2010/09/21

E o Povo pá?

Não sei quem é ou quem são os autores de tamanho despautério.

Promova-se já a Hino Nacional

O coala, a Lagartixa e o charro

Um coala estava sentado numa seringueira, curtindo tranquilamente uma ganza...





Uma lagartixa ia a passar, olha para cima, e diz:- Então coala...tudo bem? O que estás a fazer?


O coala diz:
- A fumar um berlaite. Sobe!
A lagartixa subiu a seringueira e sentou-se ao lado do coala, a curtir uns fumos.
Após algum tempo, a lagartixa disse:
- Tenho a boca seca, vou beber água ao rio...
A lagartixa meio desorientada, inclinou-se muito e caiu no rio.
Um jacaré viu-a a cair e nadou até ela, ajudando-a a subir para a margem.
Depois perguntou:- Então lagartixa? O que é que te aconteceu? Queres morrer?
A lagartixa explicou que estava a curtir umas brocas com o coala numa seringueira, ficou com a pedra e caiu ao rio enquanto bebia água.
O jacaré, querendo apurar esta história, entrou na floresta e, encontrou o coala sentado num galho, todo fodido.
O jacaré olhou para cima e disse:- Ei! Você ai­ em cima!

O coala olhou para baixo e disse:

- PUTA QUE PARIU, lagartixa, bebeste água comó caralho!!!

2010/09/20

O Chapeuzinho Vermelho

versão Millôr Fernandes

Chapeuzinho VermelhoEra uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia da história) uma menina, linda e um pouco tola, que se chamava Chapeuzinho Vermelho. (Esses nomes que se usam em substituição do nome próprio chamam-se alcunha ou vulgo). Chapeuzinho Vermelho costumava passear no bosque, colhendo Sinantias, monstruosidade botânica que consiste na soldadura anômala de duas flores vizinhas pelos invólucros ou pelos pecíolos, Mucambés ou Muçambas, planta medicinal da família das Caparidáceas, e brincando aqui e ali com uma Jurueba, da família dos Psitacídeos, que vivem em regiões justafluviais, ou seja, à margem dos rios. Chapeuzinho Vermelho andava, pois, na Floresta, quando lhe aparece um lobo, animal selvagem carnívoro do gênero cão e... (Um parêntesis para os nossos pequenos leitores — o lobo era, presumivelmente, uma figura inexistente criada pelo cérebro superexcitado de Chapeuzinho Vermelho. Tendo que andar na floresta sozinha, - natural seria que, volta e meia, sentindo-se indefesa, tivesse alucinações semelhantes.).Chapeuzinho Vermelho foi detida pelo lobo que lhe disse: (Outro parêntesis; os animais jamais falaram. Fica explicado aqui que isso é um recurso de fantasia do autor e que o Lobo encarna os sentimentos cruéis do Homem. Esse princípio animista é ascentralíssimo e está em todo o folclore universal.) Disse o Lobo: "Onde vais, linda menina?" Respondeu Chapeuzinho Vermelho: "Vou levar estes doces à minha avozinha que está doente. Atravessarei dunas, montes, cabos, istmos e outros acidentes geográficos e deverei chegar lá às treze e trinta e cinco, ou seja, a uma hora e trinta e cinco minutos da tarde".Ouvindo isso o Lobo saiu correndo, estimulado por desejos reprimidos (Freud: "Psychopathology Of Everiday Life", The Modern Library Inc. N.Y.). Chegando na casa da avozinha ele engoliu-a de uma vez — o que, segundo o conceito materialista de Marx indica uma intenção crítica do autor, estando oculta aí a idéia do capitalismo devorando o proletariado — e ficou esperando, deitado na cama, fantasiado com a roupa da avó.Passaram-se quinze minutos (diagrama explicando o funcionamento do relógio e seu processo evolutivo através da História). Chapeuzinho Vermelho chegou e não percebeu que o lobo não era sua avó, porque sofria de astigmatismo convergente, que é uma perturbação visual oriunda da curvatura da córnea. Nem percebeu que a voz não era a da avó, porque sofria de Otite, inflamação do ouvido, nem reconheceu nas suas palavras, palavras cheias de má-fé masculina, porque afinal, eis o que ela era mesmo: esquizofrênica, débil mental e paranóica pequenas doenças que dão no cérebro, parte-súpero-anterior do encéfalo. (A tentativa muito comum da mulher ignorar a transformação do Homem é profusamente estudada por Kinsey em "Sexual Behavior in the Human Female". W. B. Saunders Company, Publishers.) Mas, para salvação de Chapeuzinho Vermelho, apareceram os lenhadores, mataram cuidadosamente o Lobo, depois de verificar a localização da avó através da Roentgenfotografia. E Chapeuzinho Vermelho viveu tranqüila 57 anos, que é a média da vida humana segundo Maltus, Thomas Robert, economista inglês nascido em 1766, em Rookew, pequena propriedade de seu pai, que foi grande amigo de Rousseau.
Extraído do livro "Lições de Um Ignorante", José Álvaro Editor - Rio de Janeiro, 1967, pág. 31
Millôr Fernandes

