2010/10/09

Bilbao

Ainda a propósito do post anterior aqui ficam algumas imagens do "Guga".
Ressalvando a excepcional Mamam de Loise Bourgeois e a instalaçao The Matter of Time de Richard Serra a colecção não é muito interessante mas, só por si, o edifício vale a deslocação.
A mudança de tonalidades que se verifica durante o dia é estraordinária e só pode ser um estudo genial do arquitecto Frank Gehry
Vale a viagem.





Aliem a "cultura" a outra. A gastronómica.
Em toda a Espanha se "pica" magnificamente mas nada se compara aos "pintchos" bascos nomeadamente em S. Sebastian.


Serie Frase do Ano I

Enviaram-me isto como sendo originário do Brasil.
Não sei se é verdade mas confere:

No país onde o Ministro da Saúde diz que sexo é o melhor remédio para a hipertensão, já tem gente usando a punheta como genérico.

2010/10/04

Pamplona






Em Janeiro de 2008 fui com o meu filho João, passar um fim-de-semana comprido em Bilbau, com o objetivo de visitar o Gugenheim.
Acabámos por dar uma volta pelo País Basco incluindo Pamplona.
A cidade é feia e sem o mínimo interesse.
O curioso é que no centro da cidade entramos neste café lindíssimo para uma caña.
Fui agora surprendido pelo vídeo abaixo que decorre no mesmo sítio.
mesmo sítio.


Nota 1: não sei onde fui buscar o vídeo mas foi seguramente a um blog.
Peço desculpa ao autor da sua divulgação pela não referência
Nota2:
Ando irritado com a formatação dos meus últimos posts.
A coisa não me tem saído como eu gostaria, não sei se por imcompetência minha, se por falta de aplicação.
Prometo resolver a questão brevemente.

2010/10/02

O Desconforto de Mourinho 2

Comentário do João Frazão ao texto com o mesmo nome:

Li e vi também o jogo! E os antes também. Eu gosto é de futebol, gosto bastante do futebol do Real Madrid, que agora é o futebol do José Mourinho. Estavam á espera do quê!? Do futebol de quem! Não se percebe bem aonde é que o gajo da Marca quer chegar; Achei ridícula a forma como ela caracteriza e diminui duas grandes culturas de futebol como a Inglesa e a Espanhola; achei ridículo como diminui o Inter e o Chelsea;. Se há treinador que tem resposta para os doentes espanhóis de Madrid que por terem expectativas erradas é o Mourinho: Acham que uma grande equipa como o Madrid não precisa de sofrer bastante para ganhar os jogos da Champions da La liga! Achavam que o Mourinho chegava, dizia três palavras e quatro treinos e eles saiam a jogar como o Barcelona. Espanha tem o seu futebol, mas eu acho que o verdadeiro problema está no futebol lindo de morrer do seu arqui-rival de Barcelona pratica, enquanto o Mourinho não começar a dar cabazadas de bola como os outros; não vai ser suficiente. Pena é que se esqueceram muito rápido quem é que encheu o cabaz de quem na final da champions do ano passado. E quando ele levantar o caneco por Madrid; mais uma vez estas vozes que se repetem irão traduzir a expressão Special One e Lo speciale ou lá o que é para espanhol. Como tu dizes - Cuidado com as adjectivações. O que é isso de em Espanha gostamos de BOM futebol. Era uma pergunta que gostava que o senhor respondesse. O primeiro trabalho visível de um treinador é a defesa da equipa. Falem sobre a defesa como o Real defende. Será que isso não bom futebol? P.S. O Barça do Cruiff era o que baseado nos fundamentos do AJAX ou será que nem isso já se lembram?

A medidazita que faltou

A mim também me teria convencido

Por Ferreira Fernandes

ELE É VOGAL de uma dessas entidades reguladoras portuguesas - insisto, não é ministro de país rico, é um vogal de entidade reguladora de país pobre - e foi de Lisboa ao Porto a uma reunião. Foi de avião, o que nem me parece um exagero, embora seja pago pelos meus impostos. Se ele tem uma função pública é bom que gaste o que é eficaz para a exercer bem: ir de avião é rápido e pode ser económico. Chegado ao Aeroporto de Sá Carneiro, o homem telefonou: "Onde está, sr. Martins?" O Martins é o motorista, saiu mais cedo de Lisboa para estar a horas em Pedras Rubras.O vogal da entidade reguladora não suporta a auto-estrada A1. O Martins foi levar o senhor doutor à reunião, esperou por ele, levou-o às compras porque a Baixa portuense é complicada, e foi depositá-lo de volta a Pedras Rubras.O Martins e o nosso carro regressaram pela auto-estrada a Lisboa. O vogal fez contas pelo relógio e concluiu que o Martins não estaria a tempo na Portela. Encolheu os ombros e regressou a casa de táxi, o que também detestava, mas há dias em que se tem de fazer sacrifícios.Na sua crónica nesta edição do DN, o meu camarada Jorge Fiel diz que o Estado tem 28 793 automóveis. Nunca perceberei por que razão os políticos não sabem apresentar medidas duras. Sócrates, ontem, ter-me-ia convencido se tivesse também anunciado que o Estado passou a ter 28 792 automóveis.

2010/10/01

A Biblioteca 2

A ordem dos "posts está invertida porque este é que deu origem ao anterior.

