2012/02/08

Não leia, isto é velho de 75 anos

Ferreira Fernandes, hoje, brilhante como sempre


Então, recapitulemos. A agência de rating Moody's baixa a nota da Grécia; as taxas de juro explodem; o país declara falência; a população revolta-se; o exército toma o poder, declara-se o estado de urgência e um general é entronizado ditador; a Moody's, arrependida pelas consequências, pede desculpa... "Alto!", grita-me um leitor, que prossegue: "Então, você começa por dizer que vai recapitular e, depois de duas patacoadas que todos conhecemos, lança-se para um futuro de ficção científica?!" Perdão, volto a escrever: então, recapitulemos. Só estou a falar de passado e vou repetir-me, agora com pormenores. A Moody's, fundada em 1909, não viu chegar a crise bolsista de 1929. Admoestada pelo Tesouro americano por essa falta de atenção, decidiu mostrar serviço e deu nota negativa à Grécia, em 1931. A moeda nacional (dracma) desfez-se, os capitais fugiram, as taxas de juros subiram em flecha, o povo, com a corda na garganta, saiu à rua, o Governo de Elefthérios Venizelos (nada a ver com o Venizelos, atual ministro das Finanças) caiu, a República, também, o país tornou-se ingovernável e, em 1936, o general Metaxas fechou o Parlamento e declarou um Estado fascista. Perante a sua linda obra, a Moody's declarou, nesse ano, que ia deixar de dar nota às dívidas públicas. Mais tarde voltou a dar, mas eu hoje só vim aqui para dizer que nem sempre as tragédias se repetem em farsa, como dizia o outro. Às vezes, repetem-se simplesmente.

Pedro Passos Coelho

Piegas é a tua tia ó palhaço.

2012/02/07

Família


Publicado no sítio da APFN:
Somos a família Frazão.
O pai Pedro tem 36 anos e é veterinário (funcionário público), a mãe Andreia tem 33 anos e é dentista (recibos verdes).
Temos 4 filhos: o João tem 6 anos e quer ser paleontólogo, o António tem 4 anos e quer ser futebolista, a Rosa tem 2 anos e quer ser Mãe e o Pedro que tem 1 ano.
Vivemos em S. Domingos de Rana.Não somos ricos, não somos pobres.
Queremos ser tratados com equidade e justiça.
Somos 6, queremos ser tratados como 6. Porque somos 6, por mês fazemos 93 litros de sopa e gastamos 62 pacotes de bolacha Maria. Já gastámos até hoje 288 pacotes de fraldas e vamos continuar a gastar…
Hoje, os seis, contribuímos para o crescimento económico do país, amanhã os nossos filhos vão pagar as nossas reformas e ajudar a pagar as reformas de mais pessoas.
Aqui vai uma mensagem da nossa família:
Vemos os nossos filhos como uma fonte de alegria e de amor que chega a ser viciante! Olhamos para os filhos como a natural continuidade de nós mesmos e vemos neles a presença dos nossos antepassados, que amamos e, alguns, já não temos. Olhamos para os nossos filhos como os portadores das datas futuras e tentamos educá-los para que sejam a força dos valores éticos dessa sociedade que começam a perceber!
Os nossos filhos são nossos, mas sabemos que também são de Portugal.
Portugal precisa e precisará sempre deles - devia saber reconhece-lo!
São Domingos de Rana, 4 de Fevereiro de 2012


Nota minha:
A família do meu filho mais velho é a minha família e faz parte da ASPN.

Eu, o meu filho mais velho e o meu filho mais novo não somos piegas.

Apetecia-me acabar este post com o refrão de uma música feita pelos NoNameBoys (que eu detesto) dedicado ao Pinto da Costa tendo como alvo, desta vez, o Coelho.

A moral, a decência e o bom gosto tal não me permitem, mas que apetecia, apetecia.

2012/02/06

Comentários

Ontem às 21.06h coloquei o comentário que se segue no post de Francisco Seixas da Costa intitulado A Brigada do Asterisco:

Sr. Embaixador

Registo que este poste já teve até agora nada menos nada mais que 64 comentários, sendo que a esmagadora maioria dos seus postes não ultrapassa a dezena.
Vamos às estatísticas:
Catinga-5
Teresa-3
Helena Oneto-4
Julia Macias-Valet-3
Francisco Seixas da Costa-6 (que trabalheira)
Anónimos- Não vale a pena contar.
A esmagadora maioria não acrescenta nada ao post original e apenas contribui para a feira das vaidades.
O seu post intitulado Comentários de, salvo erro, 28 de janeiro também teve uma quantidade de comentários muito acima da média.
Curioso...

