Manhattan
‘não penso no inútil dano
com que amanhã me desdiz,
pois, ser feliz, por engano
não é engano: é ser feliz’
Fernando Pessoa
(1888-1935)
Sepra como os américas escreveram Serpa com Matos seu companheiro guitarrista Kris Davis piano (rapariga ironicamente de costas para nós que a estávamos assim a ouver não toda) Ted Poor bateria Matt Pavolka cbaixo
à mesma mesa estavam dois pianistas jazz n-americanos um deles Aaron Parks o outro Frank Kimbrough artista que Portugal já conhece a tocar na orquestra de Maria Schneider e que cá voltará para o festival Seixal deste 10 – visitem www.jazzportugal.ua.pt e leiam ‘Escritos’ onde Frank é biografado
estava ainda César sou amigo de um César português trabalhador nos USA e fiel à pátria se bateu com um steak enquanto ouvia Sara com os olhos postos no bife
Sara é apreciada nos EU em Portugal é muito pouco conhecida
fui almoçar ao ‘Le Bernardin’ e pela primeira vez almocei de casaco emprestado pela gerência
os n-americanos e a paixão pela Europa pois também há outro restaurante - entre vários - caro e bom que dá pelo nome ‘Le Cirque’
neste há uma torre adega transparente com dois andares daltura escadotes e centenas de garrafas expostas esperando que as consumam
bebi cerveja da casa do país: Budweiser
terminei no ‘Rose Theatre’ (hall cheio) no Jazz at Lincoln Center e fui ouver a big band de JaLC com Winton Marsalis que trompeta
paguei 100 e tal dólares (gosto também do modo e tal) por uma cadeira aisle na plateia
a sala é melhor que a do CCB que é má por ser rectangular (!) e tão boa como a da Casa da Música que tem escusadamente um pé direito enorme escreveria mesmo incomensurável (!)
pergunto eu e todos menos o venerado arquitecto estrangeiro: para quê?
a propósito a Casa da Música tem a partir de setembro uma Orquestra Sinfónica e assim se acabou com a asneira de chamar a uma Orquestra Nacional do Porto
o FCP quando foi Campeão foi Campeão Nacional do Porto?...
acabei muito bem minha estadia jazz em Manhattan
a tradição big band continua viva
vi três desta vez - rima e é verdade - e lembrei-me de uma das nossas várias temos a de Lagos a de Matosinhos a de Costa Pinto a da Nazaré a do Hot e então rerelembrei-me quão importante é o estrangeiro e visitá-lo uma vez por ano porque senão o nosso engano aumenta muito mais e chegamos a julgar que a nossa ou o nosso é o melhor deste planeta não o sendo
reequacionar as proporções é atitude a tomar sempre
a realidade Clean Feed empresa portuguesa que organiza festivais jazz em New York e em Chicago ambos neste mês maio mas não des maio pelo catálogo Clean Feed
a realidade Laginha (parabéns pelos 50 de idade cronológica) pianista e compositor em várias músicas longe de só jazz
a realidade Ronaldo todas devem ser sempre justamente avaliadas
Messi é melhor
só ficamos a ganhar
não perdemos nem empatamos
com Winton Marsalis não há dúvidas
é dos melhores
a big band onde com discrição se senta no naipe de trompetes e apresenta os artistas é uma orquestra ‘ofensiva’ (cito Adriana) uma orquestra impecável próxima da perfeição
os arranjos todos notáveis
o baterista escreveu um vírgula empolgante arranjo exemplarmente lido e swingado
ainda hoje no século 20 e 1 há quem julgue que baterista não é músico e que bateria não é instrumento!
cumo não como convidados estiveram a tocar vibrafone Bobby Hutcherson e na segunda parte Marcus Roberts piano
espectáculo deslumbrante!
espectáculo de Música de raça de vitória
quem gosta de jazz gosta de Obama
não tenho a certeza absoluta
desafinados favorecem os contrários
soube em Lisboa que Mike Zwerin se foi embora
n-americano do jazz tocou trombone em ‘Birth of the cool’ com Miles
homem que abandonou suas empresas nos USA para vir viver em Paris
era um notável escrevente
de seus livros e peças para revistas e jornais destaco livro que dedicou aos nazis e à colaboração dos soldados nazis com jazz e jazzmen melhor jazzhommes franceses ao ambiente parisiense jazz nos anos da segunda mundial
convidei-o para falar sobre e tocar jazz
falou na Fonoteca Municipal de Lisboa
tocou no ‘Speakeasy’ também em Lisboa com um jovem trompetista jazz português
confessou-me que o trompetista não sabia as passagens dos standards
ando há décadas a chamar novos a jazz homens e jazz mulheres portuguesas
esqueço-me que todos estamos a ficar mais próximos do
FIM
«… a escrita é a minha primeira morada do silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás das palavras…
construindo no sangue altíssimas paredes do nada…»
Al Berto (1948-1997)
2010/05/04
jazz
Que bem escreve Jazé Duarte.
Tem swing, Pessoa também tinha e AlBerto e Mário de Sá Carneiro. Obama tem swing, Merkel não tem.
Pasos Coelho tem o swing que Ferreira Leite não tem, nem Jerónimo, nem Louçã, nem Portas. Socrates não tem e se calhar não precisa.
Mandela tem um enorme swing. O Rugby tem swing, a NBA tambem e o futebol tem..às vezes (raramente). a formula 1 não tem mas o MotoGP tem um enorme swing. cardozo não tem swing mas aimar tem que baste e falcão também mais ronaldo e messi com xavi a carregar o piano pra ele tocar.
Criativo? Sim. Eu gosto e tutambem, assim tudo pegado, grudado como o quinteto de miles, o septeto de coltrane nas minhas coisas favoritas quem diria que a music from or to the heart pudesse descambar numa coisa destas mais o triplo concerto (violino, violoncelo e piano) de beethoven com Oistrakh, Rostropovitc e Ritcher que miraculosamente Karajan colou ou com baremboim, perlman e yo-yo ma completamente soldados aqueles que se levam, juntamente com a colecção completa do Blueberry prá ilha dos nossos sonhos com coqueiros e camas de rede, dancarinas hawaianas, o tubo perfeito, piñas coladas, mujitos, bloody marys, margaritas e montes de cartuxa95 tudo o que é preciso para vivermorrer sossegado
Sim e pois também o meridiano de sangue prá pica, o planeta de mr.sammer pró sabor, solar pra apimentar e o ulisses prótédio que é preciso temperar o desvario.
beijinhos
Tem swing, Pessoa também tinha e AlBerto e Mário de Sá Carneiro. Obama tem swing, Merkel não tem.
Pasos Coelho tem o swing que Ferreira Leite não tem, nem Jerónimo, nem Louçã, nem Portas. Socrates não tem e se calhar não precisa.
Mandela tem um enorme swing. O Rugby tem swing, a NBA tambem e o futebol tem..às vezes (raramente). a formula 1 não tem mas o MotoGP tem um enorme swing. cardozo não tem swing mas aimar tem que baste e falcão também mais ronaldo e messi com xavi a carregar o piano pra ele tocar.
Criativo? Sim. Eu gosto e tutambem, assim tudo pegado, grudado como o quinteto de miles, o septeto de coltrane nas minhas coisas favoritas quem diria que a music from or to the heart pudesse descambar numa coisa destas mais o triplo concerto (violino, violoncelo e piano) de beethoven com Oistrakh, Rostropovitc e Ritcher que miraculosamente Karajan colou ou com baremboim, perlman e yo-yo ma completamente soldados aqueles que se levam, juntamente com a colecção completa do Blueberry prá ilha dos nossos sonhos com coqueiros e camas de rede, dancarinas hawaianas, o tubo perfeito, piñas coladas, mujitos, bloody marys, margaritas e montes de cartuxa95 tudo o que é preciso para vivermorrer sossegado
Sim e pois também o meridiano de sangue prá pica, o planeta de mr.sammer pró sabor, solar pra apimentar e o ulisses prótédio que é preciso temperar o desvario.
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2010/04/21
O vulcão de nome impronunciavel
As autoridades identificaram que a nuvem causada pela erupção está a ter dimensões superiores devido aos Benfiquistas estarem a tirar o pó aos cachecóis.
2010/04/11
o chinaman e a extinção dos limites do multiculturalismo
Tirado e comentado daqui
É quase um axioma para qualquer cidadão ocidental minimamente atento que a melhor hipótese de sobrevivência de sociedades velhas e gastas como a portuguesa está na injecção de novo DNA. Deste modo, a militância activa pela opção multicultural está entre aqueles que considero como os meus deveres essenciais. Antes do mais, nas escolas, especialmente nas de elites, e no mercado de trabalho. Em termos muito rudimentares, a ideia é a de que integrar a diversidade enriquece toda a gente, e quanto maior conhecimento for adquirido por todos os diferentes, mais dinâmica fica a sociedade, isto é, todos nós. Além de que, claro, a uniformidade é monótona. Mas mais interessante ainda, dizem os teóricos, é conseguir a combinação quase mágica entre novo DNA e o melhor dos traços nacionais da sociedade acolhedora. Um palco de combate essencial para esta luta é o bairro, claro, já que inúmeros estudos científicos e empíricos mostram que a integração resulta sempre melhor quando o Outro é aceite numa pequena comunidade local, ou seja, a rua, o bairro, a zona. Daí que defender a vinda de imigrantes para uma sossegada rua de um bairro de classe média da ainda mítica mas muito abalada linha de Cascais tenha sido sempre uma aposta pessoal, embora, claro, levante periodicamente as sobrancelhas cépticas de muita gente. Na verdade, mostra felizmente a realidade, os cépticos podem beneficiar do conforto que é garantido pela imobilidade, e têm certamente a sabedoria de que as mudanças geralmente são perigosas, mas a realidade mostra que a sociedade portuguesa é uma daquelas que com maior eficácia consegue integrar toda a diferença, enriquecendo -se de modo decisivo. De facto, no espaço da minha latitude, os brasileiros, os angolanos, os ucranianos e especialmente o chinaman e o seu clã de geometria variável provam que os limites do multiculturalismo são extintos pela poderosa capacidade portuguesa de entranhar nos outros os seus valores básicos de modo rápido e eficiente . Os brasileiros foram recebidos de braços abertos, beneficiando daquela lenda de povo aberto, alegre, improvisador e easy going. É tudo verdade. É fantástico descobrir que aberto significa ter 23 "caras" a viver harmoniosamente num T0, contornando assim a crise económica, alegria que as dj sessions de forró são até às 3 horas da manhã para o bairro todo, o que revela um profundo sentimento comunitário, improvisador que o átrio do prédio sirva para abrir um restaurante de "churrasquinho", o que é um exercício notável de empreendedorismo, e easy going uma aventura impossível de descrever. Os angolanos foram uma aposta pessoal, por razões biográficas. O trio de rapazes que uma noite chegou teve isso em conta. A actividade mais integradora que periodicamente exercem é a de se pegarem à pancada às duas da manhã, com a porta do apartamento aberta, por causa do Benfica, do Sporting e do Amadora, e participam activamente nas culturas juvenis em alta, nomeadamente "kitando" e experimentando até ao nervo os Seat Ibiza durante a noite na nossa extensa rua de 150 metros. Os ucranianos, tenho de admitir, são o meu caso mais complicado. Uma família honrada e trabalhadora, com dois filhos à entrada da idade adulta. Mas, tirando o facto de terem colocado uma corda de estender a roupa que ocupa toda a largura do prédio, onde a cada 48 horas são colocadas três máquinas de roupa preta, o que prova aquele asseio alentejano clássico, não consigo detectar nenhum sinal integrador, até porque as minhas tentativas de meter conversa são sempre recebidas com um "pois, pá". Pelo contrário, o chinaman e o seu clã são o meu motivo de orgulho. Antes de tudo o mais, provaram que as linhas teóricas recentes de comunitarismo urbano estão absolutamente correctas, e abriram uma pequena frutaria de bairro. É extremamente porreiro, vizinho. As velhinhas, que já não se mexem, vão lá fazer o seu avio diário, aprenderam umas palavras de cantonês, e os jovens profissionais urbanos que chegam tarde a casa sempre sabem que às 20h30 ainda podem comprar uma bananinha para comer com o iogurte, ou uma maçã para enfeitar a pizza congelada. É verdade que a frutinha não dura mais do que 12 horas, e feitas as contas os preços são um negócio da china para o vendedor, mas é o imposto do local e da comodidade. Mas o que realmente me encanta é a carrinha de carga, que para mim é um símbolo notável de como o espírito português contamina de modo absoluto todos os que vêm de fora para lutar pela vida. O chinaman, como todos os pequenos empreendedores nacionais de comércio e serviços, têm uma grande carrinha de carga branca, daquelas com uma altura de um 1º andar. Ora, o chinaman tinha um problema: a sua frutaria é na esquina, tinha de descarregar diariamente o material, e como todos nós era afectado por aquela grande calamidade nacional de nunca ter lugar para estacionar mesmo à porta de casa. A princípio, o chinaman parava na passadeira de peões, mas era uma solução precária, porque via que todos nós cumprimos a Lei, e que o grosso da sua clientela são velhinhas que têm horror a atravessar fora da passadeira. Foi aqui que o chinaman e o seu clã mostraram o seu elevado grau de integração, ao revelarem aquele engenho tão especificamente português. O chinaman mandou um dos membros do clã esperar, até conseguir ver um lugar de estacionamento vago mesmo, mesmo na esquina da frutaria. Quando finalmente, ao fim de umas semanas, o lugar vagou, o membro do clã ocupou - o com o pequeno Kia roxo, conseguindo, com uma manobra cheia de yiang, antecipar -se ao almirante reformado que avançava com o seu Honda de 1995, há cinco anos parado no passeio, por debaixo do estore do seu rés- do- chão. Houve uma troca de insultos durante uns minutos, mas nada de extraordinário. A partir daqui, o chinaman provou ser um verdadeiro português. A dinossáurica carrinha branca está fixa no lugar de estacionamento, e serve de armazém da fruta, que várias vezes ao dia é transferida para a frutaria por duas senhoras do clã. À noite, a fruta volta para a carrinha, garantindo assim todas as condições de higiene e ventilação que garantem a sua frescura. Uma vez por semana, entre as 5 horas e as 8 horas da manhã, quando o chinaman tem de ir ao MARL reabastecer, faz - se acompanhar por outro membro do clã, que desloca o Kia roxo para o meio do lugar. O almirante topou a coisa, e tentou um golpe de guerrilha numa madrugada de semana, mas o chinaman pôs -se à frente dele com a carrinha. Deste modo, a situação de lugar reservado prolonga - se já há vários meses. Um analista parcial e resistente à integração multicultural dirá que temos aqui um exemplo vivo de egoísmo, manhosice, mesquinhez e falta de respeito pelo espaço público, inaceitáveis numa sociedade evoluída e tolerante. Mas eu, que recuso que aqueles traços sejam constituintes da personalidade colectiva nacional, vejo apenas um exemplo superior de estratégia, disciplina, tenacidade e individualismo que não só são os traços essenciais de qualquer povo vencedor, como são indicadores do nosso melhor espírito nacional.
O meu comentário
Fernando Frazão disse...
Caro amigo
No bairro onde moro existe um exemplo semelhante mas executado por um portuga com igual sentido de pragmatismo.
Fica a sua merceria numa esquina rodeada de um magnifico paseio em redondo de uns bons dez metros de largura.
A apropriação do espaço público executa-se em dois passos distintos, a saber:
Primeiro alargou o espaço da loja, colocando no exterior uma estrutura de ferro onde, como qualquer merceria de bairro que se preze, coloca as caixas de legumes e de fruta, suspeito eu, de modo clandestino (sem alertas para a ASAE);
Segundo estacionou uma Hiace velhinha, em cima do passeio, fechando o lado do rectangulo que sobra para a rua onde, durante a noite armazena as caixas já referidas.
Embora concorde consigo acerca da miscigenação de DNA no progresso do país, nós próprios somos capazes de desaricanços iguais ao seu "chinaman".
O pessoal do bairro que circula pelo passeio tem que contornar a Hiace para seguir o seu caminho, mas aceita a cena alegremente
Resta dizer que o "xômanel", dono da referida merceria, é o mais popular do bairro.
