2010/10/09

Bilbao

Ainda a propósito do post anterior aqui ficam algumas imagens do "Guga".
Ressalvando a excepcional Mamam de Loise Bourgeois e a instalaçao The Matter of Time de Richard Serra a colecção não é muito interessante mas, só por si, o edifício vale a deslocação.
A mudança de tonalidades que se verifica durante o dia é estraordinária e só pode ser um estudo genial do arquitecto Frank Gehry
Vale a viagem.





Aliem a "cultura" a outra. A gastronómica.
Em toda a Espanha se "pica" magnificamente mas nada se compara aos "pintchos" bascos nomeadamente em S. Sebastian.


Serie Frase do Ano I

Enviaram-me isto como sendo originário do Brasil.
Não sei se é verdade mas confere:

No país onde o Ministro da Saúde diz que sexo é o melhor remédio para a hipertensão, já tem gente usando a punheta como genérico.

2010/10/04

Pamplona






Em Janeiro de 2008 fui com o meu filho João, passar um fim-de-semana comprido em Bilbau, com o objetivo de visitar o Gugenheim.
Acabámos por dar uma volta pelo País Basco incluindo Pamplona.
A cidade é feia e sem o mínimo interesse.
O curioso é que no centro da cidade entramos neste café lindíssimo para uma caña.
Fui agora surprendido pelo vídeo abaixo que decorre no mesmo sítio.
mesmo sítio.


Nota 1: não sei onde fui buscar o vídeo mas foi seguramente a um blog.
Peço desculpa ao autor da sua divulgação pela não referência
Nota2:
Ando irritado com a formatação dos meus últimos posts.
A coisa não me tem saído como eu gostaria, não sei se por imcompetência minha, se por falta de aplicação.
Prometo resolver a questão brevemente.

2010/10/02

O Desconforto de Mourinho 2

Comentário do João Frazão ao texto com o mesmo nome:

Li e vi também o jogo! E os antes também. Eu gosto é de futebol, gosto bastante do futebol do Real Madrid, que agora é o futebol do José Mourinho. Estavam á espera do quê!? Do futebol de quem! Não se percebe bem aonde é que o gajo da Marca quer chegar; Achei ridícula a forma como ela caracteriza e diminui duas grandes culturas de futebol como a Inglesa e a Espanhola; achei ridículo como diminui o Inter e o Chelsea;. Se há treinador que tem resposta para os doentes espanhóis de Madrid que por terem expectativas erradas é o Mourinho: Acham que uma grande equipa como o Madrid não precisa de sofrer bastante para ganhar os jogos da Champions da La liga! Achavam que o Mourinho chegava, dizia três palavras e quatro treinos e eles saiam a jogar como o Barcelona. Espanha tem o seu futebol, mas eu acho que o verdadeiro problema está no futebol lindo de morrer do seu arqui-rival de Barcelona pratica, enquanto o Mourinho não começar a dar cabazadas de bola como os outros; não vai ser suficiente. Pena é que se esqueceram muito rápido quem é que encheu o cabaz de quem na final da champions do ano passado. E quando ele levantar o caneco por Madrid; mais uma vez estas vozes que se repetem irão traduzir a expressão Special One e Lo speciale ou lá o que é para espanhol. Como tu dizes - Cuidado com as adjectivações. O que é isso de em Espanha gostamos de BOM futebol. Era uma pergunta que gostava que o senhor respondesse. O primeiro trabalho visível de um treinador é a defesa da equipa. Falem sobre a defesa como o Real defende. Será que isso não bom futebol? P.S. O Barça do Cruiff era o que baseado nos fundamentos do AJAX ou será que nem isso já se lembram?

A medidazita que faltou

A mim também me teria convencido

Por Ferreira Fernandes

ELE É VOGAL de uma dessas entidades reguladoras portuguesas - insisto, não é ministro de país rico, é um vogal de entidade reguladora de país pobre - e foi de Lisboa ao Porto a uma reunião. Foi de avião, o que nem me parece um exagero, embora seja pago pelos meus impostos. Se ele tem uma função pública é bom que gaste o que é eficaz para a exercer bem: ir de avião é rápido e pode ser económico. Chegado ao Aeroporto de Sá Carneiro, o homem telefonou: "Onde está, sr. Martins?" O Martins é o motorista, saiu mais cedo de Lisboa para estar a horas em Pedras Rubras.O vogal da entidade reguladora não suporta a auto-estrada A1. O Martins foi levar o senhor doutor à reunião, esperou por ele, levou-o às compras porque a Baixa portuense é complicada, e foi depositá-lo de volta a Pedras Rubras.O Martins e o nosso carro regressaram pela auto-estrada a Lisboa. O vogal fez contas pelo relógio e concluiu que o Martins não estaria a tempo na Portela. Encolheu os ombros e regressou a casa de táxi, o que também detestava, mas há dias em que se tem de fazer sacrifícios.Na sua crónica nesta edição do DN, o meu camarada Jorge Fiel diz que o Estado tem 28 793 automóveis. Nunca perceberei por que razão os políticos não sabem apresentar medidas duras. Sócrates, ontem, ter-me-ia convencido se tivesse também anunciado que o Estado passou a ter 28 792 automóveis.

2010/10/01

A Biblioteca 2

A ordem dos "posts está invertida porque este é que deu origem ao anterior.

Publicado aqui por José Mário Silva

«”Já os leu todos?” Não, claro que não. Ou talvez sim. Na verdade, não sei. É complicado. Há livros que li e esqueci (muitos), e alguns que me limitei a espreitar e de que me lembro. Ou seja, nem todos foram lidos, mas todos foram folheados, cheirados, sopesados. Depois disso, a obra pode tomar três direcções possíveis (refiro-me aos livros escolhidos, comprados por mim e por isso já “seleccionados”, e não aos livros simplesmente recebidos): leitura imediata ou a breve prazo, leitura para mais tarde (o que pode levar semanas, meses ou anos, se as circunstâncias forem particularmente desfavoráveis e o afluxo demasiado intenso, formando-se “pilhas de livros a ler”), ou leituras para arrumar nas prateleiras. Mas mesmo estes últimos livros foram, de certa maneira, “lidos”, e ficaram arrumados tanto numa parte qualquer do meu espírito como na minha biblioteca. Eles servirão um dia, embora não saiba quando nem porquê. Há decerto uma razão para estarem aqui. Deveríamos falar igualmente dos livros que lemos e que falhámos, desses com os quais nunca nos conseguiremos entender, porque, embora sejam geniais, não nos correspondem, desses outros livros que precisam de ser relidos para que os assimilemos, dos que temos vontade de reler por puro prazer, dos que certamente nunca mais voltaremos a abrir mas de que não nos queremos separar, dos autores que prometemos reler integralmente um dia ou descobrir, etc. (”Na verdade, uma biblioteca, seja qual for o seu tamanho, não precisa de ter sido lida de uma ponta à outra para ser útil; cada leitor beneficia de um equilíbrio exacto entre saber e ignorância, memória e esquecimento”, Alberto Manguel). Séneca chegava ao ponto de considerar que os numerosos rolos da Biblioteca de Alexandria eram “decorações de sala de jantar”.“Mas tem um método de leitura rápida?”, perguntam-me. Sim, claro que tenho. É o seguinte: faz cinquenta anos que passo uma grande parte do meu tempo a ler todo o tipo de obras, em todo o tipo de circunstâncias, para todo o tipo de fins. Como em qualquer actividade que se torna familiar (seja ela manual, artística ou desportiva), cria-se uma relação especial com o objecto em questão, no caso a coisa impressa (”São necessários muitos anos de trabalho para que as engrenagens cerebrais da leitura, já bem oleadas, deixem de ser conscientes”, Stanislas Dehaene). O importante não é ler depressa mas ler cada livro à velocidade que ele merece. É tão pernicioso demorar tempo demais com alguns do que ler outros demasiado rápido. Há livros que ficamos a conhecer folheando-os, outros que só compreendemos à segunda ou terceira leitura, outros ainda que poderemos reler com proveito toda a vida. Um policial lê-se em poucas horas, mas preparar uma aula sobre algumas páginas de The Waste Land, de T. S. Eliot, exige vários dias. Mas o cúmulo do desequilíbrio entre o tempo passado com um texto e a sua extensão estaria sem dúvida num trabalho de análise ao célebre monóstico de Apollinaire: “Et l’unique cordeau des trompettes marines”! Escrever um artigo para a imprensa sobre uma obra que acaba de ser publicada exige – pelo menos no que me diz respeito – duas leituras: a primeira para descobrir o livro enquanto leitor inocente, a segunda para dar uma ordem às impressões e ideias que o livro me suscitou. E depois, é um facto que esquecemos a maior parte do que lemos. Pierre Bayard, em Comment parler des livres que l’on n’a pas lus? (Minuit, 2007; Como falar dos livros que não lemos?, tradução de Maria Amaral e Sílvia Sacadura, Verso da Kapa, 2008), dissertou brilhantemente sobre o facto de sermos todos levados a falar de livros que não lemos, livros dos quais apenas ouvimos falar. Aliás, Bayard disserta até de forma demasiado brilhante, uma vez que a soma das leituras que pressentimos por trás do seu ensaio está em flagrante contradição com a sua tese. Ele evoca igualmente o esquecimento em que tombam a maior parte das nossas leituras: “Torna-se difícil saber com precisão se lemos ou não um livro, uma vez que a leitura é o lugar da evanescência.” Porque mesmo quando o livro foi efectivamente lido, e tão bem que ganha um lugar específico no nosso espírito, muitas vezes não sobra mais do que a memória da emoção vivida durante a sua leitura e nada de muito preciso quanto ao seu conteúdo (acontece oferecermos durante anos a fio um determinado livro, certos de que gostámos de o ler, e contudo sermos incapazes de falar sobre ele porque entretanto os detalhes já se apagaram completamente).Stanislas Dehaene mostra, em Les Neurones de la lecture (Odile Jacob, 2007), o que o surgimento da leitura teve de singular na evolução humana. Trata-se de uma actividade do nosso cérebro que é relativamente recente: a invenção da escrita pelos babilónios aconteceu apenas há 5400 anos e o alfabeto tem 3800 anos, ou seja, tempo insuficiente para que o nosso genoma tivesse oportunidade de se modificar com vista a desenvolver circuitos cerebrais específicos para a leitura (”Como é que a arquitectura cerebral de um bizarro primata bípede que se tornou caçador-recolector se foi ajustando com tanta precisão, em poucos milhares de anos, às dificuldades que derivam do reconhecimento da escrita?”, Stanislas Dehaene). Esta faculdade, apercebida individualmente como mágica, constitui também um acontecimento improvável no plano da evolução humana, e é um dos aspectos mais surpreendentes do nosso funcionamento cerebral. A leitura, ao começar por recolher informações (sobre contabilidade comercial, câmbios e impostos), permitiu que se passasse depois à notação de reflexões mais gratuitas, transmitindo-as à distância e, ao serem legadas às gerações seguintes, favorecendo a sua acumulação e o seu enriquecimento constantes. Com a escrita, e por arrasto com a leitura,o homem não efectuou apenas um salto cultural quantitativo, ele passou também para outra escala em termos mentais. Tornou-se, em suma, um ser pensante complexo. (”O Homo sapiens é o único primata capaz de pedagogia, na medida em que apenas ele sabe prestar atenção aos conhecimentos e aos estados mentais de outrém, tendo como objectivo o ensino. Não só conseguimos transmitir de forma activa os objectos culturais que consideramos úteis, mas também – e isto é particularmente evidente no caso da escrita – conseguimos aperfeiçoá-los intencionalmente. Há cerca de cinco mil anos, os primeiros escribas descobriram um poder escondido do cérebro humano: o de aprender a transmitir a linguagem através da visão”, Stanislas Dehaene).Não espanta por isso que a leitura continue a ser percepcionada como uma actividade única. E, no meu caso, há sempre euforia no acto de formar uma realidade por trás do simples nome de um autor ou do título de uma obra (”Leio sem escolher, simplesmente para entrar em contacto”, Walter Benjamin). Quando não foi lido, um livro é na pior das hipóteses um conjunto de letras. Na melhor das hipóteses, é uma vaga – e muitas vezes falsa – imagem nascida do que sobre ele ouvimos dizer. Pegar num livro e descobrir o que realmente contém equivale a dar-lhe um corpo; quer dizer, uma espessura e uma densidade que ele nunca mais perderá.»

