2010/08/01

"Mérito de encontrar solução para a Vivo foi da PT"


Entrevista de Zeinal Bava ao DN sobre o negócio da VIVO/OI.

Com gestores como estes Portugal não precisa de ter medos. De nada.

Podem os pequeninos dizerem cobras e lagartos.

Fica a competência.

Acompanhemos futuros desenvolvimentos.

Com esta equipa a PT é imbatível.

Chapeau.

Aqui fica a entrevista:

Após o anúncio do meganegócio com a Telefónica, no dia em que se celebravam 12 anos sobre a compra da Vivo, o presidente executivo da PT revela os bastidores da maior disputa em que uma empresa portuguesa esteve envolvida. A intervenção do Governo, a diplomacia económica e a luta dos accionistas.
A venda da Vivo e a entrada na Oi foi um melhor negócio para os accionistas do que para a PT?
PT é dos accionistas, que numa Assembleia Geral decidiram que deveriam vender a Vivo a um valor x. Provavelmente, a 6,5 mil milhões teriam decidido não vender.
Mas foi um bom negócio para a PT?
Sim, porque vendeu-se a Vivo por um valor que é reconhecido por todos como extremamente atractivo e houve uma realização de valor importantíssima para a PT.
Mas não venderam pelo valor que estava proposto...
Venderam mais alto ainda! Correu--se o risco de ficarmos numa situação em que a PT pudesse até vender aquele activo mais baixo quando a Telefónica retira a proposta. Uma parte do mercado ficou preocupada também que com o processo de litigação pudesse resultar nisso.
Foi o seu caso?
Eu não fiquei preocupado porque desde o início considerámos que as ameaças que tinham sido feitas pela Telefónica não passavam de táctica negocial. Temos estilos diferentes - ninguém pode levar a mal - e o deles pautou por ser um discurso bastante hostil. Achámos que era táctico o não terem dado uma extensão à PT quando o Conselho de Administração solicitou mais 12 dias.
Esses 12 dias foram um risco calculado porque sabia que o diálogo não estava interrompido?
Sabíamos que tínhamos de resolver isto rapidamente, porque sendo estas empresas cotadas não podemos ter processos como este abertos por um tempo indeterminado. A incerteza no mercado gera desconto, e este destrói valor. Como a Telefónica trabalha para criar valor, e o caminho da litigação iria destruí-lo, seria penoso para ambas as partes fazê-lo.
Mesmo com valores tão altos em jogo?
Porque iria fazer que a Vivo fosse impactada e a Portugal Telecom iria fazer tudo para que tal não acontecesse. A situação de os dois accionistas controladores não se entenderem iria ter reflexos no negócio, até porque o Brasil é muito competitivo e podia levar à perda de quota e de valor da Vivo. Por isso, tínhamos de ser rápidos, para um lado ou para o outro.
No dia do veto da golden share, entendeu que Ricardo Salgado não se posicionaria contra mas que poderia convergir numa solução futura?
Somos uma empresa cotada e há uma gestão profissional. Eu fui bastante claro: a golden share é um tema do Conselho de Administração da PT e, nesse contexto, temos de ser fiéis aos nossos valores. Que são muito claros: a empresa é dos accionistas e temos de respeitar os estatutos da PT e a independência dos vários órgãos. Neste caso, o que se viu foi que a Mesa da Assembleia Geral teve um entendimento diferente do do Conselho de Administração.
Deixou sempre perceber que esta operação não era do género em que a golden share deveria ser accionada!
Não é uma opinião minha mas do Conselho de Administração da PT. O primeiro-ministro até deu uma entrevista ao El País em que diz que respeitava a minha opinião - leia-se, do Conselho - mas também temos de respeitar a dele. No fim, a opinião que importa é a do presidente da Mesa, que considerou que a golden share seria aplicável.
Acha que a utilização pelo Governo da golden share poderia ter sido prejudicial para o negócio?
O que posso dizer é que o que anunciámos [a venda da Vivo] esta semana foi bem recebido pelo mercado. Que incorporou duas coisas muito importantes: o valor oferecido pela Telefónica é extremamente generoso, provavelmente o mais alto já pago no sector das telecomunicações; e a Comissão Executiva e o Conselho de Administração tudo fizeram para encontrar uma boa solução para todos e viabilizou a transacção que os accionistas tinham votado.
Com o empurrão da golden share?
A golden share permitiu estarmos com um preço em cima da mesa que é melhor do que o que esteve na Assembleia Geral. Permitiu também colocar a fasquia alta porque é preciso garantir escala para a PT, e a transacção da Oi resolve esse problema estratégico. Por isso, o mercado elogiou tanto o negócio.
A venda da Vivo não se consumaria imediatamente. A PT não teria, com ou sem veto, tempo para se posicionar na Oi?
No mundo dos negócios, o timing é das coisas mais importantes que existem. A Oi estaria lá sempre, mas se a PT não tivesse tomado uma decisão rápida talvez iniciássemos um processo de litigação com a Telefónica por três a cinco anos e não tivéssemos oportunidade para poder fazer nada. O que se viu foi que a Portugal Telecom sempre negociou a venda da Vivo numa posição de força porque nunca quisemos vender a Vivo; sempre considerámos o Brasil estratégico e não precisamos de dinheiro.
Quando deixou a Vivo de ser um activo essencial para a PT?
A Vivo nunca deixou de o ser. Houve uma oferta irrecusável por parte dos accionistas da PT, e ninguém deve levar a mal o que eles pensam.
Enquanto defendia o interesse accionista, resistindo à pressão do preço da Telefónica, gostou de ver Ricardo Salgado e Nuno Vascon- celos a falar com a Telefónica em paralelo?
Não vou comentar esses temas, e acho que muito já foi dito sobre isso.
Não fragilizou a posição da PT?
Não. Os accionistas quando falam é para fazer bem às empresas nas quais têm capital. Por isso trabalho sempre com base nos pressupostos de que a empresa é dos accionistas e que estamos cá para os servir.
Nem se sentiu incomodado?
Nada! Acho que neste processo o Conselho de Administração mostrou um nível de coesão exemplar num período muito enervante, porque estamos a falar de muito dinheiro. As pessoas falam com alguma ligeireza sobre "podia-se dizer não a isto ou àquilo" mas há imensa gente que tem muito dinheiro investido na PT, para além do interesse estratégico da PT para o País.
Notou-se alguma divergência entre as suas posições e as de Henrique Granadeiro.
Não, nunca. Estivemos sempre de mão dada. Naturalmente que Henrique Granadeiro é na PT a pessoa que mantém a relação com a golden share e o âmbito de preocupação que tem é mais abrangente do que o meu nesse aspecto. Acho que temos uma convivência até bastante atípica de chairman/CEO porque já foi meu presidente, eu já fui presidente dele, e fomos colegas. Ou seja, estivemos nas trincheiras juntos e sem o formalismo que caracteriza essas relações noutras empresas.
A relação com a golden share por parte de Henrique Granadeiro facilitou a concretização do negócio?
O presidente da Mesa da Assembleia Geral considerou que o artigo 15 era aplicável e a golden share foi exercida. Definiu um objectivo, expressou uma preocupação. O que nos cabe fazer? Ser pragmáticos, ir para o terreno e dizer "como consigo endereçar estas preocupações?" Fizemo-lo e acreditamos que a Oi pode ser uma solução. Talvez não seja a única, mas no mercado brasileiro acreditamos que será.
Diz que a activação da golden share serviu para aumentar o preço e dar tempo à PT para se organizar no sentido de arranjar uma alternativa de escala e crescimento no Brasil. Isso teria acontecido sem o seu uso?
No mundo dos negócios, há sempre um tempo para as coisas acontecerem. Hoje, estamos confrontados com um facto e não faz sentido especular mais sobre isso. O facto é que em 30 dias foram criadas condições para a PT encontrar uma solução que agradou a todas as partes. Este é um mérito da PT, porque o conseguiu.
Esse não é um mérito da golden share mas da PT...
Repito, foi criada uma situação na Assembleia Geral. A solução mais simples era vender nessa altura mas, na maior parte das vezes, a solução mais simples não é necessariamente a melhor! Basta ver como a comunicação social retratou bem o resultado nesta semana, para se entender que a resolução deste tema da Portugal Telecom tem muitos vencedores. Essa é a parte positiva.
O que é muito raro num negócio desta dimensão?
Fico muito contente por poder dizer que a golden share está satisfeita porque sente que a PT é uma empresa com escala, que vai manter um projecto internacional ambicioso e que as condições que foram criadas foram suficientes para se sentir confortável com a transacção. Fico satisfeito em ver os meus accionistas a dizer "se dia 30 tínhamos vendido por um preço, agora conseguimos um ainda melhor!".
Mesmo que parcelado?
Uma parte do dinheiro vem diferida no tempo, mas conseguimos um preço de referência ainda maior! Fico contente ao ouvir os trabalhadores dizerem "as nossas cinco metas continuam intactas". Já recebi não sei quantos e-mails e sms de colaboradores a dizer "grande desafio esse da Oi, conte comigo!" Os desafios são muito bons para as empresas.
A golden share serviu, neste caso, para garantir os interesses da empresa e dos accionistas?
Não estou de acordo com essa leitura. É uma leitura malandra que está a fazer - entendo-a, mas não acho que esteja correcta. Vi alguém na televisão a dizer "têm de explicar porque é que a PT é uma empresa estratégica para o País". Essa pessoa tem de olhar para o relatório e contas da PT e ver qual é o volume de negócios e quantas pessoas empregamos directa e indirectamente! O talento não vai atrás de onde há trabalho mas de comunidades e de lugares onde as pessoas se sentem à vontade e encontram boas condições de vida.
A venda da Vivo esteve em perigo?
Quando, no dia 16, a Telefónica decidiu não estender a oferta foram muitas as pessoas que disseram que "a probabilidade de a transacção da Vivo acontecer é um terço". Quem conhece a situação da Oi sabe que a probabilidade de alguma empresa conseguir entrar naquele núcleo de controlo era mínima. Ou seja, o que estava em curso tinha uma probabilidade de 10% na melhor das hipóteses, e conseguimos fazê-lo em tempo absolutamente recorde. Nestes 30 dias encontrou-se uma solução que era boa para todas as partes e, por isso, pode dizer-se que estamos num projecto em que todos se sentem vencedores.