É quase um axioma para qualquer cidadão ocidental minimamente atento que a melhor hipótese de sobrevivência de sociedades velhas e gastas como a portuguesa está na injecção de novo DNA. Deste modo, a militância activa pela opção multicultural está entre aqueles que considero como os meus deveres essenciais. Antes do mais, nas escolas, especialmente nas de elites, e no mercado de trabalho. Em termos muito rudimentares, a ideia é a de que integrar a diversidade enriquece toda a gente, e quanto maior conhecimento for adquirido por todos os diferentes, mais dinâmica fica a sociedade, isto é, todos nós. Além de que, claro, a uniformidade é monótona. Mas mais interessante ainda, dizem os teóricos, é conseguir a combinação quase mágica entre novo DNA e o melhor dos traços nacionais da sociedade acolhedora. Um palco de combate essencial para esta luta é o bairro, claro, já que inúmeros estudos científicos e empíricos mostram que a integração resulta sempre melhor quando o Outro é aceite numa pequena comunidade local, ou seja, a rua, o bairro, a zona. Daí que defender a vinda de imigrantes para uma sossegada rua de um bairro de classe média da ainda mítica mas muito abalada linha de Cascais tenha sido sempre uma aposta pessoal, embora, claro, levante periodicamente as sobrancelhas cépticas de muita gente. Na verdade, mostra felizmente a realidade, os cépticos podem beneficiar do conforto que é garantido pela imobilidade, e têm certamente a sabedoria de que as mudanças geralmente são perigosas, mas a realidade mostra que a sociedade portuguesa é uma daquelas que com maior eficácia consegue integrar toda a diferença, enriquecendo -se de modo decisivo. De facto, no espaço da minha latitude, os brasileiros, os angolanos, os ucranianos e especialmente o chinaman e o seu clã de geometria variável provam que os limites do multiculturalismo são extintos pela poderosa capacidade portuguesa de entranhar nos outros os seus valores básicos de modo rápido e eficiente . Os brasileiros foram recebidos de braços abertos, beneficiando daquela lenda de povo aberto, alegre, improvisador e easy going. É tudo verdade. É fantástico descobrir que aberto significa ter 23 "caras" a viver harmoniosamente num T0, contornando assim a crise económica, alegria que as dj sessions de forró são até às 3 horas da manhã para o bairro todo, o que revela um profundo sentimento comunitário, improvisador que o átrio do prédio sirva para abrir um restaurante de "churrasquinho", o que é um exercício notável de empreendedorismo, e easy going uma aventura impossível de descrever. Os angolanos foram uma aposta pessoal, por razões biográficas. O trio de rapazes que uma noite chegou teve isso em conta. A actividade mais integradora que periodicamente exercem é a de se pegarem à pancada às duas da manhã, com a porta do apartamento aberta, por causa do Benfica, do Sporting e do Amadora, e participam activamente nas culturas juvenis em alta, nomeadamente "kitando" e experimentando até ao nervo os Seat Ibiza durante a noite na nossa extensa rua de 150 metros. Os ucranianos, tenho de admitir, são o meu caso mais complicado. Uma família honrada e trabalhadora, com dois filhos à entrada da idade adulta. Mas, tirando o facto de terem colocado uma corda de estender a roupa que ocupa toda a largura do prédio, onde a cada 48 horas são colocadas três máquinas de roupa preta, o que prova aquele asseio alentejano clássico, não consigo detectar nenhum sinal integrador, até porque as minhas tentativas de meter conversa são sempre recebidas com um "pois, pá". Pelo contrário, o chinaman e o seu clã são o meu motivo de orgulho. Antes de tudo o mais, provaram que as linhas teóricas recentes de comunitarismo urbano estão absolutamente correctas, e abriram uma pequena frutaria de bairro. É extremamente porreiro, vizinho. As velhinhas, que já não se mexem, vão lá fazer o seu avio diário, aprenderam umas palavras de cantonês, e os jovens profissionais urbanos que chegam tarde a casa sempre sabem que às 20h30 ainda podem comprar uma bananinha para comer com o iogurte, ou uma maçã para enfeitar a pizza congelada. É verdade que a frutinha não dura mais do que 12 horas, e feitas as contas os preços são um negócio da china para o vendedor, mas é o imposto do local e da comodidade. Mas o que realmente me encanta é a carrinha de carga, que para mim é um símbolo notável de como o espírito português contamina de modo absoluto todos os que vêm de fora para lutar pela vida. O chinaman, como todos os pequenos empreendedores nacionais de comércio e serviços, têm uma grande carrinha de carga branca, daquelas com uma altura de um 1º andar. Ora, o chinaman tinha um problema: a sua frutaria é na esquina, tinha de descarregar diariamente o material, e como todos nós era afectado por aquela grande calamidade nacional de nunca ter lugar para estacionar mesmo à porta de casa. A princípio, o chinaman parava na passadeira de peões, mas era uma solução precária, porque via que todos nós cumprimos a Lei, e que o grosso da sua clientela são velhinhas que têm horror a atravessar fora da passadeira. Foi aqui que o chinaman e o seu clã mostraram o seu elevado grau de integração, ao revelarem aquele engenho tão especificamente português. O chinaman mandou um dos membros do clã esperar, até conseguir ver um lugar de estacionamento vago mesmo, mesmo na esquina da frutaria. Quando finalmente, ao fim de umas semanas, o lugar vagou, o membro do clã ocupou - o com o pequeno Kia roxo, conseguindo, com uma manobra cheia de yiang, antecipar -se ao almirante reformado que avançava com o seu Honda de 1995, há cinco anos parado no passeio, por debaixo do estore do seu rés- do- chão. Houve uma troca de insultos durante uns minutos, mas nada de extraordinário. A partir daqui, o chinaman provou ser um verdadeiro português. A dinossáurica carrinha branca está fixa no lugar de estacionamento, e serve de armazém da fruta, que várias vezes ao dia é transferida para a frutaria por duas senhoras do clã. À noite, a fruta volta para a carrinha, garantindo assim todas as condições de higiene e ventilação que garantem a sua frescura. Uma vez por semana, entre as 5 horas e as 8 horas da manhã, quando o chinaman tem de ir ao MARL reabastecer, faz - se acompanhar por outro membro do clã, que desloca o Kia roxo para o meio do lugar. O almirante topou a coisa, e tentou um golpe de guerrilha numa madrugada de semana, mas o chinaman pôs -se à frente dele com a carrinha. Deste modo, a situação de lugar reservado prolonga - se já há vários meses. Um analista parcial e resistente à integração multicultural dirá que temos aqui um exemplo vivo de egoísmo, manhosice, mesquinhez e falta de respeito pelo espaço público, inaceitáveis numa sociedade evoluída e tolerante. Mas eu, que recuso que aqueles traços sejam constituintes da personalidade colectiva nacional, vejo apenas um exemplo superior de estratégia, disciplina, tenacidade e individualismo que não só são os traços essenciais de qualquer povo vencedor, como são indicadores do nosso melhor espírito nacional.
O meu comentário
Fernando Frazão disse...
Caro amigo
No bairro onde moro existe um exemplo semelhante mas executado por um portuga com igual sentido de pragmatismo.
Fica a sua merceria numa esquina rodeada de um magnifico paseio em redondo de uns bons dez metros de largura.
A apropriação do espaço público executa-se em dois passos distintos, a saber:
Primeiro alargou o espaço da loja, colocando no exterior uma estrutura de ferro onde, como qualquer merceria de bairro que se preze, coloca as caixas de legumes e de fruta, suspeito eu, de modo clandestino (sem alertas para a ASAE);
Segundo estacionou uma Hiace velhinha, em cima do passeio, fechando o lado do rectangulo que sobra para a rua onde, durante a noite armazena as caixas já referidas.
Embora concorde consigo acerca da miscigenação de DNA no progresso do país, nós próprios somos capazes de desaricanços iguais ao seu "chinaman".
O pessoal do bairro que circula pelo passeio tem que contornar a Hiace para seguir o seu caminho, mas aceita a cena alegremente
Resta dizer que o "xômanel", dono da referida merceria, é o mais popular do bairro.
algumas hipóteses realistas para o futuro próximo
Tirado e comentado daqui
Como é do conhecimento daqueles que amavelmente seguem os escritos deste espaço, tenho acompanhado com a maior concentração possível o debate em torno do futuro dos autores e do livro, que se reacendeu um pouco por todo o mundo quando a Apple partilhou, há algumas semanas, a configuração essencial do IPad, o seu novo gadget. Uma primeira reflexão deu já origem a um post no Sniper ("risco intenso para o escritor português"), mas alguns contributos recentes e decisivos de especialistas obrigam a novas linhas. Para este momento, isolo dois textos particularmente importantes, um publicado no "Financial Times" em 9 de Fevereiro ("A page is turned") e outro de Jason Epstein, o real insider da edição, na "New York Review of Books" de 11 de Março ("Publishing: The Revolutionary Future"). Curiosamente, os dois textos, equivalentes em importância, unem -se numa linha de fundo estrutural, a de que o máximo a que se pode chegar neste momento é a conjecturas com um grau sério de realismo, mas também se complementam. O do "FT" procura dar conta da estratégia dos grandes conglomerados editoriais globais face à existência do texto digital. A investigação trouxe à tona revelações insólitas. A resposta dos grandes conglomerados editoriais é a de que vão manter o modelo de produção assente no papel (edição - impressão - distribuição), continuando a editar no modelo "codex", reservando para o mercado do texto digital apenas a negociação do preço de venda dos livros em formato digital com as entidades que o distribuem e vão distribuir no futuro. Esmiuçando esta estratégia, os editores não vão editar na plataforma digital, estando apenas preocupados, para já, em conseguir a melhor negociação possível com os grandes "players" deste ambiente, como a Amazon e a Apple. É neste ponto fundamental que o texto de Epstein - com o peso de muitas décadas na edição - ganha um interesse maior, já que, para ele, a estratégia dos conglomerados editoriais é um total suicídio. No seu texto, Epstein garante que "the transition within the book publishing industry from physical inventory stored in a warehouse and trucked to retailers to digital files stored in cyberspace and delivered almost anywhere on earth as quickly and cheaply as e - mail is now underway and irreversible. This historic shift will radically transform worldwide book publishing, the cultures it affects and on which it depends". Na sua longa reflexão, Epstein toca em todos os nós vitais da cadeia escritores - editores - distribuição - venda, mas neste "post" apenas consigo fazer alguma reflexão possível sobre os que mais me tocam. O primeiro é que o actual modelo empresarial da edição está condenado. Tal como defendi há umas semanas aqui no Sniper, há alguns traços que convém destacar desde logo. A distribuição e a venda em livraria tradicional são os nós onde haverá mais impacto. A edição será totalmente reformulada, e em lugar da grande editora nacional de gestão vertical, pertencendo ou não a uma multinacional, teremos nichos de editores, ligados além - fronteiras por interesses editoriais comuns, e capazes de juntar numa rede privada e empresarial todas as funções necessárias: pesquisa de autores, edição, comunicação e venda. Aqui, será aparentemente decisivo o modo de venda, com a introdução de modelos como o da expiração da licença e o aluguer, e a protecção do conteúdo face à ideologia do ficheiro gratuíto. O processo não está ainda em marcha porque, escreve Epstein, "the resistance today by publishers to the onrushing digital future does not arise from fear of disruptive literacy, but from the understandable fear of their own obsolescence and the complexity of the digital transformation that awaits them (...)". Para os autores, o futuro próximo é igualmente complexo. No "literary chaos of the digital future", como classifica Epstein, várias tendências aparecem desenhadas. Um ponto essencial parece ser o da obtenção de um "contrato global de direitos de autor", que permita, exactamente, a venda directa do livro digital ne internet, ou seja em todo o mundo. Obtido este, várias possibilidades podem desde já ser vislumbradas. Uma delas é a do o autor "acantonar- se" no seio do lugar virtual de um editor de reputação, capaz de lhe dar visibilidade num directório global como é o Google. Outra, que começa a ser adoptada pelos monstros best - sellers saxónicos, é a do autor, secundado por especialistas, assumir a comunicação e a venda. Qualquer que seja o cenário, a liderança em vendas e notoriedade será sempre dos autores que, como existem já exemplos em Portugal, estejam posicionados para comunicar em todas as plataformas, especialmente na televisão e na rede, e escrevam segundo as regras "mainstream" do momento. Neste cenário, vários problemas graves se levantam. Talvez o mais importante seja o da preservação segura e durável da cultura e do conhecimento, que, sem dúvida, são transmitidos acima de tudo pelo livro. Em que suporte serão transmitidos às bibliotecas os textos, de que modo se garante a sua inviolabilidade eterna, e igualmente de que modo se garante a disponibilidade aos leitores dos "fundos de livros" ( um problema já hoje em dia, devido à alta rotatividade do título em livraria) são temas em aberto. Uma única certeza existe em todo este processo: tal como em todas as outras áreas do mundo contemporâneo, há muito tempo, na verdade desde 1850, que a sociedade humana não acelerava tanto.
Comentário meu
Fernando Frazão disse...
No meio desta cadeia toda que parece estar a aproximar o produtor no consumidor final, eliminando intermediários, onde fica o o tradutor, cujo papel parece estar esquecido em todos os escritos que tenho lido sobre o assunto?
Como será possivel a escritores do gabarito de um Philip Roth, Ian Mcwean ou Cormac Mccarty colocarem "livros" no mercado português directamente sem passar por esta figura fundamental?
Remeto a questão para o magnifico prefácio do tradutor no Meridiano de Sangue de Cormac Mccarty explicando a dificuldade do seu trabalho ou o que está escrito pela tradutora de Lobo Antunes para Sueco. Quem paga o trabalho insano deste profissional?
Mais, a partir de um texto na lingua do escritor como se coloca, em tempo útil, via net, este produto nas diferentes linguas de consumo?
Gostaria de saber a sua opinião sobre esta questão.
Cumprimentos
Como é do conhecimento daqueles que amavelmente seguem os escritos deste espaço, tenho acompanhado com a maior concentração possível o debate em torno do futuro dos autores e do livro, que se reacendeu um pouco por todo o mundo quando a Apple partilhou, há algumas semanas, a configuração essencial do IPad, o seu novo gadget. Uma primeira reflexão deu já origem a um post no Sniper ("risco intenso para o escritor português"), mas alguns contributos recentes e decisivos de especialistas obrigam a novas linhas. Para este momento, isolo dois textos particularmente importantes, um publicado no "Financial Times" em 9 de Fevereiro ("A page is turned") e outro de Jason Epstein, o real insider da edição, na "New York Review of Books" de 11 de Março ("Publishing: The Revolutionary Future"). Curiosamente, os dois textos, equivalentes em importância, unem -se numa linha de fundo estrutural, a de que o máximo a que se pode chegar neste momento é a conjecturas com um grau sério de realismo, mas também se complementam. O do "FT" procura dar conta da estratégia dos grandes conglomerados editoriais globais face à existência do texto digital. A investigação trouxe à tona revelações insólitas. A resposta dos grandes conglomerados editoriais é a de que vão manter o modelo de produção assente no papel (edição - impressão - distribuição), continuando a editar no modelo "codex", reservando para o mercado do texto digital apenas a negociação do preço de venda dos livros em formato digital com as entidades que o distribuem e vão distribuir no futuro. Esmiuçando esta estratégia, os editores não vão editar na plataforma digital, estando apenas preocupados, para já, em conseguir a melhor negociação possível com os grandes "players" deste ambiente, como a Amazon e a Apple. É neste ponto fundamental que o texto de Epstein - com o peso de muitas décadas na edição - ganha um interesse maior, já que, para ele, a estratégia dos conglomerados editoriais é um total suicídio. No seu texto, Epstein garante que "the transition within the book publishing industry from physical inventory stored in a warehouse and trucked to retailers to digital files stored in cyberspace and delivered almost anywhere on earth as quickly and cheaply as e - mail is now underway and irreversible. This historic shift will radically transform worldwide book publishing, the cultures it affects and on which it depends". Na sua longa reflexão, Epstein toca em todos os nós vitais da cadeia escritores - editores - distribuição - venda, mas neste "post" apenas consigo fazer alguma reflexão possível sobre os que mais me tocam. O primeiro é que o actual modelo empresarial da edição está condenado. Tal como defendi há umas semanas aqui no Sniper, há alguns traços que convém destacar desde logo. A distribuição e a venda em livraria tradicional são os nós onde haverá mais impacto. A edição será totalmente reformulada, e em lugar da grande editora nacional de gestão vertical, pertencendo ou não a uma multinacional, teremos nichos de editores, ligados além - fronteiras por interesses editoriais comuns, e capazes de juntar numa rede privada e empresarial todas as funções necessárias: pesquisa de autores, edição, comunicação e venda. Aqui, será aparentemente decisivo o modo de venda, com a introdução de modelos como o da expiração da licença e o aluguer, e a protecção do conteúdo face à ideologia do ficheiro gratuíto. O processo não está ainda em marcha porque, escreve Epstein, "the resistance today by publishers to the onrushing digital future does not arise from fear of disruptive literacy, but from the understandable fear of their own obsolescence and the complexity of the digital transformation that awaits them (...)". Para os autores, o futuro próximo é igualmente complexo. No "literary chaos of the digital future", como classifica Epstein, várias tendências aparecem desenhadas. Um ponto essencial parece ser o da obtenção de um "contrato global de direitos de autor", que permita, exactamente, a venda directa do livro digital ne internet, ou seja em todo o mundo. Obtido este, várias possibilidades podem desde já ser vislumbradas. Uma delas é a do o autor "acantonar- se" no seio do lugar virtual de um editor de reputação, capaz de lhe dar visibilidade num directório global como é o Google. Outra, que começa a ser adoptada pelos monstros best - sellers saxónicos, é a do autor, secundado por especialistas, assumir a comunicação e a venda. Qualquer que seja o cenário, a liderança em vendas e notoriedade será sempre dos autores que, como existem já exemplos em Portugal, estejam posicionados para comunicar em todas as plataformas, especialmente na televisão e na rede, e escrevam segundo as regras "mainstream" do momento. Neste cenário, vários problemas graves se levantam. Talvez o mais importante seja o da preservação segura e durável da cultura e do conhecimento, que, sem dúvida, são transmitidos acima de tudo pelo livro. Em que suporte serão transmitidos às bibliotecas os textos, de que modo se garante a sua inviolabilidade eterna, e igualmente de que modo se garante a disponibilidade aos leitores dos "fundos de livros" ( um problema já hoje em dia, devido à alta rotatividade do título em livraria) são temas em aberto. Uma única certeza existe em todo este processo: tal como em todas as outras áreas do mundo contemporâneo, há muito tempo, na verdade desde 1850, que a sociedade humana não acelerava tanto.
Comentário meu
Fernando Frazão disse...
No meio desta cadeia toda que parece estar a aproximar o produtor no consumidor final, eliminando intermediários, onde fica o o tradutor, cujo papel parece estar esquecido em todos os escritos que tenho lido sobre o assunto?
Como será possivel a escritores do gabarito de um Philip Roth, Ian Mcwean ou Cormac Mccarty colocarem "livros" no mercado português directamente sem passar por esta figura fundamental?