Publicado aqui por José Mário Silva

«”Já os leu todos?” Não, claro que não. Ou talvez sim. Na verdade, não sei. É complicado. Há livros que li e esqueci (muitos), e alguns que me limitei a espreitar e de que me lembro. Ou seja, nem todos foram lidos, mas todos foram folheados, cheirados, sopesados. Depois disso, a obra pode tomar três direcções possíveis (refiro-me aos livros escolhidos, comprados por mim e por isso já “seleccionados”, e não aos livros simplesmente recebidos): leitura imediata ou a breve prazo, leitura para mais tarde (o que pode levar semanas, meses ou anos, se as circunstâncias forem particularmente desfavoráveis e o afluxo demasiado intenso, formando-se “pilhas de livros a ler”), ou leituras para arrumar nas prateleiras. Mas mesmo estes últimos livros foram, de certa maneira, “lidos”, e ficaram arrumados tanto numa parte qualquer do meu espírito como na minha biblioteca. Eles servirão um dia, embora não saiba quando nem porquê. Há decerto uma razão para estarem aqui. Deveríamos falar igualmente dos livros que lemos e que falhámos, desses com os quais nunca nos conseguiremos entender, porque, embora sejam geniais, não nos correspondem, desses outros livros que precisam de ser relidos para que os assimilemos, dos que temos vontade de reler por puro prazer, dos que certamente nunca mais voltaremos a abrir mas de que não nos queremos separar, dos autores que prometemos reler integralmente um dia ou descobrir, etc. (”Na verdade, uma biblioteca, seja qual for o seu tamanho, não precisa de ter sido lida de uma ponta à outra para ser útil; cada leitor beneficia de um equilíbrio exacto entre saber e ignorância, memória e esquecimento”, Alberto Manguel). Séneca chegava ao ponto de considerar que os numerosos rolos da Biblioteca de Alexandria eram “decorações de sala de jantar”.“Mas tem um método de leitura rápida?”, perguntam-me. Sim, claro que tenho. É o seguinte: faz cinquenta anos que passo uma grande parte do meu tempo a ler todo o tipo de obras, em todo o tipo de circunstâncias, para todo o tipo de fins. Como em qualquer actividade que se torna familiar (seja ela manual, artística ou desportiva), cria-se uma relação especial com o objecto em questão, no caso a coisa impressa (”São necessários muitos anos de trabalho para que as engrenagens cerebrais da leitura, já bem oleadas, deixem de ser conscientes”, Stanislas Dehaene). O importante não é ler depressa mas ler cada livro à velocidade que ele merece. É tão pernicioso demorar tempo demais com alguns do que ler outros demasiado rápido. Há livros que ficamos a conhecer folheando-os, outros que só compreendemos à segunda ou terceira leitura, outros ainda que poderemos reler com proveito toda a vida. Um policial lê-se em poucas horas, mas preparar uma aula sobre algumas páginas de The Waste Land, de T. S. Eliot, exige vários dias. Mas o cúmulo do desequilíbrio entre o tempo passado com um texto e a sua extensão estaria sem dúvida num trabalho de análise ao célebre monóstico de Apollinaire: “Et l’unique cordeau des trompettes marines”! Escrever um artigo para a imprensa sobre uma obra que acaba de ser publicada exige – pelo menos no que me diz respeito – duas leituras: a primeira para descobrir o livro enquanto leitor inocente, a segunda para dar uma ordem às impressões e ideias que o livro me suscitou. E depois, é um facto que esquecemos a maior parte do que lemos. Pierre Bayard, em Comment parler des livres que l’on n’a pas lus? (Minuit, 2007; Como falar dos livros que não lemos?, tradução de Maria Amaral e Sílvia Sacadura, Verso da Kapa, 2008), dissertou brilhantemente sobre o facto de sermos todos levados a falar de livros que não lemos, livros dos quais apenas ouvimos falar. Aliás, Bayard disserta até de forma demasiado brilhante, uma vez que a soma das leituras que pressentimos por trás do seu ensaio está em flagrante contradição com a sua tese. Ele evoca igualmente o esquecimento em que tombam a maior parte das nossas leituras: “Torna-se difícil saber com precisão se lemos ou não um livro, uma vez que a leitura é o lugar da evanescência.” Porque mesmo quando o livro foi efectivamente lido, e tão bem que ganha um lugar específico no nosso espírito, muitas vezes não sobra mais do que a memória da emoção vivida durante a sua leitura e nada de muito preciso quanto ao seu conteúdo (acontece oferecermos durante anos a fio um determinado livro, certos de que gostámos de o ler, e contudo sermos incapazes de falar sobre ele porque entretanto os detalhes já se apagaram completamente).Stanislas Dehaene mostra, em Les Neurones de la lecture (Odile Jacob, 2007), o que o surgimento da leitura teve de singular na evolução humana. Trata-se de uma actividade do nosso cérebro que é relativamente recente: a invenção da escrita pelos babilónios aconteceu apenas há 5400 anos e o alfabeto tem 3800 anos, ou seja, tempo insuficiente para que o nosso genoma tivesse oportunidade de se modificar com vista a desenvolver circuitos cerebrais específicos para a leitura (”Como é que a arquitectura cerebral de um bizarro primata bípede que se tornou caçador-recolector se foi ajustando com tanta precisão, em poucos milhares de anos, às dificuldades que derivam do reconhecimento da escrita?”, Stanislas Dehaene). Esta faculdade, apercebida individualmente como mágica, constitui também um acontecimento improvável no plano da evolução humana, e é um dos aspectos mais surpreendentes do nosso funcionamento cerebral. A leitura, ao começar por recolher informações (sobre contabilidade comercial, câmbios e impostos), permitiu que se passasse depois à notação de reflexões mais gratuitas, transmitindo-as à distância e, ao serem legadas às gerações seguintes, favorecendo a sua acumulação e o seu enriquecimento constantes. Com a escrita, e por arrasto com a leitura,o homem não efectuou apenas um salto cultural quantitativo, ele passou também para outra escala em termos mentais. Tornou-se, em suma, um ser pensante complexo. (”O Homo sapiens é o único primata capaz de pedagogia, na medida em que apenas ele sabe prestar atenção aos conhecimentos e aos estados mentais de outrém, tendo como objectivo o ensino. Não só conseguimos transmitir de forma activa os objectos culturais que consideramos úteis, mas também – e isto é particularmente evidente no caso da escrita – conseguimos aperfeiçoá-los intencionalmente. Há cerca de cinco mil anos, os primeiros escribas descobriram um poder escondido do cérebro humano: o de aprender a transmitir a linguagem através da visão”, Stanislas Dehaene).Não espanta por isso que a leitura continue a ser percepcionada como uma actividade única. E, no meu caso, há sempre euforia no acto de formar uma realidade por trás do simples nome de um autor ou do título de uma obra (”Leio sem escolher, simplesmente para entrar em contacto”, Walter Benjamin). Quando não foi lido, um livro é na pior das hipóteses um conjunto de letras. Na melhor das hipóteses, é uma vaga – e muitas vezes falsa – imagem nascida do que sobre ele ouvimos dizer. Pegar num livro e descobrir o que realmente contém equivale a dar-lhe um corpo; quer dizer, uma espessura e uma densidade que ele nunca mais perderá.»

O ensaio de Jacques Bonnet, traduzido por mim e editado pela Quetzal, vai para as livrarias dia 8 de Outubro.

A Biblioteca

Eu tenho uma Biblioteca.
A história, começou quando logo após o 25 de Abril de 1974 o Mário Soares deu uma entrevista na sua casa do Campo Pequeno sentado num sofá de orelhas com uma estante repleta de livros atrás e um candeeiro de pé alto lado, sugerindo que ali era o seu sítio preferido de leitura.