Que não era expectável a seguir à Assembleia Geral?
Eu disse imediatamente a seguir à Assembleia Geral: "Vamos continuar a trabalhar para fazer o melhor para todos os accionistas." Naturalmente, quando falamos de todos os accionistas não podemos descurar o accionista que tem direitos especiais, e acho que conseguimos fazê-lo também. Foi fruto de um trabalho de equipa enorme da Comissão, da Administração e também dos accionistas da PT, que ajudaram muito.
Que teve um final feliz?
E nada melhor do que o que aconteceu. Dá-me um prazer enorme ver Sócrates contente, Ricardo Salgado contente, a Ongoing contente, os meus fundos internacionais contentes... A direcção é a mesma, o caminho é outro, vamos celebrar o resultado final em vez de lamuriar. Conseguimos transformar algo que foi visto como uma contrariedade numa oportunidade para fazer o melhor para todas as partes. Vamos virar a página.
A OPA da Telefónica sobre a PT está posta definitivamente de parte ou ainda é um próximo passo?
Falou-se bastante na OPA no contexto da operação da Vivo e, num determinado momento, até deram uma entrevista no Financial Times em que afloravam essa hipótese. O tema da Vivo está resolvido, daqui a 60 dias a Vivo estará vendida, e penso que esse capítulo está encerrado. O contexto em que a Telefónica falou nisso já mudou.
Não haverá, em princípio, mais essa pretensão por parte da Telefónica?...
Uma empresa cotada está sempre sujeita a OPA! Se não demonstrarmos ao mercado e aos nossos accionistas que somos uma equipa de gestão que consegue criar valor acima da média, então teremos um problema. Se, como empresa, não conseguirmos justificar ao mercado que estamos a gerir os activos para maximizar o valor, alguém virá e fará isso melhor do que nós. São as regras do jogo.
Em que moldes a parceria com a Telefónica poderá continuar?
Será uma parceria muito mais tecnológica e diferente, não de capital.
Nem no terreno, por exemplo, Marrocos?
Nesse aspecto a Telefónica também já deu a entender que prefere ser dona dos activos a 100% ou com o seu controlo absoluto. A PT não é um investidor financeiro mas estratégico e quando investimos não é para mandar mas para poder aportar o nosso valor acrescentado.
Com a Oi, a PT passa de uma participação na empresa líder no móvel para o 4.º operador. Perde muito?
Não posso contrariar essa realidade da nossa posição agora. De facto, a Vivo é líder no móvel e a Oi no fixo, mas em 2006, quando foi a OPA da Sonae, a Vivo era um problema e queriam vender a Vivo. Dissemos que não! Nesse momento chegou a falar-se de que o único activo bom para ficar era Marrocos, e tomámos uma decisão - das mais difíceis que algum dia tomámos -, que foi dizer: "Separa-se a empresa de cabo, criamos um concorrente e mantemos a Vivo." Propus isso ao Conselho e a PT demonstrou uma característica muito rara nos incumbentes das telecomunicações: a capacidade de gestão e de engenharia. E por isso temos de ter confiança na capacidade da PT de olhar para a Vivo e acreditar que vamos contribuir com o nosso valor acrescentado nos novos parceiros brasileiros. Nós somos pagos para criar valor!
Como é que a Telefónica se defende do conhecimento da PT sobre a Vivo?
A Vivo era controlada conjuntamente. O mérito é da PT, da Telefónica, dos trabalhadores e da equipa executiva da Vivo. A PT não tem o monopólio de tudo o que foi feito...
O interesse económico na Vivo era de 29% enquanto na Oi é de 22,38%. Não é andar para trás?
A Vivo é mais pequena que a Oi- -Telemar. Por isso, quando se olha para a apropriação de resultados, é praticamente ela por ela. Há um interesse económico mais pequeno, mas a Oi é maior que a Vivo, até em termos de resultados. Deste modo, naquilo que é um dos nossos objectivos estratégicos - atingir dois terços do negócio fora de Portugal - estamos na mesma direcção, só escolhemos um caminho diferente.
Agora, é hora de os accionistas pedirem dividendos...
As empresas cotadas têm de encontrar o equilíbrio entre todos os accionistas; para as condições dos trabalhadores; nos projectos internos de responsabilidade social; garantir que pagamos a tempo e horas aos fornecedores; dar mais e melhores serviços a preços mais baratos e, naturalmente, temos de remunerar os nossos accionistas!
Os dividendos irão satisfazer os accionistas?
Prometemos 57,5 cêntimos durante três anos. Já o pagámos o ano passado, este ano vamos fazê-lo e para o ano também. Em relação ao diferencial de 3,75 mil milhões que temos pelo que a Telefónica vai pagar pela Vivo, o Conselho de Administração ainda não teve tempo de qualidade para decidir. Estes últimos cem dias foram infernais, mas o Conselho de Administração tem experiência e passado. Sempre cumprimos o que prometemos ao mercado.
Não serão distribuídos mais dividendos além dos 57,5 cêntimos?
Não é isso que estou a dizer. A forma como a PT pretende usar os 3,75 é algo que o Conselho de Administração da PT ainda vai analisar.
Poderá passar por reinvestimento?
A única coisa que dissemos formalmente é que este dinheiro poderá ser usado para múltiplos objectivos: investimento, reduzir dívida, meter no fundo de pensões, pagar dividendos... Por uma questão legal, até usámos uma definição muito ampla para o Conselho de Administração ter toda a flexibilidade e poder tomar a melhor decisão tendo em conta os interesses de todos e dos vários projectos que a PT tem.
A percepção é de que os accionistas queriam fazer dinheiro já!
Acho que essa ideia é completamente errónea. Da mesma maneira que não acredito que as soluções simples são sempre as melhores e, de facto, na Assembleia Geral da PT estávamos confrontados com uma que era muito mais simples do que a que encontrámos. Esta, no entanto, resolveu um problema de escala e estratégico que podíamos potencialmente vir a ter. Acho essa forma de falar do tema errada. Os accionistas investem nas empresas para ganhar dinheiro, mas ele tem um custo de oportunidade e tem de ser remunerado adequadamente, mas cabe ao Conselho de Administração definir as prioridades.
Os accionistas protestaram quando o Governo vetou o negócio porque não viam retorno rápido. Querem ou não ganhos imediatos?
A PT dá-se ao luxo de poder dizer que tem uma estrutura de capital relativamente estável há muitos anos, e mesmo o Estado, directa ou indirectamente - deixando de lado a questão da golden share - tem mantido desde sempre uma participação na PT de 10%. O grupo Espírito Santo é um grande aliado da PT desde sempre, nos bons e maus momentos, e nunca o vi vender uma acção quando a moeda brasileira se desvalorizou. Por essa razão, neste processo da Vivo não houve praticamente transformação da base de capital da PT.
Mas a estrutura accionista da PT vai manter-se igual ou alterar?
Eu vejo a estrutura accionista da PT como muito estável há vários anos.
Mesmo quando sai a Telefónica?
Não altera, apenas houve uma mudança de parceria estratégica. Que poderá levar a uma alteração, porque, ao abrigo do acordo que fizemos com a Oi, esta pode vir a comprar até 10% da PT.
E há a dispersão da Telefónica que aconteceu antes da Assembleia.
Dizem que venderam e, tecnicamente, fizeram-no. Hoje só têm 2%. Assim sendo, acho que a nossa estrutura de capital tem sido estável.
Ainda há o BES, a Ongoing... Vão manter-se todos?
Cada um poderá responder por si e eu não posso falar por eles. Mas também temos tido um grupo de accionistas de referência internacionais que estão na PT há muitos anos. Não devíamos qualificar português/não-português, porque existem accionistas de longo prazo e esses incluem investidores internacionais que estão no capital da PT há muitos anos.
O Presidente Lula da Silva colocou a questão da identidade nacional da Oi, e disse que vai continuar "brasileira da silva". Como é que olha para esta frase do Presidente do Brasil?
As empresas de telecomunicações em todos os mercados são empresas de referência. A postura da PT não vai contra este tipo de afirmações e, apesar de podermos nomear o presidente executivo da Vivo por direito, a PT decidiu por um brasileiro!
Roberto Lima, que ficou muito satisfeito com este negócio!
Claro! Viu realizados 7,5 mil milhões na participação da Vivo... Em 2006, 100% da empresa valia oito mil milhões, passados quatro anos um terço vale 7,5. Caramba! Foi uma forte valorização.
O sucesso desta negociação apaga a má imagem da PT no negócio falhado de compra de parte da TVI?
Esse tema foi tratado devidamente nas várias comissões parlamentares de inquérito, aonde tive o privilégio de ir três vezes e o Henrique duas. Acho que a PT prestou toda a informação e tudo o que tinha a dizer fê-lo no fórum certo - a casa da democracia. Sempre dissemos que os conteúdos são muito importantes, e a nossa visão continua a ser a de que a diferenciação na televisão por subscrição tem de estar assente em cima deles mas também de funcionalidades. Os clientes Meo nunca vão ficar prejudicados, nem que tenhamos de pagar mais caro pelos conteúdos. Continuamos a lamentar o facto de a Autoridade da Concorrência ainda não ter olhado para o tema de conteúdos com a urgência e a importância que merece.
Nos momentos de maior tensão e menor racionalidade no negócio PT/Telefónica, em algum momento pensou "estou farto disto, quero ir embora"?
Não, nunca.
Nunca teve vontade de desistir?
Não. Somos uma equipa de gestão profissional e a maior parte já trabalha na PT há oito, nove, dez anos - já estou na PT há quase 12 anos - e com paixão e convicção nas nossas ideias e objectivos claramente definidos. Pela dimensão do País, o nosso ponto de partida, temos um défice em relação a Espanha, a França porque eles são 40 milhões, 60 milhões, 70 milhões e nós um mercado de dez milhões mas não prescindimos dos nossos cinco objectivos, que retratam a ambição da empresa. E não é só na Comissão Executiva, é da empresa toda.
Não teme os desafios?
A razão pela qual nunca senti medo é porque tenho muita confiança na PT e nas pessoas que trabalham aqui. Isso permite-nos sempre colocar a fasquia bem alta e permite-me dizer sempre que não tenho plano A e plano B. Só tenho um plano, e executamo-lo. E temos uma cumplicidade com o Conselho de Administração que permite assumir objectivos agressivos e dar uma guinada ao leme para ajustar se for necessário.

