que a Vivo fosse impactada e a Portugal Telecom iria fazer tudo para que tal não acontecesse. A situação de os dois accionistas controladores não se entenderem iria ter reflexos no negócio, até porque o Brasil é muito competitivo e podia levar à perda de quota e de valor da Vivo. Por isso, tínhamos de ser rápidos, para um lado ou para o outro.
No dia do veto da golden share, entendeu que Ricardo Salgado não se posicionaria contra mas que poderia convergir numa solução futura?
Somos uma empresa cotada e há uma gestão profissional. Eu fui bastante claro: a golden share é um tema do Conselho de Administração da PT e, nesse contexto, temos de ser fiéis aos nossos valores. Que são muito claros: a empresa é dos accionistas e temos de respeitar os estatutos da PT e a independência dos vários órgãos. Neste caso, o que se viu foi que a Mesa da Assembleia Geral teve um entendimento diferente do do Conselho de Administração.
Deixou sempre perceber que esta operação não era do género em que a golden share deveria ser accionada!
Não é uma opinião minha mas do Conselho de Administração da PT. O primeiro-ministro até deu uma entrevista ao El País em que diz que respeitava a minha opinião - leia-se, do Conselho - mas também temos de respeitar a dele. No fim, a opinião que importa é a do presidente da Mesa, que considerou que a golden share seria aplicável.
Acha que a utilização pelo Governo da golden share poderia ter sido prejudicial para o negócio?
O que posso dizer é que o que anunciámos [a venda da Vivo] esta semana foi bem recebido pelo mercado. Que incorporou duas coisas muito importantes: o valor oferecido pela Telefónica é extremamente generoso, provavelmente o mais alto já pago no sector das telecomunicações; e a Comissão Executiva e o Conselho de Administração tudo fizeram para encontrar uma boa solução para todos e viabilizou a transacção que os accionistas tinham votado.
Com o empurrão da golden share?
A golden share permitiu estarmos com um preço em cima da mesa que é melhor do que o que esteve na Assembleia Geral. Permitiu também colocar a fasquia alta porque é preciso garantir escala para a PT, e a transacção da Oi resolve esse problema estratégico. Por isso, o mercado elogiou tanto o negócio.
A venda da Vivo não se consumaria imediatamente. A PT não teria, com ou sem veto, tempo para se posicionar na Oi?
No mundo dos negócios, o timing é das coisas mais importantes que existem. A Oi estaria lá sempre, mas se a PT não tivesse tomado uma decisão rápida talvez iniciássemos um processo de litigação com a Telefónica por três a cinco anos e não tivéssemos oportunidade para poder fazer nada. O que se viu foi que a Portugal Telecom sempre negociou a venda da Vivo numa posição de força porque nunca quisemos vender a Vivo; sempre considerámos o Brasil estratégico e não precisamos de dinheiro.
Quando deixou a Vivo de ser um activo essencial para a PT?
A Vivo nunca deixou de o ser. Houve uma oferta irrecusável por parte dos accionistas da PT, e ninguém deve levar a mal o que eles pensam.
Enquanto defendia o interesse accionista, resistindo à pressão do preço da Telefónica, gostou de ver Ricardo Salgado e Nuno Vascon- celos a falar com a Telefónica em paralelo?
Não vou comentar esses temas, e acho que muito já foi dito sobre isso.
Não fragilizou a posição da PT?
Não. Os accionistas quando falam é para fazer bem às empresas nas quais têm capital. Por isso trabalho sempre com base nos pressupostos de que a empresa é dos accionistas e que estamos cá para os servir.
Nem se sentiu incomodado?
Nada! Acho que neste processo o Conselho de Administração mostrou um nível de coesão exemplar num período muito enervante, porque estamos a falar de muito dinheiro. As pessoas falam com alguma ligeireza sobre "podia-se dizer não a isto ou àquilo" mas há imensa gente que tem muito dinheiro investido na PT, para além do interesse estratégico da PT para o País.
Notou-se alguma divergência entre as suas posições e as de Henrique Granadeiro.
Não, nunca. Estivemos sempre de mão dada. Naturalmente que Henrique Granadeiro é na PT a pessoa que mantém a relação com a golden share e o âmbito de preocupação que tem é mais abrangente do que o meu nesse aspecto. Acho que temos uma convivência até bastante atípica de chairman/CEO porque já foi meu presidente, eu já fui presidente dele, e fomos colegas. Ou seja, estivemos nas trincheiras juntos e sem o formalismo que caracteriza essas relações noutras empresas.
A relação com a golden share por parte de Henrique Granadeiro facilitou a concretização do negócio?