Ah essa falsa cultura

A propósito do post anterior aqui algumas máximas do Millôr:

Rômulo foi alimentado por uma loba e ficou conhecido como o lobo do homem.

A Argentina é um país cor de laranja do lado esquerdo do Brasil.

Os incas eram tão adiantados que já tinham até a circulação do sangue.

Os judeus foram perseguidos porque se entregavam a uma vida inteiramente semítica.

Eqüidistância é você estar à mesma distância de todos os lugares ao mesmo tempo.

O lugar mais quente da terra é perto do Cuador.

A inoculação é um ato sexual entre os micróbios.

Há homens que devem à esposa tudo o que são, mas em geral, os homens devem à esposa tudo o que devem.

Quando o homem sabe que certa mulher já cedeu a alguém, ele não resiste em verificar se a história se repete.

A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.

Um país do Caralho

Texto enviado pelo meu filho João num momento de angústia existencial(?)

Lembro-mo vagamente de um texto parecido do Millôr Fernandes nas saudosas crónicas "Ah! essa falsa cultura" .

Aqui vai:

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela diz.Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma pessoa melhor.Reorganiza as coisas. Liberta-me. "Não quer sair comigo?! - então, foda-se!""Vai querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então, foda-se!" O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição. Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.
"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a ideia de muita quantidade que "comó caralho"? "Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão matemática.
A Via Láctea tem estrelas comó caralho!O Sol está quente comó caralho!O universo é antigo comó caralho!Eu gosto do meu clube comó caralho!O gajo é parvo comó caralho! Entendes?No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto.Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades de maior interesse na tua vida.Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência.Solta logo um definitivo:"Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!".O impertinente aprende logo a lição e vai para o CentroComercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema, e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD.

(...) Há outros palavrões igualmente clássicos.Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba.Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito assim, põe-te outra vez nos eixos.Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.
E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta:"Chega! Vai levar no olho do cu!"? Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima.Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!".Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando estás a sem documentos do carro, sem carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!”
Foda-se, este ainda vai ser um País do caralho!

O caso do chinelo encontrado morto

Esta semana, alguns sites dos jornais portugueses trouxeram o mais interessante título das últimas décadas. Esse texto veio da agência Lusa, e o Expresso e o jornal i pespegaram-no felizmente sem emenda. O título, óptimo, era: "Espinho: 'Não há indício de crime' no caso do chinelo encontrado morto', diz a PJ". Os títulos são isca e anzol e raramente vi um tão aliciante. Fala- -se muito da crise da Imprensa mas houvesse mais histórias destas e não faltariam leitores. Mesmo dando de barato a sugestão da bófia, "não há indício de crime", o caso do chinelo encontrado morto tem daqueles atractivos que antigamente faziam os ardinas apregoar e o povo comprar. Quem encontrou o chinelo morto? E, tendo-o encontrado, como lhe confirmou o passamento? Fez-se, antes, respiração boca a boca?... Enfim, ainda que oficialmente morto em toda a legalidade, o caso do chinelo morto cheirava a esturro. Infelizmente, como é próprio do costume português, tendo uma bela história entre as mãos (ou melhor, pé), os jornais decidiram destruí-la. Depois do título (óptimo, como já disse), acrescentaram um texto desmotivador. E ficámos a saber que o magnífico chinelo morto era, afinal, um infeliz chileno encontrado morto em Espinho. O que podia ter sido uma boa história não passou de uma dislexia ortográfica. Ora lobas! Perdão, bolas.
FERREIRA FERNANDES
publicado no DN a 2010-09-15

Tráfego Aéreo Mundial Visto do Espaço

-O tempo deste clip é de 1m12s e representa as 24 horas de um dia inteiro das viagens de avião que se fazem. Assim, cada segundo de filme,representa 20 minutos reais.
Cada pontinho amarelo representa um voo com pelo menos 250 passageiros.