O ensaio de Jacques Bonnet, traduzido por mim e editado pela Quetzal, vai para as livrarias dia 8 de Outubro.

A Biblioteca

Eu tenho uma Biblioteca.
A história, começou quando logo após o 25 de Abril de 1974 o Mário Soares deu uma entrevista na sua casa do Campo Pequeno sentado num sofá de orelhas com uma estante repleta de livros atrás e um candeeiro de pé alto lado, sugerindo que ali era o seu sítio preferido de leitura.

Eu já tinha muitos livros mas nada que parecesse com o ambiente que se respirava. Sossego, recolhimento, concentração. Ali mesmo prometi que quando fosse crescido teria uma coisa parecida.

Quase trinta anos depois, mais concretamente em 2002, surgiu a oportunidade e lá comprei uma casita que transformei nisto que se pode ver abaixo e em que, curiosamente, a fotografia que melhor corresponde à ideia é a de um amigo sentado à "minha" secretária lendo um dos meus livros.

Fui acrescentando algumas coisas nomeadamente uma área onde se pode "ouver" (roubado ao Zé Duarte) os meus/minhas favoritos/as, como segue:






Hoje é o meu refúgio.

Fica perto de Lísboa, suficientemente perto para se chegar depressa e suficientemente longe para se estar no campo.

Aconteceu á pouco, aquando da vista do Papa a Portugal, uma história engraçada.

A casa fica no Caminho de Fátima e os Peregrinos passam mesmo à minha porta.

Estava a "ouver" um conerto de Mozart, com a Orquestra de Viena dirigida pelo Karajan (edição do aniversário dos 111 anos da Deutche Gramophone) quando de repente olhei pela janela e vi um grupo a espreitar e a"ouver".

Um deles virou-se para mim e disse :

- não sabia que se ouvia disto por estas bandas...

- Pois fique a saber que sim e vão com cuidado porque a estrada é perigosa, respondi eu.

Ficaram mais um pouco a descansar e a alimentar a alma com a música e lá se foram serra acima.

Resta acrescentar que eu gosto de ouvir música alto e bom som e sou conhecido na terra por "ser o gajo que só ouve música esquisita, erudita, jazz, blues e quando me dá a fraqueza, que diabo um homem não é de pau, faço umas incursões violentas pelo Country.

Rachelle Ferrell

“The songwriter translates emotion into words. The singer's job is to translate the words back into emotion."

Who's Who

Com devida vénia ao Eduardo Pitta e para memória futura aqui fica este post:

Quem ouvir as luminárias do economês que andam há cinco anos a fazer agitprop, julgará tratar-se de um bando de virgens. Afinal, quase todos foram ministros das Finanças e/ou da Economia, e muitos dos que não foram (e agora têm catarro) fizeram uma perninha como ajudantes.

Vejamos como foi a partir de 16 de Maio de 1974:

1.º governo provisórioPalma Carlos (PM), Vasco Vieira de Almeida (Coord. Económica)

2.º governo provisórioVasco Gonçalves (PM), José da Silva Lopes (Finanças), Rui Vilar (Economia)

3.º governo provisórioVasco Gonçalves (PM), José da Silva Lopes (Finanças), Rui Vilar (Economia)

4.º governo provisórioVasco Gonçalves (PM), Mário Murteira (Coord. Económica), José Joaquim Fragoso (Finanças)

5.º governo provisórioVasco Gonçalves (PM), Mário Murteira (Coord. Económica), José Joaquim Fragoso (Finanças)

6.º governo provisórioPinheiro de Azevedo (PM), Salgado Zenha (Finanças)

1.º governo constitucional / PS Mário Soares (PM), Sousa Gomes (Coord. Económica), Medina Carreira (Finanças)

2.º governo constitucional / PS+CDSMário Soares (PM), Vítor Constâncio (Finanças e Plano)

3.º governo constitucional / EanistaRejeitado no ParlamentoNobre da Costa (PM), José da Silva Lopes (Finanças e Plano)

4.º governo constitucional / EanistaCarlos Mota Pinto (PM), Jacinto Nunes (Finanças e Plano)

5.º governo constitucional / EanistaLurdes Pintasilgo (PM), Corrêa Gago (Coord. Económica), Sousa Franco (Finanças)

6.º governo constitucional / AD [PSD-CDS+PPM]Francisco Sá-Carneiro (PM), Cavaco Silva (Finanças e Plano)

7.º governo constitucional / AD [PSD-CDS+PPM]Pinto Balsemão (PM), Morais Leitão (Finanças e Plano)

8.º governo constitucional / AD [PSD+CDS+PPM]Pinto Balsemão (PM), João Salgueiro (Finanças e Plano)

9.º governo constitucional / BLOCO CENTRAL [PS+PSD]Mário Soares (PM), Ernâni Lopes (Finanças e Plano)

10.º governo constitucional / PSDCavaco Silva (PM), Miguel Cadilhe (Finanças)

11.º governo constitucional / PSDCavaco Silva (PM), Miguel Cadilhe (Finanças), Miguel Beleza (idem)

12.º governo constitucional / PSDCavaco Silva (PM), Braga de Macedo (Finanças), Eduardo Catroga (idem)

13.º governo constitucional / PSAntónio Guterres (PM), Sousa Franco (Finanças), Daniel Bessa (Economia), Augusto Mateus (idem), Pina Moura (idem). Na ponta final, Pina Moura acumulou Finanças e Economia.

14.º governo constitucional / PSAntónio Guterres (PM), Guilherme d’Oliveira Martins (Finanças), Braga da Cruz (Economia)

15.º governo constitucional / PSD+CDS-PPDurão Barroso (PM), Manuela Ferreira Leite (Finanças), Carlos Tavares (Economia)

16.º governo constitucional / PSD+CDS-PPSantana Lopes (PM), Bagão Félix (Finanças), Álvaro Barreto (Act. Económicas)

17.º governo constitucional / PSJosé Sócrates (PM), Campos e Cunha (Finanças), Teixeira dos Santos (idem), Manuel Pinho (Economia)

18.º governo constitucional / PSJosé Sócrates (PM), Teixeira dos Santos (Finanças), Vieira da Silva (Economia)

Afinal, o que é que os distinguiu? Medina Carreira e Ernâni Lopes tiveram de negociar com o FMI.

Cavaco foi-se embora por razões nunca esclarecidas.

Silva Lopes e Constâncio foram governadores do Banco de Portugal.

Teixeira dos Santos veio da CMVM.

Carlos Tavares foi para a CMVM.

Dois advogados (Medina Carreira e Salgado Zenha) foram ministros das Finanças.

Realmente já só falta experimentar o Francisco Louçã.

2010/09/29

Até que enfim

Um grande amigo enviou-me esta fotografia de algo que a minha sempre me disse para tomar e que eu até agora não tinha encontrado.

Afinal, vende-se em garrafas.

Anedota do dia

Diz a Luciana ao Djálo:
- Queres chá verde “ó” preto?
E ele responde:
- Pode ser.

A história de "estória"

Alertado por um amigo que se encanita com facilidade, sobretudo em questões de Lingua Portugêsa deixo aqui dois textos, o primeiro da autoria desse meu amigo e o segundo de Claudio Moreno que dispensa apresentações.

Resumindo, pqp para os que contam "estórias".

Sempre me irritou a utilização da palavra estória, e mais ainda agora que a vi num coleccionável no Diário de Notícias intitulado AS ESTÓRIAS NUNCA CONTADAS PELA HISTÓRIA sobre os 100 anos da República. O raio do título é uma verdadeira tese, pelo que, fui ver e encontrei e chega-me e irrita-me. A palavra estória é uma forma divergente de história, pois ambas têm origem no grego historía, -as (exame, informação, pesquisa, estudo, ciência) através do latim historia, -ae, tendo a forma estória entrado através do inglês story.
O Dicionário Houaiss (brasileiro, mas também com uma edição portuguesa) informa-nos, na etimologia desta palavra, que estória foi uma forma "adoptada pelo conde de Sabugosa com o sentido de narrativa de ficção, segundo informa J.A. Carvalho no seu livro Discurso & Narração, Vitória, 1995, p. 9-11".
Em Portugal, apenas alguns dicionários registam estória; no entanto, esta palavra é actualmente utilizada com muita frequência com o sentido de narrativa popular.
Em relação a estas palavras, o Dicionário Aurélio (também brasileiro) faz mesmo uma recomendação: "[Recomenda-se apenas a grafia história, tanto no sentido de ciência histórica, quanto no de narrativa de ficção, conto popular, e demais acepções.]".
Em contextos em que o utilizador da língua queira evitar o uso de uma palavra polémica, deverá utilizar sempre a forma história, pois em relação a esta não há qualquer controvérsia.