Herdeiro de Aécio

O blog de A. teixeira é incontornável.
A qualidade dos seus textos sempre com "links" oportunos, a intelectualidade segura se percebe por detrás e a variedade de temas abordados faz com que ressalte da mediocridade que impera na blogoesfera.
Chapeau.

Duas ou três coisas

O blog de Francisco Seixas da Costa nosso homem em Paris é um caso sério de equilibrio político, decência democrática, saber de experiência feito, humildade e humor.
Sempre com uma escrita escorreita é já um blog de referência nesta tão maltratada blgoesfera.
Bem haja.

Chapeau.

Culpados públicos

Retirado daqui com uma "chapelada" enorme:

Não é novidade para ninguém que há hoje figuras, que já eram ou se tornaram públicas, ligadas a processos judiciais, que surgem como irremediavelmente "condenadas" no imaginário popular, por muito que as imputações preliminares ou as reais acusações a eles dirigidas acabem por ser não provadas.
Não se diga que esta atitude resulta apenas de deficiente formação cultural ou que está restrita a um mundo opinativo excessivamente condicionado pela comunicação social "tabloidizada". Quem, de entre nós, não acha que este ou aquele autarca "tem uma cara chapada" de corrupto, que aqueloutro dirigente desportivo "tem mesmo pinta de vígaro" ou que uma ou outra personagem "tem um arzinho" de pedófilo? Por muito que controlemos, em público, esses nossos sentimentos íntimos, a verdade é que há juízos de convicção que já formámos e que, no fundo, acabarão por condicionar o próprio modo como avaliamos o desfecho dos processos.
Com frieza, teremos de concluir que esta subjetividade apreciativa tem a ver com o modo como fomos "digerindo" aquilo que nos entrou portas dentro, pelas televisões ou pelos jornais, com a leitura que, intimamente ou em grupo, fomos fazendo de tomadas de posição ou das notícias vindas a público. Nestas se incluem as fugas ao segredo de justiça, os "leaks" promovidos, a "desinformação" provocada, além da má-fé e, quiçá, alguma informação verdadeira.Mas - assumamos! - há outros fatores que nos condicionam a todos, uns de ordem política e ideológica, outros de mera simpatia ou antipatia, seja pelos sujeitos em causa, seja pelos veículos mediáticos ou pelos "opinion makers" que titularam posições nos diversos casos. Ninguém está virgem neste contexto, por mais neutral que possa julgar-se.
Duas entidades se salientam, para o bem e para o mal, em todas estas histórias: a justiça e a comunicação social.
Da primeira, o mínimo que se pode dizer é que perdeu, em poucos anos, um prestígio que, historicamente, mantinha no imaginário público, devida ou indevidamente. A ânsia de expressão mediática, as contradições entre os seus agentes e instâncias, a frequente propensão para jogar com os "media", a assumida lentidão de procedimentos e a comum dilação de atos formais - tudo isso se traduz hoje numa imagem degradada do estado da justiça portuguesa, provavelmente muito superior àquele que corresponde à sua real situação. Aquilo que deveria ser um esteio de estabilidade psicológica na nossa sociedade transformou-se, infelizmente, num fator de polémica, de aparente arbítrio e de real insegurança.
Quanto à comunicação social, assistimos, nos últimos anos, à perversa absolutização do chamado "direito à informação", uma espécie de desígnio divino assumido, às vezes, por uns histéricos estagiários com um "corneto" ou um gravador na mão, arautos do interesse de uma opinião pública de que alguém os arvorou representantes. Vida privada e privacidade, presunção de inocência e distinção entre estádios de investigação, tudo isso são pormenores despiciendos para quem apenas tem como objetivo fazer títulos ou "peças" sonantes. O que ainda me espanta é que alguns profissionais, criados noutra escola deontológica, que levou anos a "ganhar" o seu estatuto em democracia, estejam agora a "mandar às urtigas" os princípios em que foram formados, mercantilizando-se para vender minutos de imagem ou páginas de jornais.
A conjugação da ação destas duas instâncias conduz a que, no termo dos processos, quando as conclusões da justiça não são aquelas a que já se haviam "sentenciado" algumas personalidades, a conclusão dos opinadores de sofá ou de "snack-bar" seja: "estão todos feitos uns com os outros", "eles sempre se safam" e "isto é tudo a mesma pandilha".
Será assim? Não é. Há culpados e inocentes, há vigaristas soltos, figuras caluniadas e, provavelmente, alguns injustiçados. Este é, contudo, o preço de uma democracia frágil, pouco educada e com um nível cívico muito baixo. É o retrato do Portugal de hoje, do país que somos. E, se não somos melhores, a nós e só a nós o devemos.

Rua José Saramago, Porto

Comentários a propósito deste post:

Com adecisão de não dar o nome de José Saramago a uma Rua do Porto, esta cidade passa ser a do Portugal dos Pequeninos ou, como escrevia Jonh Updike no posfácio de Winesburg, Ohio de Sherwood Anderson "uma cidade de gente mirrada".

Resposta da Margarida:

O Porto é muito mais do que uma decisão e seguramente nem se engrandece com um acto, nem se diminui com outro.No Porto existem muitas pessoas.Muitas políticas, que não só as camarárias e muitas sensibilidades.É terrível liquidar uma cidade (uma localidade qualquer, que seja) por uma questão assim...Falem mal de tudo, mas da minha cidade é que não! :('gente mirrada' aqui?!Era o que havia de faltar!Homessa!

Último comentário:

Lamento que a Margarida tenha tomado a nuvem por Juno.
Também posso dizer que Lisboa que é a minha cidade também têm gente mirrada. A mesma que impediu que fosse dado o nome do General Spínola a uma Avenida.

PEDRO BEAKER COELHO

Comentãrio apropósito deste post:

Numa analogia ainda mais rebuscada que tal recomendar ao Coelho (Pedro Passos) a leitura da tetralogia do verdadeiro Rabbit. A do John Updike.

2010/06/28

Guitarra

Assim se toca guitarra no Botswana

2010/06/27

Retirado daqui

Relembro ou apresento duas conhecidas séries de televisão que tiveram por tema central a classe média brasileira. Uma chamava-se Sai de Baixo (1996-2002), cujo elenco aparece (compreensivelmente...) na fotografia de cima; a outra Os Normais (2001-2003), em que a acção se centrava à volta de um casal típico da classe (abaixo). Ambas passaram em Portugal, embora com sucessos distintos. Qualquer das séries retrata a mesma classe social, embora com regionalismos a que só os próprios brasileiros seriam sensíveis: paulistana a primeira, carioca a segunda. Porém, os estilos de humor distintos davam a entender como as duas haviam sido concebidas a pensar em audiências diferentes.
Enquanto o humor de Sai de Baixo é essencialmente primário, o de Os Normais pretende ser, não só mais sofisticado¹, como, a espaços, sexualmente picante. Concretamente, e para quem tenha visto as séries, é a diferença que vai das inseguranças de Vani (Fernanda Torres) em Os Normais comparadas com as inanidades de Magda (Marisa Orth) em Sai de Baixo. A primeira série é uma caricatura apelando a uma certa cumplicidade com a própria classe social que é caricaturada, enquanto a segunda, de traços mais grossos e ridículos, destina-se a fazer rir a classe socialmente abaixo da retratada. O humor de Sai de Baixo torna-se mais exportável e a série teve muito mais sucesso em Portugal.
Mas o meu favoritismo vai todo para Os Normais onde há momentos na série em que se conseguem equilíbrios que considero memoráveis. Os primeiros minutos do vídeo abaixo são um exemplo disso: o casal Vani e Rui (Fernanda Torres/Luiz Fernando Guimarães) estão na sauna, compostamente vestidos de toalha, quando se lhes vem juntar a sua amiga Patrícia (Graziella Moretto), um exemplar da bomba loura burra que Vani toma por uma ameaça e que aparece na cabine totalmente nua… Não vale a pena contar o resto, mas chamo a atenção para o cuidado com que as cenas foram trabalhadas para que se mantenham num registo humorístico estrito evitando o pornográfico… apesar da amiga ser periquituda.
Já tinha no meu léxico alguns termos "rebarbativos".
Nenhum chega aos calcanhares de "periquituda".

PERTO DA PERFEIÇÃO



Os filmes nunca devem ter muito mais do que as duas a quatro personagens importantes que costumam ter. No caso da história exigir mais do que essas quatro personagens e se elas forem introduzidas a um ritmo normal, corre-se o risco de que o espectador perca o fio à história, baralhando-se com a identificação de personagens importantes; ou então, para evitar que isso aconteça, é preciso alterar o ritmo dos acontecimentos para que a apresentação dessas personagens seja mais progressiva, o que aumentará a duração do filme. Nunca houve, nem haverá uma solução fácil para o problema.Contudo, o início de Os Amigos de Alex (The Big Chill 1983) será, dos casos que conheço, aquele que mais se aproxima da sua solução perfeita. A habilidade do realizador, aproveitando muito bem o genérico (acima) e o primeiro acontecimento da história (o funeral de Alex, abaixo), permitiu-lhe descrever ali de forma vincada os traços fundamentais das personalidades das sete personagens importantes da história. São 10 a 15 minutos mágicos, com pormenores como, por exemplo, a diferença subtil entre as reacções de Glenn Close (sonhadora) e de Jeff Goldblum aos primeiros acordes de You can't always get what you want (abaixo, no início).


Retirado daqui

2010/06/13

Europa- Afinal não somos tão diferentes

EUROPA: ENTRE AS EXTREMIDADES MERIDIONAL E SETENTRIONAL
O senhor da fotografia acima chama-se Olli Rehn, é o Comissário Europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, é finlandês e, ao equiparar-nos à Espanha, demonstrou uma daquelas ignorâncias que, só por si, o qualifica de incompetente para o exercício daquele cargo. Depois dos comentários do Ministro das Finanças sueco, o do brinquinho¹, parece que andamos definitivamente com azar com os nórdicos... E, arrisco-me, serão apenas as nossas motivações políticas internas, conjugadas com os complexos labregos de inferioridade que farão com que nos disponhamos a levar a sério as declarações de qualquer deles.
Eles mostram saber tão pouco sobre nós quanto nós saberemos sobre eles e pode deduzir-se que a vontade de aprofundar esses conhecimentos por causa da nossa pertença comum à União Europeia será muito fraca. Daquilo que sabemos do que lá se passa, eles é que vêm para cá divertir-se e passar férias e nós só vamos para lá contrariados, exilados ou por razões de trabalho… Quanto a queixas, nós, que tanto nos fartamos de lamentar por sermos como somos, devíamos ouvir um coro de lamentações finlandês (abaixo) que, pelos vistos, aqueles paraísos da social democracia não parecem produzir apenas pessoas felizes…
Não se consegue enriquecer apenas a trabalhar. E o amor não dura para sempre.
Na sauna nunca nos perguntam se podem deitar água no fogão.
As florestas antigas são derrubadas para serem transformadas em papel higiénico.E, mesmo assim, há sempre falta de papel nas casas de banho.
Porque é que as pessoas ficam parvas com os saldos?
No centro de Helsínquia construíram mais um Centro Comercial.
O meu vizinho põe-se a espreitar pela porta sempre que recebo visitas
E aparece sempre mais cedo para o turno dele na sauna do prédio
Perdemos sempre com a Suécia no Hóquei no Gelo e no Festival da Eurovisão.
As promoções de Natal começam cada ano mais cedo.
Porque é que as pessoas nunca concordam comigo?
Os empregos fogem para a China e os eléctricos da carreira 3 cheiram a xixi.
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
Porque é que a Pizza de Metro, só tem meio metro de comprimento?
E porque é que o tubo do aspirador é sempre curto demais? – assim como o Verão!
Sair para trabalhar todas as manhãs e regressar à noite acaba por nos enlouquecer.
A bateria do meu telemóvel está sempre a acabar
E os toques são sempre irritantesOs toques são sempre irritantesOs toques são sempre irritantesOs toques são sempre irritantes-
Desculpa. Aqui apanha-se mal o sinal… liga-me depois.
Quando se compra mobiliário o que se trás para casa é uma pilha de tábuas.
Os lenços são muito ásperos e nunca os encontramos quando se espirra
Os meus collants descaem quando ando.
Há sempre um homem enorme à minha frente.
No trabalho dão-me uma palmadinha no ombro e uma facada nas costas
.Os meus sonhos são chatos.
Os números são demasiado compridos para decorar.
As mulheres continuam a ganhar menos do que os homens.
Os manteigueiros continuam a safar-se na vida.
O jornal é demasiado espesso. Porque é que acontece sempre comigo?
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
A lista de espera para o dentista tem mais de seis meses e depois de esperar tanto tempo tenho que arrancar o dente.
As camisas giras perdem a cor com as lavagens, mas as feias não.
As pessoas não têm tempo para comprar os produtos do Comércio Justo mas têm-no para fazer turismo nos sítios de onde eles vêm.
Não consigo deixar de olhar para os cabeçalhos dos tablóides.
As previsões do tempo falham sempre.
Nunca descanso o suficiente.-
E a merda da língua inglesa é difícil de aprender!
Perdemos sempre com a Suécia no Hóquei no Gelo e no Festival da Eurovisão.
As promoções de Natal começam cada ano mais cedo.
Porque é que as pessoas nunca concordam comigo?
Os empregos fogem para a China e os eléctricos da carreira 3 cheiram a xixi.
O meu apartamento é pequeno mas deixo lá todo o meu dinheiro.
Assim ando sem dinheiro para salvar o Mundo.
As pessoas só assumem posições nos fóruns por sms.
Os idiotas não sabem de que lado devem ficar na escada rolante.
O meu marido ressona muito alto, anda muito devagar e só lava as suas camisolas de hóquei.
E a minha mulher queixa-se sempre!
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
Perdi a tarde a esconder-me do inspector das licenças de televisão porque não quero pagar para desportos e espectáculos de TV reality.
O centro de emprego apenas necessita de programadores de Java.
Os velhos são atestados de tranquilizantes para não se queixarem.
O meu amigo gosta mais do seu telemóvel do que de mim.
Os nossos antepassados bem podiam ter escolhido um sítio mais solarengo para se instalarem.
Os meus sonhos são chatos.
Os números são demasiado compridos para decorar.
As mulheres continuam a ganhar menos do que os homens.
Os manteigueiros continuam a safar-se na vida.
O jornal é demasiado espesso. Porque é que acontece sempre comigo?
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!