Note-se que os voos dos EUA para a Europa partem principalmente à noite, sendo a sua volta diurna.

Pela imagem que o sol imprime no globo, pode-se dizer que é verão no hemisfério norte. Isto porque ele quase não se põe no pólo norte e no pólo sul quase não aparece.

Anónimo

"Leio a Playboy pela mesma razão que leio a National Geographic: gosto de ver fotografias de lugares que sei que nunca irei visitar..."

"Federação quer Mourinho para dois jogos"


Com a devida vénia ao nosso Embaixador em Paris

Um Olhar Oblíquo


Sofia Loren e Jayne Mansfield


A propósito deste post no Herdeiro de Aécio lembrei-me que durante os anos (36) que durou a minha vida profissional (nem, valha a verdade, na pessoal) nunca tive olhares oblíquos neste tipo de situação.


Sempre que alguém, obviamente do sexo feminino, numa reunião trazia um decote ou uma saia que mostrá-se mais do que era suposto (conceito muuuuiiiito relativo) os meus olhares nunca foram oblíquos.


Digamos que sempre foram o mais directo possível ao "assunto".


O que mais adorava, ainda adoro mas não é a mesma coisa, era a saínha curta que elas passavam o tempo a puxar para baixo.


Lembro-me de uma fornecedora, fornida de carnes q.b., que usava vestidos curtos em cima e em baixo. Vale a verdade que vendia produto de qualidade. Depois de ganharmos alguma confiança eu costumava de dizer-lhe:


Não se esforce, com esse vestidinho a menina vende até gelo no Polo Norte.

Crónicas de Pequim - O A 380





O A 38o é um avião gigantesco.




Apesar das todas as explicações cientificas a que tenho assistido, são sempre um mistério as leis e as regras da física, que permitem colocar todo aquele ferro no ar e mantê-lo a voar durante horas intermináveis. No caso 10.30. É obra.



Durante o voo é um avião como outro qualquer. O tempo de descolagem é enorme, o suficiente para o viajante experimentado se perguntar "o que é que se passa, nunca mais pôem o ferro no ar?". Finalmente a coisa passa a voar num angulo suave e confortável. A tecnologia a bordo é do mais moderno e cada cidadão tem direito a um LCD com entretenimento, informações sobre o voo, trés camaras on-line na fuselagem . O suficiente para não se morrer de tédio sobretudo para alguém, como eu, que não consegue dormir (não consigo em nenhum meio de transporte). Sou conhecido pelo chato que leva sempre a luz acesa mesmo quando é de noite. Até já comprei um instrumento muito interessante no aeroporto de Roma, que se engata nas paginas do livro e permite ler sem incomodar o parceiro do lado. Este é um dos motivos pelo qual escolho sempre um lugar na coxia (o outro é que sou um gajo grande).


Uma coincidencia interessante foi o facto de o voo ser o inaugural do A 380 da Lufthansa de Frankfurt para Pequim o que deu direito a discurso do presidente da empresa e recordação do voo (porta chaves com a data da efeméride).



Resta ainda acrescentar que o serviço a bordo foi uma merda com uma das mais antipáticas tripulações com que voei.


As imagens anexas não fazem juz ao gigantismo do avião mas para se ficar com uma ideia no "rés-do-chão" tem 56 filas de 10 lugares.

2010/08/27

Crónicas de Pequim - A antecipação

Dia 1 de setembro vou para Pequim.
Como habitual, nestas coisas de grandes viagens, com o Stephan Becker grande amigo (em todos os sentidos) alemão.
É pena que a minha mulher não possa ir mas o dinheiro e o tempo não chega para tudo.
Antecipo os sentimentos quando estiver a ver a grandiosidade da Cidade Probida e da Grande Muralha.
Tenho por hábito, quando viajo, de comer o que os lugares têm para oferecer e não me tenho dado mal. Acontece que nunca estive num país onde se comem insectos, apesar de já ter estado na tailandia, Indonésia (Bali) e Japão. Estou por isso a tentar mentalizar-me para ultrapassar algumas repugnancias que a nossa cultura ocidental colocam. Eu depois conto.
Para além de tudo isto vou ter uma experiência, provavelmente a única, de voar no A380.
Já voei em quase todos os aviões comerciais, em muitos da FAP, mas este vai ser um "must".
A ver.