Cláudio Moreno

Perdi a conta dos leitores que me perguntam sobre a famigerada estória. Uns querem saber se realmente existe essa distinção entre estória e história. Outros teriam ouvido que a palavra existiu outrora, mas hoje seria considerada arcaica. Há quem especule que estória tenha nascido de um erro de tradução. Quase todos perguntam se é uma distinção útil e necessária, ou se não passa de supérfluo balangandã. Peço perdão àqueles que fiz esperar, mas aqui vai minha resposta a todos.
Foi João Ribeiro, forte conhecedor de nosso idioma, quem propôs a adoção do termo estória, em 1919, para designar, no campo do Folclore, a narrativa popular, o conto tradicional, objeto de estudo dos especialistas daquela área. E não se tratava de inventar, mas sim de reabilitar (hoje usariam o horrendo resgatar...) uma forma arcaica, comum nos manuscritos medievais de Portugal. Era uma ingênua proposta, paroquial, nascida da inveja compreensível que causa a distinção story - history do Inglês; sem ela, alega o próprio Luís da Câmara Cascudo - para mim, um dos escritores que mais contribuíram para nossa língua -, não se pode entender frases como "Stories are not History", ou títulos como "The History of a Folk Story". Que o mestre Cascudo me perdoe: a intenção era boa, mas sem nenhum fundamento lingüístico.
Em primeiro lugar, a estória medieval não era um vocábulo diferente de história; era apenas uma das muitas variantes que se encontram nos textos manuscritos de nossos copistas, naquele tempo heróico em que a estrutura de nossa ortografia ainda lutava para sedimentar. Ali aparecem história, hestória, estória, istória, estórea (ainda não se usavam os acentos, que são de nosso século, mas não pude resistir). Da mesma forma, vamos encontrar homem, omem, omee (algumas vezes com til no primeiro e) e até ome. Nota-se que o emprego do "h" e das vogais ainda não estava estabilizado na escrita. Entretanto, já no séc. XVI - em Camões, por exemplo - a grafia de homem e história era a que é usada até hoje. Outras línguas da família latina, como o Espanhol e o Francês, também experimentaram essa variedade de formas para história, mas terminou prevalecendo a forma única (historia e histoire, respectivamente).
Em segundo lugar: grande coisa se o Inglês pode fazer a distinção entre story e history! E daí? Como o folclórico Napoleão Mendes de Almeida nos lembra, eles também distinguem entre can (poder, conseguir) e may (poder, no sentido legal e ético): "You can, but you may not" é uma rica frase em Inglês que só poderíamos traduzir com um aproximado "Você pode, mas não deve". Esse autor, que abominava estória, pergunta ironicamente: "Se curtos de inteligência foram nossos pais em não terem descoberto essa história de "estória", curtos de inteligência continuamos todos nós em não forjarmos distinção gráfica e fonética para "poder", para "educação", para "raio", para "oficial" e para outros vocábulos de formas diferentes em Inglês, como curtos de inteligência são todos os outros idiomas que têm palavras com mais de uma significação".
Dessa vez Napoleão bateu no prego e não na tábua. Uma olhada no meu Oxford e me dou conta que para nosso raio, por exemplo, o Inglês tem (1) ray (onde temos "raio de luz", "pistola de raios"), (2) radius (o "raio de um círculo") e (3) lightning (a "descarga elétrica"). É mais do que comum o fato de uma língua fazer distinções vocabulares que outras não fazem. Como tive a oportunidade de mencionar em outro artigo (Atravessando o Canal da Manga), o Espanhol designa com um único vocábulo (celo, celos) o que nós distribuímos por três: zelo, cio e ciúme. Invejamos o story do Inglês? Eles então devem ficar verdes diante de nosso ser e estar, distinção fundamental na vida e na Filosofia, que eles simplesmente desconhecem. Assim são as línguas humanas, na sua (im)perfeição.
Além disso, os amáveis folcloristas que defendiam estória pensavam apenas em distinguir "a História do Brasil das Histórias da Carochinha". Do ponto de vista lingüístico, erraram por todos os lados. Primeiro, erraram porque essa não é uma distinção útil, que justifique sua defesa. O português José Neves Henriques, o severo e consciencioso JNH do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (já falei sobre ele na seção de Links***), condena essa invenção "brasileira" (ele tem razão: é coisa nossa), tachando-a de "uma palermice, porque, até agora, nunca confundimos os vários significados de história. O contexto e a situação têm sido mais que suficientes para distinguirmos os vários significados". Certo o professor Henriques, errados os folcloristas: ninguém vai confundir a história de um país com a história do bicho-papão.
Segundo, erraram porque enxergavam apenas dois pólos bem definidos: a história que se refere ao passado e ao seu estudo, e a estória da narrativa, da fábula. A experiência nos diz que essas invasões de searas alheias geralmente pecam por um raciocínio simplista, reducionista. Quem mexe no que não entende, termina fazendo bobagem... e não deu outra. Nossos estudiosos não perceberam que a distinção sugerida, apetecível do ponto de vista deles, acabaria criando incertezas e hesitações em frases corriqueiras como "Deixa de histórias!"; "Essa já é outra história"; "Que história é essa?"; "Eu e ela temos uma velha história". Qual das duas formas usar? Por tão pouco benefício, por que assombrar ainda mais os que escrevem em Português? Faço questão de frisar "os que escrevem" - porque aqui, também, reside outra falha da proposta de João Ribeiro: as duas formas não seriam distinguíveis na fala, já que a realização da vogal "E" inicial de estória é geralmente /i/ (como em espada, esperto, etc.). Ambas seriam pronunciadas da mesma maneira: /istória/. E quantas outras palavras, derivadas de história, deveriam ser alteradas? Historieiro? Historiento? As historietas passariam a ser estorietas? Os aficcionados em quadrinhos passariam a usar EQ em vez do consagrado HQ? Como se vê, "muito trabalho por nada", como reza a comédia de Shakespeare.
De qualquer forma, o uso de estória poderia ter ficado confinado ao mundo do Folclore, onde talvez fosse de alguma utilidade. Afinal, não é incomum que certas áreas do pensamento postulem, para uso exclusivo, vocábulos novos ou variações fonológicas ou ortográficas de vocábulos antigos, no afã de obter maior precisão em seus conceitos. Isso se verifica, por exemplo, na Filosofia, na Lógica, na Lingüística, na Psicanálise (onde me chama a atenção a impressionante inquietação lingüística dos lacanianos). Como é natural, essas variantes vão fazer parte de um código específico, cujo emprego passa a ser indispensável para os especialistas dessa área, mas não entram no grande caudal da língua comum. A criação, a utilização e, muito seguidamente, a agonia e morte dessas formas são registradas em discretos dicionários especializados, convenientemente isolados do grande rebanho representado pelos dicionários de uso.
Infelizmente, como nos piores pesadelos dos ecologistas, estória rompeu as cercas de segurança, saiu do pequeno rincão do Folclore e invadiu nossas vidas. O responsável por isso foi João Guimarães Rosa (pudera não!). Como escreve meu mestre Celso Pedro Luft, com uma ponta de inesperada ironia, Rosa decidiu "glorificar, imortalizar a ausência do agá: Primeiras Estórias. Corriam os anos de 1962. Primeiras estórias ... todos os fãs do mineiro imortal ficaram absolutamente alucinados. E foi estória para cá, estória para lá, estória para todos os lados. Uma epidemia. Perdão, uma glória". Depois, em 1967 veio Tutaméia, com o subtítulo "Terceiras Estórias", e o póstumo Estas Estórias, publicado em 1969. Muito tem sido escrito sobre a inovação da linguagem rosiana; a sintaxe de seu narrador é, a meu ver, a criação literária do século. No entanto, sou obrigado a observar que, em termos não-literários, essa inovação é zero. Nenhuma das palavras montadas, deformadas ou inventadas por ele jamais será usada, a não ser por imitadores (que já andam escasseando...). É uma linguagem só dele; funciona admiravelmente no universo de sua obra, mas é seu instrumento pessoal, e nunca será nosso. Ouso dizer que a única influência rosiana no Português foi a divulgação desse equívoco que é estória. Tenho certeza de que Guimarães Rosa, místico de quatro costados, entenderia: deve ser vingança dos deuses da Língua.
Comentário de Roberto Moreno na secção "Links" (http://www.terra.com.br/sualingua/):«Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Este é o sítio mais tradicional sobre questões de Língua Portuguesa. Você pergunta, e uma simpática "equipa, orientada pelo Conselho Científico da Sociedade da Língua Portuguesa, responder-lhe-á o mais depressa possível" (pelo vocábulo equipa e pela mesóclise, você já deverá ter percebido que os autores são de Portugal). Tem uma estrutura bem prática; seu valioso arquivo de perguntas respondidas desde 1997 pode ser pesquisado com um mecanismo de busca. Infelizmente a "equipa" que responde às consultas é muito desigual; alguns de seus integrantes pouco ou quase nada entendem do assunto. No entanto, como todas as respostas são assinadas, fique atento às iniciais JNH, que identificam o material produzido por José Neves Henriques, qualificado na ficha de colaboradores como "professor aposentado, membro do Conselho Científico e director do boletim da Sociedade da Língua Portuguesa, licenciado, com tese, em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa e autor de várias obras de referência". Este realmente sabe o que faz; embora siga uma orientação um tanto tradicional, suas contribuições são constrangedoramente mais valiosas que as de seus parceiros. Até agora, todos os textos que li com a rubrica JNH impressionam pela solidez do conhecimento e seriedade com que trata cada tópico discutido.»

Sobre o Autor

Doutor em Letras pela PUCRS (Rio Grande, RS, Brasil), Cláudio Moreno é professor de Português nesta universidade e autor do consultório da Internet "Língua Portuguesa".