2010/06/01

Marcão




Louise Bourgeois



Eu e o João estivemos em Bilbao no Gugenheim e ficamos impressionados com o esplendor desta escultura.

R.I.P

Vítima de ataque cardíaco, Louise Bourgeois morreu ontem em Nova Iorque, cidade onde vivia há mais de sessenta anos (nasceu em Paris). Faria 99 anos no próximo dia de Natal. Se não teve oportunidade de ver Maman (ao alto) em Nova Iorque, Londres ou Bilbao, vá a São Paulo. A obra faz parte do acervo permanente do MAM. Também pode ir a Berlim, como sugere a Helena Araújo. Figura mítica do meio artístico americano, célebre pela rudeza das esculturas em pedra e metal, Louise Bourgeois só se tornou conhecida do grande público a partir de 1982, ano em que o MoMA organizou uma grande retrospectiva da sua obra. Perfil no NYT.

2010/05/30

Dennis Hopper



Easy Rider. Rebel Without a Cause. Giant. O Amigo Americano. Blue Velvet.

Registo a primeira vez que o vi.

R.I.P.

2010/05/29

Cunhal e o Protocolo


Retirado daqui. Blog do nosso embaixador em França Francisco Seixas da Costa.


Álvaro Cunhal (retratado acima pelo genial olhar fotográfico do meu amigo Alfredo Cunha) foi uma das mais controvertidas personalidades da vida contemporânea portuguesa. Secretário-geral do Partido Comunista Português durante várias décadas, projetou uma forte imagem pessoal que quase se confundia com aquela força política. A História do nosso país, no século XX, não se fará sem ele, embora muitos achem que acabará por se fazer contra ele.


A biografia de Álvaro Cunhal é objeto de uma obra, ainda inacabada, de José Pacheco Pereira - ela própria, também, um estudo com contornos polémicos, no qual Cunhal e o seu partido se recusaram a colaborar, sendo embora, na minha opinião, um documento indispensável (ia a escrever "incontornável", mas temi algumas vozes indignadas contra o vocábulo) para se entender a história política portuguesa do século XX.


Acaba agora de ser publicada uma memória sobre Álvaro Cunhal, escrita por Carlos Brito, uma das figuras marcantes do comunismo português, resistente contra a ditadura e, no período democrático, personalidade proeminente que chegou a ser candidato à presidência da República. Trata-se de um trabalho interessante, feito à luz da proximidade do autor com o líder comunista, que nos revela algumas facetas desconhecidas da sua personalidade, embora mantenha muito da tradicional reserva de quem quer, no essencial, permanecer leal àquela área política.


Vários testemunhos comprovaram, ao longo dos anos, que Cunhal, sendo embora uma figura de rutura em muitos domínios da vida política, era muito cuidadoso com as facetas exteriores da imagem do Estado, que respeitava com grande escrúpulo. Daí que as simples questões protocolares, porque as entendia com um simbolismo significativo, o preocupassem sempre.


Carlos Brito, a certo passo do seu livro, revela que, um dia, um deputado comunista, indicado para acompanhar uma visita oficial ao estrangeiro, anunciou que não ia utilizar gravata, não obstante as regras protocolares recomendarem um traje formal em certas ocasiões da deslocação. A persistente resistência do deputado fez subir o assunto a níveis mais elevados de decisão.

O deputado foi, assim, chamado a uma conversa na sede do partido. A certo passo da reunião, Cunhal entrou inopinadamente na sala e, como forma de reforçar os argumentos de quantos pretendiam demover o deputado da sua irreverente teimosia, foi pedida a opinião do secretário-geral sobre o assunto.


Depois de ouvir as "partes" e refletir sobre as regras que eram exigidas, Álvaro Cunhal fez notar que, tratando-se de um país africano, era comum, como alternativa às roupas protocolares europeias, o uso de trajes tradicionais em cerimónia oficiais. E acrescentou: "Ora nós temos trajes tradicionais muito bonitos, por exemplo, os minhotos". E logo adiantou: "O nosso camarada podia ir vestido de minhoto e evitava-se a gravata. Até podemos telefonar já aos camaradas de Viana a encomendar um fato".

O pânico terá irrompido na cara do relutante deputado, que concedeu de imediato: "Não é preciso, não é preciso, eu vou comprar a gravata".

Visage

Luciano Berio-Cathy Berberian

4'33'

Ideias perigosas


Mais uma injecção de inteligência da Templeton Foundation, tendo como interesse acrescido o contributo de António Damásio.

Ensaio de António Damásio


Yes and no. My answer is a strong "yes" because the actions we can truly call moral depend on the work of reason at some stage in the process leading to their execution. But my answer is also "no" because the moment-to-moment execution of actions, moral or otherwise, is not necessarily under the control of reason, even if reason has a role in the deliberations behind the action and in strengthening the control system that executes it. My answer is an even stronger "no" if the question implies that moral actions are invented by reason, springing fully formed from the consorting of knowledge and logic.

Looming large over the question is the issue of the origins of morality. Does reason construct moral intuitions, beliefs, conventions, and rules? Or does morality emerge from prerational processes? On this issue there is growing evidence that many behaviors we designate as moral have forerunners in automated, unconscious, prerational processes, present not only in humans but in many other species. The evidence is quite robust in the case of mammals, especially primates and marine mammals whose brains share a lot with the human brain.

The mechanisms behind such behaviors can be traced to specific brain systems, neuromodulator molecules, and even genes. An illustrative set of examples pertains to behaviors associated with the neuropeptide oxytocin. In one species of rodent (prairie voles), mating induces the pronounced release of oxytocin in affect-related brain regions. This, in turn, is associated with a life-long monogamous attachment between male and female; close bonding and attachment of the mother to her infants; and involvement of the male in the care of the progeny. Experimental suppression of the gene responsible for the production of oxytocin preempts the entire behavioral repertoire.

Obviously, no one will confuse the attachment and concern for others, as exhibited by these intriguing animals, with the moral actions that humans carry out in similar circumstances. And yet, the general resemblance is both undeniable and suggestive. The presence of such complex and sharply targeted animal behaviors serves notice that human behaviors occurring in comparable circumstances are not being created entirely de novo by human reason. They are probably complex variations on antecedents. These antecedents emerged in biological evolution without the guidance of reason, but they have resulted in an optimized regulation of life. Interestingly, the better regulation of life is precisely what reason-based moral systems are meant to achieve.

But let us come closer to human behavior. Several of our emotions, in particular those that are commonly classified as social (compassion, admiration, shame, guilt, contempt, pride, gratitude) embody moral values. Take the deployment of admiration or compassion. Each includes specific behaviors aimed at others, which deliver rewards of varied kinds and grades for actions that those others have performed. The behaviors imply some level of moral judgment. Likewise for the deployment of shame or guilt, which imply judgments regarding oneself, as well as self-punishing actions and thoughts.

The deep-rooted mechanisms for the execution and experience of these emotions recruit human brain structures involved in life regulation. Taken together with the fact that there are forerunners to such emotions in non-human species, this suggests an early evolutionary vintage for the assembling of the necessary brain machinery. I am persuaded that these emotions were selected in evolution because of their contributions to the better management of life via their ability to solve social problems. In general, the behavioral programs that we call emotions prevailed in evolution because they improved the odds of survival prior to the emergence of conscious minds and reasoning. The "moral emotions" are not an exception.

To a first approximation, then, morality does emerge from prerational processes. But that is by no means incompatible with the notion that human creativity and reason make use of prerational emotive behaviors (and the intuitions and beliefs that accompany them) in order to construct moral conventions and rules. No matter how deeply inspired by ancient neurobiological processes, moral conventions and rules are human creations. They are the result of shaping a few forerunner intuitions and beliefs to suit certain goals, and of rejecting some of those intuitions and beliefs.

In short, we should not reduce the edifice of ethics to naturally emerging emotional action programs, even in the thoughtful framework of moral emotions proposed by David Hume or Adam Smith. Nature is careless, unconscionable, and morally indifferent, and imitating nature is no way to create morality. But in the process of selecting behaviors that promoted the life of the organisms in charge of carrying genes over countless generations, nature did engender some valuable behaviors that can be incorporated in most moral systems. Kin altruism and reciprocal altruism are good examples.

Human creativity and reason have taken such natural discoveries to new heights. They have extended the reach of biological regulation to varied aspects of the social space, thus inventing what I like to call sociocultural homeostasis. The familiar homeostasis of the human body is automated and operates largely at a non-conscious level, ensuring our physiological health and equilibrium. Sociocultural homeostasis, by contrast, is deliberate and requires high-level consciousness. Morality (along with the laws and jurisprudence that follow from it) is the centerpiece of sociocultural homeostasis.

Neuroscientists are being asked more and more frequently if humans are really capable of consciously controlling their moral behavior. The answer, as I see it, is largely affirmative. Moral behavior is a skill that can be honed to the point of becoming "a second nature," in a process that begins in early childhood. Practice gradually makes perfect, and as it does, the execution of moral actions becomes more and more automatic, performed to a considerable degree under non-conscious control. But, of course, the decision to practice one's moral skills is a very conscious, reasoned decision. Likewise, the moral choices one makes in advance of acting in one way or another are the result of conscious, reasoned deliberation.