Remeto a questão para o magnifico prefácio do tradutor no Meridiano de Sangue de Cormac Mccarty explicando a dificuldade do seu trabalho ou o que está escrito pela tradutora de Lobo Antunes para Sueco. Quem paga o trabalho insano deste profissional?
Mais, a partir de um texto na lingua do escritor como se coloca, em tempo útil, via net, este produto nas diferentes linguas de consumo?
Gostaria de saber a sua opinião sobre esta questão.
Cumprimentos
2010/04/01
Benfica vs Liverpool
No dia 21 de Março de 1984 fui ao Estádio da Luz ver o Benfica - Liverpool. Foi a 2ª mão dos 1/4 final da Taça dos Campeões Europeus. Em Anfield o Benfica tinha perdido por 1-0. As esperanças eram grandes. O Benfica de Sven-Goran Eriksson estava a jogar bem. Era uma equipa renovada com Carlos Manuel, Chalana e Diamantino. Stromberg dava solidez ao meio campo. Bento era o guarda redes e Néné ainda ajudava. O Liverpool era treinado por Joe Fagan e as estrelas eram muitas. Destaco o Alan Kennedy, o Kenny Dalglish, o Ian Rush e o Graeme Souness.
Para ir ao jogo tive que "meter" meio dia de férias. Na altura trabalhava numa unidade industrial do Barreiro. Saí depois de almoço. Apanhei o barco até ao Terreiro do Paço. Fiz horas até ao início do jogo e lá entrei na "Catedral". Com mais 70.000. Na altura já não era sócio ( tinha-o sido nos tempos de Jimmy Hagan ) mas consegui um bilhete de sócio ( não conto como ...pois ainda quero fazer carreira política ).


O Liverpool deu uma lição ao Benfica. O resultado final foi 1-4.
O Benfica alinhou com :
1. Bento (C) ; 2. Pietra; 3. Oliveira ( substituido por Shéu aos 46' ) 4. Álvaro Magalhães; 5. Bastos Lopes; 6. Carlos Manuel ; 7. Néné; 8. Glenn Stromberg; 9. Michael Manniche; 10. Chalana; 11. Diamantino ( substituido por Zoran Filipovic aos 58' ).
O Liverpool alinhou com :
1. Bruce Grobbelaar; 2. Phil Neal; 3.Alan Kennedy; 4.Mark Lawrenson, 5.Ronnie Whelan; 6.Alan Hansen; 7.Kenny Dalglish; 8.Sammy Lee; 9.Ian Rush; 10.Craig Johnston; 11. Graeme Souness (C).
O árbitro foi o alemão Volker Roth.
Os golos : 9' Whelan ( 0-1 ); 33' Craig Johnston ( 0-2 ); 74' Néné ( 1-2 ); 78' Ian Rush ( 1-3 ) ; 88' Whelan ( 1-4 ).
O Liverpool seria Campeão Europeu nessa época. Ganhou por penalties a final ao A.S. Roma, na capital italiana.
Sven-Goran Eriksson é agora o seleccionador da Costa do Marfim e todos conhecem a sua carreira . Ficou na história do Benfica.
Joe Fagan tinha sucedido a Bob Paisley em 1983 e fazia parte da famosa Bootroom onde também trabalhou com o inesquecível Bill Shankly. Abandonou a carreira depois da trágica final de Heyssel em 1985. Morreu em Julho de 2001 aos 80 anos.
Muitos jogadores ficaram na história dos respectivos clubes.
Alguns, depois de pendurarem as chuteiras, ainda exercem ou exerceram outras funções.
No Benfica : Pietra ( actual treinador adjunto de Jorge Jesus ), Shéu ( há que anos no Departamento Técnico ) , Chalana, Álvaro Magalhães. Manuel Bento faleceu em Março de 2007.
No Liverpool : Phil Neal, Kenny Dalglish ( actual embaixador da Academia do clube ), Sammy Lee (actual treinador adjunto de Rafa Benitez ) e Graeme Souness que curiosamente foi treinador dos dois clubes. Do Liverpool de 91 a 94 e do Benfica de 97 a 99. Infelizmente não ficou na história do Glorioso.
Quase de certeza que me esqueci de alguns. As minhas desculpas.
Dois grandes clubes que fizeram história na Taça dos Campeões Europeus. Em épocas diferentes.
Coisa que está ao alcance de poucos. Acrescentaria o penta-campeão Real Madrid da década de 50, o Ajax tri-campeão em 70/71, 71/72 e 72/73/74 , o Bayern Munique também tri-campeão em 73/74, 74/75 e 75/76 e ainda o Milão dos holandeses Van Basten, Gullit e Reykaard no final da década de 80 princípio da década de 90.
O Benfica na década de 60. Interrompeu o domínio do Real Madrid e em 8 anos foi a 5 finais. Tendo sido bi-campeão em 60/61 e 61/62.
O Liverpool que, depois do êxito episódico, em 1968, do Manchester United, iniciou em 1976 /77 um período de domínio dos clubes ingleses. O Liverpool de 76/ 77 a 84/85 disputou 5 finais ganhando 4. E possivelmente esse domínio teria continuado caso os clubes ingleses não tivessem sido suspenso por 5 anos de todas as competções europeias após a final de Bruxelas em 1985. Nunca o saberemos.
Apenas sabemos que são dois grandes clubes e ambos equipam de vermelho.
Tirado daqui
Para ir ao jogo tive que "meter" meio dia de férias. Na altura trabalhava numa unidade industrial do Barreiro. Saí depois de almoço. Apanhei o barco até ao Terreiro do Paço. Fiz horas até ao início do jogo e lá entrei na "Catedral". Com mais 70.000. Na altura já não era sócio ( tinha-o sido nos tempos de Jimmy Hagan ) mas consegui um bilhete de sócio ( não conto como ...pois ainda quero fazer carreira política ).


O Liverpool deu uma lição ao Benfica. O resultado final foi 1-4.
O Benfica alinhou com :
1. Bento (C) ; 2. Pietra; 3. Oliveira ( substituido por Shéu aos 46' ) 4. Álvaro Magalhães; 5. Bastos Lopes; 6. Carlos Manuel ; 7. Néné; 8. Glenn Stromberg; 9. Michael Manniche; 10. Chalana; 11. Diamantino ( substituido por Zoran Filipovic aos 58' ).
O Liverpool alinhou com :
1. Bruce Grobbelaar; 2. Phil Neal; 3.Alan Kennedy; 4.Mark Lawrenson, 5.Ronnie Whelan; 6.Alan Hansen; 7.Kenny Dalglish; 8.Sammy Lee; 9.Ian Rush; 10.Craig Johnston; 11. Graeme Souness (C).
O árbitro foi o alemão Volker Roth.
Os golos : 9' Whelan ( 0-1 ); 33' Craig Johnston ( 0-2 ); 74' Néné ( 1-2 ); 78' Ian Rush ( 1-3 ) ; 88' Whelan ( 1-4 ).
O Liverpool seria Campeão Europeu nessa época. Ganhou por penalties a final ao A.S. Roma, na capital italiana.
Sven-Goran Eriksson é agora o seleccionador da Costa do Marfim e todos conhecem a sua carreira . Ficou na história do Benfica.
Joe Fagan tinha sucedido a Bob Paisley em 1983 e fazia parte da famosa Bootroom onde também trabalhou com o inesquecível Bill Shankly. Abandonou a carreira depois da trágica final de Heyssel em 1985. Morreu em Julho de 2001 aos 80 anos.
Muitos jogadores ficaram na história dos respectivos clubes.
Alguns, depois de pendurarem as chuteiras, ainda exercem ou exerceram outras funções.
No Benfica : Pietra ( actual treinador adjunto de Jorge Jesus ), Shéu ( há que anos no Departamento Técnico ) , Chalana, Álvaro Magalhães. Manuel Bento faleceu em Março de 2007.
No Liverpool : Phil Neal, Kenny Dalglish ( actual embaixador da Academia do clube ), Sammy Lee (actual treinador adjunto de Rafa Benitez ) e Graeme Souness que curiosamente foi treinador dos dois clubes. Do Liverpool de 91 a 94 e do Benfica de 97 a 99. Infelizmente não ficou na história do Glorioso.
Quase de certeza que me esqueci de alguns. As minhas desculpas.
Dois grandes clubes que fizeram história na Taça dos Campeões Europeus. Em épocas diferentes.
Coisa que está ao alcance de poucos. Acrescentaria o penta-campeão Real Madrid da década de 50, o Ajax tri-campeão em 70/71, 71/72 e 72/73/74 , o Bayern Munique também tri-campeão em 73/74, 74/75 e 75/76 e ainda o Milão dos holandeses Van Basten, Gullit e Reykaard no final da década de 80 princípio da década de 90.
O Benfica na década de 60. Interrompeu o domínio do Real Madrid e em 8 anos foi a 5 finais. Tendo sido bi-campeão em 60/61 e 61/62.
O Liverpool que, depois do êxito episódico, em 1968, do Manchester United, iniciou em 1976 /77 um período de domínio dos clubes ingleses. O Liverpool de 76/ 77 a 84/85 disputou 5 finais ganhando 4. E possivelmente esse domínio teria continuado caso os clubes ingleses não tivessem sido suspenso por 5 anos de todas as competções europeias após a final de Bruxelas em 1985. Nunca o saberemos.
Apenas sabemos que são dois grandes clubes e ambos equipam de vermelho.
Tirado daqui
2010/03/31
Why You Can’t Help Believing Everything You Read

You shouldn't believe everything you read, yet according to a classic psychology study at first we can't help it.
What is the mind's default position: are we naturally critical or naturally gullible? As a species do we have a tendency to behave like Agent Mulder from the X-Files who always wanted to believe in mythical monsters and alien abductions? Or are we like his partner Agent Scully who was the critical scientist, generating alternative explanations, trying to understand and evaluate the strange occurrences they encountered rationally?
Do we believe what the TV, the newspapers, blogs even, tell us at first blush or are we naturally critical? Can we ignore the claims of adverts, do we lap up what politicians tell us, do we believe our lover's promises?
It's not just that some people do and some people don't; in fact all our minds are built with the same first instinct, the same first reaction to new information. But what is it: do we believe first or do we first understand, so that belief (or disbelief) comes later?
Descartes versus Spinoza
This argument about whether belief is automatic when we are first exposed to an idea or whether belief is a separate process that follows understanding has been going on for at least 400 years. The French philosopher, mathematician and physicist René Descartes (below, right) argued that understanding and believing are two separate processes. First people take in some information by paying attention to it, then they decide what to do with that information, which includes believing or disbelieving it.
Descartes' view is intuitively attractive and seems to accord with the way our minds work, or at least the way we would like our minds to work.
The Dutch philosopher Baruch Spinoza (above left), a contemporary of Descartes, took a quite different view. He thought that the very act of understanding information was believing it. We may, he thought, be able to change our minds afterwards, say when we come across evidence to the contrary, but until that time we believe everything.
Spinoza's approach is unappealing because it suggests we have to waste our energy rooting out falsities that other people have randomly sprayed in our direction, whether by word of mouth, TV, the internet or any other medium of communication.
So who was right, Spinoza or Descartes?
How many years in jail?
Daniel Gilbert and colleagues put these two theories head-to-head in a series of experiments to test whether understanding and belief operate together or whether belief (or disbelief) comes later (Gilbert et al., 1993).
In their classic social psychology experiment seventy-one participants read statements about two robberies then gave the robber a jail sentence. Some of the statements were designed to make the crime seem worse, for example the robber had a gun, and others to make it look less serious, for example the robber had starving children to feed.
The twist was that only some of the statements were true, while others were false. Participants were told that all the statements that were true would be displayed in green type, while the false statement would be in red. Here's the clever bit: half the participants where purposefully distracted while they were reading the false statements while the other half weren't.
In theory if Spinoza was correct then those who were distracted while reading the false statements wouldn't have time to process the additional fact that the statement was written in red and therefore not true, and consequently would be influenced by it in the jail term they gave to the criminal. On the other hand if Descartes was right then the distraction would make no difference as participants wouldn't have time to believe or not believe the false statements so they wouldn't make any difference to the jail term.
And the winner is...
The results showed that when the false statements made the crime seem much worse rather than less serious, the participants who were interrupted gave the criminals almost twice as long in jail, up from about 6 years to around 11 years.
By contrast the group in which participants hadn't been interrupted managed to ignore the false statements. Consequently there was no significant difference between jail terms depending on whether false statements made the crime seem worse or less serious.
This meant that only when given time to think about it did people behave as though the false statements were actually false. On the other hand, without time for reflection, people simply believed what they read.
Gilbert and colleagues carried out further experiments to successfully counter some alternative explanations of their results. These confirmed their previous findings and led them to the rather disquieting conclusion that Descartes was in error and Spinoza was right.
Believing is not a two-stage process involving first understanding then believing. Instead understanding is believing, a fraction of a second after reading it, you believe it until some other critical faculty kicks in to change your mind. We really do want to believe, just like Agent Mulder.
Believe first, ask questions later
Not only that, but their conclusions, and those of Spinoza, also explain other behaviours that people regularly display:
Correspondence bias: this is people's assumption that others' behaviour reflects their personality, when really it reflects the situation.
Truthfulness bias: people tend to assume that others are telling the truth, even when they are lying.
The persuasion effect: when people are distracted it increases the persuasiveness of a message.
Denial-innuendo effect: people tend to positively believe in things that are being categorically denied.
Hypothesis testing bias: when testing a theory, instead of trying to prove it wrong people tend to look for information that confirms it. This, of course, isn't very effective hypothesis testing!
When looked at in light of Spinoza's claim that understanding is believing, these biases and effects could result from our tendency to believe first and ask questions later. Take the correspondence bias: when meeting someone who is nervous we may assume they are a nervous person because this is the most obvious inference to make. It only occurs to us later that they might have been worried because they were waiting for important test results.
If all this is making your feel rather uncomfortable then you're not alone. Gilbert and colleagues concede that our credulous mentality seems like bad news. It may even be an argument for limiting freedom of speech. After all, if people automatically believe everything they see and hear, we have to be very careful about what people see and hear.
Benefits of belief
Gilbert and colleagues counter this by arguing that too much cynicism is not a good thing. Minds working on a Decartian model would only believe things for which they had hard evidence. Everything else would be neither believed or not believed, but in a state of limbo.
The problem is that a lot of the information we are exposed to is actually true, and some of it is vital for our survival. If we had to go around checking our beliefs all the time, we'd never get anything done and miss out on some great opportunities.
Minds that work on a Spinozan model, however, can happily believe as a general rule of thumb, then check out anything that seems dodgy later. Yes, they will often believe things that aren't true, but it's better to believe too much and be caught out once in a while than be too cynical and fail to capitalise on the useful and beneficial information that is actually true.
Or maybe by going along with this argument I'm being gullible and the harsh truth is that it's a basic human failing that we are all too quick to take things at face value and too slow to engage our critical faculties. I'll leave you to ponder that one.
Retirado daqui
Etiquetas:
Comunicação,
Descartes,
Spinoza
2010/03/30
Benfica vs Liverpool
Retirado daqui
S.L. Benfica + Liverpool F.C. = 14 finais Taça do Campeões Europeus
Quem me conhece sabe que sou um fanático do Liverpool. Quando há jogos do Liverpool contra equipas portuguesas ninguém me pergunta por quem vou torcer. Todos sabem : pelo Liverpool. Só quando joga contra o Benfica é que me perguntam, sabem que também sou benfiquista. E agora que se aproxima o Benfica- Liverpool, para a Liga Europa, as perguntas começaram. Nas caixas de comentários. Por mail ou por telefone.
Hoje não respondo.
Apenas recordo que os dois clubes já estiveram presentes em 14 finais da Taça dos Campeões ( 1956 a 1992 em eliminatórias a 2 mãos) + Liga dos Campeões ( desde 1993 com a fase de grupos). Num total de 55 finais, ou seja 26 % de presenças em finais.
Os dois clubes já disputaram , cada, 7 finais. Mas nenhuma entre ambos O Liverpool ganhou 5 vezes. O Benfica duas.
Hoje deixo-vos a listagem dessas 14 finais. Clicando saberão a constituição das equipas , árbitros. marcadores dos golos, etc... e poderão ver videos resumo.
1961 em Berna : Benfica 3 - Barcelona 2
1962 em Amsterdão : Benfica 5 - Real Madrid 3
1963 em Londres : Milão 2 - Benfica 1
1965 em Milão : Inter 1 - Benfica 0
1968 em Londres : Manchester United 4 - Benfica 1 (após prolongamento)
1977 em Roma : Liverpool 3 - Borussia Moenchengladbach 1
1978 em Londres : Liverpool 1 - Bruges 0
1981 em Paris : Liverpool 1 - Real Madrid 0
1984 em Roma : Liverpool 1 - Roma 1 ( Liverpool 4-2 nos penalties )
1985 em Bruxelas : Juventus 1 - Liverpool 0
1988 em Estugarda : PSV Eindhoven 0 - Benfica 0 ( PSV 6-5 nos penalties )
1990 em Viena : Milão 1 - Benfica 0
2005 em Istambul : Liverpool 3 - Milão 3 ( Liverpool 3-2 nos penalties )
2007 em Atenas : Milão 2 - Liverpool 1
Vá aproveitem este verdadeiro serviço público. Não é todos os dias que estou para aí virado.
Em próximos posts falarei de algumas particularidaes dessas finais e dos jogos entre Benfica e Liverpool.
S.L. Benfica + Liverpool F.C. = 14 finais Taça do Campeões Europeus
Quem me conhece sabe que sou um fanático do Liverpool. Quando há jogos do Liverpool contra equipas portuguesas ninguém me pergunta por quem vou torcer. Todos sabem : pelo Liverpool. Só quando joga contra o Benfica é que me perguntam, sabem que também sou benfiquista. E agora que se aproxima o Benfica- Liverpool, para a Liga Europa, as perguntas começaram. Nas caixas de comentários. Por mail ou por telefone.