O presidente da Mesa da Assembleia Geral considerou que o artigo 15 era aplicável e a golden share foi exercida. Definiu um objectivo, expressou uma preocupação. O que nos cabe fazer? Ser pragmáticos, ir para o terreno e dizer "como consigo endereçar estas preocupações?" Fizemo-lo e acreditamos que a Oi pode ser uma solução. Talvez não seja a única, mas no mercado brasileiro acreditamos que será.
Diz que a activação da golden share serviu para aumentar o preço e dar tempo à PT para se organizar no sentido de arranjar uma alternativa de escala e crescimento no Brasil. Isso teria acontecido sem o seu uso?
No mundo dos negócios, há sempre um tempo para as coisas acontecerem. Hoje, estamos confrontados com um facto e não faz sentido especular mais sobre isso. O facto é que em 30 dias foram criadas condições para a PT encontrar uma solução que agradou a todas as partes. Este é um mérito da PT, porque o conseguiu.
Esse não é um mérito da golden share mas da PT...
Repito, foi criada uma situação na Assembleia Geral. A solução mais simples era vender nessa altura mas, na maior parte das vezes, a solução mais simples não é necessariamente a melhor! Basta ver como a comunicação social retratou bem o resultado nesta semana, para se entender que a resolução deste tema da Portugal Telecom tem muitos vencedores. Essa é a parte positiva.
O que é muito raro num negócio desta dimensão?
Fico muito contente por poder dizer que a golden share está satisfeita porque sente que a PT é uma empresa com escala, que vai manter um projecto internacional ambicioso e que as condições que foram criadas foram suficientes para se sentir confortável com a transacção. Fico satisfeito em ver os meus accionistas a dizer "se dia 30 tínhamos vendido por um preço, agora conseguimos um ainda melhor!".
Mesmo que parcelado?
Uma parte do dinheiro vem diferida no tempo, mas conseguimos um preço de referência ainda maior! Fico contente ao ouvir os trabalhadores dizerem "as nossas cinco metas continuam intactas". Já recebi não sei quantos e-mails e sms de colaboradores a dizer "grande desafio esse da Oi, conte comigo!" Os desafios são muito bons para as empresas.
A golden share serviu, neste caso, para garantir os interesses da empresa e dos accionistas?
Não estou de acordo com essa leitura. É uma leitura malandra que está a fazer - entendo-a, mas não acho que esteja correcta. Vi alguém na televisão a dizer "têm de explicar porque é que a PT é uma empresa estratégica para o País". Essa pessoa tem de olhar para o relatório e contas da PT e ver qual é o volume de negócios e quantas pessoas empregamos directa e indirectamente! O talento não vai atrás de onde há trabalho mas de comunidades e de lugares onde as pessoas se sentem à vontade e encontram boas condições de vida.
A venda da Vivo esteve em perigo?
Quando, no dia 16, a Telefónica decidiu não estender a oferta foram muitas as pessoas que disseram que "a probabilidade de a transacção da Vivo acontecer é um terço". Quem conhece a situação da Oi sabe que a probabilidade de alguma empresa conseguir entrar naquele núcleo de controlo era mínima. Ou seja, o que estava em curso tinha uma probabilidade de 10% na melhor das hipóteses, e conseguimos fazê-lo em tempo absolutamente recorde. Nestes 30 dias encontrou-se uma solução que era boa para todas as partes e, por isso, pode dizer-se que estamos num projecto em que todos se sentem vencedores.
Que não era expectável a seguir à Assembleia Geral?
Eu disse imediatamente a seguir à Assembleia Geral: "Vamos continuar a trabalhar para fazer o melhor para todos os accionistas." Naturalmente, quando falamos de todos os accionistas não podemos descurar o accionista que tem direitos especiais, e acho que conseguimos fazê-lo também. Foi fruto de um trabalho de equipa enorme da Comissão, da Administração e também dos accionistas da PT, que ajudaram muito.
Que teve um final feliz?
E nada melhor do que o que aconteceu. Dá-me um prazer enorme ver Sócrates contente, Ricardo Salgado contente, a Ongoing contente, os meus fundos internacionais contentes... A direcção é a mesma, o caminho é outro, vamos celebrar o resultado final em vez de lamuriar. Conseguimos transformar algo que foi visto como uma contrariedade numa oportunidade para fazer o melhor para todas as partes. Vamos virar a página.
A OPA da Telefónica sobre a PT está posta definitivamente de parte ou ainda é um próximo passo?