Despite the ancient origins of some moral behaviors, despite the rampant social and environmental influences on our decisions, and despite the unconscious pressures that permeate our appetites, reason does have a say in moral actions. On occasion, reason even prevails.

Antonio Damasio is the David Dornsife Professor of Neuroscience and the director of the Brain and Creativity Institute at the University of Southern California. He is the author of Descartes' Error and Self Comes to Mind, which will be published later this year.

2010/05/24

Prisão para não fumadores

USB



Só para informáticos

Controlo de qualidade



belo trabalho

Kiss my ass



Não sei se será um insulto

Miguel de Cervantes (1547-1616)

«Além de não andar bom de saúde, estou sem cheta. E imperador por imperador, monarca por monarca, tenho em Nápoles ao grande conde de lemos que, embora eu não ostente graus nem diplomas universitários, me mantém, me ampara e me faz mais mercês do que as que posso apetecer.»
Segunda parte de Dom Quixote de La Mancha (1615)
«Para Vera e Alex e, é evidente, para o gato Benevides, que me deu tremendas lições de dignidade.»
Novos Contos de Gin (1974)

William S. Burroughs (1914-1997)

«Para John Dillinger, na esperança de que ele ainda esteja vivo.»
Dedicatória de no poema A Thanksgiving

Machado de Assis

«Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas.»

Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)

2010/05/05

o WOK

Hoje descobri o WOK.

Primeira receita:

Ingredientes (para 2 pessoas)

2 bifes do lombo com 1 cm de altura cortados aos cubos;
Bacon cortado em muito pequenos cubos;
1 pacote de legumes congelados para saltear Pigo Doce;
1 colher de sopa de farinha Maizena;
2 colheres de sopa de Molho de Soja;
1 cálice de Brandy;
3 colheres de sopa de oleo de amendoim;
Sal e pimenta qb

Confecção:

- primeiro fiz uma marinada com a carne, sal, pimenta, um pouco de piri-piri, o molho de soja, a farinha maizena e o cálice de brandy;
- No wok, coloquei o oleo de amendoim e após estar bem quente, coloquei o bacon e deixei alourar um pouco;
- Juntei a carne, que deixei fritar e de seguda a marinada e após esta ferver retirei as carnes;
-Coloquei os legumes no molho que restou onde saltearam até ficarem "al dente";
- No fim recoloquei a carne no recipiente e servi directamente.

Resultado excelente.
O facto de todos os ingredientes serem cozinhados num único recipiente e irem absorvendo os sabores uns dos dos outros torna esta mistura agridoce deliciosa.

2010/05/04

Cartão do Cidadão

Deixem que vos conte uma estória cujo personagem principal se chama, pomposamente, Cartão do Cidadão.

Três semanas atrás telefonei para o 707201122 e marquei o pedido para a Conservatória do Registo Civil de Oeiras para o dia 26 de Abril às 10.00 horas.
Quando cheguei (09.45H) aquilo estava uma feira. O espaço era grande, arejado, com um balcão corrido e, o "povo", era o habitual neste sítios (if you know what I mean).
Disse aos meus botões: Manel isto vai correr mal.
Esperei, calmamente, até que uma "fresquinha" de muito bom ar às 10.05h (rfantástico) veio ao balcão e disse o meu nome. Levantei o dedo e ela apontando-me uma porta lateral disse-me com um sorriso:
- Entre se faz favor.
O processo decorreu profissional, escorreito, simpático, bem disposto e rápido.
No fim, depois de a cumprimentar pelo profissionalismo e amabilidade, perguntei quanto tempo ia demorar (pensando que agora é que a porca torce o rabo).
A resposta imediata foi... uma semana.
Saí pouco (ou nada) convencido.

Ontem, dia 3, rigorosamente uma semana depois, recebi a a carta para ir levantar o catão (espanto).
Hoje fui lá, tirei uma senha de levantamento, fui chamado cinco minutos (!) depois e fui atendido pela mesma "fresquinha" da primeira vez.
O processo decorreu, novamente profissional, escorreito, simpático, bem disposto e rápido.

Nota: 17 em 20

Todos os cidadãos têm a obrigação de reclamar quando corre mal e a mesma obrigação de dizer que está bem... quando corre bem.

Abraço

PS:

O 17 advém do facto de os Analistas de Informática (aquelas bestas como diria o Vasco) que desenharam a aplicação se terem esquecido (?) de dois pormenores (ou pormaiores):

-Quando me entregaram o leitor que permite ler o cartão e fazer a assinatura eletrónica a "fresquinha" tornou a pedir-me todos os dados( nome, morada, Número de contibuinte, etc), altura em que eu perguntei porque é que a aplicação não importava os dados. A resposta foi um esgar de atrapalhação e uma desculpa esfarrapada;

- Depois de ter dado os dados e para novo espanto meu a "fresquinha" imprimiu uma folha de papel onde anotou, "à mão", o número do leitor que me tinha dado. Nova pergunta, novo esgar, e a resposta ficou por "sabe, nós agora temos que arquivar este papel com os seus dados e o número do leitor que lhe entregámos(!), ou seja, o analista(aquela besta) não pensou em colocar um campo na aplicação com o número do leitor de modo a que a "fresquinha" não tivessa que arquivar uma folha A4 num daqueles dossiês que nunca ninguém vai consultar.

oh balha-me deus...não habia nexexidade!

De qualquer modo 17 em 20.

PS: O António Castanheira leu este post e chamou-me à atenção para a alcunha do referido analista, nem mais nem menos que o "Parente Pobre" epítoto que ele reservava aos Analistas Funcionais.
Acrescente-se que alumas vezes com razão

Riff

Manhattan

‘não penso no inútil dano
com que amanhã me desdiz,
pois, ser feliz, por engano
não é engano: é ser feliz’
Fernando Pessoa
(1888-1935)
Sepra como os américas escreveram Serpa com Matos seu companheiro guitarrista Kris Davis piano (rapariga ironicamente de costas para nós que a estávamos assim a ouver não toda) Ted Poor bateria Matt Pavolka cbaixo
à mesma mesa estavam dois pianistas jazz n-americanos um deles Aaron Parks o outro Frank Kimbrough artista que Portugal já conhece a tocar na orquestra de Maria Schneider e que cá voltará para o festival Seixal deste 10 – visitem www.jazzportugal.ua.pt e leiam ‘Escritos’ onde Frank é biografado
estava ainda César sou amigo de um César português trabalhador nos USA e fiel à pátria se bateu com um steak enquanto ouvia Sara com os olhos postos no bife
Sara é apreciada nos EU em Portugal é muito pouco conhecida
fui almoçar ao ‘Le Bernardin’ e pela primeira vez almocei de casaco emprestado pela gerência
os n-americanos e a paixão pela Europa pois também há outro restaurante - entre vários - caro e bom que dá pelo nome ‘Le Cirque’
neste há uma torre adega transparente com dois andares daltura escadotes e centenas de garrafas expostas esperando que as consumam
bebi cerveja da casa do país: Budweiser
terminei no ‘Rose Theatre’ (hall cheio) no Jazz at Lincoln Center e fui ouver a big band de JaLC com Winton Marsalis que trompeta
paguei 100 e tal dólares (gosto também do modo e tal) por uma cadeira aisle na plateia
a sala é melhor que a do CCB que é má por ser rectangular (!) e tão boa como a da Casa da Música que tem escusadamente um pé direito enorme escreveria mesmo incomensurável (!)
pergunto eu e todos menos o venerado arquitecto estrangeiro: para quê?
a propósito a Casa da Música tem a partir de setembro uma Orquestra Sinfónica e assim se acabou com a asneira de chamar a uma Orquestra Nacional do Porto
o FCP quando foi Campeão foi Campeão Nacional do Porto?...
acabei muito bem minha estadia jazz em Manhattan
a tradição big band continua viva
vi três desta vez - rima e é verdade - e lembrei-me de uma das nossas várias temos a de Lagos a de Matosinhos a de Costa Pinto a da Nazaré a do Hot e então rerelembrei-me quão importante é o estrangeiro e visitá-lo uma vez por ano porque senão o nosso engano aumenta muito mais e chegamos a julgar que a nossa ou o nosso é o melhor deste planeta não o sendo
reequacionar as proporções é atitude a tomar sempre
a realidade Clean Feed empresa portuguesa que organiza festivais jazz em New York e em Chicago ambos neste mês maio mas não des maio pelo catálogo Clean Feed
a realidade Laginha (parabéns pelos 50 de idade cronológica) pianista e compositor em várias músicas longe de só jazz
a realidade Ronaldo todas devem ser sempre justamente avaliadas
Messi é melhor
só ficamos a ganhar
não perdemos nem empatamos
com Winton Marsalis não há dúvidas
é dos melhores
a big band onde com discrição se senta no naipe de trompetes e apresenta os artistas é uma orquestra ‘ofensiva’ (cito Adriana) uma orquestra impecável próxima da perfeição
os arranjos todos notáveis
o baterista escreveu um vírgula empolgante arranjo exemplarmente lido e swingado
ainda hoje no século 20 e 1 há quem julgue que baterista não é músico e que bateria não é instrumento!
cumo não como convidados estiveram a tocar vibrafone Bobby Hutcherson e na segunda parte Marcus Roberts piano
espectáculo deslumbrante!
espectáculo de Música de raça de vitória
quem gosta de jazz gosta de Obama
não tenho a certeza absoluta
desafinados favorecem os contrários
soube em Lisboa que Mike Zwerin se foi embora
n-americano do jazz tocou trombone em ‘Birth of the cool’ com Miles
homem que abandonou suas empresas nos USA para vir viver em Paris
era um notável escrevente
de seus livros e peças para revistas e jornais destaco livro que dedicou aos nazis e à colaboração dos soldados nazis com jazz e jazzmen melhor jazzhommes franceses ao ambiente parisiense jazz nos anos da segunda mundial
convidei-o para falar sobre e tocar jazz
falou na Fonoteca Municipal de Lisboa
tocou no ‘Speakeasy’ também em Lisboa com um jovem trompetista jazz português
confessou-me que o trompetista não sabia as passagens dos standards
ando há décadas a chamar novos a jazz homens e jazz mulheres portuguesas
esqueço-me que todos estamos a ficar mais próximos do
FIM



«… a escrita é a minha primeira morada do silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás das palavras…
construindo no sangue altíssimas paredes do nada…»
Al Berto (1948-1997)

jazz

Que bem escreve Jazé Duarte.
Tem swing, Pessoa também tinha e AlBerto e Mário de Sá Carneiro. Obama tem swing, Merkel não tem.
Pasos Coelho tem o swing que Ferreira Leite não tem, nem Jerónimo, nem Louçã, nem Portas. Socrates não tem e se calhar não precisa.
Mandela tem um enorme swing. O Rugby tem swing, a NBA tambem e o futebol tem..às vezes (raramente). a formula 1 não tem mas o MotoGP tem um enorme swing. cardozo não tem swing mas aimar tem que baste e falcão também mais ronaldo e messi com xavi a carregar o piano pra ele tocar.