2010/09/28

O Desconforto de Mourinho

O Director Adjunto da Marca escreve no DN às terças.
Para conferir no final da época.

por SANTIAGO SEGUROLA

Um bom amigo madridista disse-me que teme os jogos da sua equipa, porque o melhor acontece na terceira parte: nas conferências de imprensa de Mourinho. Os adeptos aborrecem-se no Bernabéu, mas ouvem o treinador na rádio. Mourinho é o homem que melhor compreende o valor dos meios de comunicação para difundir as mensagens que lhe interessam. A última refere-se ao escasso rendimento nos remates. O Real Madrid disparou 105 vezes e só marcou seis golos em cinco jogos. É a sua maneira de justificar o decepcionante início de temporada da equipa. A insistência de Mourinho em assinalar as ocasiões de golo tem um questionável valor estatístico. A equipa remata muito, mas nem sempre nas melhores condições. Abundam os remates precipitados, desnecessários ou tácticos. Sim, às vezes parece que o Madrid prefere acabar as jogadas com um mau remate, para se ordenar melhor no capítulo defensivo. São truques do futebol actual que não ligam bem com o jogo. Pelos vistos agradam a Mourinho, que tira partido disso. Um dos problemas que Mourinho poderá encontrar é o escasso apreço do Real Madrid pela estatística. Pelo menos esta época. Por cada dado estatístico, o Barça avança com um melhor. Pellegrini foi despedido depois de conseguir um número recorde de pontos (96) e 102 golos, a segunda cifra mais elevada da sua história. O problema é que o Barça teve 99 pontos e ganhou a Liga. Ainda que o famoso terceiro tempo de Mourinho seja muito noticioso - com um evidente e bastante infantil interesse em utilizar o jornalismo como receptor dos seus jogos mentais -, os adeptos preocupam-se com outra coisa: o que se vê no relvado. Nesta perspectiva é curiosa a diferença de discurso entre Mourinho e Guardiola, o técnico do Barça. O treinador português destaca as oportunidades de golo; Guardiola, o jogo em si. Não se pode discutir a categoria de Mourinho como treinador. O seu currículo impressionante é sinónimo da sua categoria, mas em Espanha começam a descobrir-se-lhe vertentes que nunca se viram em Inglaterra, ou em Itália. No Chelsea, ocupou-se de uma equipa sem maiores exigências que os caprichos do magnata Abramovich. Excepto algum episódio isolado, o Chelsea nunca foi considerado um grande do futebol inglês. Com Mourinho e as petrolibras do empresário russo, a equipa viveu os seus melhores dias.A Itália sempre viu o prazer estético como uma debilidade no futebol, por contraditório que parece num país que adora a sua beleza. Lá só importa a rentabilidade estatística. A aventura no Inter ajustou-se a esse princípio básico. Agora a Mourinho não se explica porque se lhe exigem que o Madrid jogue bem. A razão é simples: em Espanha importa, e muito, o bom futebol. Esta realidade, tão absurda noutros países, foi a que produziu equipas como o Real Madrid da Quinta del Buitre, o Barça de Cruyff e o impressionante Barça de Guardiola. A decantação natural desta cultura futebolística é a selecção espanhola. Na véspera da meia-final do Campeonato do Mundo, frente à Alemanha, ainda se discutia sobre a conveniência de jogar com um ou dois pivôs no meio campo. Soa a extravagância, mas é assim o futebol espanhol. Mourinho tem as qualidades de um camaleão. Adapta-se a qualquer circunstância. Agora terá de o fazer face às singulares exigências do Madrid e de La Liga. O homem sente-se desconfortável, por isso convém-lhe não confrontar uma cultura futebolística tão definida, ou incorrerá em grave equívoco.

2010/09/27

ElvisPresley&Martina MacBride

Ele morreu em 77 ... Ela nasceu em 66.
Vídeo excelente, difícil acreditar que se trata de uma montagem.

A aparição da cantora está perfeita e a reação do público quando ela entra em cena, ídem.

O trecho em que ela canta e o Elvis apenas toca, nem se fala.A única observação é que ele só olha para o lado em que ela está no fim da apresentação.

É montagem mesmo, e quem a fez é muito bom

Este encontro (digital) entre Elvis e Martina, tem 40 anos de diferença no tempo de cada artista.

Elvis estava em 1968 quando fez esta gravação, (morreu em1977) e esta montagem foi feita por Martina em 2008.

A Festa do Avante

Enviaram-me este texto supostamente escrito pelo MEC embora não seja referida a data nem onde foi publicado.
Pelo estilo atrevo-me a supor que sim que foi ele que escreveu, embora...
Um reparo descoberto pelo meu amigo Luís Botto.
13 de Setembro de 2007 foi uma quinta-feira e não um sábado como vem lá em baixo.

De qualquer modo assino por baixo o escrito.
Aqui vai:

*Artigo de Miguel Esteves Cardoso*.

“Dizem-se muitas mentiras acerca da Festa do Avante! Estas são as maispopulares: que é irrelevante; que é um anacronismo; que é decadente; que éum grande negócio disfarçado de festa; que já perdeu o conteúdo político;que hoje é só comes e bebes.
Já é a Segunda vez que lá vou e posso garantir que não é nada dessas coisase que não só é escusado como perigoso fingir que é. Porque a verdadeverdadinha é que a Festa do Avante faz um bocadinho de medo.
O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem deum preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grandemaioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.
Porque é que a Festa do Avante faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum.
Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo:chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquêtão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?
É sempre desconfortável estar rodeado por pessoas com ideias contrárias àsnossas. Mas quando a multidão é gigante e a ideia é contrária é só uma só –então, muito francamente, é aterrador.
Até por uma questão de respeito, o Partido Comunista Português merece que setenha medo dele. Tratá-lo como uma relíquia engraçada do século XX é umadesconsideração e um perigo. Mal por mal, mais vale acreditar que comemcriancinhas ao pequeno-almoço.
BEM SEI QUE A condescendência é uma arma e que fica bem elogiar oscomunistas como fiéis aos princípios e tocantemente inamovíveis,coitadinhos.
É esta a maneira mais fácil de fingir que não existem e de esperar, com todaa estupidez, que, se os ignoramos, acabarão por se ir embora.