Eu já tinha muitos livros mas nada que parecesse com o ambiente que se respirava. Sossego, recolhimento, concentração. Ali mesmo prometi que quando fosse crescido teria uma coisa parecida.

Quase trinta anos depois, mais concretamente em 2002, surgiu a oportunidade e lá comprei uma casita que transformei nisto que se pode ver abaixo e em que, curiosamente, a fotografia que melhor corresponde à ideia é a de um amigo sentado à "minha" secretária lendo um dos meus livros.

Fui acrescentando algumas coisas nomeadamente uma área onde se pode "ouver" (roubado ao Zé Duarte) os meus/minhas favoritos/as, como segue:






Hoje é o meu refúgio.

Fica perto de Lísboa, suficientemente perto para se chegar depressa e suficientemente longe para se estar no campo.

Aconteceu á pouco, aquando da vista do Papa a Portugal, uma história engraçada.

A casa fica no Caminho de Fátima e os Peregrinos passam mesmo à minha porta.

Estava a "ouver" um conerto de Mozart, com a Orquestra de Viena dirigida pelo Karajan (edição do aniversário dos 111 anos da Deutche Gramophone) quando de repente olhei pela janela e vi um grupo a espreitar e a"ouver".

Um deles virou-se para mim e disse :

- não sabia que se ouvia disto por estas bandas...

- Pois fique a saber que sim e vão com cuidado porque a estrada é perigosa, respondi eu.

Ficaram mais um pouco a descansar e a alimentar a alma com a música e lá se foram serra acima.

Resta acrescentar que eu gosto de ouvir música alto e bom som e sou conhecido na terra por "ser o gajo que só ouve música esquisita, erudita, jazz, blues e quando me dá a fraqueza, que diabo um homem não é de pau, faço umas incursões violentas pelo Country.

Rachelle Ferrell

“The songwriter translates emotion into words. The singer's job is to translate the words back into emotion."

Who's Who

Com devida vénia ao Eduardo Pitta e para memória futura aqui fica este post:

Quem ouvir as luminárias do economês que andam há cinco anos a fazer agitprop, julgará tratar-se de um bando de virgens. Afinal, quase todos foram ministros das Finanças e/ou da Economia, e muitos dos que não foram (e agora têm catarro) fizeram uma perninha como ajudantes.

Vejamos como foi a partir de 16 de Maio de 1974:

1.º governo provisórioPalma Carlos (PM), Vasco Vieira de Almeida (Coord. Económica)

2.º governo provisórioVasco Gonçalves (PM), José da Silva Lopes (Finanças), Rui Vilar (Economia)

3.º governo provisórioVasco Gonçalves (PM), José da Silva Lopes (Finanças), Rui Vilar (Economia)

4.º governo provisórioVasco Gonçalves (PM), Mário Murteira (Coord. Económica), José Joaquim Fragoso (Finanças)

5.º governo provisórioVasco Gonçalves (PM), Mário Murteira (Coord. Económica), José Joaquim Fragoso (Finanças)

6.º governo provisórioPinheiro de Azevedo (PM), Salgado Zenha (Finanças)

1.º governo constitucional / PS Mário Soares (PM), Sousa Gomes (Coord. Económica), Medina Carreira (Finanças)

2.º governo constitucional / PS+CDSMário Soares (PM), Vítor Constâncio (Finanças e Plano)

3.º governo constitucional / EanistaRejeitado no ParlamentoNobre da Costa (PM), José da Silva Lopes (Finanças e Plano)

4.º governo constitucional / EanistaCarlos Mota Pinto (PM), Jacinto Nunes (Finanças e Plano)

5.º governo constitucional / EanistaLurdes Pintasilgo (PM), Corrêa Gago (Coord. Económica), Sousa Franco (Finanças)

6.º governo constitucional / AD [PSD-CDS+PPM]Francisco Sá-Carneiro (PM), Cavaco Silva (Finanças e Plano)

7.º governo constitucional / AD [PSD-CDS+PPM]Pinto Balsemão (PM), Morais Leitão (Finanças e Plano)

8.º governo constitucional / AD [PSD+CDS+PPM]Pinto Balsemão (PM), João Salgueiro (Finanças e Plano)

9.º governo constitucional / BLOCO CENTRAL [PS+PSD]Mário Soares (PM), Ernâni Lopes (Finanças e Plano)

10.º governo constitucional / PSDCavaco Silva (PM), Miguel Cadilhe (Finanças)

11.º governo constitucional / PSDCavaco Silva (PM), Miguel Cadilhe (Finanças), Miguel Beleza (idem)

12.º governo constitucional / PSDCavaco Silva (PM), Braga de Macedo (Finanças), Eduardo Catroga (idem)

13.º governo constitucional / PSAntónio Guterres (PM), Sousa Franco (Finanças), Daniel Bessa (Economia), Augusto Mateus (idem), Pina Moura (idem). Na ponta final, Pina Moura acumulou Finanças e Economia.

14.º governo constitucional / PSAntónio Guterres (PM), Guilherme d’Oliveira Martins (Finanças), Braga da Cruz (Economia)

15.º governo constitucional / PSD+CDS-PPDurão Barroso (PM), Manuela Ferreira Leite (Finanças), Carlos Tavares (Economia)

16.º governo constitucional / PSD+CDS-PPSantana Lopes (PM), Bagão Félix (Finanças), Álvaro Barreto (Act. Económicas)

17.º governo constitucional / PSJosé Sócrates (PM), Campos e Cunha (Finanças), Teixeira dos Santos (idem), Manuel Pinho (Economia)

18.º governo constitucional / PSJosé Sócrates (PM), Teixeira dos Santos (Finanças), Vieira da Silva (Economia)

Afinal, o que é que os distinguiu? Medina Carreira e Ernâni Lopes tiveram de negociar com o FMI.

Cavaco foi-se embora por razões nunca esclarecidas.

Silva Lopes e Constâncio foram governadores do Banco de Portugal.

Teixeira dos Santos veio da CMVM.

Carlos Tavares foi para a CMVM.

Dois advogados (Medina Carreira e Salgado Zenha) foram ministros das Finanças.

Realmente já só falta experimentar o Francisco Louçã.

2010/09/29

Até que enfim

Um grande amigo enviou-me esta fotografia de algo que a minha sempre me disse para tomar e que eu até agora não tinha encontrado.

Afinal, vende-se em garrafas.

Anedota do dia

Diz a Luciana ao Djálo:
- Queres chá verde “ó” preto?
E ele responde:
- Pode ser.