Criativo? Sim. Eu gosto e tutambem, assim tudo pegado, grudado como o quinteto de miles, o septeto de coltrane nas minhas coisas favoritas quem diria que a music from or to the heart pudesse descambar numa coisa destas mais o triplo concerto (violino, violoncelo e piano) de beethoven com Oistrakh, Rostropovitc e Ritcher que miraculosamente Karajan colou ou com baremboim, perlman e yo-yo ma completamente soldados aqueles que se levam, juntamente com a colecção completa do Blueberry prá ilha dos nossos sonhos com coqueiros e camas de rede, dancarinas hawaianas, o tubo perfeito, piñas coladas, mujitos, bloody marys, margaritas e montes de cartuxa95 tudo o que é preciso para vivermorrer sossegado
Sim e pois também o meridiano de sangue prá pica, o planeta de mr.sammer pró sabor, solar pra apimentar e o ulisses prótédio que é preciso temperar o desvario.

beijinhos

2010/04/21

O vulcão de nome impronunciavel

As autoridades identificaram que a nuvem causada pela erupção está a ter dimensões superiores devido aos Benfiquistas estarem a tirar o pó aos cachecóis.

O vulcão de nome impronunciavel

eyjafjallajokullhttp

2010/04/11

o chinaman e a extinção dos limites do multiculturalismo

Tirado e comentado daqui


É quase um axioma para qualquer cidadão ocidental minimamente atento que a melhor hipótese de sobrevivência de sociedades velhas e gastas como a portuguesa está na injecção de novo DNA. Deste modo, a militância activa pela opção multicultural está entre aqueles que considero como os meus deveres essenciais. Antes do mais, nas escolas, especialmente nas de elites, e no mercado de trabalho. Em termos muito rudimentares, a ideia é a de que integrar a diversidade enriquece toda a gente, e quanto maior conhecimento for adquirido por todos os diferentes, mais dinâmica fica a sociedade, isto é, todos nós. Além de que, claro, a uniformidade é monótona. Mas mais interessante ainda, dizem os teóricos, é conseguir a combinação quase mágica entre novo DNA e o melhor dos traços nacionais da sociedade acolhedora. Um palco de combate essencial para esta luta é o bairro, claro, já que inúmeros estudos científicos e empíricos mostram que a integração resulta sempre melhor quando o Outro é aceite numa pequena comunidade local, ou seja, a rua, o bairro, a zona. Daí que defender a vinda de imigrantes para uma sossegada rua de um bairro de classe média da ainda mítica mas muito abalada linha de Cascais tenha sido sempre uma aposta pessoal, embora, claro, levante periodicamente as sobrancelhas cépticas de muita gente. Na verdade, mostra felizmente a realidade, os cépticos podem beneficiar do conforto que é garantido pela imobilidade, e têm certamente a sabedoria de que as mudanças geralmente são perigosas, mas a realidade mostra que a sociedade portuguesa é uma daquelas que com maior eficácia consegue integrar toda a diferença, enriquecendo -se de modo decisivo. De facto, no espaço da minha latitude, os brasileiros, os angolanos, os ucranianos e especialmente o chinaman e o seu clã de geometria variável provam que os limites do multiculturalismo são extintos pela poderosa capacidade portuguesa de entranhar nos outros os seus valores básicos de modo rápido e eficiente . Os brasileiros foram recebidos de braços abertos, beneficiando daquela lenda de povo aberto, alegre, improvisador e easy going. É tudo verdade. É fantástico descobrir que aberto significa ter 23 "caras" a viver harmoniosamente num T0, contornando assim a crise económica, alegria que as dj sessions de forró são até às 3 horas da manhã para o bairro todo, o que revela um profundo sentimento comunitário, improvisador que o átrio do prédio sirva para abrir um restaurante de "churrasquinho", o que é um exercício notável de empreendedorismo, e easy going uma aventura impossível de descrever. Os angolanos foram uma aposta pessoal, por razões biográficas. O trio de rapazes que uma noite chegou teve isso em conta. A actividade mais integradora que periodicamente exercem é a de se pegarem à pancada às duas da manhã, com a porta do apartamento aberta, por causa do Benfica, do Sporting e do Amadora, e participam activamente nas culturas juvenis em alta, nomeadamente "kitando" e experimentando até ao nervo os Seat Ibiza durante a noite na nossa extensa rua de 150 metros. Os ucranianos, tenho de admitir, são o meu caso mais complicado. Uma família honrada e trabalhadora, com dois filhos à entrada da idade adulta. Mas, tirando o facto de terem colocado uma corda de estender a roupa que ocupa toda a largura do prédio, onde a cada 48 horas são colocadas três máquinas de roupa preta, o que prova aquele asseio alentejano clássico, não consigo detectar nenhum sinal integrador, até porque as minhas tentativas de meter conversa são sempre recebidas com um "pois, pá". Pelo contrário, o chinaman e o seu clã são o meu motivo de orgulho. Antes de tudo o mais, provaram que as linhas teóricas recentes de comunitarismo urbano estão absolutamente correctas, e abriram uma pequena frutaria de bairro. É extremamente porreiro, vizinho. As velhinhas, que já não se mexem, vão lá fazer o seu avio diário, aprenderam umas palavras de cantonês, e os jovens profissionais urbanos que chegam tarde a casa sempre sabem que às 20h30 ainda podem comprar uma bananinha para comer com o iogurte, ou uma maçã para enfeitar a pizza congelada. É verdade que a frutinha não dura mais do que 12 horas, e feitas as contas os preços são um negócio da china para o vendedor, mas é o imposto do local e da comodidade. Mas o que realmente me encanta é a carrinha de carga, que para mim é um símbolo notável de como o espírito português contamina de modo absoluto todos os que vêm de fora para lutar pela vida. O chinaman, como todos os pequenos empreendedores nacionais de comércio e serviços, têm uma grande carrinha de carga branca, daquelas com uma altura de um 1º andar. Ora, o chinaman tinha um problema: a sua frutaria é na esquina, tinha de descarregar diariamente o material, e como todos nós era afectado por aquela grande calamidade nacional de nunca ter lugar para estacionar mesmo à porta de casa. A princípio, o chinaman parava na passadeira de peões, mas era uma solução precária, porque via que todos nós cumprimos a Lei, e que o grosso da sua clientela são velhinhas que têm horror a atravessar fora da passadeira. Foi aqui que o chinaman e o seu clã mostraram o seu elevado grau de integração, ao revelarem aquele engenho tão especificamente português. O chinaman mandou um dos membros do clã esperar, até conseguir ver um lugar de estacionamento vago mesmo, mesmo na esquina da frutaria. Quando finalmente, ao fim de umas semanas, o lugar vagou, o membro do clã ocupou - o com o pequeno Kia roxo, conseguindo, com uma manobra cheia de yiang, antecipar -se ao almirante reformado que avançava com o seu Honda de 1995, há cinco anos parado no passeio, por debaixo do estore do seu rés- do- chão. Houve uma troca de insultos durante uns minutos, mas nada de extraordinário. A partir daqui, o chinaman provou ser um verdadeiro português. A dinossáurica carrinha branca está fixa no lugar de estacionamento, e serve de armazém da fruta, que várias vezes ao dia é transferida para a frutaria por duas senhoras do clã. À noite, a fruta volta para a carrinha, garantindo assim todas as condições de higiene e ventilação que garantem a sua frescura. Uma vez por semana, entre as 5 horas e as 8 horas da manhã, quando o chinaman tem de ir ao MARL reabastecer, faz - se acompanhar por outro membro do clã, que desloca o Kia roxo para o meio do lugar. O almirante topou a coisa, e tentou um golpe de guerrilha numa madrugada de semana, mas o chinaman pôs -se à frente dele com a carrinha. Deste modo, a situação de lugar reservado prolonga - se já há vários meses. Um analista parcial e resistente à integração multicultural dirá que temos aqui um exemplo vivo de egoísmo, manhosice, mesquinhez e falta de respeito pelo espaço público, inaceitáveis numa sociedade evoluída e tolerante. Mas eu, que recuso que aqueles traços sejam constituintes da personalidade colectiva nacional, vejo apenas um exemplo superior de estratégia, disciplina, tenacidade e individualismo que não só são os traços essenciais de qualquer povo vencedor, como são indicadores do nosso melhor espírito nacional.

O meu comentário

Fernando Frazão disse...
Caro amigo

No bairro onde moro existe um exemplo semelhante mas executado por um portuga com igual sentido de pragmatismo.
Fica a sua merceria numa esquina rodeada de um magnifico paseio em redondo de uns bons dez metros de largura.
A apropriação do espaço público executa-se em dois passos distintos, a saber:
Primeiro alargou o espaço da loja, colocando no exterior uma estrutura de ferro onde, como qualquer merceria de bairro que se preze, coloca as caixas de legumes e de fruta, suspeito eu, de modo clandestino (sem alertas para a ASAE);
Segundo estacionou uma Hiace velhinha, em cima do passeio, fechando o lado do rectangulo que sobra para a rua onde, durante a noite armazena as caixas já referidas.
Embora concorde consigo acerca da miscigenação de DNA no progresso do país, nós próprios somos capazes de desaricanços iguais ao seu "chinaman".
O pessoal do bairro que circula pelo passeio tem que contornar a Hiace para seguir o seu caminho, mas aceita a cena alegremente
Resta dizer que o "xômanel", dono da referida merceria, é o mais popular do bairro.