Hoje não respondo.
Apenas recordo que os dois clubes já estiveram presentes em 14 finais da Taça dos Campeões ( 1956 a 1992 em eliminatórias a 2 mãos) + Liga dos Campeões ( desde 1993 com a fase de grupos). Num total de 55 finais, ou seja 26 % de presenças em finais.
Os dois clubes já disputaram , cada, 7 finais. Mas nenhuma entre ambos O Liverpool ganhou 5 vezes. O Benfica duas.
Hoje deixo-vos a listagem dessas 14 finais. Clicando saberão a constituição das equipas , árbitros. marcadores dos golos, etc... e poderão ver videos resumo.
1961 em Berna : Benfica 3 - Barcelona 2
1962 em Amsterdão : Benfica 5 - Real Madrid 3
1963 em Londres : Milão 2 - Benfica 1
1965 em Milão : Inter 1 - Benfica 0
1968 em Londres : Manchester United 4 - Benfica 1 (após prolongamento)
1977 em Roma : Liverpool 3 - Borussia Moenchengladbach 1
1978 em Londres : Liverpool 1 - Bruges 0
1981 em Paris : Liverpool 1 - Real Madrid 0
1984 em Roma : Liverpool 1 - Roma 1 ( Liverpool 4-2 nos penalties )
1985 em Bruxelas : Juventus 1 - Liverpool 0
1988 em Estugarda : PSV Eindhoven 0 - Benfica 0 ( PSV 6-5 nos penalties )
1990 em Viena : Milão 1 - Benfica 0
2005 em Istambul : Liverpool 3 - Milão 3 ( Liverpool 3-2 nos penalties )
2007 em Atenas : Milão 2 - Liverpool 1
Vá aproveitem este verdadeiro serviço público. Não é todos os dias que estou para aí virado.
Em próximos posts falarei de algumas particularidaes dessas finais e dos jogos entre Benfica e Liverpool.
2010/03/22
2010/03/17
2010/03/16
Reservas mundiais de surf

Têm vindo a crescer os movimentos de conservação das ondas, como se pode ler aqui.
Vale a pena o movimento ambientalista não perder de vista estes aliados potenciais (e também potenciais degradadores) para a discussão racional do uso sustentável da costa.
tirado daqui
Voltaire
Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até à morte vosso direito de dizê-lo."
PSD, MR. HYDE, PSD, DR. JEKYLL
«Um dia, Manuela Ferreira Leite disse, fazendo ironia (e eu aqui defendi-a, então, porque lhe soube ler a ironia), que era preciso suspender a democracia no País por seis meses. Sem ironia, agora ela defende coisa menor: suspender, no partido, as críticas ao líder nos 60 dias anteriores a eleições. Por exemplo, Pacheco Pereira não poderá, se lhe der na gana, como já deu, pôr as setas do PSD ao contrário no seu blog. No partido dos tenores contra o líder (Pacheco Pereira contra Menezes, Santana Lopes contra Marcelo, Marcelo contra quase todos...), o crime de lesa-majestade! Ao proibir essas críticas, o congresso prometeu ao próximo líder - Coelho, Rangel ou Aguiar-Branco, quem for - a honra de ser Kim-Il-sung durante 60 dias. É caso para pôr Zita Seabra a suspirar: "Posso ter saído do PCP, mas o PCP veio atrás de mim..." Tudo nesta decisão é tolo. A começar por ter sido apresentada por Santana Lopes, com o seu longo historial de morder canelas aos líderes. Mas, sobretudo, surpreende ser no PSD. Ontem, lendo dezenas de opiniões (como hoje a Internet me permite), a indignação era quase unânime entre gente simpatizante do PSD. Para um partido acossado pela necessidade urgente de resultados práticos, esse sobressalto por uma ideia, a liberdade de expressão, só o honra. » [Diário de Notícias]
Parecer:
Por Ferreira Fernandes.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»
Roubado do Jumento
Parecer:
Por Ferreira Fernandes.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»
Roubado do Jumento
Lei da Rolha

Imagem retirada do Abrupto.
Constança Cunha e Sá, Congresso da Rolha, hoje no Correio da Manhã. Elementar:
«A norma aprovada pelo PSD que institui sanções — que podem ir até à expulsão — a todos os militantes que critiquem a direcção do partido dois meses antes das eleições não é apenas um episódio absurdo que pode ser eliminado num próximo congresso de acordo com os votos piedosos expressos pelos três candidatos à liderança. Independentemente da sua hipotética revogação, a proposta aprovada pela esmagadora maioria dos delegados, perante o silêncio cúmplice dos mesmos candidatos, revela de forma cristalina o estado em que se encontra actualmente o PSD.
Que o PSD considere que a melhor forma de garantir a sua unidade e coesão é sancionar quem ouse criticar as decisões sagradas da sua direcção, transformando, pelo caminho, uma questão que devia ser política num procedimento disciplinar, é algo que o desqualifica democraticamente. A ‘lei da rolha’, como já é conhecida esta extraordinária norma, ao atentar contra os princípios básicos da liberdade de expressão, é própria de um partido totalitário que preza, acima de tudo, uma falsa unanimidade, arquitectada de acordo com os velhos princípios do estalinismo.
O caso ganha contornos ainda mais surrealistas quando se sabe que o PSD tem feito da ‘asfixia democrática’ a sua principal bandeira, presidindo, neste momento, a uma comissão parlamentar que visa saber se existe liberdade de expressão em Portugal. O facto de a dr.ª Ferreira Leite, que é o rosto desta cruzada, achar tudo isto ‘muito bem’ só agrava, ainda mais, a situação. Depois de aprovar a asfixia no interior do partido, com o apoio da sua actual presidente, o PSD perdeu, como é óbvio, qualquer autoridade política para questionar o PS sobre a liberdade de expressão no país. Um partido não pode ter dois pesos e duas medidas e condenar a asfixia dos outros quando ele próprio é o primeiro a aplicá-la aos seus militantes.
Por último, a aprovação esmagadora desta proposta mostra bem o que o partido pensa sobre o seu futuro próximo e sobre os seus actuais candidatos. Ao contrário das proclamações épicas destes últimos, o PSD têm-nos na devida conta e sabe que nenhum deles tem força e autoridade para o unir o partido no essencial: daí que seja necessária uma norma estatutária para impedir a balbúrdia que, há muitos anos, se instalou no PSD. No fundo, o partido sabe que, ganhe quem ganhar, o próximo líder é, mais uma vez, um líder a abater.
Quer se goste ou não, a verdade é que o PSD é, de facto, o único seguro de vida que o eng.º Sócrates hoje tem.»
2010/03/15
Everybody Hurts-REM
When the day is long and the night, the night is yours alone,
When you're sure you've had enough of this life, well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries and everybody hurts sometimes
Sometimes everything is wrong. Now it's time to sing along
When your day is night alone, (hold on, hold on)
If you feel like letting go, (hold on)
When you think you've had too much of this life, well hang on
'Cause everybody hurts. Take comfort in your friends
Everybody hurts. Don't throw your hand. Oh, no. Don't throw your hand
If you feel like you're alone, no, no, no, you are not alone
If you're on your own in this life, the days and nights are long,
When you think you've had too much of this life to hang on
Well, everybody hurts sometimes,
Everybody cries. And everybody hurts sometimes
And everybody hurts sometimes. So, hold on, hold on
Hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on
Everybody hurts. You are not alone
When you're sure you've had enough of this life, well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries and everybody hurts sometimes
Sometimes everything is wrong. Now it's time to sing along
When your day is night alone, (hold on, hold on)
If you feel like letting go, (hold on)
When you think you've had too much of this life, well hang on
'Cause everybody hurts. Take comfort in your friends
Everybody hurts. Don't throw your hand. Oh, no. Don't throw your hand
If you feel like you're alone, no, no, no, you are not alone
If you're on your own in this life, the days and nights are long,
When you think you've had too much of this life to hang on
Well, everybody hurts sometimes,
Everybody cries. And everybody hurts sometimes
And everybody hurts sometimes. So, hold on, hold on
Hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on
Everybody hurts. You are not alone
David Beckham
A lesão de David Beckham no tendão de Aquiles, ontem, no jogo entre o Milão e o Chievo, representa o adeus ao mundial e, muito provavelmente, a despedida do futebol de topo (regressará, talvez, ao LA Galaxy ). Há quem faça contas à possibilidade de recuperação a tempo da África do Sul, mas parece não haver grande margem para ilusões. No meio da tristeza – que também é minha já que sempre lhe admirei o futebol mau grado o gosto para esposas -, fica a ironia: poucos dias antes da lesão que lhe sentenciaria a carreira, Beckham regressou a Old Trafford - onde não jogava desde foi vendido ao Real Madrid em 2003. Quando entrou em campo, aos 63 minutos, foi monumentalmente agraciado em rara expressão de memória e gratidão a um adversário do momento (vídeo em baixo). É difícil rever as imagens sem um arrepio.
O que ninguém nos tinha dito é que se cumpria o último desejo de um condenado.
Março, Marçagão
LUA NOVA : hoje às 21 h 01m
...e se não chover, então só volta a chover em Maio.
A acreditar no que ouvi dizer a um agricultor no Rossio de Estremoz no passado sábado, dia 13 de Março.
Aguardemos.
Mais informa o Borda D'Água ( para 2010 ) :
- Que hoje é dia de S. Clemente e também Dia do Consumidor.
- Que durante o mês de Março o dia aumenta em Lisboa 1h 16 m e no Porto 1h 20 m.
- Que astrologicamente : Homem calado e observador. Mulher honesta e piedosa. Os olhos serão a sua parte mais fraca. Incensos - Alfazema ; Pedra - Jade ; Metal - Estanho; Cor - Verde.
- Na Horta : preparar as estacas para feijões e ervilhas. Semear abóbora, alface, beterraba, couves, nabiça, ervilha, espinafre, feijão, melancia, melão, pepino, salsa, tomate, etc. Colher cebolas brancas e cebolinhos, rabanetes e azedas.
- No Jardim : semear amores-perfeitos, cravos, crisântemos, dálias, bocas-de-lobo e chagas, além das indicadas nos meses anteriores. Colher as flores de tulipas serôdias, campainhas brancas, narcisos e goivos.
- Animais : vacinar os porcos contra doenças rubras e os bovinos, caprinos e ovinos contra o carbúnculo.
Mãos à obra que há muito que fazer, digo eu.
...e se não chover, então só volta a chover em Maio.
A acreditar no que ouvi dizer a um agricultor no Rossio de Estremoz no passado sábado, dia 13 de Março.
Aguardemos.
Mais informa o Borda D'Água ( para 2010 ) :
- Que hoje é dia de S. Clemente e também Dia do Consumidor.
- Que durante o mês de Março o dia aumenta em Lisboa 1h 16 m e no Porto 1h 20 m.
- Que astrologicamente : Homem calado e observador. Mulher honesta e piedosa. Os olhos serão a sua parte mais fraca. Incensos - Alfazema ; Pedra - Jade ; Metal - Estanho; Cor - Verde.
- Na Horta : preparar as estacas para feijões e ervilhas. Semear abóbora, alface, beterraba, couves, nabiça, ervilha, espinafre, feijão, melancia, melão, pepino, salsa, tomate, etc. Colher cebolas brancas e cebolinhos, rabanetes e azedas.
- No Jardim : semear amores-perfeitos, cravos, crisântemos, dálias, bocas-de-lobo e chagas, além das indicadas nos meses anteriores. Colher as flores de tulipas serôdias, campainhas brancas, narcisos e goivos.
- Animais : vacinar os porcos contra doenças rubras e os bovinos, caprinos e ovinos contra o carbúnculo.
Mãos à obra que há muito que fazer, digo eu.
Gajos de Tomates
Comentário do João ao discursom de António Costa:
Foda-se …eu … fez chorar o menino… estou parvo e perplexo
qual menino?
Eu. Homens destes fazem-me sentir um menino…um menino pequeno, diminuído, daqueles que como tantos outros procuram homens de referência, homens modelo, homens verdadeiros que assumem beber vinho, com os seus valores, com a sua base, com as suas ideias e ideais, com solidez e com tomates para se assumirem…o menino é o Joãozinho que luta e busca não ser mais um desiludido de cabeça baixa sem capacidade, sabedoria e vontade para gritar ao bom estilo de … como numa musica chamada FMI … quantas menos souberes a quantas melhor para ti…sempre a merda do futuro…e eu hã? o que é que ando aqui a fazer…isto é que uma porra…anda aqui um gajo cheio de boas intenções… o menino é malcriado o menino é pequeno burguês… mas eu sou parvo ou quê…quero ser feliz… que se foda o futuro que se foda o progresso…deixem-me em paz mais vale só que mal acompanhado…não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho não há paciência …deixem-me em paz caralho…deixem-me sozinho… saiam daqui, saiam daqui deixem-me sozinho só um minuto vão vender jornais governos greves sindicatos e polícias e generais…deixem-me sozinho, só para sempre tratem-se da vossa vida que eu trato da minha silêncio porra…a culpa é vossa é vossa…oh mãe oh mãe oh mãe, mãe eu quero ficar sozinho, mãe eu não quero pensar mais, mãe que eu quero morrer, mãe eu quero desnascer ir-me embora sem sequer ter que me ir embora mãe por favor…tudo menos a casa em vez de mim… digam-me lá valeu a pena a travessia?
Foda-se …eu … fez chorar o menino… estou parvo e perplexo
qual menino?
Eu. Homens destes fazem-me sentir um menino…um menino pequeno, diminuído, daqueles que como tantos outros procuram homens de referência, homens modelo, homens verdadeiros que assumem beber vinho, com os seus valores, com a sua base, com as suas ideias e ideais, com solidez e com tomates para se assumirem…o menino é o Joãozinho que luta e busca não ser mais um desiludido de cabeça baixa sem capacidade, sabedoria e vontade para gritar ao bom estilo de … como numa musica chamada FMI … quantas menos souberes a quantas melhor para ti…sempre a merda do futuro…e eu hã? o que é que ando aqui a fazer…isto é que uma porra…anda aqui um gajo cheio de boas intenções… o menino é malcriado o menino é pequeno burguês… mas eu sou parvo ou quê…quero ser feliz… que se foda o futuro que se foda o progresso…deixem-me em paz mais vale só que mal acompanhado…não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho não há paciência …deixem-me em paz caralho…deixem-me sozinho… saiam daqui, saiam daqui deixem-me sozinho só um minuto vão vender jornais governos greves sindicatos e polícias e generais…deixem-me sozinho, só para sempre tratem-se da vossa vida que eu trato da minha silêncio porra…a culpa é vossa é vossa…oh mãe oh mãe oh mãe, mãe eu quero ficar sozinho, mãe eu não quero pensar mais, mãe que eu quero morrer, mãe eu quero desnascer ir-me embora sem sequer ter que me ir embora mãe por favor…tudo menos a casa em vez de mim… digam-me lá valeu a pena a travessia?
2010/03/14
Gajos de tomates
O discurso é um pouco longo mas vale a pena.
Um dos poucos que ainda os tem no sítio.
Antonio Costa - Presidente da Camara das Caldas da Rainha
Um dos poucos que ainda os tem no sítio.
Antonio Costa - Presidente da Camara das Caldas da Rainha
Público
Não, censura à imprensa não é isto
Era de esperar. As escutas do processo Face Oculta, a abortada tentativa de entrada da PT no capital da empresa proprietária da TVI, as dúvidas instaladas sobre a relação do primeiro-ministro com esse negócio e as audições no Parlamento têm dominado os títulos da imprensa nas últimas semanas e dividido os comentadores e a opinião pública. Os leitores deste jornal não são excepção e mostram-se particularmente atentos ao modo como, em títulos e textos, têm vindo a ser noticiados estes temas.
Recebi várias reclamações a este respeito, e tratarei hoje da primeira, que é anterior à minha entrada em funções, mas merece ser recuperada. Refere-se à manchete da edição de 12 de Fevereiro, a data em que o semanário Sol saía à rua com citações particularmente sensíveis de escutas obtidas no processo Face Oculta, apesar da providência cautelar que visava impedir a sua publicação. “Primeira tentativa em 30 anos de censura prévia a um jornal falhou” – rezava o principal título da capa, por cima de uma fotografia de José Sócrates.
A leitora Ana Pereira não gostou e disse-o em termos curtos e fortes: “A manchete (…) do PÚBLICO é mesquinha por colocar uma foto de alguém que nada tem a ver com a notícia. É mentirosa, porque esquece que existem casos de providências cautelares semelhantes muito frequentemente. É ainda confrangedora, porque mostra que o corpo editorial do PÚBLICO não percebe os fundamentos básicos do Estado de Direito”.
A meu pedido, o director adjunto Nuno Pacheco, que acompanhara o fecho dessa edição, reflectiu sobre as três acusações, concordando que “a manchete em causa tem vários problemas”.
Em primeiro lugar, a fotografia escolhida. Considera que “devia ter sido mudada”, porque “podia dar a ideia, errada, de que teria sido José Sócrates o autor da tentativa de calar o Sol, o que não era verdade”. Explica que a foto “tinha sido escolhida antes de a manchete ter sido escrita, porque a relevância das escutas deriva do facto de envolverem o primeiro-ministro”, mas que, “quando a manchete se centrou na providência cautelar”, deveria ter sido substituída, por exemplo, por “uma foto de Rui Pedro Soares”. Atenuante: “Mesmo assim, não é possível dizer que a foto de Sócrates é de alguém que nada tinha a ver com a notícia”, até porque a capa do Sol, como se dizia a abrir o texto da manchete, tinha “o perfil de José Sócrates a negro sobre um fundo vermelho e um grande título a branco: “O polvo”".