As festas do Avante, por muito que custe aos anticomunistas reconhecê-lo,são magníficas.
É espantoso ver o que se alcança com um bocadinho de colaboração. Não só nosentido verdadeiro, de trabalhar com os outros, como no nobre, que étrabalhar de graça.
A condescendência leva-nos a alvitrar que “assim também eu” e que as festasdos outros partidos também seriam boas caso estivessem um ano inteiro aprepará-las. Está bem, está: nem assim iam lá. Porque não basta trabalhar:também é preciso querer mudar o mundo. E querer só por si, não chega. Épreciso ter a certeza que se vai mudá-lo.
Em vez de usar, para explicar tudo, o velho chavão da “ capacidade deorganização” do velho PCP, temos é que perguntar porque é que se dão aotrabalho de se organizarem.
Porque os comunistas não se limitam a acreditar que a história lhes darárazão: acreditam que são a razão da própria história. É por isso que nãopodem parar; que aguentam todas as derrotas e todos os revezes; que sãodotados de uma avassaladora e paradoxalmente energética paciência; porqueacreditam que são a última barreira entre a civilização e a selvajaria. Etalvez sejam. Basta completar a frase "Se não fossem os comunistas, hoje nãohaveria..." e compreende-se que, para eles, são muitas as conquistasmeramente "burguesas " que lhe devemos, como o direito à greve e à liberdadede expressão.
É por isso que não se sentem “derrotados”. O desaparecimento da URSS, porexemplo, pode ter sido chato mas, na amplitude do panoramamarxista-leninista, foi apenas um contratempo. Mas não é só por isso que aFesta do Avante faz medo. Também porque é convincente. Os comunas não sósabem divertir-se como são mestres, como nunca vi, do à-vontade. Todos fazemo que lhes apetece, sem complexos nem receios de qualquer espécie. Até oshow off é mínimo e saudável.
Toda a gente se trata da mesma maneira, sem falsas distâncias nemproximidades. Ninguém procura controlar, convencer ou impressionar ninguém.As palavras são ditas conforme saem e as discussões são espontâneas eanimadas. É muito refrescante esta honestidade. É bom (mas raro) uma pessoasentir-se à vontade em público. Na Festa do Avante é automático.
Dava-nos jeito que se vestissem todos da mesma maneira e dissessem efizessem as mesmas coisas - paciência. Dava-nos jeito que estivessemeufóricos; tragicamente iluminados pela inevitabilidade do comunismo - masnão estão. Estão é fartos do capitalismo - e um bocadinho zangados.
Não há psicologias de multidões para ninguém: são mais que muitos, mas cadaum está na sua. Isto é muito importante. Ninguém ali está a ser levado oufoi trazido ou está só por estar. Nada é forçado. Não há chamarizes nemcompulsões. Vale tudo até o aborrecimento. Ou seja: é o contrário do que sepensa quando se pensa num comício ou numa festa obrigatória. Muito menoscomunista.
Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso.
Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa doAvante, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias.
Convinha-nos pensar que as comunas eram um rebanho mas a parecença é maiscom um jardim zoológico inteiro. Ali uma zebra; em frente um leão e umflamingo; aqui ao lado uma manada de guardas a dormir na relva.
QUANDO SE CHEGA à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia.
Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar sócom um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matériade livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.
Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete. Nos tempos que correm,vale ouro. Há milhares de pessoas a entrar e a sair mas não há bichas. Acirculação é perfeitamente sanguínea. É muito bom quando não desconfiamos denós.
Mesmo assim tenho de confessar, como reaccionário que sou, que me passoupela cabeça que a razão de tanta preocupação talvez fosse a probabilidade detodos os potenciais bombistas já estarem lá dentro, nos pavilhõesinternacionais, a beber copos uns com os outros e a divertirem-se.
A Festa do Avante é sempre maior do que se pensa. Está muito bem arrumada aoponto de permitir deambulações e descobertas alegres. Ao admirar agrandiosidade das avenidas e dos quarteirões de restaurantes, representandoo país inteiro e os PALOP, é difícil não pensar numa versão democrática daExposição do Mundo Português, expurgada de pompa e de artifício. E desalazarismo, claro.
Assim se chega a outro preconceito conveniente. Dava-nos jeito que a festado PCP fosse partidária, sectária e ideologicamente estrangeirada. Naverdade, não podia ser mais portuguesa e saudavelmente nacionalista.
O desaparecimento da União Soviética foi, deste ponto de vista,particularmente infeliz por ter eliminado a potência cujas ordens eramcegamente obedecidas pelo PCP.
Sem a orientação e o financiamento de Moscovo, o PCP deveria ter tambémfenecido e finado. Mas não: ei-lo. Grande chatice.
Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante!
Que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem osmodelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começartudo o que é Portugal outra vez.
A teimosia comunista é culturalmente valiosa porque é a nossa própriacultura que é teimosa. A diferença às modas e às tendências dos comunistasnão é uma atitude: é um dos resultados daquela persistência dos nossoshábitos. Não é uma defesa ideológica: é uma prática que reforça e eternizasó por ser praticada. (Fiquemos por aqui que já estou a escrever àcomunista).
A Exposição do Mundo português era “para inglês ver”, mas a Festa do Avante!Em muitos aspectos importantes, parece mesmo inglesa. Para mais, inglesa nosentido irreal. As bichas, direitinhas e céleres, não podiam ser menosportuguesas. Nem tão-pouco a maneira como cada pessoa limpa a mesa antes dese levantar, deixando-a impecável.
As brigadas de limpeza por sua vez, estão sempre a passar, recolhendo esubstituindo os sacos do lixo. Para uma festa daquele tamanho, com tantagente a divertir-se, a sujidade é quase nenhuma. É maravilhoso ver oresultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa.Raios os partam.
Se a Festa do Avante dá uma pequena ideia de como seria Portugal semandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau. A coisa estátão bem organizada que não se vê. Passa-se o mesmo com os seguranças -atentos mas invisíveis e deslizantes, sem interromper nem intimidar umamosca.
O preconceito anticomunista dá-os como disciplinados e regimentados – secalhar, estamos a confundi-los com a Mocidade portuguesa. Não são nadadisso. A Festa funciona para que eles não tenham de funcionar. Ao contráriode tantos festivais apolíticos, não há pressa; a ansiedade da diversão; ocumprimento de rotinas obrigatórias; a preocupação com a aparência. Há até,sem se sentir ameaçado por tudo o que se passa à volta, um saudável tédio,de piquenique depois de uma barrigada, à espera da ocupação do sono.
Quando se fala na capacidade de “mobilização” do PCP pretende-se criar aimpressão de que os militantes são autómatos que acorrem a cada toque desineta. Como falsa noção, é até das mais tranquilizadoras.
Para os partidos menos mobilizadores, diante do fiasco das suas festas,consola pensar que os comunistas foram submetidos a uma lavagem ao cérebro.
Nem vale a pena indagar acerca da marca do champô.
Enquanto os outros partidos puxam dos bolsos para oferecer concertos deborla, a que assistem apenas familiares e transeuntes, a Festa do Avanteenche-se de entusiásticos pagadores de bilhetes.
E porquê? Porque é a festa de todos eles. Eles não só querem lá estar comogostam de lá estar. Não há a distinção entre “nós” dirigentes e “eles”militantes, que impera nos outros partidos. Há um tu-cá-tu-lá quase de festade finalistas.
É UM ALÍVIO A FALTA de entusiasmo fabricado – e, num sentido geral deesforço. Não há consensos propostos ou unanimidades às quais aderir.
Uns queixam-se de que já não é o que era e que dantes era melhor; outros quenunca foi tão bom.
É claro que nada disto será novidade para quem lá vai. Parece óbvio.
Mas para quem gosta de dar uma sacudidela aos preconceitos anticomunista éum exercício de higiene mental.
Por muito que custe dize-lo, o preconceito - base, dos mais ligeirossnobismos e sectarismos ao mais feroz racismo, anda sempre à volta da noçãode que “eles não são como nós”. É muito conveniente esta separação. Ma é tãoténue que basta uma pequena aproximação para perceber, de repente, que“afinal eles são como nós”
Uma vez passada a tristeza pelo desaparecimento da justificação da nossasuperioridade (e a vergonha por ter sido tão simples), sente-se de novorespeito pela cabeça de cada um.
Espero que não se ofendam os sportinguistas e comunistas quando eu disserque estar na Festa do Avante! Foi como assistir à festa de rua quando oSporting ganhou o campeonato. Até aí eu tinha a ideia, como sábiobenfiquista, que os sportinguistas eram uma minúscula agremiação de quequesem que um dos requisitos fundamentais era não gostar muito de futebol.
Quando vi as multidões de sportinguistas a festejar – de todas as classes,cores e qualidades de camisolas -, fiquei tão espantado que ainda levei unsminutos a ficar profundamente deprimido.
POR OUTRO LADO, quando se vê que os comunistas não fazem o favor decorresponder à conveniência instantaneamente arrumável das nossasexpectativas – nem o PCP é o IKEA - a primeira reacção é de canseira.
Como quem diz:”Que chatice – não só não são iguais ao que eu pensava comosão todos diferentes. Vou ter de avaliá-los um a um. Estou tramado. Nuncamais saio daqui.”
Nem tão pouco há a consolação ilusória do pick and choose.
.É uma sólida tradição dizer que temos de aprender com os comunistas...Infelizmente é impossível. Ser-se comunista é uma coisa inteira e não sepode estar a partir aos bocados. A força dos comunistas não é o sonho nem asaudade: é o dia-a dia; é o trabalho; é o ir fazendo; e resistindo, nasfestas como nas lutas.
Hás uma frase do Jerónimo de Sousa no comício de encerramento que diz tudo.A propósito de Cuba (que não está a atravessar um período particularmentefeliz), diz que “resistir já é vencer”.
É verdade – sobretudo se dermos a devida importância ao “já”. Aquele “já” éo contrário da pressa, mas é também “agora”.
Na Festa do Avante! Não se vêem comunistas desiludidos ou frustrados.
Nem tão pouco delirantemente esperançosos. A verdade é que se sente aconsciência de que as coisas, por muito más que estejam, poderiam estarpiores. Se não fossem os comunistas: eles.
Há um contentamento que é próprio dos resistentes. Dos que existem apesar dea maioria os considerar ultrapassados, anacrónicos, extintos. Há um prazerna teimosia; em ser como se é. Para mais, a embirração dos comunistas,comparada com as dos outros partidos, é clássica e imbatível: a pobreza. DePortugal e de metade do mundo, num Portugal e num mundo onde uns poucos têmmuito mais do que alguma vez poderiam precisar.
NA FESTA DO AVANTE! Sente-se a satisfação de chatear. O PCP chateia.
Os sindicatos chateiam. A dimensão e o êxito da Festa chateiam. Põem emcausa as desculpas correntes da apatia. Do ensimesmamento online, dorelativismo ou niilismo ideológico. Chatear é uma forma especialmente eficazde resistir. Pode ser miudinho – mas, sendo constante, faz a diferença.
Resistir é já vencer. A Festa do Avante é uma vitória anualmente renovada eampliada dessa resistência. ... Verdade se diga, já não é sem dificuldadeque resisto. Quando se despe um preconceito, o que é que se veste em vezdele? Resta-me apenas a independência de espírito para exprimir a únicareacção inteligente a mais uma Festa do Avante:
dar os parabéns a quem a fez e mais outros a quem lá esteve. Isto é, no casopouco provável de não serem as mesmíssimas pessoas.
Parabéns! E, para mais, pouquíssimo contrariado.”(E só com um bocadinho denada com medo).

SÁBADO dia 13 de Setembro de 2007

Provérbio Chinês


O Jaime Bulhosa também vai às lojas dos chineses (perdão pela queixinha).

Entrei numa loja de chineses (um mundo de coisas ao preço da chuva) para comprar um porta-chaves que estava a precisar para juntar umas chaves suplentes que andam espalhadas há que tempos pela livraria. Reparei num expositor de porta-chaves com antigos provérbios escritos em chinês. Não chegavam a custar um euro. De imediato, e aleatoriamente, escolhi um. Por curiosidade perguntei o que aquele provérbio queria dizer. O empregado que não sabia falar bem português resolveu traduzir para inglês:

- Cheap things are not good, good things are not cheap.

Chinise Proverb

Ele riu, eu também.

Confere, diria eu.

2010/09/26

Os Escoceses e o Kilt

Finalmente a solução de um mistério mais importante que Stonehenge.
O que os escoceses levam debaixo do kilt com particular relevo para o garboso militar à direita da Raínha.























2010/09/24

A Adega

Mas que magnífica ideia para a falta de espaço












QUEM TRAMOU PASSOS?

Coma a devida vénia a Eduardo Pitta a qui se transcreve o que lhe vai na alma.
A ver vamos, como diz o cego, se assim será:

Na Primavera de 1983, a crise económica e financeira obrigou o PS e o PSD a entenderem-se. Assim nasceu o IX Governo Constitucional, que tomou posse a 9 de Junho. Resultado de um acordo entre os dois partidos, Mário Soares chefiou um executivo com ministros socialistas (Almeida Santos, Jaime Gama e outros), social-democratas (Carlos Mota Pinto, Rui Machete e outros), renovadores (Francisco Sousa Tavares) e independentes (Ernâni Lopes e outros). Durou até 6 de Novembro de 1985. Nesses 29 meses, o governo do Bloco Central pôs as finanças do país em ordem. E pudemos entrar na Europa.Agora vivemos uma crise parecida. Mas, hoje mesmo, o PSD recusou conversações com o governo sobre o Orçamento de Estado para 2011. De Figueiró dos Vinhos, Cavaco já reagiu.Nada disto espanta. Os seis meses que Pedro Passos Coelho leva de líder do PSD demonstraram à saciedade que, salvo incidente de natureza imprevisível, a actual direcção laranja não formará o próximo governo. Não é difícil perceber porquê. Se o chumbo do OE 2011 mergulhar o país numa situação explosiva, Cavaco acertará com Sócrates (e não com outro) os detalhes de um governo de emergência que assegurará a legislatura. Se, com chumbo ou sem ele, a situação se aguentar, mais aperto menos aperto, Sócrates leva a legislatura ao fim com uma perna às costas. Não tenham ilusões: em nenhuma destas circunstâncias Cavaco (ou Alegre) facilitará o caminho a Passos Coelho. Entretanto, até 2013, o PSD se encarregará de trazer Rui Rio ao colo para Lisboa.

2010/09/23

Crónicas de Pequim - A Grande Muralha

No dia seguinte alugámos um carro com motorista e guia.
Por mais ou menos 160€ o passeio incluía uma visita aos Túmulos da Dinastia Ming um almoço para os dois, visita a uma empresa de artesanto especializade em Jade de onde comprei uma peça lindissima e uma visita à Grande Muralha

Crónicas de Pequim - A Cidade Proíbida


Chegamos a Pequim às 09.30h depois de um voo que durou 09.30h.
Dada a diferença horária a coisa estava pelas nossas 3 da manhã a acrescer à duração do voo.
A ida para o Hotel foi tenebrosa. Nunca mais vou reclamar com os nossos engarrafamentos de trânsito porque lá são gigantescos.
Arredondando a coisa, entre esperar pelas malas, percurso até ao Hotel, Check-in, estendi-me na cama gigantesca do Marriot Old Wall pela uma da tarde. Completamente destruído.