PS: Quando voltar prometo não ser preguiçoso e completar as Crónicas de Bali e contar tudo sobre esta viagem.

Serie Jardins Improváveis II

Casa modesta no Largo das Camionetas em Alcanena (Agosto/2010).
Não há terra mas o espaço é inventado através de vasos colocados de forma geométricamente rigorosa quase criando uma barreira de intimidade como se o dono estivesse dizendo "a partir daqui é meu".

Serie Jardins Improváveis I

O Título diz tudo.
Diz apenas respeito à capacidade e imaginação das pessoas em organizarem os seus jardins da forma possível e com os meios de que dispõem.
Fotos tirados por mim.


Prédio em S. Domingos de Rana ao pé da escola secundária (Agosto/2010).
Reparem que parece haver uma competição entre os moradores tentando mostrar a varanda mais bonita e exuberante.

2010/08/26

John Updike

Por especial deferencia do A. Teixeira aqui vai um link muito especial.

George Steiner

Estou a ler a coletânea de textos publícados no New Yorker.
A excelência dos mesmos não sofre qualquer contestação continuando no nível a que nos habituou. Sou especialmente fã do que escreveu em "Uma ideia de Europa"
Apenas um reparo editorial. Embora haja uma referencia quanto ao intervalo de publicação dos mesmos (entre 1966 e 1997 ou seja 31 anos) como é possivel que cada um deles não traga a data de publicação?

Inaceitável e imperdoável porque a data de publicação é um elemento imprescindivel para enquardar os escritos na situação poítica económica e social do momento.