A história de "estória"

Alertado por um amigo que se encanita com facilidade, sobretudo em questões de Lingua Portugêsa deixo aqui dois textos, o primeiro da autoria desse meu amigo e o segundo de Claudio Moreno que dispensa apresentações.

Resumindo, pqp para os que contam "estórias".

Sempre me irritou a utilização da palavra estória, e mais ainda agora que a vi num coleccionável no Diário de Notícias intitulado AS ESTÓRIAS NUNCA CONTADAS PELA HISTÓRIA sobre os 100 anos da República. O raio do título é uma verdadeira tese, pelo que, fui ver e encontrei e chega-me e irrita-me. A palavra estória é uma forma divergente de história, pois ambas têm origem no grego historía, -as (exame, informação, pesquisa, estudo, ciência) através do latim historia, -ae, tendo a forma estória entrado através do inglês story.
O Dicionário Houaiss (brasileiro, mas também com uma edição portuguesa) informa-nos, na etimologia desta palavra, que estória foi uma forma "adoptada pelo conde de Sabugosa com o sentido de narrativa de ficção, segundo informa J.A. Carvalho no seu livro Discurso & Narração, Vitória, 1995, p. 9-11".
Em Portugal, apenas alguns dicionários registam estória; no entanto, esta palavra é actualmente utilizada com muita frequência com o sentido de narrativa popular.
Em relação a estas palavras, o Dicionário Aurélio (também brasileiro) faz mesmo uma recomendação: "[Recomenda-se apenas a grafia história, tanto no sentido de ciência histórica, quanto no de narrativa de ficção, conto popular, e demais acepções.]".
Em contextos em que o utilizador da língua queira evitar o uso de uma palavra polémica, deverá utilizar sempre a forma história, pois em relação a esta não há qualquer controvérsia.

Cláudio Moreno

Perdi a conta dos leitores que me perguntam sobre a famigerada estória. Uns querem saber se realmente existe essa distinção entre estória e história. Outros teriam ouvido que a palavra existiu outrora, mas hoje seria considerada arcaica. Há quem especule que estória tenha nascido de um erro de tradução. Quase todos perguntam se é uma distinção útil e necessária, ou se não passa de supérfluo balangandã. Peço perdão àqueles que fiz esperar, mas aqui vai minha resposta a todos.
Foi João Ribeiro, forte conhecedor de nosso idioma, quem propôs a adoção do termo estória, em 1919, para designar, no campo do Folclore, a narrativa popular, o conto tradicional, objeto de estudo dos especialistas daquela área. E não se tratava de inventar, mas sim de reabilitar (hoje usariam o horrendo resgatar...) uma forma arcaica, comum nos manuscritos medievais de Portugal. Era uma ingênua proposta, paroquial, nascida da inveja compreensível que causa a distinção story - history do Inglês; sem ela, alega o próprio Luís da Câmara Cascudo - para mim, um dos escritores que mais contribuíram para nossa língua -, não se pode entender frases como "Stories are not History", ou títulos como "The History of a Folk Story". Que o mestre Cascudo me perdoe: a intenção era boa, mas sem nenhum fundamento lingüístico.
Em primeiro lugar, a estória medieval não era um vocábulo diferente de história; era apenas uma das muitas variantes que se encontram nos textos manuscritos de nossos copistas, naquele tempo heróico em que a estrutura de nossa ortografia ainda lutava para sedimentar. Ali aparecem história, hestória, estória, istória, estórea (ainda não se usavam os acentos, que são de nosso século, mas não pude resistir). Da mesma forma, vamos encontrar homem, omem, omee (algumas vezes com til no primeiro e) e até ome. Nota-se que o emprego do "h" e das vogais ainda não estava estabilizado na escrita. Entretanto, já no séc. XVI - em Camões, por exemplo - a grafia de homem e história era a que é usada até hoje. Outras línguas da família latina, como o Espanhol e o Francês, também experimentaram essa variedade de formas para história, mas terminou prevalecendo a forma única (historia e histoire, respectivamente).
Em segundo lugar: grande coisa se o Inglês pode fazer a distinção entre story e history! E daí? Como o folclórico Napoleão Mendes de Almeida nos lembra, eles também distinguem entre can (poder, conseguir) e may (poder, no sentido legal e ético): "You can, but you may not" é uma rica frase em Inglês que só poderíamos traduzir com um aproximado "Você pode, mas não deve". Esse autor, que abominava estória, pergunta ironicamente: "Se curtos de inteligência foram nossos pais em não terem descoberto essa história de "estória", curtos de inteligência continuamos todos nós em não forjarmos distinção gráfica e fonética para "poder", para "educação", para "raio", para "oficial" e para outros vocábulos de formas diferentes em Inglês, como curtos de inteligência são todos os outros idiomas que têm palavras com mais de uma significação".
Dessa vez Napoleão bateu no prego e não na tábua. Uma olhada no meu Oxford e me dou conta que para nosso raio, por exemplo, o Inglês tem (1) ray (onde temos "raio de luz", "pistola de raios"), (2) radius (o "raio de um círculo") e (3) lightning (a "descarga elétrica"). É mais do que comum o fato de uma língua fazer distinções vocabulares que outras não fazem. Como tive a oportunidade de mencionar em outro artigo (Atravessando o Canal da Manga), o Espanhol designa com um único vocábulo (celo, celos) o que nós distribuímos por três: zelo, cio e ciúme. Invejamos o story do Inglês? Eles então devem ficar verdes diante de nosso ser e estar, distinção fundamental na vida e na Filosofia, que eles simplesmente desconhecem. Assim são as línguas humanas, na sua (im)perfeição.
Além disso, os amáveis folcloristas que defendiam estória pensavam apenas em distinguir "a História do Brasil das Histórias da Carochinha". Do ponto de vista lingüístico, erraram por todos os lados. Primeiro, erraram porque essa não é uma distinção útil, que justifique sua defesa. O português José Neves Henriques, o severo e consciencioso JNH do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (já falei sobre ele na seção de Links***), condena essa invenção "brasileira" (ele tem razão: é coisa nossa), tachando-a de "uma palermice, porque, até agora, nunca confundimos os vários significados de história. O contexto e a situação têm sido mais que suficientes para distinguirmos os vários significados". Certo o professor Henriques, errados os folcloristas: ninguém vai confundir a história de um país com a história do bicho-papão.
Segundo, erraram porque enxergavam apenas dois pólos bem definidos: a história que se refere ao passado e ao seu estudo, e a estória da narrativa, da fábula. A experiência nos diz que essas invasões de searas alheias geralmente pecam por um raciocínio simplista, reducionista. Quem mexe no que não entende, termina fazendo bobagem... e não deu outra. Nossos estudiosos não perceberam que a distinção sugerida, apetecível do ponto de vista deles, acabaria criando incertezas e hesitações em frases corriqueiras como "Deixa de histórias!"; "Essa já é outra história"; "Que história é essa?"; "Eu e ela temos uma velha história". Qual das duas formas usar? Por tão pouco benefício, por que assombrar ainda mais os que escrevem em Português? Faço questão de frisar "os que escrevem" - porque aqui, também, reside outra falha da proposta de João Ribeiro: as duas formas não seriam distinguíveis na fala, já que a realização da vogal "E" inicial de estória é geralmente /i/ (como em espada, esperto, etc.). Ambas seriam pronunciadas da mesma maneira: /istória/. E quantas outras palavras, derivadas de história, deveriam ser alteradas? Historieiro? Historiento? As historietas passariam a ser estorietas? Os aficcionados em quadrinhos passariam a usar EQ em vez do consagrado HQ? Como se vê, "muito trabalho por nada", como reza a comédia de Shakespeare.
De qualquer forma, o uso de estória poderia ter ficado confinado ao mundo do Folclore, onde talvez fosse de alguma utilidade. Afinal, não é incomum que certas áreas do pensamento postulem, para uso exclusivo, vocábulos novos ou variações fonológicas ou ortográficas de vocábulos antigos, no afã de obter maior precisão em seus conceitos. Isso se verifica, por exemplo, na Filosofia, na Lógica, na Lingüística, na Psicanálise (onde me chama a atenção a impressionante inquietação lingüística dos lacanianos). Como é natural, essas variantes vão fazer parte de um código específico, cujo emprego passa a ser indispensável para os especialistas dessa área, mas não entram no grande caudal da língua comum. A criação, a utilização e, muito seguidamente, a agonia e morte dessas formas são registradas em discretos dicionários especializados, convenientemente isolados do grande rebanho representado pelos dicionários de uso.
Infelizmente, como nos piores pesadelos dos ecologistas, estória rompeu as cercas de segurança, saiu do pequeno rincão do Folclore e invadiu nossas vidas. O responsável por isso foi João Guimarães Rosa (pudera não!). Como escreve meu mestre Celso Pedro Luft, com uma ponta de inesperada ironia, Rosa decidiu "glorificar, imortalizar a ausência do agá: Primeiras Estórias. Corriam os anos de 1962. Primeiras estórias ... todos os fãs do mineiro imortal ficaram absolutamente alucinados. E foi estória para cá, estória para lá, estória para todos os lados. Uma epidemia. Perdão, uma glória". Depois, em 1967 veio Tutaméia, com o subtítulo "Terceiras Estórias", e o póstumo Estas Estórias, publicado em 1969. Muito tem sido escrito sobre a inovação da linguagem rosiana; a sintaxe de seu narrador é, a meu ver, a criação literária do século. No entanto, sou obrigado a observar que, em termos não-literários, essa inovação é zero. Nenhuma das palavras montadas, deformadas ou inventadas por ele jamais será usada, a não ser por imitadores (que já andam escasseando...). É uma linguagem só dele; funciona admiravelmente no universo de sua obra, mas é seu instrumento pessoal, e nunca será nosso. Ouso dizer que a única influência rosiana no Português foi a divulgação desse equívoco que é estória. Tenho certeza de que Guimarães Rosa, místico de quatro costados, entenderia: deve ser vingança dos deuses da Língua.
Comentário de Roberto Moreno na secção "Links" (http://www.terra.com.br/sualingua/):«Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Este é o sítio mais tradicional sobre questões de Língua Portuguesa. Você pergunta, e uma simpática "equipa, orientada pelo Conselho Científico da Sociedade da Língua Portuguesa, responder-lhe-á o mais depressa possível" (pelo vocábulo equipa e pela mesóclise, você já deverá ter percebido que os autores são de Portugal). Tem uma estrutura bem prática; seu valioso arquivo de perguntas respondidas desde 1997 pode ser pesquisado com um mecanismo de busca. Infelizmente a "equipa" que responde às consultas é muito desigual; alguns de seus integrantes pouco ou quase nada entendem do assunto. No entanto, como todas as respostas são assinadas, fique atento às iniciais JNH, que identificam o material produzido por José Neves Henriques, qualificado na ficha de colaboradores como "professor aposentado, membro do Conselho Científico e director do boletim da Sociedade da Língua Portuguesa, licenciado, com tese, em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa e autor de várias obras de referência". Este realmente sabe o que faz; embora siga uma orientação um tanto tradicional, suas contribuições são constrangedoramente mais valiosas que as de seus parceiros. Até agora, todos os textos que li com a rubrica JNH impressionam pela solidez do conhecimento e seriedade com que trata cada tópico discutido.»