Duas horas depois decidi ir à Praça Tianamen e à CidadeProíbida.
Começou aprimeira aventura. No hotel perguntamos como ir e disseram-nos apara apanhar o autocarro 10. Talvez por falta de comunicação percebemos o lado errado a rua e em resultado o 10 passava e não se viam paragens para o mesmo. Ao fim de uns bons 3 quilómetros lá encontrámos uma paragem do 10 para constatar que a Praça Tianmen ficava 2 quarteirôes de distância!!!! (aí começou a destruição do meu joelho direito).

A Praça é gigantesca.
De um lado o Mausoléu do Mao com a Cidade Proíbida por detrás.


Do outro não se consegue ver o fim. Fantástico.

A Cidade Proíbida é enorme mas a arquitectura é muito repetitiva, o que alías é uma constante em todos templos, palácios e jardins onde estive.

Parece haver uma arquitectura, estilo, maneira de construir que atravessou milénios sem alteração.

Suponho que isto se prende com a atitude conservadora dos povos do oriente desde a China ao Japão, passando pela Tailandia e Indonésia. Passaram incolumes durante milénios directamente para o sec. XX. Talvez também tenha a ver com o facto de ser um único país com uma hierarquia estável durante milénios e onde também não havia separação entre "Igreja" e "Estado".


Na Europa passamos durante este tempo todo pelo Românico, Gótico, Barroco, para só falar nos principais, mas lá parece que tudo ficou imutável durante todo este tempo.


De qualquer modo a sensação é esmagadora sobretudo pelo gigantismo de tudo aquilo e a opulência que pressupôe.
Resta ficar sentado e imaginar como era. O Último Imperador dá uma ajuda.
Algumas imagens dão uma pálida ideia da "coisa":






O filho do Tareco

Hoje ouvi dizer ao Miguel Sousa Tavares que nunca tinha ouvido ninguém, nem nenhuma associação pedir que se faça o TGV para Madrid.

Conclusão:

O Miguel Sousa Tavares é surdo.

The three Kings

Teacher:
- Can you tell the name of 3 great Kings who have brought happiness &peace into people's lives?

Student:
Smo-king, Drin-king and Fuc-king.

2010/09/21

E o Povo pá?

Não sei quem é ou quem são os autores de tamanho despautério.

Promova-se já a Hino Nacional

O coala, a Lagartixa e o charro

Um coala estava sentado numa seringueira, curtindo tranquilamente uma ganza...





Uma lagartixa ia a passar, olha para cima, e diz:- Então coala...tudo bem? O que estás a fazer?


O coala diz:
- A fumar um berlaite. Sobe!
A lagartixa subiu a seringueira e sentou-se ao lado do coala, a curtir uns fumos.
Após algum tempo, a lagartixa disse:
- Tenho a boca seca, vou beber água ao rio...
A lagartixa meio desorientada, inclinou-se muito e caiu no rio.
Um jacaré viu-a a cair e nadou até ela, ajudando-a a subir para a margem.
Depois perguntou:- Então lagartixa? O que é que te aconteceu? Queres morrer?
A lagartixa explicou que estava a curtir umas brocas com o coala numa seringueira, ficou com a pedra e caiu ao rio enquanto bebia água.
O jacaré, querendo apurar esta história, entrou na floresta e, encontrou o coala sentado num galho, todo fodido.
O jacaré olhou para cima e disse:- Ei! Você ai­ em cima!

O coala olhou para baixo e disse:

- PUTA QUE PARIU, lagartixa, bebeste água comó caralho!!!

2010/09/20

O Chapeuzinho Vermelho

versão Millôr Fernandes

Chapeuzinho VermelhoEra uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia da história) uma menina, linda e um pouco tola, que se chamava Chapeuzinho Vermelho. (Esses nomes que se usam em substituição do nome próprio chamam-se alcunha ou vulgo). Chapeuzinho Vermelho costumava passear no bosque, colhendo Sinantias, monstruosidade botânica que consiste na soldadura anômala de duas flores vizinhas pelos invólucros ou pelos pecíolos, Mucambés ou Muçambas, planta medicinal da família das Caparidáceas, e brincando aqui e ali com uma Jurueba, da família dos Psitacídeos, que vivem em regiões justafluviais, ou seja, à margem dos rios. Chapeuzinho Vermelho andava, pois, na Floresta, quando lhe aparece um lobo, animal selvagem carnívoro do gênero cão e... (Um parêntesis para os nossos pequenos leitores — o lobo era, presumivelmente, uma figura inexistente criada pelo cérebro superexcitado de Chapeuzinho Vermelho. Tendo que andar na floresta sozinha, - natural seria que, volta e meia, sentindo-se indefesa, tivesse alucinações semelhantes.).Chapeuzinho Vermelho foi detida pelo lobo que lhe disse: (Outro parêntesis; os animais jamais falaram. Fica explicado aqui que isso é um recurso de fantasia do autor e que o Lobo encarna os sentimentos cruéis do Homem. Esse princípio animista é ascentralíssimo e está em todo o folclore universal.) Disse o Lobo: "Onde vais, linda menina?" Respondeu Chapeuzinho Vermelho: "Vou levar estes doces à minha avozinha que está doente. Atravessarei dunas, montes, cabos, istmos e outros acidentes geográficos e deverei chegar lá às treze e trinta e cinco, ou seja, a uma hora e trinta e cinco minutos da tarde".Ouvindo isso o Lobo saiu correndo, estimulado por desejos reprimidos (Freud: "Psychopathology Of Everiday Life", The Modern Library Inc. N.Y.). Chegando na casa da avozinha ele engoliu-a de uma vez — o que, segundo o conceito materialista de Marx indica uma intenção crítica do autor, estando oculta aí a idéia do capitalismo devorando o proletariado — e ficou esperando, deitado na cama, fantasiado com a roupa da avó.Passaram-se quinze minutos (diagrama explicando o funcionamento do relógio e seu processo evolutivo através da História). Chapeuzinho Vermelho chegou e não percebeu que o lobo não era sua avó, porque sofria de astigmatismo convergente, que é uma perturbação visual oriunda da curvatura da córnea. Nem percebeu que a voz não era a da avó, porque sofria de Otite, inflamação do ouvido, nem reconheceu nas suas palavras, palavras cheias de má-fé masculina, porque afinal, eis o que ela era mesmo: esquizofrênica, débil mental e paranóica pequenas doenças que dão no cérebro, parte-súpero-anterior do encéfalo. (A tentativa muito comum da mulher ignorar a transformação do Homem é profusamente estudada por Kinsey em "Sexual Behavior in the Human Female". W. B. Saunders Company, Publishers.) Mas, para salvação de Chapeuzinho Vermelho, apareceram os lenhadores, mataram cuidadosamente o Lobo, depois de verificar a localização da avó através da Roentgenfotografia. E Chapeuzinho Vermelho viveu tranqüila 57 anos, que é a média da vida humana segundo Maltus, Thomas Robert, economista inglês nascido em 1766, em Rookew, pequena propriedade de seu pai, que foi grande amigo de Rousseau.
Extraído do livro "Lições de Um Ignorante", José Álvaro Editor - Rio de Janeiro, 1967, pág. 31
Millôr Fernandes

Ah essa falsa cultura

A propósito do post anterior aqui algumas máximas do Millôr:

Rômulo foi alimentado por uma loba e ficou conhecido como o lobo do homem.

A Argentina é um país cor de laranja do lado esquerdo do Brasil.

Os incas eram tão adiantados que já tinham até a circulação do sangue.

Os judeus foram perseguidos porque se entregavam a uma vida inteiramente semítica.

Eqüidistância é você estar à mesma distância de todos os lugares ao mesmo tempo.

O lugar mais quente da terra é perto do Cuador.

A inoculação é um ato sexual entre os micróbios.

Há homens que devem à esposa tudo o que são, mas em geral, os homens devem à esposa tudo o que devem.

Quando o homem sabe que certa mulher já cedeu a alguém, ele não resiste em verificar se a história se repete.

A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.

Um país do Caralho

Texto enviado pelo meu filho João num momento de angústia existencial(?)

Lembro-mo vagamente de um texto parecido do Millôr Fernandes nas saudosas crónicas "Ah! essa falsa cultura" .

Aqui vai:

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela diz.Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma pessoa melhor.Reorganiza as coisas. Liberta-me. "Não quer sair comigo?! - então, foda-se!""Vai querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então, foda-se!" O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição. Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.
"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a ideia de muita quantidade que "comó caralho"? "Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão matemática.
A Via Láctea tem estrelas comó caralho!O Sol está quente comó caralho!O universo é antigo comó caralho!Eu gosto do meu clube comó caralho!O gajo é parvo comó caralho! Entendes?No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto.Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades de maior interesse na tua vida.Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência.Solta logo um definitivo:"Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!".O impertinente aprende logo a lição e vai para o CentroComercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema, e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD.

(...) Há outros palavrões igualmente clássicos.Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba.Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito assim, põe-te outra vez nos eixos.Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.
E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta:"Chega! Vai levar no olho do cu!"? Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima.Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!".Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando estás a sem documentos do carro, sem carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!”
Foda-se, este ainda vai ser um País do caralho!

O caso do chinelo encontrado morto

Esta semana, alguns sites dos jornais portugueses trouxeram o mais interessante título das últimas décadas. Esse texto veio da agência Lusa, e o Expresso e o jornal i pespegaram-no felizmente sem emenda. O título, óptimo, era: "Espinho: 'Não há indício de crime' no caso do chinelo encontrado morto', diz a PJ". Os títulos são isca e anzol e raramente vi um tão aliciante. Fala- -se muito da crise da Imprensa mas houvesse mais histórias destas e não faltariam leitores. Mesmo dando de barato a sugestão da bófia, "não há indício de crime", o caso do chinelo encontrado morto tem daqueles atractivos que antigamente faziam os ardinas apregoar e o povo comprar. Quem encontrou o chinelo morto? E, tendo-o encontrado, como lhe confirmou o passamento? Fez-se, antes, respiração boca a boca?... Enfim, ainda que oficialmente morto em toda a legalidade, o caso do chinelo morto cheirava a esturro. Infelizmente, como é próprio do costume português, tendo uma bela história entre as mãos (ou melhor, pé), os jornais decidiram destruí-la. Depois do título (óptimo, como já disse), acrescentaram um texto desmotivador. E ficámos a saber que o magnífico chinelo morto era, afinal, um infeliz chileno encontrado morto em Espinho. O que podia ter sido uma boa história não passou de uma dislexia ortográfica. Ora lobas! Perdão, bolas.
FERREIRA FERNANDES
publicado no DN a 2010-09-15

Tráfego Aéreo Mundial Visto do Espaço

-O tempo deste clip é de 1m12s e representa as 24 horas de um dia inteiro das viagens de avião que se fazem. Assim, cada segundo de filme,representa 20 minutos reais.
Cada pontinho amarelo representa um voo com pelo menos 250 passageiros.