o chinaman e a extinção dos limites do multiculturalismo

Post e meu comentário editados aqui

É quase um axioma para qualquer cidadão ocidental minimamente atento que a melhor hipótese de sobrevivência de sociedades velhas e gastas como a portuguesa está na injecção de novo DNA. Deste modo, a militância activa pela opção multicultural está entre aqueles que considero como os meus deveres essenciais. Antes do mais, nas escolas, especialmente nas de elites, e no mercado de trabalho. Em termos muito rudimentares, a ideia é a de que integrar a diversidade enriquece toda a gente, e quanto maior conhecimento for adquirido por todos os diferentes, mais dinâmica fica a sociedade, isto é, todos nós. Além de que, claro, a uniformidade é monótona. Mas mais interessante ainda, dizem os teóricos, é conseguir a combinação quase mágica entre novo DNA e o melhor dos traços nacionais da sociedade acolhedora. Um palco de combate essencial para esta luta é o bairro, claro, já que inúmeros estudos científicos e empíricos mostram que a integração resulta sempre melhor quando o Outro é aceite numa pequena comunidade local, ou seja, a rua, o bairro, a zona. Daí que defender a vinda de imigrantes para uma sossegada rua de um bairro de classe média da ainda mítica mas muito abalada linha de Cascais tenha sido sempre uma aposta pessoal, embora, claro, levante periodicamente as sobrancelhas cépticas de muita gente. Na verdade, mostra felizmente a realidade, os cépticos podem beneficiar do conforto que é garantido pela imobilidade, e têm certamente a sabedoria de que as mudanças geralmente são perigosas, mas a realidade mostra que a sociedade portuguesa é uma daquelas que com maior eficácia consegue integrar toda a diferença, enriquecendo -se de modo decisivo. De facto, no espaço da minha latitude, os brasileiros, os angolanos, os ucranianos e especialmente o chinaman e o seu clã de geometria variável provam que os limites do multiculturalismo são extintos pela poderosa capacidade portuguesa de entranhar nos outros os seus valores básicos de modo rápido e eficiente . Os brasileiros foram recebidos de braços abertos, beneficiando daquela lenda de povo aberto, alegre, improvisador e easy going. É tudo verdade. É fantástico descobrir que aberto significa ter 23 "caras" a viver harmoniosamente num T0, contornando assim a crise económica, alegria que as dj sessions de forró são até às 3 horas da manhã para o bairro todo, o que revela um profundo sentimento comunitário, improvisador que o átrio do prédio sirva para abrir um restaurante de "churrasquinho", o que é um exercício notável de empreendedorismo, e easy going uma aventura impossível de descrever. Os angolanos foram uma aposta pessoal, por razões biográficas. O trio de rapazes que uma noite chegou teve isso em conta. A actividade mais integradora que periodicamente exercem é a de se pegarem à pancada às duas da manhã, com a porta do apartamento aberta, por causa do Benfica, do Sporting e do Amadora, e participam activamente nas culturas juvenis em alta, nomeadamente "kitando" e experimentando até ao nervo os Seat Ibiza durante a noite na nossa extensa rua de 150 metros. Os ucranianos, tenho de admitir, são o meu caso mais complicado. Uma família honrada e trabalhadora, com dois filhos à entrada da idade adulta. Mas, tirando o facto de terem colocado uma corda de estender a roupa que ocupa toda a largura do prédio, onde a cada 48 horas são colocadas três máquinas de roupa preta, o que prova aquele asseio alentejano clássico, não consigo detectar nenhum sinal integrador, até porque as minhas tentativas de meter conversa são sempre recebidas com um "pois, pá". Pelo contrário, o chinaman e o seu clã são o meu motivo de orgulho. Antes de tudo o mais, provaram que as linhas teóricas recentes de comunitarismo urbano estão absolutamente correctas, e abriram uma pequena frutaria de bairro. É extremamente porreiro, vizinho. As velhinhas, que já não se mexem, vão lá fazer o seu avio diário, aprenderam umas palavras de cantonês, e os jovens profissionais urbanos que chegam tarde a casa sempre sabem que às 20h30 ainda podem comprar uma bananinha para comer com o iogurte, ou uma maçã para enfeitar a pizza congelada. É verdade que a frutinha não dura mais do que 12 horas, e feitas as contas os preços são um negócio da china para o vendedor, mas é o imposto do local e da comodidade. Mas o que realmente me encanta é a carrinha de carga, que para mim é um símbolo notável de como o espírito português contamina de modo absoluto todos os que vêm de fora para lutar pela vida. O chinaman, como todos os pequenos empreendedores nacionais de comércio e serviços, têm uma grande carrinha de carga branca, daquelas com uma altura de um 1º andar. Ora, o chinaman tinha um problema: a sua frutaria é na esquina, tinha de descarregar diariamente o material, e como todos nós era afectado por aquela grande calamidade nacional de nunca ter lugar para estacionar mesmo à porta de casa. A princípio, o chinaman parava na passadeira de peões, mas era uma solução precária, porque via que todos nós cumprimos a Lei, e que o grosso da sua clientela são velhinhas que têm horror a atravessar fora da passadeira. Foi aqui que o chinaman e o seu clã mostraram o seu elevado grau de integração, ao revelarem aquele engenho tão especificamente português. O chinaman mandou um dos membros do clã esperar, até conseguir ver um lugar de estacionamento vago mesmo, mesmo na esquina da frutaria. Quando finalmente, ao fim de umas semanas, o lugar vagou, o membro do clã ocupou - o com o pequeno Kia roxo, conseguindo, com uma manobra cheia de yiang, antecipar -se ao almirante reformado que avançava com o seu Honda de 1995, há cinco anos parado no passeio, por debaixo do estore do seu rés- do- chão. Houve uma troca de insultos durante uns minutos, mas nada de extraordinário. A partir daqui, o chinaman provou ser um verdadeiro português. A dinossáurica carrinha branca está fixa no lugar de estacionamento, e serve de armazém da fruta, que várias vezes ao dia é transferida para a frutaria por duas senhoras do clã. À noite, a fruta volta para a carrinha, garantindo assim todas as condições de higiene e ventilação que garantem a sua frescura. Uma vez por semana, entre as 5 horas e as 8 horas da manhã, quando o chinaman tem de ir ao MARL reabastecer, faz - se acompanhar por outro membro do clã, que desloca o Kia roxo para o meio do lugar. O almirante topou a coisa, e tentou um golpe de guerrilha numa madrugada de semana, mas o chinaman pôs -se à frente dele com a carrinha. Deste modo, a situação de lugar reservado prolonga - se já há vários meses. Um analista parcial e resistente à integração multicultural dirá que temos aqui um exemplo vivo de egoísmo, manhosice, mesquinhez e falta de respeito pelo espaço público, inaceitáveis numa sociedade evoluída e tolerante. Mas eu, que recuso que aqueles traços sejam constituintes da personalidade colectiva nacional, vejo apenas um exemplo superior de estratégia, disciplina, tenacidade e individualismo que não só são os traços essenciais de qualquer povo vencedor, como são indicadores do nosso melhor espírito nacional.