Falou-se bastante na OPA no contexto da operação da Vivo e, num determinado momento, até deram uma entrevista no Financial Times em que afloravam essa hipótese. O tema da Vivo está resolvido, daqui a 60 dias a Vivo estará vendida, e penso que esse capítulo está encerrado. O contexto em que a Telefónica falou nisso já mudou.
Não haverá, em princípio, mais essa pretensão por parte da Telefónica?...
Uma empresa cotada está sempre sujeita a OPA! Se não demonstrarmos ao mercado e aos nossos accionistas que somos uma equipa de gestão que consegue criar valor acima da média, então teremos um problema. Se, como empresa, não conseguirmos justificar ao mercado que estamos a gerir os activos para maximizar o valor, alguém virá e fará isso melhor do que nós. São as regras do jogo.
Em que moldes a parceria com a Telefónica poderá continuar?
Será uma parceria muito mais tecnológica e diferente, não de capital.
Nem no terreno, por exemplo, Marrocos?
Nesse aspecto a Telefónica também já deu a entender que prefere ser dona dos activos a 100% ou com o seu controlo absoluto. A PT não é um investidor financeiro mas estratégico e quando investimos não é para mandar mas para poder aportar o nosso valor acrescentado.
Com a Oi, a PT passa de uma participação na empresa líder no móvel para o 4.º operador. Perde muito?
Não posso contrariar essa realidade da nossa posição agora. De facto, a Vivo é líder no móvel e a Oi no fixo, mas em 2006, quando foi a OPA da Sonae, a Vivo era um problema e queriam vender a Vivo. Dissemos que não! Nesse momento chegou a falar-se de que o único activo bom para ficar era Marrocos, e tomámos uma decisão - das mais difíceis que algum dia tomámos -, que foi dizer: "Separa-se a empresa de cabo, criamos um concorrente e mantemos a Vivo." Propus isso ao Conselho e a PT demonstrou uma característica muito rara nos incumbentes das telecomunicações: a capacidade de gestão e de engenharia. E por isso temos de ter confiança na capacidade da PT de olhar para a Vivo e acreditar que vamos contribuir com o nosso valor acrescentado nos novos parceiros brasileiros. Nós somos pagos para criar valor!
Como é que a Telefónica se defende do conhecimento da PT sobre a Vivo?
A Vivo era controlada conjuntamente. O mérito é da PT, da Telefónica, dos trabalhadores e da equipa executiva da Vivo. A PT não tem o monopólio de tudo o que foi feito...
O interesse económico na Vivo era de 29% enquanto na Oi é de 22,38%. Não é andar para trás?
A Vivo é mais pequena que a Oi- -Telemar. Por isso, quando se olha para a apropriação de resultados, é praticamente ela por ela. Há um interesse económico mais pequeno, mas a Oi é maior que a Vivo, até em termos de resultados. Deste modo, naquilo que é um dos nossos objectivos estratégicos - atingir dois terços do negócio fora de Portugal - estamos na mesma direcção, só escolhemos um caminho diferente.
Agora, é hora de os accionistas pedirem dividendos...
As empresas cotadas têm de encontrar o equilíbrio entre todos os accionistas; para as condições dos trabalhadores; nos projectos internos de responsabilidade social; garantir que pagamos a tempo e horas aos fornecedores; dar mais e melhores serviços a preços mais baratos e, naturalmente, temos de remunerar os nossos accionistas!
Os dividendos irão satisfazer os accionistas?
Prometemos 57,5 cêntimos durante três anos. Já o pagámos o ano passado, este ano vamos fazê-lo e para o ano também. Em relação ao diferencial de 3,75 mil milhões que temos pelo que a Telefónica vai pagar pela Vivo, o Conselho de Administração ainda não teve tempo de qualidade para decidir. Estes últimos cem dias foram infernais, mas o Conselho de Administração tem experiência e passado. Sempre cumprimos o que prometemos ao mercado.
Não serão distribuídos mais dividendos além dos 57,5 cêntimos?
Não é isso que estou a dizer. A forma como a PT pretende usar os 3,75 é algo que o Conselho de Administração da PT ainda vai analisar.
Poderá passar por reinvestimento?
A única coisa que dissemos formalmente é que este dinheiro poderá ser usado para múltiplos objectivos: investimento, reduzir dívida, meter no fundo de pensões, pagar dividendos... Por uma questão legal, até usámos uma definição muito ampla para o Conselho de Administração ter toda a flexibilidade e poder tomar a melhor decisão tendo em conta os interesses de todos e dos vários projectos que a PT tem.
A percepção é de que os accionistas queriam fazer dinheiro já!