A Julia Macias-Valet às 21.51, mais rápida que a própria sombra ou não estivesse a lidar com um "pistoleiro", brindou-me com o seguinte comentário ao próprio comentário;

Caro Fernando Frazao,

Isso nao sera um bocadinho de "dor de cotovelo" ??? é que acabo de constatar que no seu blog e sobre o mesmo assunto o contador de comentarios esta a ZERO !

PS: Impressão minha ou o seu comentário para além de veneno nao trouxe nada de novo ?

De rajada, vários "comentadores" elaboraram sobre o meu texto.

Sintomático.

PS: Peço desculpa à Margarida por a ter deixado de fora. Imperdoavel.

PSS: O post original já vai com 84 comentários. É obra.

Epílogo: Este texto é escrito no meu blog por duas razões. A primeira é não querer inflacionar as estatísticas. A segunda é que os cotovelos não me doem e, portanto, espero não receber nenhum comentário.

2012/02/03

Acordo Ortográfico

Muito interessante esta decisão de Vasco Graça Moura de não implementar o AO no CCB.
O homem, que já há muito tempo não anda bom da cabeça, seguramente, ensandeceu de vez, impondo (peço desculpa) adotando, no CCB, o lema "No passaran".
Os cães ladram e a caravana passa.

2012/02/02

As caixas de comentários

O António Teixeira do Herdeiro de Aécio retirou, recentemente, a possibilidade de comentar seus posts, coisa que me incomodou.
Questionado o motivo, o António (acidental ou propositado), amavelmente, respondeu com o texto, que seguidamente se reproduz, não sem primeiro lhe solicitar autorização e que origem à conversa que também se transcreve:

Caro Fernando Frazão

Foi deliberado. É um estado de espírito... É verdade que os comentários são escassos mas nem é isso que afecta o espírito. É o cariz dos que iam aparecendo. Os penúltimos eram de um coleccionista russo especializado em medalhas de bombeiros. Quando lhe respondi que usara um sítio despropositado para tal actividade, respondeu-me precisando que o que ele queria eram as 6 medalhas de Liga dos Bombeiros... O poste era de Outubro de 2006 e a respeito do exercício prepotente da hegemonia australiana sobre as nações insulares do Pacífico... http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2006/10/tv-nostalgia-fora-de-srie.html

Os últimos eram de um tal José e nem sei bem como os classificar, entre o provocador ou - benignamente - uma tentativa de humor mal sucedida. E isso também talvez da minha parte. http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2012/01/aqui-e-portugal.html Mas quando se pretende discutir a data de emissão original dos anúncios televisivos dos produtos da Couto Lda., dá-me cá um peso em cima dos ombros... Não é apenas por ter escrito sobre esse assunto, a propósito da pasta medicinal Couto há pouco mais de um mês - http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2011/12/palavras-para-que.html. É sobretudo porque esse poste aparece comentado precisamente por esse mesmo José que tem agora a certeza que o anúncio do restaurador Olex só apareceu depois do 25 de Abril. Ou seja, pelo que lá escreve, o José terá percebido a ideia com os dentífricos mas agora seria preciso explicar-lhe tudo de novo para os restauradores... Enfim, creio que é só uma fase, lá mais para diante a minha disposição mudará, mas sobretudo agradeço-lhe muito por ter perguntado.

Cumprimentos

A.Teixeira

Segue a minha resposta:

Caro António

Eu percebo o seu estado de espírito que deve ser o mesmo do Ferreira Fernandes ou do nosso homem em Paris.
Mas é pena, porque a bondade da coisa não pode ser posta em causa e sempre se fica a conhecer muita gente boa.
De qualquer modo, entre nós, peço-lhe licença para, de vez quando, invadir a sua caixa de mail com um comentário ou outro.Suponho que dado o historial de comentários meus aos seus posts (e dos seus aos meus), não temerá algum despautério da minha parte.

Já agora peço-lhe licença para publicar este seu mail no meu blog.