Sobre o Autor

Doutor em Letras pela PUCRS (Rio Grande, RS, Brasil), Cláudio Moreno é professor de Português nesta universidade e autor do consultório da Internet "Língua Portuguesa".

2010/09/28

O Desconforto de Mourinho

O Director Adjunto da Marca escreve no DN às terças.
Para conferir no final da época.

por SANTIAGO SEGUROLA

Um bom amigo madridista disse-me que teme os jogos da sua equipa, porque o melhor acontece na terceira parte: nas conferências de imprensa de Mourinho. Os adeptos aborrecem-se no Bernabéu, mas ouvem o treinador na rádio. Mourinho é o homem que melhor compreende o valor dos meios de comunicação para difundir as mensagens que lhe interessam. A última refere-se ao escasso rendimento nos remates. O Real Madrid disparou 105 vezes e só marcou seis golos em cinco jogos. É a sua maneira de justificar o decepcionante início de temporada da equipa. A insistência de Mourinho em assinalar as ocasiões de golo tem um questionável valor estatístico. A equipa remata muito, mas nem sempre nas melhores condições. Abundam os remates precipitados, desnecessários ou tácticos. Sim, às vezes parece que o Madrid prefere acabar as jogadas com um mau remate, para se ordenar melhor no capítulo defensivo. São truques do futebol actual que não ligam bem com o jogo. Pelos vistos agradam a Mourinho, que tira partido disso. Um dos problemas que Mourinho poderá encontrar é o escasso apreço do Real Madrid pela estatística. Pelo menos esta época. Por cada dado estatístico, o Barça avança com um melhor. Pellegrini foi despedido depois de conseguir um número recorde de pontos (96) e 102 golos, a segunda cifra mais elevada da sua história. O problema é que o Barça teve 99 pontos e ganhou a Liga. Ainda que o famoso terceiro tempo de Mourinho seja muito noticioso - com um evidente e bastante infantil interesse em utilizar o jornalismo como receptor dos seus jogos mentais -, os adeptos preocupam-se com outra coisa: o que se vê no relvado. Nesta perspectiva é curiosa a diferença de discurso entre Mourinho e Guardiola, o técnico do Barça. O treinador português destaca as oportunidades de golo; Guardiola, o jogo em si. Não se pode discutir a categoria de Mourinho como treinador. O seu currículo impressionante é sinónimo da sua categoria, mas em Espanha começam a descobrir-se-lhe vertentes que nunca se viram em Inglaterra, ou em Itália. No Chelsea, ocupou-se de uma equipa sem maiores exigências que os caprichos do magnata Abramovich. Excepto algum episódio isolado, o Chelsea nunca foi considerado um grande do futebol inglês. Com Mourinho e as petrolibras do empresário russo, a equipa viveu os seus melhores dias.A Itália sempre viu o prazer estético como uma debilidade no futebol, por contraditório que parece num país que adora a sua beleza. Lá só importa a rentabilidade estatística. A aventura no Inter ajustou-se a esse princípio básico. Agora a Mourinho não se explica porque se lhe exigem que o Madrid jogue bem. A razão é simples: em Espanha importa, e muito, o bom futebol. Esta realidade, tão absurda noutros países, foi a que produziu equipas como o Real Madrid da Quinta del Buitre, o Barça de Cruyff e o impressionante Barça de Guardiola. A decantação natural desta cultura futebolística é a selecção espanhola. Na véspera da meia-final do Campeonato do Mundo, frente à Alemanha, ainda se discutia sobre a conveniência de jogar com um ou dois pivôs no meio campo. Soa a extravagância, mas é assim o futebol espanhol. Mourinho tem as qualidades de um camaleão. Adapta-se a qualquer circunstância. Agora terá de o fazer face às singulares exigências do Madrid e de La Liga. O homem sente-se desconfortável, por isso convém-lhe não confrontar uma cultura futebolística tão definida, ou incorrerá em grave equívoco.

2010/09/27

ElvisPresley&Martina MacBride

Ele morreu em 77 ... Ela nasceu em 66.
Vídeo excelente, difícil acreditar que se trata de uma montagem.

A aparição da cantora está perfeita e a reação do público quando ela entra em cena, ídem.

O trecho em que ela canta e o Elvis apenas toca, nem se fala.A única observação é que ele só olha para o lado em que ela está no fim da apresentação.

É montagem mesmo, e quem a fez é muito bom

Este encontro (digital) entre Elvis e Martina, tem 40 anos de diferença no tempo de cada artista.

Elvis estava em 1968 quando fez esta gravação, (morreu em1977) e esta montagem foi feita por Martina em 2008.

A Festa do Avante

Enviaram-me este texto supostamente escrito pelo MEC embora não seja referida a data nem onde foi publicado.
Pelo estilo atrevo-me a supor que sim que foi ele que escreveu, embora...
Um reparo descoberto pelo meu amigo Luís Botto.
13 de Setembro de 2007 foi uma quinta-feira e não um sábado como vem lá em baixo.

De qualquer modo assino por baixo o escrito.
Aqui vai:

*Artigo de Miguel Esteves Cardoso*.

“Dizem-se muitas mentiras acerca da Festa do Avante! Estas são as maispopulares: que é irrelevante; que é um anacronismo; que é decadente; que éum grande negócio disfarçado de festa; que já perdeu o conteúdo político;que hoje é só comes e bebes.
Já é a Segunda vez que lá vou e posso garantir que não é nada dessas coisase que não só é escusado como perigoso fingir que é. Porque a verdadeverdadinha é que a Festa do Avante faz um bocadinho de medo.
O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem deum preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grandemaioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.
Porque é que a Festa do Avante faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum.
Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo:chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquêtão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?
É sempre desconfortável estar rodeado por pessoas com ideias contrárias àsnossas. Mas quando a multidão é gigante e a ideia é contrária é só uma só –então, muito francamente, é aterrador.
Até por uma questão de respeito, o Partido Comunista Português merece que setenha medo dele. Tratá-lo como uma relíquia engraçada do século XX é umadesconsideração e um perigo. Mal por mal, mais vale acreditar que comemcriancinhas ao pequeno-almoço.
BEM SEI QUE A condescendência é uma arma e que fica bem elogiar oscomunistas como fiéis aos princípios e tocantemente inamovíveis,coitadinhos.
É esta a maneira mais fácil de fingir que não existem e de esperar, com todaa estupidez, que, se os ignoramos, acabarão por se ir embora.