Note-se que os voos dos EUA para a Europa partem principalmente à noite, sendo a sua volta diurna.

Pela imagem que o sol imprime no globo, pode-se dizer que é verão no hemisfério norte. Isto porque ele quase não se põe no pólo norte e no pólo sul quase não aparece.

Anónimo

"Leio a Playboy pela mesma razão que leio a National Geographic: gosto de ver fotografias de lugares que sei que nunca irei visitar..."

"Federação quer Mourinho para dois jogos"


Com a devida vénia ao nosso Embaixador em Paris

Um Olhar Oblíquo


Sofia Loren e Jayne Mansfield


A propósito deste post no Herdeiro de Aécio lembrei-me que durante os anos (36) que durou a minha vida profissional (nem, valha a verdade, na pessoal) nunca tive olhares oblíquos neste tipo de situação.


Sempre que alguém, obviamente do sexo feminino, numa reunião trazia um decote ou uma saia que mostrá-se mais do que era suposto (conceito muuuuiiiito relativo) os meus olhares nunca foram oblíquos.


Digamos que sempre foram o mais directo possível ao "assunto".


O que mais adorava, ainda adoro mas não é a mesma coisa, era a saínha curta que elas passavam o tempo a puxar para baixo.


Lembro-me de uma fornecedora, fornida de carnes q.b., que usava vestidos curtos em cima e em baixo. Vale a verdade que vendia produto de qualidade. Depois de ganharmos alguma confiança eu costumava de dizer-lhe:


Não se esforce, com esse vestidinho a menina vende até gelo no Polo Norte.

Crónicas de Pequim - O A 380





O A 38o é um avião gigantesco.




Apesar das todas as explicações cientificas a que tenho assistido, são sempre um mistério as leis e as regras da física, que permitem colocar todo aquele ferro no ar e mantê-lo a voar durante horas intermináveis. No caso 10.30. É obra.



Durante o voo é um avião como outro qualquer. O tempo de descolagem é enorme, o suficiente para o viajante experimentado se perguntar "o que é que se passa, nunca mais pôem o ferro no ar?". Finalmente a coisa passa a voar num angulo suave e confortável. A tecnologia a bordo é do mais moderno e cada cidadão tem direito a um LCD com entretenimento, informações sobre o voo, trés camaras on-line na fuselagem . O suficiente para não se morrer de tédio sobretudo para alguém, como eu, que não consegue dormir (não consigo em nenhum meio de transporte). Sou conhecido pelo chato que leva sempre a luz acesa mesmo quando é de noite. Até já comprei um instrumento muito interessante no aeroporto de Roma, que se engata nas paginas do livro e permite ler sem incomodar o parceiro do lado. Este é um dos motivos pelo qual escolho sempre um lugar na coxia (o outro é que sou um gajo grande).


Uma coincidencia interessante foi o facto de o voo ser o inaugural do A 380 da Lufthansa de Frankfurt para Pequim o que deu direito a discurso do presidente da empresa e recordação do voo (porta chaves com a data da efeméride).



Resta ainda acrescentar que o serviço a bordo foi uma merda com uma das mais antipáticas tripulações com que voei.


As imagens anexas não fazem juz ao gigantismo do avião mas para se ficar com uma ideia no "rés-do-chão" tem 56 filas de 10 lugares.

2010/08/27

Crónicas de Pequim - A antecipação

Dia 1 de setembro vou para Pequim.
Como habitual, nestas coisas de grandes viagens, com o Stephan Becker grande amigo (em todos os sentidos) alemão.
É pena que a minha mulher não possa ir mas o dinheiro e o tempo não chega para tudo.
Antecipo os sentimentos quando estiver a ver a grandiosidade da Cidade Probida e da Grande Muralha.
Tenho por hábito, quando viajo, de comer o que os lugares têm para oferecer e não me tenho dado mal. Acontece que nunca estive num país onde se comem insectos, apesar de já ter estado na tailandia, Indonésia (Bali) e Japão. Estou por isso a tentar mentalizar-me para ultrapassar algumas repugnancias que a nossa cultura ocidental colocam. Eu depois conto.
Para além de tudo isto vou ter uma experiência, provavelmente a única, de voar no A380.
Já voei em quase todos os aviões comerciais, em muitos da FAP, mas este vai ser um "must".
A ver.

PS: Quando voltar prometo não ser preguiçoso e completar as Crónicas de Bali e contar tudo sobre esta viagem.

Serie Jardins Improváveis II

Casa modesta no Largo das Camionetas em Alcanena (Agosto/2010).
Não há terra mas o espaço é inventado através de vasos colocados de forma geométricamente rigorosa quase criando uma barreira de intimidade como se o dono estivesse dizendo "a partir daqui é meu".

Serie Jardins Improváveis I

O Título diz tudo.
Diz apenas respeito à capacidade e imaginação das pessoas em organizarem os seus jardins da forma possível e com os meios de que dispõem.
Fotos tirados por mim.


Prédio em S. Domingos de Rana ao pé da escola secundária (Agosto/2010).
Reparem que parece haver uma competição entre os moradores tentando mostrar a varanda mais bonita e exuberante.

2010/08/26

John Updike

Por especial deferencia do A. Teixeira aqui vai um link muito especial.

George Steiner

Estou a ler a coletânea de textos publícados no New Yorker.
A excelência dos mesmos não sofre qualquer contestação continuando no nível a que nos habituou. Sou especialmente fã do que escreveu em "Uma ideia de Europa"
Apenas um reparo editorial. Embora haja uma referencia quanto ao intervalo de publicação dos mesmos (entre 1966 e 1997 ou seja 31 anos) como é possivel que cada um deles não traga a data de publicação?

Inaceitável e imperdoável porque a data de publicação é um elemento imprescindivel para enquardar os escritos na situação poítica económica e social do momento.

o chinaman e a extinção dos limites do multiculturalismo

Post e meu comentário editados aqui

É quase um axioma para qualquer cidadão ocidental minimamente atento que a melhor hipótese de sobrevivência de sociedades velhas e gastas como a portuguesa está na injecção de novo DNA. Deste modo, a militância activa pela opção multicultural está entre aqueles que considero como os meus deveres essenciais. Antes do mais, nas escolas, especialmente nas de elites, e no mercado de trabalho. Em termos muito rudimentares, a ideia é a de que integrar a diversidade enriquece toda a gente, e quanto maior conhecimento for adquirido por todos os diferentes, mais dinâmica fica a sociedade, isto é, todos nós. Além de que, claro, a uniformidade é monótona. Mas mais interessante ainda, dizem os teóricos, é conseguir a combinação quase mágica entre novo DNA e o melhor dos traços nacionais da sociedade acolhedora. Um palco de combate essencial para esta luta é o bairro, claro, já que inúmeros estudos científicos e empíricos mostram que a integração resulta sempre melhor quando o Outro é aceite numa pequena comunidade local, ou seja, a rua, o bairro, a zona. Daí que defender a vinda de imigrantes para uma sossegada rua de um bairro de classe média da ainda mítica mas muito abalada linha de Cascais tenha sido sempre uma aposta pessoal, embora, claro, levante periodicamente as sobrancelhas cépticas de muita gente. Na verdade, mostra felizmente a realidade, os cépticos podem beneficiar do conforto que é garantido pela imobilidade, e têm certamente a sabedoria de que as mudanças geralmente são perigosas, mas a realidade mostra que a sociedade portuguesa é uma daquelas que com maior eficácia consegue integrar toda a diferença, enriquecendo -se de modo decisivo. De facto, no espaço da minha latitude, os brasileiros, os angolanos, os ucranianos e especialmente o chinaman e o seu clã de geometria variável provam que os limites do multiculturalismo são extintos pela poderosa capacidade portuguesa de entranhar nos outros os seus valores básicos de modo rápido e eficiente . Os brasileiros foram recebidos de braços abertos, beneficiando daquela lenda de povo aberto, alegre, improvisador e easy going. É tudo verdade. É fantástico descobrir que aberto significa ter 23 "caras" a viver harmoniosamente num T0, contornando assim a crise económica, alegria que as dj sessions de forró são até às 3 horas da manhã para o bairro todo, o que revela um profundo sentimento comunitário, improvisador que o átrio do prédio sirva para abrir um restaurante de "churrasquinho", o que é um exercício notável de empreendedorismo, e easy going uma aventura impossível de descrever. Os angolanos foram uma aposta pessoal, por razões biográficas. O trio de rapazes que uma noite chegou teve isso em conta. A actividade mais integradora que periodicamente exercem é a de se pegarem à pancada às duas da manhã, com a porta do apartamento aberta, por causa do Benfica, do Sporting e do Amadora, e participam activamente nas culturas juvenis em alta, nomeadamente "kitando" e experimentando até ao nervo os Seat Ibiza durante a noite na nossa extensa rua de 150 metros. Os ucranianos, tenho de admitir, são o meu caso mais complicado. Uma família honrada e trabalhadora, com dois filhos à entrada da idade adulta. Mas, tirando o facto de terem colocado uma corda de estender a roupa que ocupa toda a largura do prédio, onde a cada 48 horas são colocadas três máquinas de roupa preta, o que prova aquele asseio alentejano clássico, não consigo detectar nenhum sinal integrador, até porque as minhas tentativas de meter conversa são sempre recebidas com um "pois, pá". Pelo contrário, o chinaman e o seu clã são o meu motivo de orgulho. Antes de tudo o mais, provaram que as linhas teóricas recentes de comunitarismo urbano estão absolutamente correctas, e abriram uma pequena frutaria de bairro. É extremamente porreiro, vizinho. As velhinhas, que já não se mexem, vão lá fazer o seu avio diário, aprenderam umas palavras de cantonês, e os jovens profissionais urbanos que chegam tarde a casa sempre sabem que às 20h30 ainda podem comprar uma bananinha para comer com o iogurte, ou uma maçã para enfeitar a pizza congelada. É verdade que a frutinha não dura mais do que 12 horas, e feitas as contas os preços são um negócio da china para o vendedor, mas é o imposto do local e da comodidade. Mas o que realmente me encanta é a carrinha de carga, que para mim é um símbolo notável de como o espírito português contamina de modo absoluto todos os que vêm de fora para lutar pela vida. O chinaman, como todos os pequenos empreendedores nacionais de comércio e serviços, têm uma grande carrinha de carga branca, daquelas com uma altura de um 1º andar. Ora, o chinaman tinha um problema: a sua frutaria é na esquina, tinha de descarregar diariamente o material, e como todos nós era afectado por aquela grande calamidade nacional de nunca ter lugar para estacionar mesmo à porta de casa. A princípio, o chinaman parava na passadeira de peões, mas era uma solução precária, porque via que todos nós cumprimos a Lei, e que o grosso da sua clientela são velhinhas que têm horror a atravessar fora da passadeira. Foi aqui que o chinaman e o seu clã mostraram o seu elevado grau de integração, ao revelarem aquele engenho tão especificamente português. O chinaman mandou um dos membros do clã esperar, até conseguir ver um lugar de estacionamento vago mesmo, mesmo na esquina da frutaria. Quando finalmente, ao fim de umas semanas, o lugar vagou, o membro do clã ocupou - o com o pequeno Kia roxo, conseguindo, com uma manobra cheia de yiang, antecipar -se ao almirante reformado que avançava com o seu Honda de 1995, há cinco anos parado no passeio, por debaixo do estore do seu rés- do- chão. Houve uma troca de insultos durante uns minutos, mas nada de extraordinário. A partir daqui, o chinaman provou ser um verdadeiro português. A dinossáurica carrinha branca está fixa no lugar de estacionamento, e serve de armazém da fruta, que várias vezes ao dia é transferida para a frutaria por duas senhoras do clã. À noite, a fruta volta para a carrinha, garantindo assim todas as condições de higiene e ventilação que garantem a sua frescura. Uma vez por semana, entre as 5 horas e as 8 horas da manhã, quando o chinaman tem de ir ao MARL reabastecer, faz - se acompanhar por outro membro do clã, que desloca o Kia roxo para o meio do lugar. O almirante topou a coisa, e tentou um golpe de guerrilha numa madrugada de semana, mas o chinaman pôs -se à frente dele com a carrinha. Deste modo, a situação de lugar reservado prolonga - se já há vários meses. Um analista parcial e resistente à integração multicultural dirá que temos aqui um exemplo vivo de egoísmo, manhosice, mesquinhez e falta de respeito pelo espaço público, inaceitáveis numa sociedade evoluída e tolerante. Mas eu, que recuso que aqueles traços sejam constituintes da personalidade colectiva nacional, vejo apenas um exemplo superior de estratégia, disciplina, tenacidade e individualismo que não só são os traços essenciais de qualquer povo vencedor, como são indicadores do nosso melhor espírito nacional.