Cumprimentos

Resposta definita do António

Caro Fernando
Ele há coisas que são tão inerentes e tão evidentes que me dispenso de as apontar - mal.
Faz muito bem em querer deixar esclarecido esse aspecto e em chamar-me a atenção para tal.
Claro que o deixo completamente à vontade para trocarmos estas impressões que tão agradáveis se têm revelado até. E concordo consigo que há trocas de impressões muito agradáveis: por exemplo, os antepenúltimos comentários do JPT do Mas-chamba - com quem já tive duas interessantes pegas - foram perfeitamente normais, a respeito das influências norte-coreanas (http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2012/01/influencia-da-asia-oriental-nos-paises.html).

Por outro lado, sempre assumi que, quando os comentários estivessem indisponíveis, quem me quisesse realmente contactar faria aquilo que o Fernando fez: usa a opção do Correio que, desde o princípio do blogue, estivessem as caixas de comentários abertas ou fechadas, sempre lá esteve disponível. Acresce ainda que, como o blogue é individual, essa caixa de correio é, por inerência, pessoal. Aliás, nesta etiqueta de blogosfera, sempre fiz uma distinção entre mensagens e comentários. Umas são privadas, os outros públicos, o que nem todos parecem entender. Não costumo, por exemplo, quando detecto algo que considero uma incorrecção evidente e significativa num blogue dos que prezo, utilizar a caixa de comentários do blogue para informar dela o autor. Sempre que possível uso o correio que é mais discreto. Não é minha intenção exibir a minha argúcia - que rapidamente se verá ultrapassada, de resto, se o autor aceitar a minha sugestão... - apenas auxiliar um colega. Também confesso que a contrapartida a essa concepção é que aceito muito mal quando se modificam postes depois de eles terem sido comentados e sem que essa alteração seja devidamente assinalada pelo autor...
Quanto à licença que me pede, esteja à vontade.
Não sei se concordará comigo, mas a única vítima da potencial indiscrição, e já que nenhum de nós terá um grande auditório russo, será o amor próprio do dito José... e muito por culpa própria!
Cumprimentos

A.Teixeira

2012/01/16

O Vitor

Durante muitos anos fiz parte de um comité de trabalho (informática) com representantes de quase todos os países da UE. Entre eles estava o Giancarlo um divertidissimo suíço (de origem italina, claro ) a quem, um dia, o colega alemão perguntou porque é que a Suiça tinha um ministro da marinha. A resposta surgiu pronta:
-Se os italianos têm um Ministro das Finanças porque carga de água é que nós não podemos ter um Ministro da Marinha?

PS: A coisa passou-se na década de 90 mas ganha foros de atualidade se subsituirmos a Itália por Portugal

2012/01/02

2012




Começa "bem" o ano.
Pode ser que este inicio aziago traga melhor sorte noutros departamentos.


Ontem, dia 1 o Honda ficou com este ar amarrotado, fruto de uma "distração" de uma senhora de 74 anos que deveria estar proibida de conduzir.


Parece o chapéu de um pobre...

2011/12/29

A Ponte sobre o Drina



Para além da maravilhosa escrita de Andric que, apesar de Prémio Nobel, é, muitas vezes esquecido, tanto que só (muito) tardiamente foi traduzido, um livro absolutamente fundamental para quem quiser perceber "Os Balcãs.Curiosamente, retenho, citando de cor (não sei se corretamente), uma frase que me marcou muito "... os Bósnios só foram felizes e prósperos quando governados por outros..."


Comentário a propósito deste post publicado por João Ventura no dia nacional da Bósnia no Leitor sem Qualidades:


(Porque hoje é dia jogo com a Bósnia, recupero um texto de um blogue pretérito sobre as minhas evocações bósnias)