As festas do Avante, por muito que custe aos anticomunistas reconhecê-lo,são magníficas.
É espantoso ver o que se alcança com um bocadinho de colaboração. Não só nosentido verdadeiro, de trabalhar com os outros, como no nobre, que étrabalhar de graça.
A condescendência leva-nos a alvitrar que “assim também eu” e que as festasdos outros partidos também seriam boas caso estivessem um ano inteiro aprepará-las. Está bem, está: nem assim iam lá. Porque não basta trabalhar:também é preciso querer mudar o mundo. E querer só por si, não chega. Épreciso ter a certeza que se vai mudá-lo.
Em vez de usar, para explicar tudo, o velho chavão da “ capacidade deorganização” do velho PCP, temos é que perguntar porque é que se dão aotrabalho de se organizarem.
Porque os comunistas não se limitam a acreditar que a história lhes darárazão: acreditam que são a razão da própria história. É por isso que nãopodem parar; que aguentam todas as derrotas e todos os revezes; que sãodotados de uma avassaladora e paradoxalmente energética paciência; porqueacreditam que são a última barreira entre a civilização e a selvajaria. Etalvez sejam. Basta completar a frase "Se não fossem os comunistas, hoje nãohaveria..." e compreende-se que, para eles, são muitas as conquistasmeramente "burguesas " que lhe devemos, como o direito à greve e à liberdadede expressão.
É por isso que não se sentem “derrotados”. O desaparecimento da URSS, porexemplo, pode ter sido chato mas, na amplitude do panoramamarxista-leninista, foi apenas um contratempo. Mas não é só por isso que aFesta do Avante faz medo. Também porque é convincente. Os comunas não sósabem divertir-se como são mestres, como nunca vi, do à-vontade. Todos fazemo que lhes apetece, sem complexos nem receios de qualquer espécie. Até oshow off é mínimo e saudável.
Toda a gente se trata da mesma maneira, sem falsas distâncias nemproximidades. Ninguém procura controlar, convencer ou impressionar ninguém.As palavras são ditas conforme saem e as discussões são espontâneas eanimadas. É muito refrescante esta honestidade. É bom (mas raro) uma pessoasentir-se à vontade em público. Na Festa do Avante é automático.
Dava-nos jeito que se vestissem todos da mesma maneira e dissessem efizessem as mesmas coisas - paciência. Dava-nos jeito que estivessemeufóricos; tragicamente iluminados pela inevitabilidade do comunismo - masnão estão. Estão é fartos do capitalismo - e um bocadinho zangados.
Não há psicologias de multidões para ninguém: são mais que muitos, mas cadaum está na sua. Isto é muito importante. Ninguém ali está a ser levado oufoi trazido ou está só por estar. Nada é forçado. Não há chamarizes nemcompulsões. Vale tudo até o aborrecimento. Ou seja: é o contrário do que sepensa quando se pensa num comício ou numa festa obrigatória. Muito menoscomunista.
Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso.
Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa doAvante, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias.
Convinha-nos pensar que as comunas eram um rebanho mas a parecença é maiscom um jardim zoológico inteiro. Ali uma zebra; em frente um leão e umflamingo; aqui ao lado uma manada de guardas a dormir na relva.
QUANDO SE CHEGA à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia.
Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar sócom um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matériade livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.
Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete. Nos tempos que correm,vale ouro. Há milhares de pessoas a entrar e a sair mas não há bichas. Acirculação é perfeitamente sanguínea. É muito bom quando não desconfiamos denós.
Mesmo assim tenho de confessar, como reaccionário que sou, que me passoupela cabeça que a razão de tanta preocupação talvez fosse a probabilidade detodos os potenciais bombistas já estarem lá dentro, nos pavilhõesinternacionais, a beber copos uns com os outros e a divertirem-se.
A Festa do Avante é sempre maior do que se pensa. Está muito bem arrumada aoponto de permitir deambulações e descobertas alegres. Ao admirar agrandiosidade das avenidas e dos quarteirões de restaurantes, representandoo país inteiro e os PALOP, é difícil não pensar numa versão democrática daExposição do Mundo Português, expurgada de pompa e de artifício. E desalazarismo, claro.
Assim se chega a outro preconceito conveniente. Dava-nos jeito que a festado PCP fosse partidária, sectária e ideologicamente estrangeirada. Naverdade, não podia ser mais portuguesa e saudavelmente nacionalista.
O desaparecimento da União Soviética foi, deste ponto de vista,particularmente infeliz por ter eliminado a potência cujas ordens eramcegamente obedecidas pelo PCP.
Sem a orientação e o financiamento de Moscovo, o PCP deveria ter tambémfenecido e finado. Mas não: ei-lo. Grande chatice.
Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante!
Que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem osmodelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começartudo o que é Portugal outra vez.
A teimosia comunista é culturalmente valiosa porque é a nossa própriacultura que é teimosa. A diferença às modas e às tendências dos comunistasnão é uma atitude: é um dos resultados daquela persistência dos nossoshábitos. Não é uma defesa ideológica: é uma prática que reforça e eternizasó por ser praticada. (Fiquemos por aqui que já estou a escrever àcomunista).
A Exposição do Mundo português era “para inglês ver”, mas a Festa do Avante!Em muitos aspectos importantes, parece mesmo inglesa. Para mais, inglesa nosentido irreal. As bichas, direitinhas e céleres, não podiam ser menosportuguesas. Nem tão-pouco a maneira como cada pessoa limpa a mesa antes dese levantar, deixando-a impecável.