Acho que essa ideia é completamente errónea. Da mesma maneira que não acredito que as soluções simples são sempre as melhores e, de facto, na Assembleia Geral da PT estávamos confrontados com uma que era muito mais simples do que a que encontrámos. Esta, no entanto, resolveu um problema de escala e estratégico que podíamos potencialmente vir a ter. Acho essa forma de falar do tema errada. Os accionistas investem nas empresas para ganhar dinheiro, mas ele tem um custo de oportunidade e tem de ser remunerado adequadamente, mas cabe ao Conselho de Administração definir as prioridades.
Os accionistas protestaram quando o Governo vetou o negócio porque não viam retorno rápido. Querem ou não ganhos imediatos?
A PT dá-se ao luxo de poder dizer que tem uma estrutura de capital relativamente estável há muitos anos, e mesmo o Estado, directa ou indirectamente - deixando de lado a questão da golden share - tem mantido desde sempre uma participação na PT de 10%. O grupo Espírito Santo é um grande aliado da PT desde sempre, nos bons e maus momentos, e nunca o vi vender uma acção quando a moeda brasileira se desvalorizou. Por essa razão, neste processo da Vivo não houve praticamente transformação da base de capital da PT.
Mas a estrutura accionista da PT vai manter-se igual ou alterar?
Eu vejo a estrutura accionista da PT como muito estável há vários anos.
Mesmo quando sai a Telefónica?
Não altera, apenas houve uma mudança de parceria estratégica. Que poderá levar a uma alteração, porque, ao abrigo do acordo que fizemos com a Oi, esta pode vir a comprar até 10% da PT.
E há a dispersão da Telefónica que aconteceu antes da Assembleia.
Dizem que venderam e, tecnicamente, fizeram-no. Hoje só têm 2%. Assim sendo, acho que a nossa estrutura de capital tem sido estável.
Ainda há o BES, a Ongoing... Vão manter-se todos?
Cada um poderá responder por si e eu não posso falar por eles. Mas também temos tido um grupo de accionistas de referência internacionais que estão na PT há muitos anos. Não devíamos qualificar português/não-português, porque existem accionistas de longo prazo e esses incluem investidores internacionais que estão no capital da PT há muitos anos.
O Presidente Lula da Silva colocou a questão da identidade nacional da Oi, e disse que vai continuar "brasileira da silva". Como é que olha para esta frase do Presidente do Brasil?
As empresas de telecomunicações em todos os mercados são empresas de referência. A postura da PT não vai contra este tipo de afirmações e, apesar de podermos nomear o presidente executivo da Vivo por direito, a PT decidiu por um brasileiro!
Roberto Lima, que ficou muito satisfeito com este negócio!
Claro! Viu realizados 7,5 mil milhões na participação da Vivo... Em 2006, 100% da empresa valia oito mil milhões, passados quatro anos um terço vale 7,5. Caramba! Foi uma forte valorização.
O sucesso desta negociação apaga a má imagem da PT no negócio falhado de compra de parte da TVI?
Esse tema foi tratado devidamente nas várias comissões parlamentares de inquérito, aonde tive o privilégio de ir três vezes e o Henrique duas. Acho que a PT prestou toda a informação e tudo o que tinha a dizer fê-lo no fórum certo - a casa da democracia. Sempre dissemos que os conteúdos são muito importantes, e a nossa visão continua a ser a de que a diferenciação na televisão por subscrição tem de estar assente em cima deles mas também de funcionalidades. Os clientes Meo nunca vão ficar prejudicados, nem que tenhamos de pagar mais caro pelos conteúdos. Continuamos a lamentar o facto de a Autoridade da Concorrência ainda não ter olhado para o tema de conteúdos com a urgência e a importância que merece.
Nos momentos de maior tensão e menor racionalidade no negócio PT/Telefónica, em algum momento pensou "estou farto disto, quero ir embora"?
Não, nunca.
Nunca teve vontade de desistir?
Não. Somos uma equipa de gestão profissional e a maior parte já trabalha na PT há oito, nove, dez anos - já estou na PT há quase 12 anos - e com paixão e convicção nas nossas ideias e objectivos claramente definidos. Pela dimensão do País, o nosso ponto de partida, temos um défice em relação a Espanha, a França porque eles são 40 milhões, 60 milhões, 70 milhões e nós um mercado de dez milhões mas não prescindimos dos nossos cinco objectivos, que retratam a ambição da empresa. E não é só na Comissão Executiva, é da empresa toda.
Não teme os desafios?
A razão pela qual nunca senti medo é porque tenho muita confiança na PT e nas pessoas que trabalham aqui. Isso permite-nos sempre colocar a fasquia bem alta e permite-me dizer sempre que não tenho plano A e plano B. Só tenho um plano, e executamo-lo. E temos uma cumplicidade com o Conselho de Administração que permite assumir objectivos agressivos e dar uma guinada ao leme para ajustar se for necessário.