Há alguns anos atravessei de comboio o território que corresponde hoje ao mosaico de novos países que resultaram da desagregação da antiga Jugoslávia e a imagem que ainda guardo dessas terras corresponde à lenda que agora leio relatada por Ali-hodza Mutevelic´no romance de Ivo Andric´, A ponte sobre o Drina [Cavalo de Ferro], um território cuja superfície foi arranhada pelas garras do demónio, formando «profundos rios e ravinas, dividindo umas terras de outras e separando os homens, impedindo-os de viajar por essa terra que Alá lhes tinha dado para seu governo e sustento». Por isso, conta-nos, ainda, o hodza, «o maior e mais abençoado bem-fazer é construir uma ponte (…) e o maior pecado é mexer nelas».E, por estes dias em que as pontes de Mitrovic que separam as secções sérvia e albanesa da cidade se encontram encerradas pelos soldados da KFOR para prevenir males maiores na sequência da proclamação unilateral da independência do Kosovo – festejada bizarramente nas ruas de Pristina com bandeiras de países estrangeiros -, vou entrando no Hotel zur Brücke, sobranceiro ao Drina, onde, no romance de Andric´, converge o universo multi-étnico de Visegrad, e pergunto-me quais os demónios que vieram arranhar com as suas garras esta terra, cavando os abismos de medo e ódio que aí estão à espera que os anjos estendam de novo as suas asas para que os homens os possam franquear, como na lenda contada pelo hodja.As histórias d´A ponte sobre o Drina passam-se na pequena cidade bósnia de Višegrad, e têm por palco a desditosa ponte fronteiriça que a partir de 1992 foi lugar de execução pública de muçulmanos que eram lançados à corrente tumultuosa do Drina por extremistas sérvios [como se retrata no filme homónimo de Xavier Lukomski que passou, creio, num DocLisboa recente], numa encenação trágica da mesma limpeza étnica que os cetnici de Milosevic e Karadzic iam multiplicando por toda a Bósnia transformada num teatro da crueldade cujo palco principal foi a cidade dilacerada de Sarajevo. Aquela Sarajevo cuja paisagem entre ruínas atravessámos no filme de Theo Angelopoulos, O olhar de Ulisses, onde Harvey Keitel empreende uma espécie de jornada épico-catártica de um Ulisses contemporâneo em busca do passado e do sentido para a própria existência desolada: «Quando eu voltar será nas vestes de outro homem. O meu regresso será inesperado…»Destes episódios não conta o romance, nem poderia contar porque Ivo Andric´ já não os testemunhou. Nesse magnífico fresco que é A ponte sobre o Drina, Andric´ conta-nos sim do bulício humano na cidade de Visegrad – sérvios ortodoxos, croatas católicos, judeus sefarditas, turcos, muçulmanos e, no último escalão social, uma chusma de ciganos utilizados como carrascos em matanças incendiadas pelos ventos dissonantes da história – cujo destino se traça em torno da «eterna ponte, eternamente igual a si mesma, [sobre] as águas verdes, espumosas e agitadas do Drina». E conta-nos, também, episódios tormentosos conduzidos, então, pelos muçulmanos contra os sérvios durante o longo período de ocupação otomana – de que a cruel cena do empalamento do hajduk sérvio relatado no romance constitui metáfora absoluta -, mas que a manipulação mediática actual tem silenciado por considerar politicamente incorrecta a divulgação dessa outra face da história.«Croata por origem e católico por fé, sérvio por adopção, bósnio por nascimento e pelos matizes da sua própria obra, jugoslavo por determinação e identidade» - como o retrata escritor croata Predag Matvejevic, em Le monde “ex” [Fayard] -, há quem critique em Andric´uma visão que tende a apresentar a época otomana retratada na sua obra, em coerência com a historiografia nacional sérvia, como um período de singular sofrimento sérvio, extigmatizando assim os muçulmanos da Bósnia como «renegados» por terem adoptado a cultura do invasor, comparando-o com Emir Kusturika cuja posição relativamente à