algumas hipóteses realistas para o futuro próximo

Tirado e comentado daqui


Como é do conhecimento daqueles que amavelmente seguem os escritos deste espaço, tenho acompanhado com a maior concentração possível o debate em torno do futuro dos autores e do livro, que se reacendeu um pouco por todo o mundo quando a Apple partilhou, há algumas semanas, a configuração essencial do IPad, o seu novo gadget. Uma primeira reflexão deu já origem a um post no Sniper ("risco intenso para o escritor português"), mas alguns contributos recentes e decisivos de especialistas obrigam a novas linhas. Para este momento, isolo dois textos particularmente importantes, um publicado no "Financial Times" em 9 de Fevereiro ("A page is turned") e outro de Jason Epstein, o real insider da edição, na "New York Review of Books" de 11 de Março ("Publishing: The Revolutionary Future"). Curiosamente, os dois textos, equivalentes em importância, unem -se numa linha de fundo estrutural, a de que o máximo a que se pode chegar neste momento é a conjecturas com um grau sério de realismo, mas também se complementam. O do "FT" procura dar conta da estratégia dos grandes conglomerados editoriais globais face à existência do texto digital. A investigação trouxe à tona revelações insólitas. A resposta dos grandes conglomerados editoriais é a de que vão manter o modelo de produção assente no papel (edição - impressão - distribuição), continuando a editar no modelo "codex", reservando para o mercado do texto digital apenas a negociação do preço de venda dos livros em formato digital com as entidades que o distribuem e vão distribuir no futuro. Esmiuçando esta estratégia, os editores não vão editar na plataforma digital, estando apenas preocupados, para já, em conseguir a melhor negociação possível com os grandes "players" deste ambiente, como a Amazon e a Apple. É neste ponto fundamental que o texto de Epstein - com o peso de muitas décadas na edição - ganha um interesse maior, já que, para ele, a estratégia dos conglomerados editoriais é um total suicídio. No seu texto, Epstein garante que "the transition within the book publishing industry from physical inventory stored in a warehouse and trucked to retailers to digital files stored in cyberspace and delivered almost anywhere on earth as quickly and cheaply as e - mail is now underway and irreversible. This historic shift will radically transform worldwide book publishing, the cultures it affects and on which it depends". Na sua longa reflexão, Epstein toca em todos os nós vitais da cadeia escritores - editores - distribuição - venda, mas neste "post" apenas consigo fazer alguma reflexão possível sobre os que mais me tocam. O primeiro é que o actual modelo empresarial da edição está condenado. Tal como defendi há umas semanas aqui no Sniper, há alguns traços que convém destacar desde logo. A distribuição e a venda em livraria tradicional são os nós onde haverá mais impacto. A edição será totalmente reformulada, e em lugar da grande editora nacional de gestão vertical, pertencendo ou não a uma multinacional, teremos nichos de editores, ligados além - fronteiras por interesses editoriais comuns, e capazes de juntar numa rede privada e empresarial todas as funções necessárias: pesquisa de autores, edição, comunicação e venda. Aqui, será aparentemente decisivo o modo de venda, com a introdução de modelos como o da expiração da licença e o aluguer, e a protecção do conteúdo face à ideologia do ficheiro gratuíto. O processo não está ainda em marcha porque, escreve Epstein, "the resistance today by publishers to the onrushing digital future does not arise from fear of disruptive literacy, but from the understandable fear of their own obsolescence and the complexity of the digital transformation that awaits them (...)". Para os autores, o futuro próximo é igualmente complexo. No "literary chaos of the digital future", como classifica Epstein, várias tendências aparecem desenhadas. Um ponto essencial parece ser o da obtenção de um "contrato global de direitos de autor", que permita, exactamente, a venda directa do livro digital ne internet, ou seja em todo o mundo. Obtido este, várias possibilidades podem desde já ser vislumbradas. Uma delas é a do o autor "acantonar- se" no seio do lugar virtual de um editor de reputação, capaz de lhe dar visibilidade num directório global como é o Google. Outra, que começa a ser adoptada pelos monstros best - sellers saxónicos, é a do autor, secundado por especialistas, assumir a comunicação e a venda. Qualquer que seja o cenário, a liderança em vendas e notoriedade será sempre dos autores que, como existem já exemplos em Portugal, estejam posicionados para comunicar em todas as plataformas, especialmente na televisão e na rede, e escrevam segundo as regras "mainstream" do momento. Neste cenário, vários problemas graves se levantam. Talvez o mais importante seja o da preservação segura e durável da cultura e do conhecimento, que, sem dúvida, são transmitidos acima de tudo pelo livro. Em que suporte serão transmitidos às bibliotecas os textos, de que modo se garante a sua inviolabilidade eterna, e igualmente de que modo se garante a disponibilidade aos leitores dos "fundos de livros" ( um problema já hoje em dia, devido à alta rotatividade do título em livraria) são temas em aberto. Uma única certeza existe em todo este processo: tal como em todas as outras áreas do mundo contemporâneo, há muito tempo, na verdade desde 1850, que a sociedade humana não acelerava tanto.

Comentário meu

Fernando Frazão disse...
No meio desta cadeia toda que parece estar a aproximar o produtor no consumidor final, eliminando intermediários, onde fica o o tradutor, cujo papel parece estar esquecido em todos os escritos que tenho lido sobre o assunto?
Como será possivel a escritores do gabarito de um Philip Roth, Ian Mcwean ou Cormac Mccarty colocarem "livros" no mercado português directamente sem passar por esta figura fundamental?
Remeto a questão para o magnifico prefácio do tradutor no Meridiano de Sangue de Cormac Mccarty explicando a dificuldade do seu trabalho ou o que está escrito pela tradutora de Lobo Antunes para Sueco. Quem paga o trabalho insano deste profissional?
Mais, a partir de um texto na lingua do escritor como se coloca, em tempo útil, via net, este produto nas diferentes linguas de consumo?
Gostaria de saber a sua opinião sobre esta questão.
Cumprimentos

2010/04/01

Benfica vs Liverpool

No dia 21 de Março de 1984 fui ao Estádio da Luz ver o Benfica - Liverpool. Foi a 2ª mão dos 1/4 final da Taça dos Campeões Europeus. Em Anfield o Benfica tinha perdido por 1-0. As esperanças eram grandes. O Benfica de Sven-Goran Eriksson estava a jogar bem. Era uma equipa renovada com Carlos Manuel, Chalana e Diamantino. Stromberg dava solidez ao meio campo. Bento era o guarda redes e Néné ainda ajudava. O Liverpool era treinado por Joe Fagan e as estrelas eram muitas. Destaco o Alan Kennedy, o Kenny Dalglish, o Ian Rush e o Graeme Souness.
Para ir ao jogo tive que "meter" meio dia de férias. Na altura trabalhava numa unidade industrial do Barreiro. Saí depois de almoço. Apanhei o barco até ao Terreiro do Paço. Fiz horas até ao início do jogo e lá entrei na "Catedral". Com mais 70.000. Na altura já não era sócio ( tinha-o sido nos tempos de Jimmy Hagan ) mas consegui um bilhete de sócio ( não conto como ...pois ainda quero fazer carreira política ).


O Liverpool deu uma lição ao Benfica. O resultado final foi 1-4.
O Benfica alinhou com :
1. Bento (C) ; 2. Pietra; 3. Oliveira ( substituido por Shéu aos 46' ) 4. Álvaro Magalhães; 5. Bastos Lopes; 6. Carlos Manuel ; 7. Néné; 8. Glenn Stromberg; 9. Michael Manniche; 10. Chalana; 11. Diamantino ( substituido por Zoran Filipovic aos 58' ).
O Liverpool alinhou com :
1. Bruce Grobbelaar; 2. Phil Neal; 3.Alan Kennedy; 4.Mark Lawrenson, 5.Ronnie Whelan; 6.Alan Hansen; 7.Kenny Dalglish; 8.Sammy Lee; 9.Ian Rush; 10.Craig Johnston; 11. Graeme Souness (C).
O árbitro foi o alemão Volker Roth.
Os golos : 9' Whelan ( 0-1 ); 33' Craig Johnston ( 0-2 ); 74' Néné ( 1-2 ); 78' Ian Rush ( 1-3 ) ; 88' Whelan ( 1-4 ).
O Liverpool seria Campeão Europeu nessa época. Ganhou por penalties a final ao A.S. Roma, na capital italiana.

Sven-Goran Eriksson é agora o seleccionador da Costa do Marfim e todos conhecem a sua carreira . Ficou na história do Benfica.
Joe Fagan tinha sucedido a Bob Paisley em 1983 e fazia parte da famosa Bootroom onde também trabalhou com o inesquecível Bill Shankly. Abandonou a carreira depois da trágica final de Heyssel em 1985. Morreu em Julho de 2001 aos 80 anos.
Muitos jogadores ficaram na história dos respectivos clubes.
Alguns, depois de pendurarem as chuteiras, ainda exercem ou exerceram outras funções.
No Benfica : Pietra ( actual treinador adjunto de Jorge Jesus ), Shéu ( há que anos no Departamento Técnico ) , Chalana, Álvaro Magalhães. Manuel Bento faleceu em Março de 2007.
No Liverpool : Phil Neal, Kenny Dalglish ( actual embaixador da Academia do clube ), Sammy Lee (actual treinador adjunto de Rafa Benitez ) e Graeme Souness que curiosamente foi treinador dos dois clubes. Do Liverpool de 91 a 94 e do Benfica de 97 a 99. Infelizmente não ficou na história do Glorioso.
Quase de certeza que me esqueci de alguns. As minhas desculpas.
Dois grandes clubes que fizeram história na Taça dos Campeões Europeus. Em épocas diferentes.
Coisa que está ao alcance de poucos. Acrescentaria o penta-campeão Real Madrid da década de 50, o Ajax tri-campeão em 70/71, 71/72 e 72/73/74 , o Bayern Munique também tri-campeão em 73/74, 74/75 e 75/76 e ainda o Milão dos holandeses Van Basten, Gullit e Reykaard no final da década de 80 princípio da década de 90.
O Benfica na década de 60. Interrompeu o domínio do Real Madrid e em 8 anos foi a 5 finais. Tendo sido bi-campeão em 60/61 e 61/62.
O Liverpool que, depois do êxito episódico, em 1968, do Manchester United, iniciou em 1976 /77 um período de domínio dos clubes ingleses. O Liverpool de 76/ 77 a 84/85 disputou 5 finais ganhando 4. E possivelmente esse domínio teria continuado caso os clubes ingleses não tivessem sido suspenso por 5 anos de todas as competções europeias após a final de Bruxelas em 1985. Nunca o saberemos.

Apenas sabemos que são dois grandes clubes e ambos equipam de vermelho.

Tirado daqui

2010/03/31

Why You Can’t Help Believing Everything You Read


You shouldn't believe everything you read, yet according to a classic psychology study at first we can't help it.
What is the mind's default position: are we naturally critical or naturally gullible? As a species do we have a tendency to behave like Agent Mulder from the X-Files who always wanted to believe in mythical monsters and alien abductions? Or are we like his partner Agent Scully who was the critical scientist, generating alternative explanations, trying to understand and evaluate the strange occurrences they encountered rationally?

Do we believe what the TV, the newspapers, blogs even, tell us at first blush or are we naturally critical? Can we ignore the claims of adverts, do we lap up what politicians tell us, do we believe our lover's promises?

It's not just that some people do and some people don't; in fact all our minds are built with the same first instinct, the same first reaction to new information. But what is it: do we believe first or do we first understand, so that belief (or disbelief) comes later?

Descartes versus Spinoza
This argument about whether belief is automatic when we are first exposed to an idea or whether belief is a separate process that follows understanding has been going on for at least 400 years. The French philosopher, mathematician and physicist René Descartes (below, right) argued that understanding and believing are two separate processes. First people take in some information by paying attention to it, then they decide what to do with that information, which includes believing or disbelieving it.

Descartes' view is intuitively attractive and seems to accord with the way our minds work, or at least the way we would like our minds to work.

The Dutch philosopher Baruch Spinoza (above left), a contemporary of Descartes, took a quite different view. He thought that the very act of understanding information was believing it. We may, he thought, be able to change our minds afterwards, say when we come across evidence to the contrary, but until that time we believe everything.

Spinoza's approach is unappealing because it suggests we have to waste our energy rooting out falsities that other people have randomly sprayed in our direction, whether by word of mouth, TV, the internet or any other medium of communication.