Herdeiro de Aécio

O blog de A. teixeira é incontornável.
A qualidade dos seus textos sempre com "links" oportunos, a intelectualidade segura se percebe por detrás e a variedade de temas abordados faz com que ressalte da mediocridade que impera na blogoesfera.
Chapeau.

Duas ou três coisas

O blog de Francisco Seixas da Costa nosso homem em Paris é um caso sério de equilibrio político, decência democrática, saber de experiência feito, humildade e humor.
Sempre com uma escrita escorreita é já um blog de referência nesta tão maltratada blgoesfera.
Bem haja.

Chapeau.

Culpados públicos

Retirado daqui com uma "chapelada" enorme:

Não é novidade para ninguém que há hoje figuras, que já eram ou se tornaram públicas, ligadas a processos judiciais, que surgem como irremediavelmente "condenadas" no imaginário popular, por muito que as imputações preliminares ou as reais acusações a eles dirigidas acabem por ser não provadas.
Não se diga que esta atitude resulta apenas de deficiente formação cultural ou que está restrita a um mundo opinativo excessivamente condicionado pela comunicação social "tabloidizada". Quem, de entre nós, não acha que este ou aquele autarca "tem uma cara chapada" de corrupto, que aqueloutro dirigente desportivo "tem mesmo pinta de vígaro" ou que uma ou outra personagem "tem um arzinho" de pedófilo? Por muito que controlemos, em público, esses nossos sentimentos íntimos, a verdade é que há juízos de convicção que já formámos e que, no fundo, acabarão por condicionar o próprio modo como avaliamos o desfecho dos processos.
Com frieza, teremos de concluir que esta subjetividade apreciativa tem a ver com o modo como fomos "digerindo" aquilo que nos entrou portas dentro, pelas televisões ou pelos jornais, com a leitura que, intimamente ou em grupo, fomos fazendo de tomadas de posição ou das notícias vindas a público. Nestas se incluem as fugas ao segredo de justiça, os "leaks" promovidos, a "desinformação" provocada, além da má-fé e, quiçá, alguma informação verdadeira.Mas - assumamos! - há outros fatores que nos condicionam a todos, uns de ordem política e ideológica, outros de mera simpatia ou antipatia, seja pelos sujeitos em causa, seja pelos veículos mediáticos ou pelos "opinion makers" que titularam posições nos diversos casos. Ninguém está virgem neste contexto, por mais neutral que possa julgar-se.
Duas entidades se salientam, para o bem e para o mal, em todas estas histórias: a justiça e a comunicação social.
Da primeira, o mínimo que se pode dizer é que perdeu, em poucos anos, um prestígio que, historicamente, mantinha no imaginário público, devida ou indevidamente. A ânsia de expressão mediática, as contradições entre os seus agentes e instâncias, a frequente propensão para jogar com os "media", a assumida lentidão de procedimentos e a comum dilação de atos formais - tudo isso se traduz hoje numa imagem degradada do estado da justiça portuguesa, provavelmente muito superior àquele que corresponde à sua real situação. Aquilo que deveria ser um esteio de estabilidade psicológica na nossa sociedade transformou-se, infelizmente, num fator de polémica, de aparente arbítrio e de real insegurança.
Quanto à comunicação social, assistimos, nos últimos anos, à perversa absolutização do chamado "direito à informação", uma espécie de desígnio divino assumido, às vezes, por uns histéricos estagiários com um "corneto" ou um gravador na mão, arautos do interesse de uma opinião pública de que alguém os arvorou representantes. Vida privada e privacidade, presunção de inocência e distinção entre estádios de investigação, tudo isso são pormenores despiciendos para quem apenas tem como objetivo fazer títulos ou "peças" sonantes. O que ainda me espanta é que alguns profissionais, criados noutra escola deontológica, que levou anos a "ganhar" o seu estatuto em democracia, estejam agora a "mandar às urtigas" os princípios em que foram formados, mercantilizando-se para vender minutos de imagem ou páginas de jornais.
A conjugação da ação destas duas instâncias conduz a que, no termo dos processos, quando as conclusões da justiça não são aquelas a que já se haviam "sentenciado" algumas personalidades, a conclusão dos opinadores de sofá ou de "snack-bar" seja: "estão todos feitos uns com os outros", "eles sempre se safam" e "isto é tudo a mesma pandilha".
Será assim? Não é. Há culpados e inocentes, há vigaristas soltos, figuras caluniadas e, provavelmente, alguns injustiçados. Este é, contudo, o preço de uma democracia frágil, pouco educada e com um nível cívico muito baixo. É o retrato do Portugal de hoje, do país que somos. E, se não somos melhores, a nós e só a nós o devemos.

Rua José Saramago, Porto

Comentários a propósito deste post:

Com adecisão de não dar o nome de José Saramago a uma Rua do Porto, esta cidade passa ser a do Portugal dos Pequeninos ou, como escrevia Jonh Updike no posfácio de Winesburg, Ohio de Sherwood Anderson "uma cidade de gente mirrada".