questão bósnia sempre foi muito apreciada em Belgrado. Talvez por isso, os nacionalistas croatas o tenham acusado de ter traído a sua própria nação; e os nacionalistas sérvios dele se tenham apropriado, ignorando a sua visão comospolita; e os nacionalistas bósnios muçulmanos lhe tenham reprovado ter descrito o sofrimento da população cristã sob o domínio turco.Mas estas, sim, todas elas, visões parciais e desfocadas de um escritor que, acima de tudo, foi sempre «balcânico e integrador» como o definiu o escritor triestino Claudio Magris: «Sérvio pareceu-lhe ser a expressão que melhor equivaleria a jugoslavo e esta, por sua vez, não é mais que a ambição de bósnio, essa forja de história e vida, essa unidade captada nas diferença e construída, também, através do conflito, que ele aprendeu na sua terra natal» [Utopia y desencanto, Anagrama]. Isto é, na Bósnia, que sempre foi para ele a dolorosa metáfora da existência e da convivência atraiçoadas, para a qual se exigia, como ele dizia, «quatro vezes mais de amor e de compreensão mútua» que para o resto dos países. Porque a Bósnia era – ainda será? - um mundo baseado na fragmentação e na rejeição de qualquer programa de inclusão globalizadora, que haveria de degenerar na homogeneidade étnica agrilhoada dentro da rigidez das fronteiras cavadas após a última guerra balcânica que «apenas o ódio consegue transpor», estilhaçando a utopia cosmopolita de Sarajevo.O que verdadeiramente nos conta Andric´é a vida dos homens e mulheres que construíram a ponte de Visegrad e a vida daqueles que ao longo de cinco séculos foram protagonistas, ou apenas vítimas, dos muitos conflitos que assolaram aquela região dos Balcãs: «tais acontecimentos foram recordados e contados juntamente com as histórias sobre a construção da ponte durante muito tempo (…) por fim, passaram a lenda, como a das fadas, Stoja e Ostoja e outras maravilhas semelhantes» – que se revelam ao longo de séculos nessa desditosa ponte transformada em lugar de passagem, de encontros, de conversas, de conspirações, de suicídios, de execuções; de trânsito de exércitos em debandadas, uma vezes, de desfilada de exércitos vitoriosos, outras vezes, testemunhando o desmoronar de Impérios e o surgir de novas nações, enquanto «a ponte sacudia de si, como quem sacode o pó, todos os traços que nela deixavam os caprichos humanos ou os acontecimentos efémeros e permanecia, depois de tudo passar, inalterada e inalterável».E nesse contar Ivo Andric´ lembra o grão-vizir Mehemed-Paxá que mandou construir aquela ponte sobre o Drina. É que o vizir era ele próprio bósnio de nascença, de uma cidade da montanha; e era um menino de dez anos de idade, cristão, quando os turcos o levaram para Istambul como tributo de sangue; mais tarde tornou-se almirante e genro do sultão. Mas «aquela estranha dor que trouxera da infância na Bósnia, na barca de Višegrad, o punhal negro, lancinante, que de tempos a tempos lhe cortava o peito em dois» nunca o abandonaria. Tal como a sua identidade bósnia que de vez em quando lhe fazia sentir que nele próprio vivia também um outro, constituindo a ponte que mandara construir aquilo que ligava as duas metades de si. Ora, Andric´ foi, também ele, um construtor de pontes, como ele próprio confessa numa crónica intitulada, precisamente, As pontes: «De cada vez que evoco as pontes vêm-me à memória não aquelas que eu atravessei, mas aquelas (…) onde o homem se confronta com obstáculos. (…) Grandes pontes de pedra, testemunhos de épocas esgotadas nas quais, se nelas tivesse vivido, penso, tê-las-ia construído de outro modo» [cit. por Predag Matvejevic, op. cit.]. Talvez, por isso, por não se rever nas pontes desditosas erguidas entre o Oriente e o Ocidente que, parece, já só o ódio consegue franquear, Ivo Andric´tenha nos últimos anos da sua vida preferido dar-se como desaparecido numa terra cavada pelos abismos negros de todos os nacionalismos.