So who was right, Spinoza or Descartes?

How many years in jail?
Daniel Gilbert and colleagues put these two theories head-to-head in a series of experiments to test whether understanding and belief operate together or whether belief (or disbelief) comes later (Gilbert et al., 1993).

In their classic social psychology experiment seventy-one participants read statements about two robberies then gave the robber a jail sentence. Some of the statements were designed to make the crime seem worse, for example the robber had a gun, and others to make it look less serious, for example the robber had starving children to feed.

The twist was that only some of the statements were true, while others were false. Participants were told that all the statements that were true would be displayed in green type, while the false statement would be in red. Here's the clever bit: half the participants where purposefully distracted while they were reading the false statements while the other half weren't.

In theory if Spinoza was correct then those who were distracted while reading the false statements wouldn't have time to process the additional fact that the statement was written in red and therefore not true, and consequently would be influenced by it in the jail term they gave to the criminal. On the other hand if Descartes was right then the distraction would make no difference as participants wouldn't have time to believe or not believe the false statements so they wouldn't make any difference to the jail term.

And the winner is...

The results showed that when the false statements made the crime seem much worse rather than less serious, the participants who were interrupted gave the criminals almost twice as long in jail, up from about 6 years to around 11 years.

By contrast the group in which participants hadn't been interrupted managed to ignore the false statements. Consequently there was no significant difference between jail terms depending on whether false statements made the crime seem worse or less serious.

This meant that only when given time to think about it did people behave as though the false statements were actually false. On the other hand, without time for reflection, people simply believed what they read.

Gilbert and colleagues carried out further experiments to successfully counter some alternative explanations of their results. These confirmed their previous findings and led them to the rather disquieting conclusion that Descartes was in error and Spinoza was right.

Believing is not a two-stage process involving first understanding then believing. Instead understanding is believing, a fraction of a second after reading it, you believe it until some other critical faculty kicks in to change your mind. We really do want to believe, just like Agent Mulder.

Believe first, ask questions later

Not only that, but their conclusions, and those of Spinoza, also explain other behaviours that people regularly display:

Correspondence bias: this is people's assumption that others' behaviour reflects their personality, when really it reflects the situation.

Truthfulness bias: people tend to assume that others are telling the truth, even when they are lying.
The persuasion effect: when people are distracted it increases the persuasiveness of a message.
Denial-innuendo effect: people tend to positively believe in things that are being categorically denied.
Hypothesis testing bias: when testing a theory, instead of trying to prove it wrong people tend to look for information that confirms it. This, of course, isn't very effective hypothesis testing!
When looked at in light of Spinoza's claim that understanding is believing, these biases and effects could result from our tendency to believe first and ask questions later. Take the correspondence bias: when meeting someone who is nervous we may assume they are a nervous person because this is the most obvious inference to make. It only occurs to us later that they might have been worried because they were waiting for important test results.

If all this is making your feel rather uncomfortable then you're not alone. Gilbert and colleagues concede that our credulous mentality seems like bad news. It may even be an argument for limiting freedom of speech. After all, if people automatically believe everything they see and hear, we have to be very careful about what people see and hear.

Benefits of belief
Gilbert and colleagues counter this by arguing that too much cynicism is not a good thing. Minds working on a Decartian model would only believe things for which they had hard evidence. Everything else would be neither believed or not believed, but in a state of limbo.

The problem is that a lot of the information we are exposed to is actually true, and some of it is vital for our survival. If we had to go around checking our beliefs all the time, we'd never get anything done and miss out on some great opportunities.

Minds that work on a Spinozan model, however, can happily believe as a general rule of thumb, then check out anything that seems dodgy later. Yes, they will often believe things that aren't true, but it's better to believe too much and be caught out once in a while than be too cynical and fail to capitalise on the useful and beneficial information that is actually true.

Or maybe by going along with this argument I'm being gullible and the harsh truth is that it's a basic human failing that we are all too quick to take things at face value and too slow to engage our critical faculties. I'll leave you to ponder that one.

Retirado daqui

2010/03/30

Benfica vs Liverpool

Retirado daqui

S.L. Benfica + Liverpool F.C. = 14 finais Taça do Campeões Europeus

Quem me conhece sabe que sou um fanático do Liverpool. Quando há jogos do Liverpool contra equipas portuguesas ninguém me pergunta por quem vou torcer. Todos sabem : pelo Liverpool. Só quando joga contra o Benfica é que me perguntam, sabem que também sou benfiquista. E agora que se aproxima o Benfica- Liverpool, para a Liga Europa, as perguntas começaram. Nas caixas de comentários. Por mail ou por telefone.
Hoje não respondo.
Apenas recordo que os dois clubes já estiveram presentes em 14 finais da Taça dos Campeões ( 1956 a 1992 em eliminatórias a 2 mãos) + Liga dos Campeões ( desde 1993 com a fase de grupos). Num total de 55 finais, ou seja 26 % de presenças em finais.
Os dois clubes já disputaram , cada, 7 finais. Mas nenhuma entre ambos O Liverpool ganhou 5 vezes. O Benfica duas.
Hoje deixo-vos a listagem dessas 14 finais. Clicando saberão a constituição das equipas , árbitros. marcadores dos golos, etc... e poderão ver videos resumo.

1961 em Berna : Benfica 3 - Barcelona 2
1962 em Amsterdão : Benfica 5 - Real Madrid 3
1963 em Londres : Milão 2 - Benfica 1
1965 em Milão : Inter 1 - Benfica 0
1968 em Londres : Manchester United 4 - Benfica 1 (após prolongamento)
1977 em Roma : Liverpool 3 - Borussia Moenchengladbach 1
1978 em Londres : Liverpool 1 - Bruges 0
1981 em Paris : Liverpool 1 - Real Madrid 0
1984 em Roma : Liverpool 1 - Roma 1 ( Liverpool 4-2 nos penalties )
1985 em Bruxelas : Juventus 1 - Liverpool 0
1988 em Estugarda : PSV Eindhoven 0 - Benfica 0 ( PSV 6-5 nos penalties )
1990 em Viena : Milão 1 - Benfica 0
2005 em Istambul : Liverpool 3 - Milão 3 ( Liverpool 3-2 nos penalties )
2007 em Atenas : Milão 2 - Liverpool 1


Vá aproveitem este verdadeiro serviço público. Não é todos os dias que estou para aí virado.
Em próximos posts falarei de algumas particularidaes dessas finais e dos jogos entre Benfica e Liverpool.

2010/03/17

Como tirar uma rolha de dentro da garrafa



Não sei se resulta mas "si non é vero é bene trovato"

2010/03/16

Reservas mundiais de surf



Têm vindo a crescer os movimentos de conservação das ondas, como se pode ler aqui.
Vale a pena o movimento ambientalista não perder de vista estes aliados potenciais (e também potenciais degradadores) para a discussão racional do uso sustentável da costa.

tirado daqui

Voltaire

Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até à morte vosso direito de dizê-lo."

PSD, MR. HYDE, PSD, DR. JEKYLL

«Um dia, Manuela Ferreira Leite disse, fazendo ironia (e eu aqui defendi-a, então, porque lhe soube ler a ironia), que era preciso suspender a democracia no País por seis meses. Sem ironia, agora ela defende coisa menor: suspender, no partido, as críticas ao líder nos 60 dias anteriores a eleições. Por exemplo, Pacheco Pereira não poderá, se lhe der na gana, como já deu, pôr as setas do PSD ao contrário no seu blog. No partido dos tenores contra o líder (Pacheco Pereira contra Menezes, Santana Lopes contra Marcelo, Marcelo contra quase todos...), o crime de lesa-majestade! Ao proibir essas críticas, o congresso prometeu ao próximo líder - Coelho, Rangel ou Aguiar-Branco, quem for - a honra de ser Kim-Il-sung durante 60 dias. É caso para pôr Zita Seabra a suspirar: "Posso ter saído do PCP, mas o PCP veio atrás de mim..." Tudo nesta decisão é tolo. A começar por ter sido apresentada por Santana Lopes, com o seu longo historial de morder canelas aos líderes. Mas, sobretudo, surpreende ser no PSD. Ontem, lendo dezenas de opiniões (como hoje a Internet me permite), a indignação era quase unânime entre gente simpatizante do PSD. Para um partido acossado pela necessidade urgente de resultados práticos, esse sobressalto por uma ideia, a liberdade de expressão, só o honra. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

Roubado do Jumento

Lei da Rolha


Imagem retirada do Abrupto.

Constança Cunha e Sá, Congresso da Rolha, hoje no Correio da Manhã. Elementar:


«A norma aprovada pelo PSD que institui sanções — que podem ir até à expulsão — a todos os militantes que critiquem a direcção do partido dois meses antes das eleições não é apenas um episódio absurdo que pode ser eliminado num próximo congresso de acordo com os votos piedosos expressos pelos três candidatos à liderança. Independentemente da sua hipotética revogação, a proposta aprovada pela esmagadora maioria dos delegados, perante o silêncio cúmplice dos mesmos candidatos, revela de forma cristalina o estado em que se encontra actualmente o PSD.

Que o PSD considere que a melhor forma de garantir a sua unidade e coesão é sancionar quem ouse criticar as decisões sagradas da sua direcção, transformando, pelo caminho, uma questão que devia ser política num procedimento disciplinar, é algo que o desqualifica democraticamente. A ‘lei da rolha’, como já é conhecida esta extraordinária norma, ao atentar contra os princípios básicos da liberdade de expressão, é própria de um partido totalitário que preza, acima de tudo, uma falsa unanimidade, arquitectada de acordo com os velhos princípios do estalinismo.

O caso ganha contornos ainda mais surrealistas quando se sabe que o PSD tem feito da ‘asfixia democrática’ a sua principal bandeira, presidindo, neste momento, a uma comissão parlamentar que visa saber se existe liberdade de expressão em Portugal. O facto de a dr.ª Ferreira Leite, que é o rosto desta cruzada, achar tudo isto ‘muito bem’ só agrava, ainda mais, a situação. Depois de aprovar a asfixia no interior do partido, com o apoio da sua actual presidente, o PSD perdeu, como é óbvio, qualquer autoridade política para questionar o PS sobre a liberdade de expressão no país. Um partido não pode ter dois pesos e duas medidas e condenar a asfixia dos outros quando ele próprio é o primeiro a aplicá-la aos seus militantes.

Por último, a aprovação esmagadora desta proposta mostra bem o que o partido pensa sobre o seu futuro próximo e sobre os seus actuais candidatos. Ao contrário das proclamações épicas destes últimos, o PSD têm-nos na devida conta e sabe que nenhum deles tem força e autoridade para o unir o partido no essencial: daí que seja necessária uma norma estatutária para impedir a balbúrdia que, há muitos anos, se instalou no PSD. No fundo, o partido sabe que, ganhe quem ganhar, o próximo líder é, mais uma vez, um líder a abater.

Quer se goste ou não, a verdade é que o PSD é, de facto, o único seguro de vida que o eng.º Sócrates hoje tem.»