Quanto à questão de esta ter sido ou não “a primeira tentativa em 30 anos” de “impedir a publicação de uma notícia” através de uma providência cautelar, o director adjunto admite o erro (“não foi” de facto a primeira), mas sublinha que esses casos também “não acontecem “muito frequentemente”, como a leitora dá a entender”. Motivo do erro: tanto na redacção como entre fontes consultadas nessa data, “havia o convencimento” de que tratava do primeiro caso deste tipo, e só depois se verificou existirem precedentes, entre os quais uma providência cautelar dirigida ao extinto O Independente.
Na sua terceira crítica, a leitora referia-se presumivelmente ao facto de uma providência cautelar não poder ser descrita como “censura prévia”. Nuno Pacheco assim o entendeu e admite que “censura prévia devia ter vindo entre aspas”, pois “era uma classificação comparativa, não uma descrição literal”. Mas discorda da leitora na referência “aos fundamentos básicos do Estado de Direito”. A sua argumentação não pode, por falta de espaço, ser aqui reproduzida (valerá a pena ser colocada on-line), mas conduz à seguinte conclusão: “O uso e abuso desta figura jurídica [providência cautelar visando impedir a publicação de uma notícia] no caso da imprensa acabará por funcionar, a prazo, como uma espécie de censura prévia dentro das margens estritas da lei”.
Aqui chegados, perguntará o leitor o que penso eu de tudo isto. Pois bem, acho que a leitora fez críticas justificadas (que o responsável editorial citado aceita na maior parte) num caso que teria exigido melhor atenção às soluções encontradas para a capa do jornal. A escolha da fotografia é até, a meu ver, o único ponto discutível. Admito que pudesse “dar a ideia” de que teria sido o primeiro-ministro a promover a providência cautelar, mas bastaria ler o texto que a enquadrava para afastar essa ideia. Acresce que a ligação de Sócrates ao tema noticiado não era gratuita. Quanto à afirmação sobre o ineditismo da providência cautelar, não era verdadeira e deveria, a bem do rigor, ter sido prontamente corrigida.
Mas, a meu ver, a falta de rigor menos aceitável foi a que levou a falar de censura prévia. O conceito tem uma carga política e histórica, de anulação das liberdades de expressão e de imprensa, que não pode ser confundida com o direito de um cidadão a procurar contrariar, por via judicial, a publicação de matérias que considere poderem causar-lhe dano grave, para mais tratando-se, como era sabido, da intercepção de conversas privadas, cuja divulgação seria sempre de legalidade pelo menos duvidosa. A censura prévia é própria de uma ditadura, o direito em questão é natural num Estado de Direito.
Não é relevante, para a clareza desta distinção, o que cada um pense sobre a pertinência da interposição da providência cautelar (eu penso que é um problema do seu autor), sobre o mérito da decisão judicial (com os dados disponíveis, creio que foi uma má decisão) ou sobre a interpretação do “interesse público” que levou o Sol a trazer ao conhecimento geral o que a decisão judicial visava impedir que fosse divulgado (acho que foi uma interpretação legítima). São opiniões que não contendem com o que está em discussão: do ponto de vista do rigor jornalístico, uma providência cautelar aceite por um juiz não é, de modo algum, censura prévia.
Convém salientar que na peça para que a manchete remetia, nessa edição do PÚBLICO, nada se escrevia que permitisse sustentar o que se afirmava no título de capa, à excepção de uma opinião (não consensual, como resultava da própria notícia) escutada a um jurista. Em contrapartida, o editorial desse dia – que, sendo um texto não-assinado, é visto como representando a posição do jornal – tendia a sustentar a tese expressa na capa.
Não creio que faça sentido sugerir que o “abuso” de providências cautelares dirigidas à imprensa poderá conduzir a uma situação de censura (para mais quando se afirma que foi o primeiro caso e que viu falhado o objectivo). Nem vejo razão para presumir que, colocados perante um hipotético recurso epidémico a essa figura jurídica, os juízes portugueses iriam decidir, por sistema, contra a liberdade de imprensa. Em suma, a manchete criticada representa uma opinião, certamente legítima, mas não é, a meu ver, aceitável no plano da informação independente e rigorosa.
José Queirós, Provedor do leitor – “Público” 14 Mar 2010
Comentário meu
Infelizmente o Público é reincidente nesta matéria.
Veja-se o que o anterior provedor disse sobre o caso das escutas em Belém.
Infelizmente o Público alberga agora, como comentador, o antigo director que, livre das obrigações (que raramente cumpriu) inerentes ao cargo, continua a perorar, ao sábado, numa coluna de página inteira (mais espaço do que quando era director)
Infelizmente, também, o provedor não tem honras de primeira página e raramente (opinião minha) alguém o lê.
Nestas circunstancias vou deixar de comprar o Público.
Sei que estou a deitar fora a criança juntamente com a água do banho, o que é lamentável.
Talvez se houver mais gente como eu o Eng. Belmiro (o tal que só valoriza o mercado) e, por isso mesmo ninguém percebe como mantém uma empresa que ano após ano dá prejuízo, perceba que o Público deverá voltar ao seu desidério original.
Um jornal decente e de referencia.
Era de esperar. As escutas do processo Face Oculta, a abortada tentativa de entrada da PT no capital da empresa proprietária da TVI, as dúvidas instaladas sobre a relação do primeiro-ministro com esse negócio e as audições no Parlamento têm dominado os títulos da imprensa nas últimas semanas e dividido os comentadores e a opinião pública. Os leitores deste jornal não são excepção e mostram-se particularmente atentos ao modo como, em títulos e textos, têm vindo a ser noticiados estes temas.
Recebi várias reclamações a este respeito, e tratarei hoje da primeira, que é anterior à minha entrada em funções, mas merece ser recuperada. Refere-se à manchete da edição de 12 de Fevereiro, a data em que o semanário Sol saía à rua com citações particularmente sensíveis de escutas obtidas no processo Face Oculta, apesar da providência cautelar que visava impedir a sua publicação. “Primeira tentativa em 30 anos de censura prévia a um jornal falhou” – rezava o principal título da capa, por cima de uma fotografia de José Sócrates.
A leitora Ana Pereira não gostou e disse-o em termos curtos e fortes: “A manchete (…) do PÚBLICO é mesquinha por colocar uma foto de alguém que nada tem a ver com a notícia. É mentirosa, porque esquece que existem casos de providências cautelares semelhantes muito frequentemente. É ainda confrangedora, porque mostra que o corpo editorial do PÚBLICO não percebe os fundamentos básicos do Estado de Direito”.
A meu pedido, o director adjunto Nuno Pacheco, que acompanhara o fecho dessa edição, reflectiu sobre as três acusações, concordando que “a manchete em causa tem vários problemas”.
Em primeiro lugar, a fotografia escolhida. Considera que “devia ter sido mudada”, porque “podia dar a ideia, errada, de que teria sido José Sócrates o autor da tentativa de calar o Sol, o que não era verdade”. Explica que a foto “tinha sido escolhida antes de a manchete ter sido escrita, porque a relevância das escutas deriva do facto de envolverem o primeiro-ministro”, mas que, “quando a manchete se centrou na providência cautelar”, deveria ter sido substituída, por exemplo, por “uma foto de Rui Pedro Soares”. Atenuante: “Mesmo assim, não é possível dizer que a foto de Sócrates é de alguém que nada tinha a ver com a notícia”, até porque a capa do Sol, como se dizia a abrir o texto da manchete, tinha “o perfil de José Sócrates a negro sobre um fundo vermelho e um grande título a branco: “O polvo”".
Quanto à questão de esta ter sido ou não “a primeira tentativa em 30 anos” de “impedir a publicação de uma notícia” através de uma providência cautelar, o director adjunto admite o erro (“não foi” de facto a primeira), mas sublinha que esses casos também “não acontecem “muito frequentemente”, como a leitora dá a entender”. Motivo do erro: tanto na redacção como entre fontes consultadas nessa data, “havia o convencimento” de que tratava do primeiro caso deste tipo, e só depois se verificou existirem precedentes, entre os quais uma providência cautelar dirigida ao extinto O Independente.
Na sua terceira crítica, a leitora referia-se presumivelmente ao facto de uma providência cautelar não poder ser descrita como “censura prévia”. Nuno Pacheco assim o entendeu e admite que “censura prévia devia ter vindo entre aspas”, pois “era uma classificação comparativa, não uma descrição literal”. Mas discorda da leitora na referência “aos fundamentos básicos do Estado de Direito”. A sua argumentação não pode, por falta de espaço, ser aqui reproduzida (valerá a pena ser colocada on-line), mas conduz à seguinte conclusão: “O uso e abuso desta figura jurídica [providência cautelar visando impedir a publicação de uma notícia] no caso da imprensa acabará por funcionar, a prazo, como uma espécie de censura prévia dentro das margens estritas da lei”.
Aqui chegados, perguntará o leitor o que penso eu de tudo isto. Pois bem, acho que a leitora fez críticas justificadas (que o responsável editorial citado aceita na maior parte) num caso que teria exigido melhor atenção às soluções encontradas para a capa do jornal. A escolha da fotografia é até, a meu ver, o único ponto discutível. Admito que pudesse “dar a ideia” de que teria sido o primeiro-ministro a promover a providência cautelar, mas bastaria ler o texto que a enquadrava para afastar essa ideia. Acresce que a ligação de Sócrates ao tema noticiado não era gratuita. Quanto à afirmação sobre o ineditismo da providência cautelar, não era verdadeira e deveria, a bem do rigor, ter sido prontamente corrigida.
Mas, a meu ver, a falta de rigor menos aceitável foi a que levou a falar de censura prévia. O conceito tem uma carga política e histórica, de anulação das liberdades de expressão e de imprensa, que não pode ser confundida com o direito de um cidadão a procurar contrariar, por via judicial, a publicação de matérias que considere poderem causar-lhe dano grave, para mais tratando-se, como era sabido, da intercepção de conversas privadas, cuja divulgação seria sempre de legalidade pelo menos duvidosa. A censura prévia é própria de uma ditadura, o direito em questão é natural num Estado de Direito.
Não é relevante, para a clareza desta distinção, o que cada um pense sobre a pertinência da interposição da providência cautelar (eu penso que é um problema do seu autor), sobre o mérito da decisão judicial (com os dados disponíveis, creio que foi uma má decisão) ou sobre a interpretação do “interesse público” que levou o Sol a trazer ao conhecimento geral o que a decisão judicial visava impedir que fosse divulgado (acho que foi uma interpretação legítima). São opiniões que não contendem com o que está em discussão: do ponto de vista do rigor jornalístico, uma providência cautelar aceite por um juiz não é, de modo algum, censura prévia.
Convém salientar que na peça para que a manchete remetia, nessa edição do PÚBLICO, nada se escrevia que permitisse sustentar o que se afirmava no título de capa, à excepção de uma opinião (não consensual, como resultava da própria notícia) escutada a um jurista. Em contrapartida, o editorial desse dia – que, sendo um texto não-assinado, é visto como representando a posição do jornal – tendia a sustentar a tese expressa na capa.
Não creio que faça sentido sugerir que o “abuso” de providências cautelares dirigidas à imprensa poderá conduzir a uma situação de censura (para mais quando se afirma que foi o primeiro caso e que viu falhado o objectivo). Nem vejo razão para presumir que, colocados perante um hipotético recurso epidémico a essa figura jurídica, os juízes portugueses iriam decidir, por sistema, contra a liberdade de imprensa. Em suma, a manchete criticada representa uma opinião, certamente legítima, mas não é, a meu ver, aceitável no plano da informação independente e rigorosa.
José Queirós, Provedor do leitor – “Público” 14 Mar 2010
Comentário meu
Infelizmente o Público é reincidente nesta matéria.
Veja-se o que o anterior provedor disse sobre o caso das escutas em Belém.
Infelizmente o Público alberga agora, como comentador, o antigo director que, livre das obrigações (que raramente cumpriu) inerentes ao cargo, continua a perorar, ao sábado, numa coluna de página inteira (mais espaço do que quando era director)
Infelizmente, também, o provedor não tem honras de primeira página e raramente (opinião minha) alguém o lê.
Nestas circunstancias vou deixar de comprar o Público.
Sei que estou a deitar fora a criança juntamente com a água do banho, o que é lamentável.
Talvez se houver mais gente como eu o Eng. Belmiro (o tal que só valoriza o mercado) e, por isso mesmo ninguém percebe como mantém uma empresa que ano após ano dá prejuízo, perceba que o Público deverá voltar ao seu desidério original.
Um jornal decente e de referencia.
Asfixia Democrática
A asfixia democrática aterrou em Mafra.

O Convento de Mafra ficará para sempre ligado à asfixia democrática. Uma maioria qualificada de delegados ao Congresso do PSD, representando o «sentir» do partido, proibiu a liberdade de expressão aos militantes sociais-democratas: ninguém pode criticar os seus dirigentes. Agora já se percebe melhor o que se tem passado na Comissão de Ética e o que se vai passar na Comissão de Inquérito. A verdade é como o azeite...

O Convento de Mafra ficará para sempre ligado à asfixia democrática. Uma maioria qualificada de delegados ao Congresso do PSD, representando o «sentir» do partido, proibiu a liberdade de expressão aos militantes sociais-democratas: ninguém pode criticar os seus dirigentes. Agora já se percebe melhor o que se tem passado na Comissão de Ética e o que se vai passar na Comissão de Inquérito. A verdade é como o azeite...
UMA MÚSICA PARA CADA CANDIDATO À LIDERANÇA DO PSD
Pedro Aguiar Branco
Castanheira de Barros
Pedro Passos Coelho
Paulo Rangel
Castanheira de Barros
Pedro Passos Coelho
Paulo Rangel
Charlie "Bird" Parker

Jack Kerouac nasceu num dia 12 de Março, em 1922, em Lowell - Massachusetts.
Charles Parker morreu num dia 12 de Março, em 1955, em Nova Iorque. Aos 33 anos. O médico que realizou a autópsia disse que o seu corpo era o de um homem de 50 a 60 anos. Dependente de heroina, desde a adolescência, Parker morreu novo mas o brilho do seu saxofone ficou para sempre.
Jack Kerouac morreu mais tarde, em 1969, com 47 anos, em St. Petersburg - Florida. Com uma hemorragia interna resultante da cirrose que tinha devido aos excessos com o álcool. Vou voltar a ler "On the Road".
Em tempos de excessos os dois cruzaram-se. Jack era um admirador de Charles Parker e quando este morreu dedicou-lhe o poema que podem ouvir clicando no play debaixo das fotos.
2010/02/23
Crónicas de Bali - O Hotel
O Sofitel Semyanak em Bali é um 5 estrelas magnifico. Situado a 20 km do aeroporto dispõe de um corpo de hotel com quartos normais e uma zona de “bungalows” individuais junto à praia e ao redor da piscina.
Tínhamos alugado um quarto normal e fomos surpreendidos quando chegamos pela oferta de um upgrade para um desse bungalows, justamente o mais perto da praia.
A coisa era mgnifica. Quarto com duas camas com docel, duas casa de banho, living room enorme. Para além disso era rodeado por um muro invocando privacidade e no espaço entre a vedação e a casa tinha um jardim, um jaccuzi e uma plataforma de repouso/comtemplação de onde se podiam ver os famoso por-do-sol de Bali.
Por ali ficamos.
No dia seguinte a coisa era tão boa que eu sugeri perguntar quanto custava o upgrade para as novas instalações. A resposta foi, já não me lembro quanto, mas uma quantidade insuportável de dólares. Conheci então o Stephan no seu melhor de negociador. Proposta e contraproposta e o preço ficou aceitável.
No dia seguinte a internet não funcionava e tínhamos um problema na casa de banho. Mais negociações e não pagámos. Segundo dia problema na cas de banho e no jacuzzi. Resolvidos estes a internet continuava a não funcionar. No dia seguinte chegamos às quatro da tarde e o quarto não estava arrumado, daí nova bronca. Em suma não pagámos o upgrade durante 5 dias.
Ajudou também o facto do Stephan já ter lá estado e conhecer o director do hotel (eu pensava que era tanga).
Logo no primeiro dia quando íamos jantar passamos no bar da píscina onde estava o Robin com os outros chefes do hotel. Rapidamente ficamos amigos, particularmante do Bill (o chef), um americano grande e simpatiquissimo bem como a Miko e a Marita. Maisis tarde tivemos jantar (descrito à frente) memoravel
Tínhamos alugado um quarto normal e fomos surpreendidos quando chegamos pela oferta de um upgrade para um desse bungalows, justamente o mais perto da praia.
A coisa era mgnifica. Quarto com duas camas com docel, duas casa de banho, living room enorme. Para além disso era rodeado por um muro invocando privacidade e no espaço entre a vedação e a casa tinha um jardim, um jaccuzi e uma plataforma de repouso/comtemplação de onde se podiam ver os famoso por-do-sol de Bali.
Por ali ficamos.
No dia seguinte a coisa era tão boa que eu sugeri perguntar quanto custava o upgrade para as novas instalações. A resposta foi, já não me lembro quanto, mas uma quantidade insuportável de dólares. Conheci então o Stephan no seu melhor de negociador. Proposta e contraproposta e o preço ficou aceitável.
No dia seguinte a internet não funcionava e tínhamos um problema na casa de banho. Mais negociações e não pagámos. Segundo dia problema na cas de banho e no jacuzzi. Resolvidos estes a internet continuava a não funcionar. No dia seguinte chegamos às quatro da tarde e o quarto não estava arrumado, daí nova bronca. Em suma não pagámos o upgrade durante 5 dias.
Ajudou também o facto do Stephan já ter lá estado e conhecer o director do hotel (eu pensava que era tanga).