As brigadas de limpeza por sua vez, estão sempre a passar, recolhendo esubstituindo os sacos do lixo. Para uma festa daquele tamanho, com tantagente a divertir-se, a sujidade é quase nenhuma. É maravilhoso ver oresultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa.Raios os partam.
Se a Festa do Avante dá uma pequena ideia de como seria Portugal semandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau. A coisa estátão bem organizada que não se vê. Passa-se o mesmo com os seguranças -atentos mas invisíveis e deslizantes, sem interromper nem intimidar umamosca.
O preconceito anticomunista dá-os como disciplinados e regimentados – secalhar, estamos a confundi-los com a Mocidade portuguesa. Não são nadadisso. A Festa funciona para que eles não tenham de funcionar. Ao contráriode tantos festivais apolíticos, não há pressa; a ansiedade da diversão; ocumprimento de rotinas obrigatórias; a preocupação com a aparência. Há até,sem se sentir ameaçado por tudo o que se passa à volta, um saudável tédio,de piquenique depois de uma barrigada, à espera da ocupação do sono.
Quando se fala na capacidade de “mobilização” do PCP pretende-se criar aimpressão de que os militantes são autómatos que acorrem a cada toque desineta. Como falsa noção, é até das mais tranquilizadoras.
Para os partidos menos mobilizadores, diante do fiasco das suas festas,consola pensar que os comunistas foram submetidos a uma lavagem ao cérebro.
Nem vale a pena indagar acerca da marca do champô.
Enquanto os outros partidos puxam dos bolsos para oferecer concertos deborla, a que assistem apenas familiares e transeuntes, a Festa do Avanteenche-se de entusiásticos pagadores de bilhetes.
E porquê? Porque é a festa de todos eles. Eles não só querem lá estar comogostam de lá estar. Não há a distinção entre “nós” dirigentes e “eles”militantes, que impera nos outros partidos. Há um tu-cá-tu-lá quase de festade finalistas.
É UM ALÍVIO A FALTA de entusiasmo fabricado – e, num sentido geral deesforço. Não há consensos propostos ou unanimidades às quais aderir.
Uns queixam-se de que já não é o que era e que dantes era melhor; outros quenunca foi tão bom.
É claro que nada disto será novidade para quem lá vai. Parece óbvio.
Mas para quem gosta de dar uma sacudidela aos preconceitos anticomunista éum exercício de higiene mental.
Por muito que custe dize-lo, o preconceito - base, dos mais ligeirossnobismos e sectarismos ao mais feroz racismo, anda sempre à volta da noçãode que “eles não são como nós”. É muito conveniente esta separação. Ma é tãoténue que basta uma pequena aproximação para perceber, de repente, que“afinal eles são como nós”
Uma vez passada a tristeza pelo desaparecimento da justificação da nossasuperioridade (e a vergonha por ter sido tão simples), sente-se de novorespeito pela cabeça de cada um.
Espero que não se ofendam os sportinguistas e comunistas quando eu disserque estar na Festa do Avante! Foi como assistir à festa de rua quando oSporting ganhou o campeonato. Até aí eu tinha a ideia, como sábiobenfiquista, que os sportinguistas eram uma minúscula agremiação de quequesem que um dos requisitos fundamentais era não gostar muito de futebol.
Quando vi as multidões de sportinguistas a festejar – de todas as classes,cores e qualidades de camisolas -, fiquei tão espantado que ainda levei unsminutos a ficar profundamente deprimido.
POR OUTRO LADO, quando se vê que os comunistas não fazem o favor decorresponder à conveniência instantaneamente arrumável das nossasexpectativas – nem o PCP é o IKEA - a primeira reacção é de canseira.
Como quem diz:”Que chatice – não só não são iguais ao que eu pensava comosão todos diferentes. Vou ter de avaliá-los um a um. Estou tramado. Nuncamais saio daqui.”
Nem tão pouco há a consolação ilusória do pick and choose.
.É uma sólida tradição dizer que temos de aprender com os comunistas...Infelizmente é impossível. Ser-se comunista é uma coisa inteira e não sepode estar a partir aos bocados. A força dos comunistas não é o sonho nem asaudade: é o dia-a dia; é o trabalho; é o ir fazendo; e resistindo, nasfestas como nas lutas.
Hás uma frase do Jerónimo de Sousa no comício de encerramento que diz tudo.A propósito de Cuba (que não está a atravessar um período particularmentefeliz), diz que “resistir já é vencer”.
É verdade – sobretudo se dermos a devida importância ao “já”. Aquele “já” éo contrário da pressa, mas é também “agora”.
Na Festa do Avante! Não se vêem comunistas desiludidos ou frustrados.
Nem tão pouco delirantemente esperançosos. A verdade é que se sente aconsciência de que as coisas, por muito más que estejam, poderiam estarpiores. Se não fossem os comunistas: eles.
Há um contentamento que é próprio dos resistentes. Dos que existem apesar dea maioria os considerar ultrapassados, anacrónicos, extintos. Há um prazerna teimosia; em ser como se é. Para mais, a embirração dos comunistas,comparada com as dos outros partidos, é clássica e imbatível: a pobreza. DePortugal e de metade do mundo, num Portugal e num mundo onde uns poucos têmmuito mais do que alguma vez poderiam precisar.
NA FESTA DO AVANTE! Sente-se a satisfação de chatear. O PCP chateia.
Os sindicatos chateiam. A dimensão e o êxito da Festa chateiam. Põem emcausa as desculpas correntes da apatia. Do ensimesmamento online, dorelativismo ou niilismo ideológico. Chatear é uma forma especialmente eficazde resistir. Pode ser miudinho – mas, sendo constante, faz a diferença.
Resistir é já vencer. A Festa do Avante é uma vitória anualmente renovada eampliada dessa resistência. ... Verdade se diga, já não é sem dificuldadeque resisto. Quando se despe um preconceito, o que é que se veste em vezdele? Resta-me apenas a independência de espírito para exprimir a únicareacção inteligente a mais uma Festa do Avante:
dar os parabéns a quem a fez e mais outros a quem lá esteve. Isto é, no casopouco provável de não serem as mesmíssimas pessoas.
Parabéns! E, para mais, pouquíssimo contrariado.”(E só com um bocadinho denada com medo).