Resposta da Margarida:

O Porto é muito mais do que uma decisão e seguramente nem se engrandece com um acto, nem se diminui com outro.No Porto existem muitas pessoas.Muitas políticas, que não só as camarárias e muitas sensibilidades.É terrível liquidar uma cidade (uma localidade qualquer, que seja) por uma questão assim...Falem mal de tudo, mas da minha cidade é que não! :('gente mirrada' aqui?!Era o que havia de faltar!Homessa!

Último comentário:

Lamento que a Margarida tenha tomado a nuvem por Juno.
Também posso dizer que Lisboa que é a minha cidade também têm gente mirrada. A mesma que impediu que fosse dado o nome do General Spínola a uma Avenida.

PEDRO BEAKER COELHO

Comentãrio apropósito deste post:

Numa analogia ainda mais rebuscada que tal recomendar ao Coelho (Pedro Passos) a leitura da tetralogia do verdadeiro Rabbit. A do John Updike.

2010/06/28

Guitarra

Assim se toca guitarra no Botswana

2010/06/27

Retirado daqui

Relembro ou apresento duas conhecidas séries de televisão que tiveram por tema central a classe média brasileira. Uma chamava-se Sai de Baixo (1996-2002), cujo elenco aparece (compreensivelmente...) na fotografia de cima; a outra Os Normais (2001-2003), em que a acção se centrava à volta de um casal típico da classe (abaixo). Ambas passaram em Portugal, embora com sucessos distintos. Qualquer das séries retrata a mesma classe social, embora com regionalismos a que só os próprios brasileiros seriam sensíveis: paulistana a primeira, carioca a segunda. Porém, os estilos de humor distintos davam a entender como as duas haviam sido concebidas a pensar em audiências diferentes.
Enquanto o humor de Sai de Baixo é essencialmente primário, o de Os Normais pretende ser, não só mais sofisticado¹, como, a espaços, sexualmente picante. Concretamente, e para quem tenha visto as séries, é a diferença que vai das inseguranças de Vani (Fernanda Torres) em Os Normais comparadas com as inanidades de Magda (Marisa Orth) em Sai de Baixo. A primeira série é uma caricatura apelando a uma certa cumplicidade com a própria classe social que é caricaturada, enquanto a segunda, de traços mais grossos e ridículos, destina-se a fazer rir a classe socialmente abaixo da retratada. O humor de Sai de Baixo torna-se mais exportável e a série teve muito mais sucesso em Portugal.
Mas o meu favoritismo vai todo para Os Normais onde há momentos na série em que se conseguem equilíbrios que considero memoráveis. Os primeiros minutos do vídeo abaixo são um exemplo disso: o casal Vani e Rui (Fernanda Torres/Luiz Fernando Guimarães) estão na sauna, compostamente vestidos de toalha, quando se lhes vem juntar a sua amiga Patrícia (Graziella Moretto), um exemplar da bomba loura burra que Vani toma por uma ameaça e que aparece na cabine totalmente nua… Não vale a pena contar o resto, mas chamo a atenção para o cuidado com que as cenas foram trabalhadas para que se mantenham num registo humorístico estrito evitando o pornográfico… apesar da amiga ser periquituda.
Já tinha no meu léxico alguns termos "rebarbativos".
Nenhum chega aos calcanhares de "periquituda".

PERTO DA PERFEIÇÃO



Os filmes nunca devem ter muito mais do que as duas a quatro personagens importantes que costumam ter. No caso da história exigir mais do que essas quatro personagens e se elas forem introduzidas a um ritmo normal, corre-se o risco de que o espectador perca o fio à história, baralhando-se com a identificação de personagens importantes; ou então, para evitar que isso aconteça, é preciso alterar o ritmo dos acontecimentos para que a apresentação dessas personagens seja mais progressiva, o que aumentará a duração do filme. Nunca houve, nem haverá uma solução fácil para o problema.Contudo, o início de Os Amigos de Alex (The Big Chill 1983) será, dos casos que conheço, aquele que mais se aproxima da sua solução perfeita. A habilidade do realizador, aproveitando muito bem o genérico (acima) e o primeiro acontecimento da história (o funeral de Alex, abaixo), permitiu-lhe descrever ali de forma vincada os traços fundamentais das personalidades das sete personagens importantes da história. São 10 a 15 minutos mágicos, com pormenores como, por exemplo, a diferença subtil entre as reacções de Glenn Close (sonhadora) e de Jeff Goldblum aos primeiros acordes de You can't always get what you want (abaixo, no início).