Logo no primeiro dia quando íamos jantar passamos no bar da píscina onde estava o Robin com os outros chefes do hotel. Rapidamente ficamos amigos, particularmante do Bill (o chef), um americano grande e simpatiquissimo bem como a Miko e a Marita. Maisis tarde tivemos jantar (descrito à frente) memoravel
2010/02/21
Cortiça versus Screwcaps
O montado, a rolha e o vinho
Desde há uns meses tem-se desenrolado uma discussão muito interessante sobre a utilização de vedantes alternativos à rolha de cortiça. Participei ativamente e fui-me sentindo cada vez menos confortável na minha posição inicial.
O raciocínio dominante é: garrafas de vinho podem ser vedadas com rolhas - rolhas são feitas de cortiça - cortiça vem de montados de sobro - montados são ecossistemas ricos em biodiversidade - a biodiversidade é um valor prioritário a preservar. Conclusão: as garrafas de vinho devem ser vedadas com rolhas para preservar a biodiversidade.
Surgiu um produtor de vinho que disse não à rolha e optou por uma cápsula de alumínio. Segue uma troca de posts e e-mails, com posições claras e distintas, e nas quais se misturaram uma série de aspetos relacionadas com o tema, envolvendo pessoas fora da população residente do blog Ambio e foi muito enriquecedor.
Mas, depois disto tudo, não consigo livrar-me de um sentimento de desorientação. Os produtores de cortiça vendem aos produtores de rolhas que vendem aos produtores de vinho que vendem aos consumidores finais. Um elo nesta cadeia salta fora. Caem-lhe em cima os consumidores finais, os produtores de rolhas e os produtores de cortiça, acusando-o de não proteger o sistema produtivo da cortiça e ser o grande violador da biodiversidade. Mas será que o produtor de vinho é moralmente obrigado a proteger um sistema que não é seu, mas do qual é somente um cliente? Não seria mais justo, se houver uma real preocupação por parte dos consumidores finais, destes em primeiro lugar cairem em cima dos produtores de cortiça que aparentemente não são capazes de proteger o sistema produtivo que os consumidores tanto valorizam? Não deviam ser primeiro os produtores de cortiça a autoquestionarem-se o que (não) fizeram para que o sistema que tanto valorizam se tornou frágil e em risco de desaparecer? Não serão em primeiro lugar os detentores dos montados os responsáveis pela sua preservação? E, ao fim e ao cabo, não devia ser o mercado de vinho a determinar qual a relevância da escolha do vedante para o consumidor final, através de um processo de seleção que eliminava simplesmente as ofertas que não apoiam a proteção do montado? Se é tão evidente que o mercado de vinhos já regressou para as tradicionais rolhas, então bastava ficar sorridentemente a assistir à falência de Champalimaud e amigos. Ou estarei a ver mal?
Por fim, para mim, tudo se resume ao post inicial do HPS: eu não compro.
E está tudo dito.
Henk Feith
Desde há uns meses tem-se desenrolado uma discussão muito interessante sobre a utilização de vedantes alternativos à rolha de cortiça. Participei ativamente e fui-me sentindo cada vez menos confortável na minha posição inicial.
O raciocínio dominante é: garrafas de vinho podem ser vedadas com rolhas - rolhas são feitas de cortiça - cortiça vem de montados de sobro - montados são ecossistemas ricos em biodiversidade - a biodiversidade é um valor prioritário a preservar. Conclusão: as garrafas de vinho devem ser vedadas com rolhas para preservar a biodiversidade.
Surgiu um produtor de vinho que disse não à rolha e optou por uma cápsula de alumínio. Segue uma troca de posts e e-mails, com posições claras e distintas, e nas quais se misturaram uma série de aspetos relacionadas com o tema, envolvendo pessoas fora da população residente do blog Ambio e foi muito enriquecedor.
Mas, depois disto tudo, não consigo livrar-me de um sentimento de desorientação. Os produtores de cortiça vendem aos produtores de rolhas que vendem aos produtores de vinho que vendem aos consumidores finais. Um elo nesta cadeia salta fora. Caem-lhe em cima os consumidores finais, os produtores de rolhas e os produtores de cortiça, acusando-o de não proteger o sistema produtivo da cortiça e ser o grande violador da biodiversidade. Mas será que o produtor de vinho é moralmente obrigado a proteger um sistema que não é seu, mas do qual é somente um cliente? Não seria mais justo, se houver uma real preocupação por parte dos consumidores finais, destes em primeiro lugar cairem em cima dos produtores de cortiça que aparentemente não são capazes de proteger o sistema produtivo que os consumidores tanto valorizam? Não deviam ser primeiro os produtores de cortiça a autoquestionarem-se o que (não) fizeram para que o sistema que tanto valorizam se tornou frágil e em risco de desaparecer? Não serão em primeiro lugar os detentores dos montados os responsáveis pela sua preservação? E, ao fim e ao cabo, não devia ser o mercado de vinho a determinar qual a relevância da escolha do vedante para o consumidor final, através de um processo de seleção que eliminava simplesmente as ofertas que não apoiam a proteção do montado? Se é tão evidente que o mercado de vinhos já regressou para as tradicionais rolhas, então bastava ficar sorridentemente a assistir à falência de Champalimaud e amigos. Ou estarei a ver mal?
Por fim, para mim, tudo se resume ao post inicial do HPS: eu não compro.
E está tudo dito.
Henk Feith
Cortiça versus Screwcaps
As rolhas vistas por um produtor de cortiça
A discussão sobre o uso das rolhas, que é mais que uma discussão sobre rolhas sendo sobretudo uma discussão sobre a integração da sustentabilidade nas decisões empresariais e nas decisões de consumo, tem neste post mais um desenvolvimento, desta vez por António Posser de Andrade:
"É inevitável deduzir que Miguel Champalimaud (MC) achou a minha resposta ao seu texto inicial insuficientemente estruturada para merecer a sua resposta.
Não estranhei, mas noto esta sua postura pois recebi algumas centenas de mensagens de apoio que tinham como denominador comum o facto de essa minha resposta estar bem fundamentada e bem estruturada. Enfim, é uma opinião que devo respeitar, mas tenho pena, pois devo admitir que custou-me muito tentar estruturar uma resposta a umas afirmações tão tendenciosas (para já não falar das perguntas) como as que Miguel Champalimaud proferiu.
Mas, como me incluiu na lista de endereços no seu segundo texto endereçado ao Sr. Arquitecto Henrique Pereira dos Santos decidi gastar mais algum tempo, apesar de com pouca esperança de mudar o “fundamentalismo” e o claro “engajamento” das suas opiniões; mas com o intuito claríssimo e prioritário de não deixar que a mesma mentira repetida muitas vezes passe a ser considerada, por alguém menos conhecedor do assunto, uma verdade.
Assim, continua a “luta”.
Após período extenso de reflexão claramente concluo que a falta de resposta do MC aos meus argumentos demonstra que Miguel Champalimaud realmente não quer debate nenhum pois, caso o quisesse, teria:
1- Respondido directamente ao que escrevi e não apenas colocado o meu nome em cc numa sua suposta resposta ao Sr. Arq. Henrique Pereira dos Santos.
2- Enviado essa sua suposta resposta ao correcto endereço de mail do Sr. Arq. Henrique Pereira dos Santos e não para um endereço de mail da Quinta da Marinha; que creio seja pertença do próprio Miguel Champalimaud ou da sua Quinta da Marinha (IMCEAMAILTO-as1075017+40sapo+2Ept@quintadamarinha.pt).
(Vai sempre a tempo de reenvia-lo para o correcto as1075017arroubasapo.pt, como se pode muito bem ver no correio electrónico que originalmente recebeu do Sr. Arquitecto.)
Fundamenta também esta minha convicção a certeza de que o MC já percebeu que está desactualizado ou simplesmente desconhece o que se passa na questão dos vedantes para vinho, em particular e, no sector da cortiça, em geral.
Pode-se deduzir isso pelas enormes confusões que faz em assuntos concretos, por ele próprio levantados, como por exemplo no que diz respeito às declarações do crítico Robert Parker. Note-se inclusive que, até o seu enólogo, pasme-se, não alinha pelas "convicções" do MC pois em recente entrevista a uma estação de televisão nacional refere (mal) em 5% os vinhos afectados com “sabor a rolha”. Afinal em que ficamos? Parker (que na primeira carta de MC era o seu primeiro e principal trunfo) afinal afirma que são menos de 1%, o enólogo da casa Montez Champalimaud fala de 5% e o MC brinda-nos com …. 15%. Oops, com certeza uma pequena gafe; sem querer, claro.
Ao mesmo tempo MC, que se auto-proclama um defensor da modernidade, demonstra estar bastante desactualizado com notícias realmente modernas sobre o sector e o produto que acusa de ser "passado"; tal como se pode ver ao menosprezar ou desconhecer o facto já mencionado no meu texto anterior sobre os vinhos da Nova Zelândia da marca "Nobilo", que são líderes nos EUA exactamente porque se diferenciaram da concorrência ao adoptar a nossa velha e antiga rolha de cortiça como seu vedante de eleição.
Mas tenho novidades para o MC sobre para onde sopram os ventos da modernidade. Agora, sobre o mercado Europeu e especificamente o Inglês:
http://www.guardian.co.uk/environment/2009/dec/31/sainsburys-corks
Ainda há tão pouco tempo a Inglaterra e as suas maiores cadeias de distribuição eram a ponta da lança das tampas de rosca de alumínio provenientes dos novos vinhos produzidos na sua Commonwealth. Parece que afinal as coisas estão a mudar. Boas notícias para Portugal sem dúvida. Para o MC? Ele é que sabe.
Especificamente sobre a putativa réplica do MC, a que ele me deu acesso, gostaria somente de dizer algumas coisas, pois os inúmeros argumentos apresentados não resistem a uma análise minimamente atenta. No interesse da rapidez da leitura e porque creio que já todos percebemos que os argumentos do MC não são de “quem quer discutir, argumentar e ver os ventos da História, mas antes de alguém engajado (sic)”, apenas noto que:
1- Uma análise do ciclo de vida dos diferentes vedantes e elaborado pela Price WaterhouseCoopers para um fabricante de rolhas, por acaso, até inclui o impacto ambiental de uma cápsula de PVC. Para ver onde a “modernidade”de MC nos levaria a todos, relembro que o vedante utilizado no Qt. do Côtto emite 24 vezes mais CO2 que a rolha de cortiça MAIS a cápsula, sendo que e como complemento a este dado informo que a existência do montado de sobro (só) em Portugal é responsável pela retenção ANUAL de 5 milhões de toneladas de CO2, conforme estudo especifico elaborado pelo ISA (Instituto Superior de Agronomia).
2- As ONG’s, goste-se ou não delas, são claras quando dizem que no mundo existem 100 000 empregos que dependem da cortiça. Trabalharão quase todos na mesma empresa? A verdade é que apenas a Associação de Cortiça de Portugal conta com centenas de empresas que são parte de um tecido empresarial que existe em vários países do mundo. Existe um líder na indústria? Claro, mas que indústria de sucesso na história do mundo não tem um líder?
3- Há empresas de cortiça que têm mais de metade das suas necessidades energéticas cobertas por biomassa, material obviamente renovável. Em algumas unidades essa % pode chegar aos 80%. Que “discute” realmente MC quando decide ignorar repetidamente factos como estes? Quanto à emissão de águas “lixiviadas” (sic) não sei se o adjectivo alguma vez existiu; mas há mais de uma década que não se usa cloro no processo produtivo da cortiça. Obviamente que MC deve seguir o seu próprio conselho: “visite-se uma moderna fábrica de cortiça com olhos de ver;” e se não o conseguir, tem sempre a opção de ver na internet “de forma exaustiva o moderno processo produtivo de uma rolha de cortiça”. E, imagine-se, até há jornalistas que se “atrevem”. Em http://www.wineanorak.com/corks_part1.htm está todo o processo descrito por alguém tem um doutoramento, é membro da Association of British Science Writers e que ganhou vários prémios pelos seus artigos e livros já publicados.
4- Sobre as referencias que MC faz a latas de atum, latas de cerveja e redbull e as suas considerações sobre a terra do Sobreiro e o estado de espírito daqueles que lá vivem, realmente não vou responder nem comentar, pois não o poderia fazer sem ser trocista ou ofensivo e a educação recebida, que prezo, impedem-me de o fazer. Mas deixo aqui um pequeno filme que espero ajude a desanuviar os espíritos. Até porque parece que o título tem destinatário próprio:
http://www.savemiguel.com/
5- Discutidas e argumentadas estas questões, abordemos, por último, “os ventos da História” e a afirmação de MC que o alumínio e o petróleo são os responsáveis pelo bem-estar da humanidade. Claro que para aquela parte da Humanidade que fica pior quando lhe poluem os rios e lhe retiram ar saudável para respirarem, essa afirmação poderá soar estranha. Para os que beneficiaram do petróleo e da enorme destruição causada pelas minas a céu aberto de onde se extraem os componentes do alumínio, os ventos da história já começaram a mudar, pois a sua consciência assim o dita.
É que até os economicistas sabem que uma performance positiva não é garantia de lucros futuros. O que parte da Humanidade já compreende, em números que não auspiciam nada de bom para os Quintas do Côtto deste mundo, é que não podemos continuar como no passado. Criar mecanismos de progresso económico e social sem que isso implique paisagens “inóspitas e com balanço negativo para a biodiversidade” é o que nos trazem esses “ventos da História”. E felizmente que assim é, porque sabemos que esses ventos são como as vinhas; há que semeá-los com cuidado ou os resultados serão diferentes do esperado.
Conclusão:
É minha convicção que:
- O MC não quer debate e sim uma salvadora publicidade para os seus vinhos.
- Está desactualizado e muito mal informado sobre vedantes para vinho e sobre o sector da cortiça.
- Está completamente desactualizado sobre a dinâmica evolução do mercado do vinho engarrafado e as tendências dos consumidores.
- Está contra que se descubra uma “mina de ouro” (???) em Portugal preferindo que elas existam em outros Países (provavelmente porque não é sua).
- Prefere continuar a produzir os seus vinhos com as suas tampas de alumínio mesmo sabendo que essa sua atitude, somada a de outros que pensam e são como ele, só poderá levar a um mundo ambientalmente exaurido e destruído onde as gerações vindouras, à custa destes irresponsáveis comportamentos, é que sofrerão e pagarão esta obsessiva corrida ao lucro.
- Está completamente a borrifar-se para o impacto social, económico e ambiental que o desaparecimento do montado de sobro traria a Portugal.
- Noto todavia com muito agrado duas coisas nestes textos do MC:
A- Que todas as acusações às rolhas de cortiça, implícitas no primeiro texto do MC, reduziram-se finalmente a uma defesa, no mínimo infantil, sobre a utilização das cápsulas de estanho e o fútil “não sou o único” referindo-se a um outro produtor. É caso para se dizer que, verdadeiramente, a montanha pariu um rato.
B- A enorme preocupação demonstrada pelo MC em baixar o máximo possível o preço dos seus produtos para possibilitar uma mais fácil aquisição do mesmo pelos seus clientes. Anotei e conto, quem sabe um dia, utilizar essa “generosidade”, quando pretender comprar um lote na Quinta da Marinha. Depois informarei a todos dos resultados obtidos.
Com estas palavras encerro a minha participação neste debate de ideias que se desejava construtivo; para que o fosse, era necessário que os seus intervenientes também o fossem. De minha parte dei o meu melhor mas parece-me, sinceramente, que este debate (como alguns vinhos que utilizam o screwcap) está a ficar “reduzido” ou “oxidado”, que são os termos com que os utilizadores das tampas de rosca de alumínio empregam para classificar vinhos com problemas causados, exactamente, pelo seu vedante de eleição, o screwcap.
Agradecido pela atenção que me deram,
António Posser de Andrade
Produtor Florestal"
A discussão sobre o uso das rolhas, que é mais que uma discussão sobre rolhas sendo sobretudo uma discussão sobre a integração da sustentabilidade nas decisões empresariais e nas decisões de consumo, tem neste post mais um desenvolvimento, desta vez por António Posser de Andrade:
"É inevitável deduzir que Miguel Champalimaud (MC) achou a minha resposta ao seu texto inicial insuficientemente estruturada para merecer a sua resposta.
Não estranhei, mas noto esta sua postura pois recebi algumas centenas de mensagens de apoio que tinham como denominador comum o facto de essa minha resposta estar bem fundamentada e bem estruturada. Enfim, é uma opinião que devo respeitar, mas tenho pena, pois devo admitir que custou-me muito tentar estruturar uma resposta a umas afirmações tão tendenciosas (para já não falar das perguntas) como as que Miguel Champalimaud proferiu.
Mas, como me incluiu na lista de endereços no seu segundo texto endereçado ao Sr. Arquitecto Henrique Pereira dos Santos decidi gastar mais algum tempo, apesar de com pouca esperança de mudar o “fundamentalismo” e o claro “engajamento” das suas opiniões; mas com o intuito claríssimo e prioritário de não deixar que a mesma mentira repetida muitas vezes passe a ser considerada, por alguém menos conhecedor do assunto, uma verdade.
Assim, continua a “luta”.
Após período extenso de reflexão claramente concluo que a falta de resposta do MC aos meus argumentos demonstra que Miguel Champalimaud realmente não quer debate nenhum pois, caso o quisesse, teria:
1- Respondido directamente ao que escrevi e não apenas colocado o meu nome em cc numa sua suposta resposta ao Sr. Arq. Henrique Pereira dos Santos.