SÁBADO dia 13 de Setembro de 2007

Provérbio Chinês


O Jaime Bulhosa também vai às lojas dos chineses (perdão pela queixinha).

Entrei numa loja de chineses (um mundo de coisas ao preço da chuva) para comprar um porta-chaves que estava a precisar para juntar umas chaves suplentes que andam espalhadas há que tempos pela livraria. Reparei num expositor de porta-chaves com antigos provérbios escritos em chinês. Não chegavam a custar um euro. De imediato, e aleatoriamente, escolhi um. Por curiosidade perguntei o que aquele provérbio queria dizer. O empregado que não sabia falar bem português resolveu traduzir para inglês:

- Cheap things are not good, good things are not cheap.

Chinise Proverb

Ele riu, eu também.

Confere, diria eu.

2010/09/26

Os Escoceses e o Kilt

Finalmente a solução de um mistério mais importante que Stonehenge.
O que os escoceses levam debaixo do kilt com particular relevo para o garboso militar à direita da Raínha.























2010/09/24

A Adega

Mas que magnífica ideia para a falta de espaço












QUEM TRAMOU PASSOS?

Coma a devida vénia a Eduardo Pitta a qui se transcreve o que lhe vai na alma.
A ver vamos, como diz o cego, se assim será:

Na Primavera de 1983, a crise económica e financeira obrigou o PS e o PSD a entenderem-se. Assim nasceu o IX Governo Constitucional, que tomou posse a 9 de Junho. Resultado de um acordo entre os dois partidos, Mário Soares chefiou um executivo com ministros socialistas (Almeida Santos, Jaime Gama e outros), social-democratas (Carlos Mota Pinto, Rui Machete e outros), renovadores (Francisco Sousa Tavares) e independentes (Ernâni Lopes e outros). Durou até 6 de Novembro de 1985. Nesses 29 meses, o governo do Bloco Central pôs as finanças do país em ordem. E pudemos entrar na Europa.Agora vivemos uma crise parecida. Mas, hoje mesmo, o PSD recusou conversações com o governo sobre o Orçamento de Estado para 2011. De Figueiró dos Vinhos, Cavaco já reagiu.Nada disto espanta. Os seis meses que Pedro Passos Coelho leva de líder do PSD demonstraram à saciedade que, salvo incidente de natureza imprevisível, a actual direcção laranja não formará o próximo governo. Não é difícil perceber porquê. Se o chumbo do OE 2011 mergulhar o país numa situação explosiva, Cavaco acertará com Sócrates (e não com outro) os detalhes de um governo de emergência que assegurará a legislatura. Se, com chumbo ou sem ele, a situação se aguentar, mais aperto menos aperto, Sócrates leva a legislatura ao fim com uma perna às costas. Não tenham ilusões: em nenhuma destas circunstâncias Cavaco (ou Alegre) facilitará o caminho a Passos Coelho. Entretanto, até 2013, o PSD se encarregará de trazer Rui Rio ao colo para Lisboa.

2010/09/23

Crónicas de Pequim - A Grande Muralha

No dia seguinte alugámos um carro com motorista e guia.
Por mais ou menos 160€ o passeio incluía uma visita aos Túmulos da Dinastia Ming um almoço para os dois, visita a uma empresa de artesanto especializade em Jade de onde comprei uma peça lindissima e uma visita à Grande Muralha