Caro amigo No bairro onde moro existe um exemplo semelhante mas executado por um portuga com igual sentido de pragmatismo.Fica a sua merceria numa esquina rodeada de um magnifico paseio em redondo de uns bons dez metros de largura.A apropriação do espaço público executa-se em dois passos distintos, a saber:Primeiro alargou o espaço da loja, colocando no exterior uma estrutura de ferro onde, como qualquer merceria de bairro que se preze, coloca as caixas de legumes e de fruta, suspeito eu, de modo clandestino (sem alertas para a ASAE);Segundo estacionou uma Hiace velhinha, em cima do passeio, fechando o lado do rectangulo que sobra para a rua onde, durante a noite armazena as caixas já referidas.Embora concorde consigo acerca da miscigenação de DNA no progresso do país, nós próprios somos capazes de desaricanços iguais ao seu "chinaman".O pessoal do bairro que circula pelo passeio tem que contornar a Hiace para seguir o seu caminho, mas aceita a cena alegrementeResta dizer que o "xômanel", dono da referida merceria, é o mais popular do bairro.

Mourinho

Bobby Robson com um gajo feio e magrela que ninguém conhecia

Roberto


O melhor que encontrei até agora

A primeira resposta à inevitável pergunta materna como era a comida? comeste bem? E obviamente, seguindo a mesma doutrina, a das mães, lá vou eu à net ver como se faz e, claro, à procura do molho Ceasar, sim, que mãe, mas sem extremismos de me pôr a fazer molho caseiro.Guardo então aqui a receita, caso ela insista nesta nova paixão gastronómica e eu, nos entretantos, me esqueça.Trata-se de uma salada Italo Mexicana largamente adoptada principalmente pelos americanos. A Caesar Salad é tão consumida, que, muitas pessoas pensam ser genuinamente americana. Ou será por constar no livro de cozinha de Julia Child?.... Na realidade, ela foi criada pelo Chef italiano Caesar Cardini, no seu restaurante em Tijuana, México, na década de 1920. Seguiu uma velha receita familiar, diz-se, com a que as mães alimentavam os filhos no sul da Itália, em tempos difíceis: alface, ovos, pequenos pedaços de pão fritos com azeite, queijo seco, azeite, umas gotas de molho inglês e sumo de limão. O que para tempos difíceis, nem era mau de todo.Nos restaurantes, a Caesar Salad é quase sempre preparada na frente do cliente. É feita à base de alface-romana e um rico molho composto de gemas de ovos, azeite, sumo de limão, alho, mostarda, pimenta, queijo ralado e finalmente, se desejar, anchovas, ou frango assado desfiado.Este prato popularizou-se em Tijuana, no México, também, por representar um verdadeiro "show" para o garçon e um deleite para os clientes.É feita como se fosse uma maionese, mas enriquecida. Por cima é guarnecida com croutons. Assim:Lave bem as folhas da alface (e/ou endivias) e seque-as. Retire os talos duros e rasgue as folhas em pedaços. Junte peito de frango cozinhado (assado, cozido....) desfiado. Ou anxovas.
Espalhe o molho por cima e cubra com croutons e queijo ralado. Simples.
Molho (existe já confeccionado)
2 ovos, azeite extra virgem, 1 colher de mostarda, 1 dente de alho, 1 colher de molho inglês, vinagre sal e pimenta a gosto. Bata tudo no liquidificador.
Nota: se quiser um molho com menos calorias, substitua os ovos por iogurte e reduza o azeite. E claro, pode juntar tudo o que gostar e se lembrar.
Retirado daqui

2010/08/12

O estado a que isto chegou


Tirado daqui


O FOLHETIM


O Público anda a publicar em folhetim o affaire Freeport. A iniciativa não tem sentido. 1) José António Cerejo não é Bob Woodward; 2) o jornal anda a repetir em prosa cinzenta tudo o que a concorrência divulgou (a cores) nos primeiros nove meses do ano passado; 3) excepto vinte bloggers e caterva de comentadores, ninguém quer saber do Freeport para nada. O plot atingiu um patamar de delírio tal em que ninguém sabe quem é quem. E as revelações do jornal não acrescentam nada que não se soubesse. Chicana por chicana, ao menos na TVI era em stereo.
O que me parece extraordinário é o blasé da Comissão de Carteira Profissional de Jornalista. José António Cerejo escreveu no jornal que a sua intervenção como assistente no processo teve como único objectivo obter informação. Fraude, portanto. Atento o comportamento de tanta gente (agentes judiciários incluídos), nada me espanta. Como precedente, não está mal.
Fico sentado à espera de novo(s) caso(s), visando gente do outro lado, em que um jornalista compincha resolva constituir-se assistente com o fito de martelar interditos. Quem sabe se para o julgamento de Oliveira Costa, imolado no altar do BPN. Nessa altura, aposto, colunistas conspícuos vão arrancar as vestes.


DEDO NO GATILHO


O caso da herança Lúcio Tomé Feteira tem todos os ingredientes para uma boa história: Brasil, milhões, filha descontente com o testamento do pai, assassinato da amante do empresário falecido em 2000. É natural que os jornais explorem o assunto.Rosalina Ribeiro, 74 anos, viveu com Tomé Feteira durante mais de 30 anos. Em Março de 2010, a justiça portuguesa reconheceu os direitos sucessórios. Entretanto, Rosalina foi assassinada com três tiros (em Dezembro de 2009), depois de ter jantado com Duarte Lima, seu advogado. Olímpia de Menezes, filha de Tomé Feteira, contesta o testamento. Ficou piursa quando soube que 80% da herança se destina à junta de freguesia de Vieira de Leiria, com o objectivo de criar uma Fundação com o nome do empresário. Aproveita para acusar Rosalina de desviar mais de 30 milhões de euros das contas do pai. Parte desse dinheiro (cinco milhões) teria sido transferido para uma conta de Duarte Lima, a título de honorários. Estamos a falar de um processo com dez anos. Aparentemente, estes são os factos.
A parte que eu não percebo é a sanha contra Duarte Lima. Não conheço Duarte Lima de lado nenhum, excepto de o ver na tv. Duarte Lima faz parte da clique cavaquista que, dizem as más-línguas, enriqueceu muito depressa. Nos anos 1980, o Indy foi-lhe às canelas por causa de uma quinta em Sintra, ou coisa parecida. Duarte Lima mandou a política às urtigas e sobreviveu a um cancro. Os media voltaram a ferrar os dentes. Duarte Lima (como Armando Vara, Oliveira Costa, Manuel Godinho, etc.) não tem pedigree. Tem muito dinheiro mas, para o eixo Lapa/Cascais, isso não chega. E os jornalistas “independentes”, sempre cautelosos em se tratando de gente da Quinta da Marinha ou da Quinta Patiño, já não tiram o dedo do gatilho.


DAR O BRAÇO A TORCER


Dou o braço a torcer: não temos informação livre! Nenhum jornal, rádio, televisão ou blogue disse o que salta à vista: do Tabuaço ao Bordalhame-de-Baixo os fogos andam a ser ateados por assessores do PS. Alguns até cometem blogues! Ainda agora identifiquei dois, mascarrados de pompiers. (Vai em francês porque um fez seminários com Lacan, dos quais nunca se refez; e o outro mantém um gancho na École Normale Supérieure.) Andamos nós a pagar impostos para isto! Para esta rapaziada andar de tocha acesa entre o Lux e o Andanças. Não pode ser! Que é dos colunistas sem medo do meu país?