2- Enviado essa sua suposta resposta ao correcto endereço de mail do Sr. Arq. Henrique Pereira dos Santos e não para um endereço de mail da Quinta da Marinha; que creio seja pertença do próprio Miguel Champalimaud ou da sua Quinta da Marinha (IMCEAMAILTO-as1075017+40sapo+2Ept@quintadamarinha.pt).
(Vai sempre a tempo de reenvia-lo para o correcto as1075017arroubasapo.pt, como se pode muito bem ver no correio electrónico que originalmente recebeu do Sr. Arquitecto.)
Fundamenta também esta minha convicção a certeza de que o MC já percebeu que está desactualizado ou simplesmente desconhece o que se passa na questão dos vedantes para vinho, em particular e, no sector da cortiça, em geral.
Pode-se deduzir isso pelas enormes confusões que faz em assuntos concretos, por ele próprio levantados, como por exemplo no que diz respeito às declarações do crítico Robert Parker. Note-se inclusive que, até o seu enólogo, pasme-se, não alinha pelas "convicções" do MC pois em recente entrevista a uma estação de televisão nacional refere (mal) em 5% os vinhos afectados com “sabor a rolha”. Afinal em que ficamos? Parker (que na primeira carta de MC era o seu primeiro e principal trunfo) afinal afirma que são menos de 1%, o enólogo da casa Montez Champalimaud fala de 5% e o MC brinda-nos com …. 15%. Oops, com certeza uma pequena gafe; sem querer, claro.
Ao mesmo tempo MC, que se auto-proclama um defensor da modernidade, demonstra estar bastante desactualizado com notícias realmente modernas sobre o sector e o produto que acusa de ser "passado"; tal como se pode ver ao menosprezar ou desconhecer o facto já mencionado no meu texto anterior sobre os vinhos da Nova Zelândia da marca "Nobilo", que são líderes nos EUA exactamente porque se diferenciaram da concorrência ao adoptar a nossa velha e antiga rolha de cortiça como seu vedante de eleição.
Mas tenho novidades para o MC sobre para onde sopram os ventos da modernidade. Agora, sobre o mercado Europeu e especificamente o Inglês:
http://www.guardian.co.uk/environment/2009/dec/31/sainsburys-corks
Ainda há tão pouco tempo a Inglaterra e as suas maiores cadeias de distribuição eram a ponta da lança das tampas de rosca de alumínio provenientes dos novos vinhos produzidos na sua Commonwealth. Parece que afinal as coisas estão a mudar. Boas notícias para Portugal sem dúvida. Para o MC? Ele é que sabe.
Especificamente sobre a putativa réplica do MC, a que ele me deu acesso, gostaria somente de dizer algumas coisas, pois os inúmeros argumentos apresentados não resistem a uma análise minimamente atenta. No interesse da rapidez da leitura e porque creio que já todos percebemos que os argumentos do MC não são de “quem quer discutir, argumentar e ver os ventos da História, mas antes de alguém engajado (sic)”, apenas noto que:
1- Uma análise do ciclo de vida dos diferentes vedantes e elaborado pela Price WaterhouseCoopers para um fabricante de rolhas, por acaso, até inclui o impacto ambiental de uma cápsula de PVC. Para ver onde a “modernidade”de MC nos levaria a todos, relembro que o vedante utilizado no Qt. do Côtto emite 24 vezes mais CO2 que a rolha de cortiça MAIS a cápsula, sendo que e como complemento a este dado informo que a existência do montado de sobro (só) em Portugal é responsável pela retenção ANUAL de 5 milhões de toneladas de CO2, conforme estudo especifico elaborado pelo ISA (Instituto Superior de Agronomia).
2- As ONG’s, goste-se ou não delas, são claras quando dizem que no mundo existem 100 000 empregos que dependem da cortiça. Trabalharão quase todos na mesma empresa? A verdade é que apenas a Associação de Cortiça de Portugal conta com centenas de empresas que são parte de um tecido empresarial que existe em vários países do mundo. Existe um líder na indústria? Claro, mas que indústria de sucesso na história do mundo não tem um líder?
3- Há empresas de cortiça que têm mais de metade das suas necessidades energéticas cobertas por biomassa, material obviamente renovável. Em algumas unidades essa % pode chegar aos 80%. Que “discute” realmente MC quando decide ignorar repetidamente factos como estes? Quanto à emissão de águas “lixiviadas” (sic) não sei se o adjectivo alguma vez existiu; mas há mais de uma década que não se usa cloro no processo produtivo da cortiça. Obviamente que MC deve seguir o seu próprio conselho: “visite-se uma moderna fábrica de cortiça com olhos de ver;” e se não o conseguir, tem sempre a opção de ver na internet “de forma exaustiva o moderno processo produtivo de uma rolha de cortiça”. E, imagine-se, até há jornalistas que se “atrevem”. Em http://www.wineanorak.com/corks_part1.htm está todo o processo descrito por alguém tem um doutoramento, é membro da Association of British Science Writers e que ganhou vários prémios pelos seus artigos e livros já publicados.
4- Sobre as referencias que MC faz a latas de atum, latas de cerveja e redbull e as suas considerações sobre a terra do Sobreiro e o estado de espírito daqueles que lá vivem, realmente não vou responder nem comentar, pois não o poderia fazer sem ser trocista ou ofensivo e a educação recebida, que prezo, impedem-me de o fazer. Mas deixo aqui um pequeno filme que espero ajude a desanuviar os espíritos. Até porque parece que o título tem destinatário próprio:
http://www.savemiguel.com/
5- Discutidas e argumentadas estas questões, abordemos, por último, “os ventos da História” e a afirmação de MC que o alumínio e o petróleo são os responsáveis pelo bem-estar da humanidade. Claro que para aquela parte da Humanidade que fica pior quando lhe poluem os rios e lhe retiram ar saudável para respirarem, essa afirmação poderá soar estranha. Para os que beneficiaram do petróleo e da enorme destruição causada pelas minas a céu aberto de onde se extraem os componentes do alumínio, os ventos da história já começaram a mudar, pois a sua consciência assim o dita.
É que até os economicistas sabem que uma performance positiva não é garantia de lucros futuros. O que parte da Humanidade já compreende, em números que não auspiciam nada de bom para os Quintas do Côtto deste mundo, é que não podemos continuar como no passado. Criar mecanismos de progresso económico e social sem que isso implique paisagens “inóspitas e com balanço negativo para a biodiversidade” é o que nos trazem esses “ventos da História”. E felizmente que assim é, porque sabemos que esses ventos são como as vinhas; há que semeá-los com cuidado ou os resultados serão diferentes do esperado.
Conclusão:
É minha convicção que:
- O MC não quer debate e sim uma salvadora publicidade para os seus vinhos.
- Está desactualizado e muito mal informado sobre vedantes para vinho e sobre o sector da cortiça.
- Está completamente desactualizado sobre a dinâmica evolução do mercado do vinho engarrafado e as tendências dos consumidores.
- Está contra que se descubra uma “mina de ouro” (???) em Portugal preferindo que elas existam em outros Países (provavelmente porque não é sua).
- Prefere continuar a produzir os seus vinhos com as suas tampas de alumínio mesmo sabendo que essa sua atitude, somada a de outros que pensam e são como ele, só poderá levar a um mundo ambientalmente exaurido e destruído onde as gerações vindouras, à custa destes irresponsáveis comportamentos, é que sofrerão e pagarão esta obsessiva corrida ao lucro.
- Está completamente a borrifar-se para o impacto social, económico e ambiental que o desaparecimento do montado de sobro traria a Portugal.
- Noto todavia com muito agrado duas coisas nestes textos do MC:
A- Que todas as acusações às rolhas de cortiça, implícitas no primeiro texto do MC, reduziram-se finalmente a uma defesa, no mínimo infantil, sobre a utilização das cápsulas de estanho e o fútil “não sou o único” referindo-se a um outro produtor. É caso para se dizer que, verdadeiramente, a montanha pariu um rato.
B- A enorme preocupação demonstrada pelo MC em baixar o máximo possível o preço dos seus produtos para possibilitar uma mais fácil aquisição do mesmo pelos seus clientes. Anotei e conto, quem sabe um dia, utilizar essa “generosidade”, quando pretender comprar um lote na Quinta da Marinha. Depois informarei a todos dos resultados obtidos.
Com estas palavras encerro a minha participação neste debate de ideias que se desejava construtivo; para que o fosse, era necessário que os seus intervenientes também o fossem. De minha parte dei o meu melhor mas parece-me, sinceramente, que este debate (como alguns vinhos que utilizam o screwcap) está a ficar “reduzido” ou “oxidado”, que são os termos com que os utilizadores das tampas de rosca de alumínio empregam para classificar vinhos com problemas causados, exactamente, pelo seu vedante de eleição, o screwcap.
Agradecido pela atenção que me deram,
António Posser de Andrade
Produtor Florestal"
Cortiça versus Screwcaps

Por um erro de endereçamento só um dia destes recebi a resposta de Miguel Champalimaud à minha carta sobre as rolhas. Aqui fica (e dentro de algum tempo publico também a carta de resposta de António Posser de Andrade).
"Recebida sua comunicação de 01 JAN 2010 sobre o assunto.
Das reacções e comentários recebidos até hoje, devo dizer-lhe, foi a única estruturada e com alguma consistência, pelo que se outra razão não houvesse, essa seria suficiente para que eu lhe escrevesse.
Começando por aquela permita-me esclarecer, que:
1. apenas considero “gente da retaliação e do boicote” aquela que, na internet ou outro meio, colectivamente promove o boicote ao consumo de vinho engarrafado vedado com tampaderosca/screwtop, como forma de punição e retaliação daqueles que se atreveram a pôr em causa publica e frontalmente o satus quo reinante.
Não parecendo ser esse o seu caso, apesar do óbvio próximo relacionamento com a Quercus, eventualmente não fará parte daquela gente.
1.1 Estando, no entanto, como por si claramente afirmado, na categoria “dos que boicotam tampasderosca/screwtops”, espero que boicote também todas as bebidas engarrafadas com tampasderosca/screwtops, como as águas, as cervejas Sagres e Superbock, Whiskies, Gins, Vodkas, Refrigerantes incluindo a Coca-cola e diversos sumos ditos de fruta, engarrafados em garrafas de vidro ou de plástico e não vedados com rolhas de cortiça ou sequer com qualquer produto à base da cortiça ou natural, bem como todas as bebidas e conservas contidas/embaladas em latas, vide redbull, atum etc, etc, porque a tal o obriga a coerência e a lógica subjacente ao seu afirmado boicote às tampasderosca.
2. Nenhum preconceito tenho contra qualquer grupo de potenciais clientes, porquanto apenas me move o propósito de fazer chegar a todos, vinho da mais elevada qualidade, ao mais baixo preço possível.
2.1 Sendo que, se para atingir aquele objectivo for necessário suprimir/substituir uma matéria subsidiária, pouco fiável e cara, não se hesite, faça-se!;
2.2 eu fiz, substituí a rolha de cortiça por uma tampaderosca/screwtop, às claras, publica e frontalmente;
2.3 não o fiz, escondendo-me atrás de vedantes de 2ª ordem feitos integralmente de subprodutos de cortiça, aglomerados de cortiça aglutinados com cola, rolhas ditas técnicas parcialmente feitas de cortiça e aglomerado de cortiça aglutinado com cola, ou ainda pior, vedantes imitando uma rolha como as rolhas de silicone, vide o vinho alentejano Quinta do Carmo, branco;
2.4 e fi-lo, após um longo período de investigação e reflexão, e de 40 anos a usar rolhas de cortiça, sendo hoje minha convicção que as actuais tampasde rosca/screwtops, são tecnicamente o melhor vedante de garrafa, para vinhos de guarda ou vinhos para beber desde logo.
3. O facto de, como refere, existir um elevado número de clientes que não pode comprar os meus vinhos com mais frequência, por neles não abundar o dinheiro, foi uma das razões que me fez mudar das rolhas de cortiça para as tampaderosca/screwtops.
3.1 Não querendo nem achando que deva esperar, que aquele detalhe da vida dos meus clientes – a falta de dinheiro - se altere, substituí a rolha de cortiça pela tampaderosca/screwtop, o que me permitiu baixar o custo total das matérias subsidiárias de cada garrafa de Quinta do Côtto e Teixeiró, em cerca de 40%;
3.2 o que propiciou a muitos dos meus clientes, menos endinheirados, beber com mais frequência os meus vinhos por estes serem agora bem mais baratos.
4. Da minha resposta não resulta que tenha dito que o Henrique ou outrem, é ignorante, mas sim que existem “pessoas com falta de informação”.
4.1 Também não disse que o Henrique ou outrem, ande a mando de terceiros, mas sim que existe um grupo de pessoas, e algumas delas pertencentes a diversas associações ambientalistas ou de produtores de cortiça e de rolhas, como a APPCOR, que a mando e no interesse de terceiros, que não se assumem publicamente, agem tendo em vista, punir e retaliar economicamente, contra aqueles que se atreveram a pôr em causa o status quo politico e económico reinante;
4.2 e para se constatar que assim é, e não um processo de intenções por mim inventado, basta aceder ao site http.www.ecologicalcork.com/files/artigo_
084.html, que o Henrique seguramente conhece como frequentador da internet que é, e interessado nestes assuntos;
4.3 ao afirmar na sua comunicação “…e a sua empresa prefere optar por uma solução fácil e barata, ainda que com implicações globais negativas, a optar por soluções globais que têm impactos globais positivos” optou por ser conclusivo sem fundamentar, o que sendo um estilo muito em voga na política e nos media, presente em toda a sua comunicação, não me parece próprio de quem quer discutir, argumentar, ver onde está a modernidade e os ventos da História, mas antes de alguém engajado.
Passando ao cerne da questão por si levantada e que, se bem entendi, fundamenta a sua atitude pessoal de boicote às tampasderosca/screwtops a saber:
o abandono e substituição do uso de materiais com forte impacto positivo na sustentabilidade (a rolha de cortiça) por soluções que se encaixam num modelo económico assente no esgotamento de recursos não renováveis (a tampaderosca/screwtops).
5. Esmiuçando:
5.1 o actual uso da rolha de cortiça, incluindo a inerente e sempre presente cápsula de, estanho, complexo(1) ou PVC, é científica, tecnológica e economicamente orientada para a sustentabilidade;
(1) Complexo – cápsulas fabricadas a partir de alumínio complexo que consiste no laminado constituído por uma película de polietileno entre duas de alumínio. Ver http:www.acrelvas.pt/pt/índex.html
5.2 o alternativo uso de tampasderosca/screwtops é científica e tecnologicamente orientada para o esgotamento de recursos não renováveis;
5.3 a base dos vedantes de cortiça é um produto renovável com baixa incorporação energética;
5.4 a base dos vedantes tampaderosca/screwtop são materiais não renováveis com fortes incorporações energéticas;
5.5 as paisagens rurais produzidas a partir da produção de cortiça são lindas e têm um balanço positivo na biodiversidade;
5.6 as paisagens produzidas a partir da extracção de petróleo e ou alumínio são inóspitas e têm balanço negativo na biodiversidade.
6. Permita-me que contra argumente, ponto por ponto:
6.1 o actual uso da rolha de cortiça, incluindo a inerente e sempre presente cápsula de estanho, complexo(1) ou PVC, não é, ao contrário do que diz, especialmente orientado para a sustentabilidade porquanto:
6.1.1 o aumento do consumo de garrafas de vinho e outras bebidas engarrafadas, aumenta há cerca de 120 anos, de acordo com uma progressão geométrica, o que a prazo tornará a cortiça tão valiosa como o ouro por falta de oferta/raridade;
6.1.2 aquele facto associado à situação de Portugal dominar 80% da produção mundial de rolhas de cortiça, e de, daqueles 80% de rolhas portuguesas, cerca de 70% delas serem produzidas/comercializadas por uma só empresa, ou empresas de um grupo;
6.1.3 descambou/descambará, num descarado monopólio de facto e abuso de posição dominante, que todos conhecem e falam à boca pequena, mas ninguém combate;
6.1.4 até hoje a rolha de cortiça, apesar do seu elevado valor acrescentado inicial não se mostrou, nem utilmente reciclável nem reutilizável sob nenhum ponto de vista;
6.1.5 até hoje a produção de cortiça em bruto, seja no Alentejo seja no resto do país, só produziu regiões e ambientes humanos sociais deprimidos e gente dependente do permanente apoio estatal, vide todo o Portugal rural;
6.1.6 até hoje, a indústria de produção de rolhas de cortiça, só produziu regiões e ambientes humanos sociais deprimidos e gente dependente do permanente apoio estatal, vide os recentes despedimentos efectuados pela indústria e baixíssimo rendimento per capita dos operários envolvidos na indústria de produção de rolhas de cortiça em Portugal;
6.1.7 como todos sabem, mas fazem por esquecer ou omitir, à produção de uma rolha de cortiça está sempre associado, e hoje mais do que ontem, um elevado consumo energético com a cozedura e a lavagem da cortiça em bruto e das rolhas acabadas, com água e diversos produtos químicos, visando obter-se um produto isento de TCA e outras maleitas o que até hoje, diga-se, não foi conseguido.
Visite-se uma moderna fábrica de cortiça com olhos de ver;
6.1.8 acresce que a cada rolha de cortiça está associada, a sempre presente cápsula, de estanho, complexo(1) ou PVC, o que todos os que criticam as tampasderosca/screwtops de uma forma pouco séria, omitem propositadamente, assim tentando tapar o sol com a peneira.
6.2 Do uso de tampaderosca/screwtop, resulta o uso de uma cápsula de alumínio, reciclável como todos os metais, acrescendo que uma garrafa assim vedada, pode ser reutilizável quase indefinidamente, como útil vasilha;
6.2.1 temos assim, que onde tínhamos duas matérias subsidiárias, rolha de cortiça e cápsula de estanho, complexo(1) ou PVC, em que ambas não são reutilizáveis, passamos com a tampaderosca/screwtop a ter apenas uma matéria subsidiária reutilizável, como útil vedante de uma vasilha, incluindo a garrafa de vidro que continha a bebida inicial, que por força do vedante utilizado é também reutilizada mais frequentemente.