Caro amigo No bairro onde moro existe um exemplo semelhante mas executado por um portuga com igual sentido de pragmatismo.Fica a sua merceria numa esquina rodeada de um magnifico paseio em redondo de uns bons dez metros de largura.A apropriação do espaço público executa-se em dois passos distintos, a saber:Primeiro alargou o espaço da loja, colocando no exterior uma estrutura de ferro onde, como qualquer merceria de bairro que se preze, coloca as caixas de legumes e de fruta, suspeito eu, de modo clandestino (sem alertas para a ASAE);Segundo estacionou uma Hiace velhinha, em cima do passeio, fechando o lado do rectangulo que sobra para a rua onde, durante a noite armazena as caixas já referidas.Embora concorde consigo acerca da miscigenação de DNA no progresso do país, nós próprios somos capazes de desaricanços iguais ao seu "chinaman".O pessoal do bairro que circula pelo passeio tem que contornar a Hiace para seguir o seu caminho, mas aceita a cena alegrementeResta dizer que o "xômanel", dono da referida merceria, é o mais popular do bairro.

Mourinho

Bobby Robson com um gajo feio e magrela que ninguém conhecia

Roberto


O melhor que encontrei até agora

A primeira resposta à inevitável pergunta materna como era a comida? comeste bem? E obviamente, seguindo a mesma doutrina, a das mães, lá vou eu à net ver como se faz e, claro, à procura do molho Ceasar, sim, que mãe, mas sem extremismos de me pôr a fazer molho caseiro.Guardo então aqui a receita, caso ela insista nesta nova paixão gastronómica e eu, nos entretantos, me esqueça.Trata-se de uma salada Italo Mexicana largamente adoptada principalmente pelos americanos. A Caesar Salad é tão consumida, que, muitas pessoas pensam ser genuinamente americana. Ou será por constar no livro de cozinha de Julia Child?.... Na realidade, ela foi criada pelo Chef italiano Caesar Cardini, no seu restaurante em Tijuana, México, na década de 1920. Seguiu uma velha receita familiar, diz-se, com a que as mães alimentavam os filhos no sul da Itália, em tempos difíceis: alface, ovos, pequenos pedaços de pão fritos com azeite, queijo seco, azeite, umas gotas de molho inglês e sumo de limão. O que para tempos difíceis, nem era mau de todo.Nos restaurantes, a Caesar Salad é quase sempre preparada na frente do cliente. É feita à base de alface-romana e um rico molho composto de gemas de ovos, azeite, sumo de limão, alho, mostarda, pimenta, queijo ralado e finalmente, se desejar, anchovas, ou frango assado desfiado.Este prato popularizou-se em Tijuana, no México, também, por representar um verdadeiro "show" para o garçon e um deleite para os clientes.É feita como se fosse uma maionese, mas enriquecida. Por cima é guarnecida com croutons. Assim:Lave bem as folhas da alface (e/ou endivias) e seque-as. Retire os talos duros e rasgue as folhas em pedaços. Junte peito de frango cozinhado (assado, cozido....) desfiado. Ou anxovas.
Espalhe o molho por cima e cubra com croutons e queijo ralado. Simples.
Molho (existe já confeccionado)
2 ovos, azeite extra virgem, 1 colher de mostarda, 1 dente de alho, 1 colher de molho inglês, vinagre sal e pimenta a gosto. Bata tudo no liquidificador.
Nota: se quiser um molho com menos calorias, substitua os ovos por iogurte e reduza o azeite. E claro, pode juntar tudo o que gostar e se lembrar.
Retirado daqui