Retirado daqui

2010/06/13

Europa- Afinal não somos tão diferentes

EUROPA: ENTRE AS EXTREMIDADES MERIDIONAL E SETENTRIONAL
O senhor da fotografia acima chama-se Olli Rehn, é o Comissário Europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, é finlandês e, ao equiparar-nos à Espanha, demonstrou uma daquelas ignorâncias que, só por si, o qualifica de incompetente para o exercício daquele cargo. Depois dos comentários do Ministro das Finanças sueco, o do brinquinho¹, parece que andamos definitivamente com azar com os nórdicos... E, arrisco-me, serão apenas as nossas motivações políticas internas, conjugadas com os complexos labregos de inferioridade que farão com que nos disponhamos a levar a sério as declarações de qualquer deles.
Eles mostram saber tão pouco sobre nós quanto nós saberemos sobre eles e pode deduzir-se que a vontade de aprofundar esses conhecimentos por causa da nossa pertença comum à União Europeia será muito fraca. Daquilo que sabemos do que lá se passa, eles é que vêm para cá divertir-se e passar férias e nós só vamos para lá contrariados, exilados ou por razões de trabalho… Quanto a queixas, nós, que tanto nos fartamos de lamentar por sermos como somos, devíamos ouvir um coro de lamentações finlandês (abaixo) que, pelos vistos, aqueles paraísos da social democracia não parecem produzir apenas pessoas felizes…
Não se consegue enriquecer apenas a trabalhar. E o amor não dura para sempre.
Na sauna nunca nos perguntam se podem deitar água no fogão.
As florestas antigas são derrubadas para serem transformadas em papel higiénico.E, mesmo assim, há sempre falta de papel nas casas de banho.
Porque é que as pessoas ficam parvas com os saldos?
No centro de Helsínquia construíram mais um Centro Comercial.
O meu vizinho põe-se a espreitar pela porta sempre que recebo visitas
E aparece sempre mais cedo para o turno dele na sauna do prédio
Perdemos sempre com a Suécia no Hóquei no Gelo e no Festival da Eurovisão.
As promoções de Natal começam cada ano mais cedo.
Porque é que as pessoas nunca concordam comigo?
Os empregos fogem para a China e os eléctricos da carreira 3 cheiram a xixi.
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
Porque é que a Pizza de Metro, só tem meio metro de comprimento?
E porque é que o tubo do aspirador é sempre curto demais? – assim como o Verão!
Sair para trabalhar todas as manhãs e regressar à noite acaba por nos enlouquecer.
A bateria do meu telemóvel está sempre a acabar
E os toques são sempre irritantesOs toques são sempre irritantesOs toques são sempre irritantesOs toques são sempre irritantes-
Desculpa. Aqui apanha-se mal o sinal… liga-me depois.
Quando se compra mobiliário o que se trás para casa é uma pilha de tábuas.
Os lenços são muito ásperos e nunca os encontramos quando se espirra
Os meus collants descaem quando ando.
Há sempre um homem enorme à minha frente.
No trabalho dão-me uma palmadinha no ombro e uma facada nas costas
.Os meus sonhos são chatos.
Os números são demasiado compridos para decorar.
As mulheres continuam a ganhar menos do que os homens.
Os manteigueiros continuam a safar-se na vida.
O jornal é demasiado espesso. Porque é que acontece sempre comigo?
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
A lista de espera para o dentista tem mais de seis meses e depois de esperar tanto tempo tenho que arrancar o dente.
As camisas giras perdem a cor com as lavagens, mas as feias não.
As pessoas não têm tempo para comprar os produtos do Comércio Justo mas têm-no para fazer turismo nos sítios de onde eles vêm.
Não consigo deixar de olhar para os cabeçalhos dos tablóides.
As previsões do tempo falham sempre.
Nunca descanso o suficiente.-
E a merda da língua inglesa é difícil de aprender!
Perdemos sempre com a Suécia no Hóquei no Gelo e no Festival da Eurovisão.
As promoções de Natal começam cada ano mais cedo.
Porque é que as pessoas nunca concordam comigo?
Os empregos fogem para a China e os eléctricos da carreira 3 cheiram a xixi.
O meu apartamento é pequeno mas deixo lá todo o meu dinheiro.
Assim ando sem dinheiro para salvar o Mundo.
As pessoas só assumem posições nos fóruns por sms.
Os idiotas não sabem de que lado devem ficar na escada rolante.
O meu marido ressona muito alto, anda muito devagar e só lava as suas camisolas de hóquei.
E a minha mulher queixa-se sempre!
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
Perdi a tarde a esconder-me do inspector das licenças de televisão porque não quero pagar para desportos e espectáculos de TV reality.
O centro de emprego apenas necessita de programadores de Java.
Os velhos são atestados de tranquilizantes para não se queixarem.
O meu amigo gosta mais do seu telemóvel do que de mim.
Os nossos antepassados bem podiam ter escolhido um sítio mais solarengo para se instalarem.
Os meus sonhos são chatos.
Os números são demasiado compridos para decorar.
As mulheres continuam a ganhar menos do que os homens.
Os manteigueiros continuam a safar-se na vida.
O jornal é demasiado espesso. Porque é que acontece sempre comigo?
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!