6.3 O por si afirmado não corresponde à realidade - o actual processo de produção de rolhas de cortiça implica a utilização de elevados recursos energéticos e a elevada produção de águas residuais industriais lixiviadas com altas percentagens de cloro e diversos produtos químicos altamente poluentes – convido-o, a si ou qualquer ambientalista, técnico ou industrial produtor de rolhas de cortiça, a descrever de forma exaustiva o moderno processo produtivo de uma rolha de cortiça.
A ver se alguém se atreve!
6.4 a base do vedante tampaderosca/screwtop é em tudo semelhante à da cápsula de estanho, complexo(1) ou PVC que acompanha todas as garrafas vedadas com rolhas de cortiça, com a vantagem de a tampaderosca/screwtop ser reutilizável e levar à reutilização da respectiva garrafa;
6.5 as paisagens rurais de montado de sobro, até hoje só produziram gente pobre e com um dos mais baixos rendimentos europeus per capita e vão continuar lindas se dos montados de sobro se deixar de extrair cortiça, ou seja, as paisagens lindas e a biodiversidade não vão desaparecer por se passar a utilizar tampaderosca/screwtop, aliás, como sabe, os montados de sobro originalmente não tinham como objectivo produzir cortiça ou rolhas de cortiça;
6.6 Algumas das paisagens produzidas a partir da extracção de alumínio e petróleo, serão como diz, inóspitas e com balanço negativo na biodiversidade, mas são também, há muito, as grandes responsáveis pelo actual elevado bem-estar global da humanidade que é o objectivo último de qualquer processo produtivo ou civilizacional.
Como vê, não quis nem quero varrer de uma penada para fora da discussão os aspectos da sustentabilidade e biodiversidade que considero matéria da maior importância e que estou preparado para discutir seriamente seja com quem for, desde que não se me imponha o acantonamento politico e económico, com base em sermões e lamechices ambientais ditas politicamente correctas, que fazem de uns os bons e dos outros os maus.
Pode ser que esteja enganado, ou a interpretar mal o que escreveu, mas esclareço-o, caso não saiba, que ao contrário do que diz, não existe uma “forte posição dominante de algumas empresas…” no sector da produção de rolhas de cortiça, mas apenas a forte posição dominante de uma empresa que, impune e descaradamente fixa, há longos anos e à margem da lei, os preços a jusante e a montante em toda a fileira da cortiça.
Termino, recomendando-lhe que quando esteja na presença de uma garrafa vedada com tampaderosca/screwtop, para a abrir, rode toda a cápsula da esquerda para a direita e não tente rodar apenas a parte superior da cápsula.
O uso da técnica correcta, mas óbvia, facilmente evitará qualquer dificuldade ou acidente de percurso, o que não será o caso do saca-rolhas, porque aí estará em causa simultaneamente o dito cujo que pode magoá-lo e a rolha de cortiça que pode partir-se ou mergulhar na garrafa, estragando o seu vinho.
Cumprimentos e um bom ano para si
15.JAN.2010
P.S. a) - não sendo um bloguista, por falta de tempo, agradeço que coloque esta carta no vosso blogue, desde que completa.
b) – deverá passar a ter presente que a grande maioria das cápsulas que usualmente são utilizadas pela indústria vinícola, porque de menor custo, são de complexo de alumínio ou pvc, isto é, têm como matéria prima base, o alumínio e o petróleo.
(1) Complexo – cápsulas fabricadas a partir de alumínio complexo que consiste no laminado constituído por uma película de polietileno entre duas de alumínio. Ver http:www.acrelvas.pt/pt/índex.html"
Posted by Henrique Pereira dos Santos at 6:35 PM 7 comments Links to this post
2010/02/20
Bem prega Frei Tomás

Por Daniel Oliveira
Em primeiríssima mão, as páginas 6 e 7 do jornal Sol na sua edição angola. Clique para aumentar (muito pesado)

Joaquim Oliveira tem negócios em Angola com Isabel dos Santos na ZON. Não vos preciso de explicar quem são os proprietários do semanário “Sol”. Será que é isso que explica que, ao contrário da edição portuguesa, o “Sol” tenha ido para Angola sem o conteúdo da página 7 (um anúncio do jornal a substituir), dedicada a Joaquim Oliveira? Seria feio que o que o “Sol” critica nos outros acontecesse na sua própria casa.
Medeiros Ferreira
A ver se é verdade:
"José Sócrates tem os dias contados depois das presidenciais."
José Medeiros Ferreira, na TVI 24
"José Sócrates tem os dias contados depois das presidenciais."
José Medeiros Ferreira, na TVI 24
Knud Hansum
“Sim, é o Deus de todas a criaturas. Mas não tem nada de extraordinário ser o Deus dos animais e das montanhas. Somos verdadeiramente nós, os seres humanos, quem fazemos dele aquilo que ele é”.
2010/02/16
2010/01/20
HANDBOOK 2010
Health:
1. Drink plenty of water.
2. Eat breakfast like a king, lunch like a prince and dinner like a beggar.
3. Eat more foods that grow on trees and plants and eat less food that is manufactured in plants..
4. Live with the 3 E ' s -- Energy, Enthusiasm and Empathy
5. Make time to play.
6. Play more games
7. Read more books than you did in 2009 .
8. Sit in silence for at least 10 minutes each day
9. Sleep for 7 hours.
10. Take a 10-30 minute walk daily. And while you walk, smile.
Personality:
11. Don ' t compare your life to others. You have no idea what their journey is all about.
12. Don ' t have negative thoughts or things you cannot control. Instead invest your energy in the positive present moment.
13. Don ' t over do. Keep your limits.
14. Don ' t take yourself so seriously. No one else does.
15. Don ' t waste your precious energy on gossip.
16. Dream more while you are awake
17. Envy is a waste of time. You already have all you need..
18. Forget issues of the past. Don ' t remind your partner with His/her mistakes of the past. That will ruin your present happiness.
19. Life is too short to waste time hating anyone. Don ' t hate others.
20. Make peace with your past so it won ' t spoil the present.
21. No one is in charge of your happiness except you.
22. Realize that life is a school and you are here to learn. Problems are simply part of the curriculum that appear and fade away like algebra class but the lessons you learn will last a lifetime.
23. Smile and laugh more.
24. You don ' t have to win every argument. Agree to disagree...
Society:
25. Call your family often.
26. Each day give something good to others.
27. Forgive everyone for everything..
28.. Spend time w/ people over the age of 70 & under the age of 6.
29. Try to make at least three people smile each day.
30. What other people think of you is none of your business.
31. Your job won ' t take care of you when you are sick. Your friends will. Stay in touch.
Life:
32. Do the right thing!
33. Get rid of anything that isn ' t useful, beautiful or joyful.
34. Time heals everything.
35. However good or bad a situation is, it will change...
36. No matter how you feel, get up, dress up and show up.
37. The best is yet to come..
38. When you awake alive in the morning, thank your clock for it.
39. Your Inner most is always happy. So, be happy.
Last but not the least:
40. Please Forward this to everyone you care about, I just did.
1. Drink plenty of water.
2. Eat breakfast like a king, lunch like a prince and dinner like a beggar.
3. Eat more foods that grow on trees and plants and eat less food that is manufactured in plants..
4. Live with the 3 E ' s -- Energy, Enthusiasm and Empathy
5. Make time to play.
6. Play more games
7. Read more books than you did in 2009 .
8. Sit in silence for at least 10 minutes each day
9. Sleep for 7 hours.
10. Take a 10-30 minute walk daily. And while you walk, smile.
Personality:
11. Don ' t compare your life to others. You have no idea what their journey is all about.
12. Don ' t have negative thoughts or things you cannot control. Instead invest your energy in the positive present moment.
13. Don ' t over do. Keep your limits.
14. Don ' t take yourself so seriously. No one else does.
15. Don ' t waste your precious energy on gossip.
16. Dream more while you are awake
17. Envy is a waste of time. You already have all you need..
18. Forget issues of the past. Don ' t remind your partner with His/her mistakes of the past. That will ruin your present happiness.
19. Life is too short to waste time hating anyone. Don ' t hate others.
20. Make peace with your past so it won ' t spoil the present.
21. No one is in charge of your happiness except you.
22. Realize that life is a school and you are here to learn. Problems are simply part of the curriculum that appear and fade away like algebra class but the lessons you learn will last a lifetime.
23. Smile and laugh more.
24. You don ' t have to win every argument. Agree to disagree...
Society:
25. Call your family often.
26. Each day give something good to others.
27. Forgive everyone for everything..
28.. Spend time w/ people over the age of 70 & under the age of 6.
29. Try to make at least three people smile each day.
30. What other people think of you is none of your business.
31. Your job won ' t take care of you when you are sick. Your friends will. Stay in touch.
Life:
32. Do the right thing!
33. Get rid of anything that isn ' t useful, beautiful or joyful.
34. Time heals everything.
35. However good or bad a situation is, it will change...
36. No matter how you feel, get up, dress up and show up.
37. The best is yet to come..
38. When you awake alive in the morning, thank your clock for it.
39. Your Inner most is always happy. So, be happy.
Last but not the least:
40. Please Forward this to everyone you care about, I just did.
2010/01/18
Simone de Beauvoir
"On ne naît pas femme, on le devient" ("Não nascemos mulheres, tornamo-nos mulheres")
Benjamim Franklin
Quem está disposta a trocar um pouco de liberdade por mais segurança acaba por ficar sem as duas
O meu pai
O meu pai que era um cavalheiro detestava igualmente os que se embebedavam e os que não bebiam.
Os Sapos
Esta foi mais uma semana de campanha eleitoral para as presidenciais com Cavaco Silva a fazer de conta que é Presidente e Manuel Alegre a fazer de conta que ainda não é candidato presidencial. O mais curioso desta campanha que já dura há mais de quatro anos é que ambos os candidatos sentiram falta de uma segunda volta nas últimas presidências e continuaram as suas campanhas presidenciais com vista as próximas eleições, como se fosse a segunda volta.
Louçã que parece ter descoberto as virtudes de Manuel Alegre quando este decidiu prosseguir a sua vingança por Sócrates o ter derrotado nas directas, encontrou agora em Alegre as virtudes que não lhe viu nas anteriores presidenciais, agora em vez de se candidatar o líder o BE procura ser o guru ideológico de Manuel Alegre, promovendo-o a Otelo Saraiva de Carvalho do século XXi. Tudo o que possa contribuir para dividir e destruir o PS é bom, Louçã acha que o crescimento do BE está no eleitorado do PS e nesse sentido os disparates de um Alegre envaidecido têm-lhe proporcionado alguns votos.
Se Louçã marcou a semana do candidato Alegre, já lado do senhor Silva a semana foi de jogadas que visam ajudar o candidato a fazer as pazes com o passado. Inspirado na versão cristã de um Santana menino que tentaram matar à nascença para depois lhe encherem o corpo de chagas, Cavaco decidiu agraciar a má moeda com uma boa medalha da Ordem de Cristo. Mas o senhor Silva sabe que as famosas escutas a Belém são uma pedra no sapato e para limpar esta nódoa do seu currículo presidencial decidiu que o Lima ia escrever um artigo com o objectivo de dar o dito por não dito e ilibar o chefe das suspeitas de conspiração contra a democracia.
Enquanto o Lima escrevia o artigo como se estivesse a transcrever a receita dos carapaus alimados da dona Maria Silva, Manuela Ferreira Leite cumpria as ordens presidenciais e lá ia ao ministério das Finanças tentar um acordo orçamental. O problema é que Ferreira Leite é tão má que pensou que ia impor a Sócrates o programa eleitoral zipado que foi rejeitado pelos eleitores. O resultado está à vista, Cavaco armou-se em conciliador e mandou o PSD fazer o acordo, mas o mais provável é que o PSD fique de fora e seja o CDS a viabilizar o orçamento.
Enfim, uma semana de engolir sapos, Ferreira Leite engoliu o sapo de ter de ir negociar com o PS, Portas o sapo da viabilização do orçamento para deixar o PSD de fora, Cavaco o sapo de medalhar Santana, Lima o sapo de dar o dito por não dito, Louçã o sapo de apoiar Alegre e o PS o sapo de ter que aturar o mesmo alegre.
Retirado daqui http://jumento.blogspot.com/
Louçã que parece ter descoberto as virtudes de Manuel Alegre quando este decidiu prosseguir a sua vingança por Sócrates o ter derrotado nas directas, encontrou agora em Alegre as virtudes que não lhe viu nas anteriores presidenciais, agora em vez de se candidatar o líder o BE procura ser o guru ideológico de Manuel Alegre, promovendo-o a Otelo Saraiva de Carvalho do século XXi. Tudo o que possa contribuir para dividir e destruir o PS é bom, Louçã acha que o crescimento do BE está no eleitorado do PS e nesse sentido os disparates de um Alegre envaidecido têm-lhe proporcionado alguns votos.
Se Louçã marcou a semana do candidato Alegre, já lado do senhor Silva a semana foi de jogadas que visam ajudar o candidato a fazer as pazes com o passado. Inspirado na versão cristã de um Santana menino que tentaram matar à nascença para depois lhe encherem o corpo de chagas, Cavaco decidiu agraciar a má moeda com uma boa medalha da Ordem de Cristo. Mas o senhor Silva sabe que as famosas escutas a Belém são uma pedra no sapato e para limpar esta nódoa do seu currículo presidencial decidiu que o Lima ia escrever um artigo com o objectivo de dar o dito por não dito e ilibar o chefe das suspeitas de conspiração contra a democracia.
Enquanto o Lima escrevia o artigo como se estivesse a transcrever a receita dos carapaus alimados da dona Maria Silva, Manuela Ferreira Leite cumpria as ordens presidenciais e lá ia ao ministério das Finanças tentar um acordo orçamental. O problema é que Ferreira Leite é tão má que pensou que ia impor a Sócrates o programa eleitoral zipado que foi rejeitado pelos eleitores. O resultado está à vista, Cavaco armou-se em conciliador e mandou o PSD fazer o acordo, mas o mais provável é que o PSD fique de fora e seja o CDS a viabilizar o orçamento.
Enfim, uma semana de engolir sapos, Ferreira Leite engoliu o sapo de ter de ir negociar com o PS, Portas o sapo da viabilização do orçamento para deixar o PSD de fora, Cavaco o sapo de medalhar Santana, Lima o sapo de dar o dito por não dito, Louçã o sapo de apoiar Alegre e o PS o sapo de ter que aturar o mesmo alegre.
Retirado daqui http://jumento.blogspot.com/
CAVACO FRACO INSPIRA AMBIÇÕES
Para memória futura:
«Como se sabe, as eleições presidenciais realizam-se de dez em dez anos. Pelo meio, ao quinto ano, faz-se um simulacro para o eleitorado não perder a mão. O Presidente em exercício faz de conta que põe o seu lugar em jogo, as oposições presidenciais apresentam cordeiros para degola e o Presidente é reeleito. O seu mandato natural é, pois, de dez anos, com uma vitória ao meio por falta de comparência de adversário. Vejam as eleições presidenciais de simulacro que já tivemos. Em 1980, o opositor militar que defrontou o Presidente Eanes era de segunda linha e o opositor civil, Mário Soares, encolheu-se. Em 1991, o Presidente Soares teve como adversário... Basílio Horta. Em 2001, não se encontrou melhor do que Ferreira do Amaral para combater o Presidente Sampaio. Por que não houve Soares, em 1980, Freitas ou Cavaco, em 1991, e Cavaco, em 2001? Por que razão nos anos de Presidente de saída há engarrafamentos (1986: Soares-Freitas-Zenha-Pintasilgo; 2006: Cavaco-Alegre-Soares) e nos anos de recandidatura presidencial há assobiares para o lado? A disponibilidade de Manuel Alegre para 2011 podia fazer supor que, pela primeira vez, havia um bravo a desafiar um Presidente. Mas não é disso que se trata. Pela primeira vez o que temos é um Presidente com fraca recandidatura. » [Diário de Notícias]
Por Ferreira Fernandes no Dn de 2010/01/18
«Como se sabe, as eleições presidenciais realizam-se de dez em dez anos. Pelo meio, ao quinto ano, faz-se um simulacro para o eleitorado não perder a mão. O Presidente em exercício faz de conta que põe o seu lugar em jogo, as oposições presidenciais apresentam cordeiros para degola e o Presidente é reeleito. O seu mandato natural é, pois, de dez anos, com uma vitória ao meio por falta de comparência de adversário. Vejam as eleições presidenciais de simulacro que já tivemos. Em 1980, o opositor militar que defrontou o Presidente Eanes era de segunda linha e o opositor civil, Mário Soares, encolheu-se. Em 1991, o Presidente Soares teve como adversário... Basílio Horta. Em 2001, não se encontrou melhor do que Ferreira do Amaral para combater o Presidente Sampaio. Por que não houve Soares, em 1980, Freitas ou Cavaco, em 1991, e Cavaco, em 2001? Por que razão nos anos de Presidente de saída há engarrafamentos (1986: Soares-Freitas-Zenha-Pintasilgo; 2006: Cavaco-Alegre-Soares) e nos anos de recandidatura presidencial há assobiares para o lado? A disponibilidade de Manuel Alegre para 2011 podia fazer supor que, pela primeira vez, havia um bravo a desafiar um Presidente. Mas não é disso que se trata. Pela primeira vez o que temos é um Presidente com fraca recandidatura. » [Diário de Notícias]
Por Ferreira Fernandes no Dn de 2010/01/18
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