Pedro Vieira

Vai haver mais fãs de fado desde pequeninos do que "amantes" do rugby quando fomos àquele mundial.

retirado do Irmaõ Lúcia

2011/10/30

Serie Europa segundo...

Os Estados Unidos da América...

Marshall McLuhan




Através do A. Teixeira e a propósito de Miró fui ter aqui onde encontrei esta citação, do cidadão em epígrafe:



"O «interesse humano» testemunha o momento em que o público passou a ser o espectáculo. Nesse momento, foi desencadeada uma revolução política radical, a do nascimento do meio de comunicação de massas. Esse meio de comunicação caracteriza-se por a mensagem não ser dirigida para o público, mas por entre o público, qualquer que ele seja. O público é simultaneamente o espectáculo e a mensagem."



O meu filho que é especialista em comunicação, insiste que este é o guru da dita, ponto final.


Apetece-me concordar. Pena que já não esteja cá para ver até que ponto ele tinha razão.


2011/10/25

Outra vez 1 ponto

Por 1 ponto perdeu Gales com a Africa do Sul e também contra a França.
Por 1 ponto perdeu a França contra os All Blacks na final.
Merecido o título algumas considerações:
Quem apresentou o melhor rugby foi Gales incluindo os All Blacks havendo ali "pano para mangas" para o futuro;
A falencia dos chutadores foi determinante para alguns resultados e até Willkinson não escapou á mediania. Não venham dzer que a culpa é da Gilbert e da bola porque conforme ficou aqui demonstrado já deviam estar habituados;
A supermacia das defesas sobre os ataques nos jogos entre equipas do pelotão da frente ficou evidenciada pelos magros resultados dos jogos;
O número de lesões foi grande. Quer as lesões musculares quer as substituições por lesões de sangue foram inúmeras. Isto leva à conclusão que o rugby se está a tornar cada vez mais físico e a requerer a atenção do IRB. Esta questão tem também muito a ver com a condição física e porte atlético dos jogadores. O tempo em que as linhas atrasadas eram os "fraquinhos" e os avançados "gordos e pesados" já passou. A mobilidade dos avançados melhorou incrivelmente sem lhe diminuir o peso e por outra lado a estampa atlética dos "fraquinhos" aumentou imenso sem lhes tirar a velocidade. Quer isto dizer que a capacidade de combate se uniformizou dando, provavelmente, origem a este rugby de permanente confronto fisico entre "iguais";
Outra questão a rever urgentementemente pelo IRB é a forma comosão encaradas as formações ordenadas. retiram dinâmica ao jogo, o que se passa entre as primeiras linhas é coisa condidencial entre as mesmas e, o árbitro e, por isso mesmo, o espectador não consegue perceber, na maior parte dos casos, qual a diferença entre uma derrocada da formação de forma acidental e uma provocada. O IRB tem um grupo de trabalho a estudar o problema mas é urgente que chegue a conclusões;
A excelencia dos árbitros foi evidente. Há no entanto algumas "nódoas". Vi algumas placagens altas que deveriam ser de imediato sancionadas disciplinarmente e alguns adiantados barbaros que ficaram por assinalar. O grande "pequeno" de Gales que o diga;

Muito agradável foi a prestação de António Aguilar. Aliando um conhecimento enciclopédico sobre os jogadores, as regras do jogo e as suas nuances táticas com uma capacidade de comunição notável, foi a confirmação de um dos melhores comentadores desportivos da televisão.

Finalmente, após dois meses de gozo a coisa acabou. O Seis Nações e o Super 15 ainda veem longe restando as finais da Curry Cup.

Ficamos com as prestações miseráveis da maior parte dos jogos de futebol e até a NBA está em risco de este ano não nos proporcionar um espetáculo desportivo de eleição.


Serie a Europa segundo...

...Berlusconi (clicar na imagem para ver melhor)




2011/10/17

Plano de acção

Com a devida vénia ao Jaime Bulhosa aqui se transcreve um post brilhante que, já agora, pode ser transposto , para qualquer área de actividade, nomeadamente a bancária que eu conheço bem.


Uma grande empresa do grande capital e do sector editorial, que a partir de agora, por uma questão de comodidade, passaremos a chamar de Editores SA, pensa, embora contrariada, investir milhões de euros na compra e remodelação de uma grande cadeia de livrarias. Como o investimento é muito elevado, a Editores SA não pôde deixar ao acaso uma decisão destas, encomendando por isso um exaustivo estudo prévio sobre os hábitos de leitura e os factores principais de influência na decisão de compra de livros impressos e digitais, bem como o respectivo Plano de Acção, para mais tarde poder pôr em prática essa extraordinária ferramenta de gestão que é o benchmarketing.A melhor empresa alemã de consultadoria, que a partir de agora designaremos como Consultores SA, foi contratada. A Consultores SA sentiu o peso da responsabilidade e do cliente e também ela não quis deixar ao acaso um estudo desta importância. Assim, colocou ao serviço do seu cliente os melhores recursos técnicos de research. Depois de consultados os melhores especialistas na área, como, editores, autores, escritores, críticos literários, doutores, engenheiros, etc., a Consultores SA definiu o problema, desenvolveu o plano de pesquisa, recolheu os dados secundários e primários, tratou os dados, analisou e interpretou. Após largas semanas de árduo trabalho, finalmente elaborou um Plano de Acção, que de imediato foi enviado à Editores SA. O Plano de Acção consistia num relatório de 1000 longas páginas, com os mais belos e coloridos gráficos, de linha, cone, esferas e paralelepípedos, tabelas e análises desenvolvidíssimas, resultados de sondagem e inquéritos à porta de livrarias, por telefone, Internet, aos universos mais completos dos leitores, por idades, sexo, classes sociais, habilitações, gostos e passatempos, etc., etc. Nunca se havia visto melhor estudo de mercado sobre o livro. Era tão completo, que se podia saber pormenores interessantíssimos, como por exemplo: homens de meia-idade, de classe social A, que usam ceroulas, lêem apenas livros religiosos; os que não usam roupa interior lêem apenas teatro; e os que usam lingerie feminina lêem Margarida Rebelo Pinto. Na Editores SA foi uma excitação: com este Plano de Acção ninguém os poderia bater. Decidiu-se então a compra e remodelação da cadeia de livrarias e, como acção publicitária, anunciou-se a construção da maior e mais moderna livraria do País. Reunido grupo de trabalho com os melhores arquitectos, directores de marketing, informáticos e gestores, e depois de quase todos os temas e problemas terem sido debatidos, foi lançada uma nova questão:

-Pessoal, como vamos dividir o novo espaço comercial em termos percentuais das diversas secções temáticas de livros?
- Como assim?
- Sim, em que temas vamos apostar mais - ciências sociais, ficção, infantil... -, enfim, que livros vamos vender.

Primeiro fez-se um silêncio confrangedor.

Depois cada um e ao mesmo tempo, com elevados decibéis, dava um palpite. Com um murro no tampo, o Presidente do Conselho de Administração, pôs ordem na mesa.

- Silêncio, por favor! Mas, afinal de contas, para que é que encomendámos o estudo de mercado?Resposta quase em uníssono:
- É verdade! o nosso Digníssimo Presidente tem toda a razão.Mandou-se buscar o estudo. Depois de alguns meses a tentar interpretá-lo - sim, porque a produtividade das empresas portuguesas é assim, a brincar a brincar, trabalhamos mais meia hora, por dia, que os outros -, chegou-se à conclusão de que o Plano de Acção nada dizia sobre o assunto ou, se dizia, nas suas longas páginas não se conseguia descortinar.

Ficou decidido passar a batata quente para a empresa de consultadoria, com o pretexto de se ter pago os olhos da cara por um Plano de Acção que era omisso relativamente a esta questão.
Exigiu-se um resumo que pudesse ser facilmente interpretado para esta matéria e em português, porque em alemão, não dava jeito.
A Consultores SA entrou quase em pânico, boquiaberta, com a excentricidade da exigência da empresa portuguesa, sintetizar não era o forte nem a missão da empresa de consultadoria alemã.

Reunido o conselho de emergência, debateu-se largamente o busílis da questão. Finalmente elaborou-se um novo Plano de Acção, desta feita o mais sintético possível, com apenas uma página, e que era lavrado nos seguintes termos:

Exmos. Senhores,
Conforme nos foi solicitado por vossas excelências, segue o relatório sintético do Plano de Acção. Propomos a seguinte divisão temática das edições e espaços comerciais (alertamos para a importância de não inovarem demasiado, pois o mercado actual obedece a esta divisão):

Grandes livros – 2%
Bons livros - 5%
Livros medíocres – 23%
Lixo – 70%

Nota: A escolha dos títulos aconselháveis não é da nossa responsabilidade. A Consultores SA, apenas aponta caminhos, nunca soluções.
Com os nossos melhores Cumprimentos.
Consultores SA

2011/10/12

Citações

Se o Paulo Bento fosse o Passos Coelho ou o Relvas a culpa deste mau jogo era do Queiros
Anónimo


Steve Jobs

Já li muito do que publicou sobre a vida e a morte do sujeito e muito mais ficou por ler.
Suspeito que, o cidadão, se lhe fosse dada a hipotese de ter acesso a tudo o que foi escrito, morreria oura vez, mas de gozo o que, dado o seu percurso, teria mais lógica do que passar-se por causa da merda de um cranco prancreas.
Aqui fica o que de mellhor se produziu até agora

2011/10/08

Mensagem de Sua Majestade

Vim aqui parar nem sei bem porquê.
Depois de ler a Mensagem de Sua Majestade aos cidadãos dos USA fiquei cliente.

Call me Alvaro


Estive hoje a assistir à prestação do Alvaro na Comissão Parlamentar (ou será para lamentar).
Só agora percebi o Principio de Peter.

PS: Felizmente que Melville não está cá para ver o enterro deste arremedo de Ishmael.