2010/06/01

Marcão




Louise Bourgeois



Eu e o João estivemos em Bilbao no Gugenheim e ficamos impressionados com o esplendor desta escultura.

R.I.P

Vítima de ataque cardíaco, Louise Bourgeois morreu ontem em Nova Iorque, cidade onde vivia há mais de sessenta anos (nasceu em Paris). Faria 99 anos no próximo dia de Natal. Se não teve oportunidade de ver Maman (ao alto) em Nova Iorque, Londres ou Bilbao, vá a São Paulo. A obra faz parte do acervo permanente do MAM. Também pode ir a Berlim, como sugere a Helena Araújo. Figura mítica do meio artístico americano, célebre pela rudeza das esculturas em pedra e metal, Louise Bourgeois só se tornou conhecida do grande público a partir de 1982, ano em que o MoMA organizou uma grande retrospectiva da sua obra. Perfil no NYT.

2010/05/30

Dennis Hopper



Easy Rider. Rebel Without a Cause. Giant. O Amigo Americano. Blue Velvet.

Registo a primeira vez que o vi.

R.I.P.

2010/05/29

Cunhal e o Protocolo


Retirado daqui. Blog do nosso embaixador em França Francisco Seixas da Costa.


Álvaro Cunhal (retratado acima pelo genial olhar fotográfico do meu amigo Alfredo Cunha) foi uma das mais controvertidas personalidades da vida contemporânea portuguesa. Secretário-geral do Partido Comunista Português durante várias décadas, projetou uma forte imagem pessoal que quase se confundia com aquela força política. A História do nosso país, no século XX, não se fará sem ele, embora muitos achem que acabará por se fazer contra ele.


A biografia de Álvaro Cunhal é objeto de uma obra, ainda inacabada, de José Pacheco Pereira - ela própria, também, um estudo com contornos polémicos, no qual Cunhal e o seu partido se recusaram a colaborar, sendo embora, na minha opinião, um documento indispensável (ia a escrever "incontornável", mas temi algumas vozes indignadas contra o vocábulo) para se entender a história política portuguesa do século XX.


Acaba agora de ser publicada uma memória sobre Álvaro Cunhal, escrita por Carlos Brito, uma das figuras marcantes do comunismo português, resistente contra a ditadura e, no período democrático, personalidade proeminente que chegou a ser candidato à presidência da República. Trata-se de um trabalho interessante, feito à luz da proximidade do autor com o líder comunista, que nos revela algumas facetas desconhecidas da sua personalidade, embora mantenha muito da tradicional reserva de quem quer, no essencial, permanecer leal àquela área política.


Vários testemunhos comprovaram, ao longo dos anos, que Cunhal, sendo embora uma figura de rutura em muitos domínios da vida política, era muito cuidadoso com as facetas exteriores da imagem do Estado, que respeitava com grande escrúpulo. Daí que as simples questões protocolares, porque as entendia com um simbolismo significativo, o preocupassem sempre.


Carlos Brito, a certo passo do seu livro, revela que, um dia, um deputado comunista, indicado para acompanhar uma visita oficial ao estrangeiro, anunciou que não ia utilizar gravata, não obstante as regras protocolares recomendarem um traje formal em certas ocasiões da deslocação. A persistente resistência do deputado fez subir o assunto a níveis mais elevados de decisão.

O deputado foi, assim, chamado a uma conversa na sede do partido. A certo passo da reunião, Cunhal entrou inopinadamente na sala e, como forma de reforçar os argumentos de quantos pretendiam demover o deputado da sua irreverente teimosia, foi pedida a opinião do secretário-geral sobre o assunto.


Depois de ouvir as "partes" e refletir sobre as regras que eram exigidas, Álvaro Cunhal fez notar que, tratando-se de um país africano, era comum, como alternativa às roupas protocolares europeias, o uso de trajes tradicionais em cerimónia oficiais. E acrescentou: "Ora nós temos trajes tradicionais muito bonitos, por exemplo, os minhotos". E logo adiantou: "O nosso camarada podia ir vestido de minhoto e evitava-se a gravata. Até podemos telefonar já aos camaradas de Viana a encomendar um fato".

O pânico terá irrompido na cara do relutante deputado, que concedeu de imediato: "Não é preciso, não é preciso, eu vou comprar a gravata".

Visage

Luciano Berio-Cathy Berberian