2014/09/08

Escócia

Aqui se transcreve a crónica de hoje de Ferreira Fernandes no DN sobre o referendo independentista, tendo como pano de fundo a sua habitual lucidez.
A Europa está parva e é geral
A pergunta, como em todos os referendos bem feitos, vai ao osso: "Deve a Escócia ser um país independente?" Nenhum chantilly para encher o olho, nenhuma palavra supérflua. Nem mas nem meio mas: sim ou não? Milhares de anos de misturas de povos como inevitavelmente aconteceu, porque se passou numa ilha, e pequena ilha, e três séculos de pátria comum, o Reino Unido da Grã-Bretanha, desde 1707... E agora (dia 18 de setembro), separa-se, como o trigo do joio: sim ou não? Muito antigas derrotas comuns (por exemplo, na Independência americana) e vitórias comuns (I e II Guerras Mundiais), um destino imperial feito junto, descobertas de máquinas e de ideias, literatura, desastres, sonhos e líderes partilhados. Tudo isso, passado, valores, história, famílias - inevitável forte identidade - depurado numa dicotomia: escoceses para um lado, os outros para outro. Um dos defensores do "sim" à independência, diz-me o jornal The Guardian, declarou que nada mais une a Inglaterra e a Escócia senão história e família. Senão? Não me parece coisa pouca. E ouso, eu que estou de fora, falar deste assunto porque salta-me a superficialidade com que o referendo é tratado. Eu, português, que por razões ocasionais da minha empresa residisse há três anos em Edimburgo, apesar de não saber quem são os Stuarts posso votar - cortar, sim ou não, no destino do Reino Unido -, mas um escocês a residir em Londres, não. A Europa está parva e é geral.

Albânia 2

Afinal a Albânia existe e ontem, a sua seleção de futebol ganhou 0-1 à nossa seleção.
Será que já ganharam o Concurso da Eurovisão?
Prometo investigar.

2014/08/30

Edinburgh Military Tattoo

Na minha adolescência havia vários programas "imperdiveis" e absolutamente mandatórios, principalmente para o meu pai .
Para além das rubricas semanais como a Noite de Cinema, a Noite de Teatro, o Se bem me Lembro do saudoso Vitorino Nemésio e os Concertos para Jovens do Leonard Bernstein são alguns deles.
Anualmente havia, com a devida pompa e circunstância um, evento da máxima importância:
O Tattoo militar no Castelo de Edimburgo.
Ainda hoje recordo aquelas tardes de sábado com alguma saudade.



Adenda: Grave foi ter-me esquecido de outro mandatório:
O saudoso João Vilaret.
Ainda outros, mas com menor prioridade, Bonanza (claro), Flecha Quebrada, o Mascarilha, o Homem Invisivel e suponho que mais tarde O Fugitivo.

2014/08/29

Sapateado

O sapateado é um tipo de dança de origem irlandesa cujas origens se perdem no correr dos séculos.
Terá origem nos tamancos usados pelos operários que os utilizavam para mostrar as suas habilidades.
Ao longo do tempo foi evoluindo e, levado pelos irlandeses para os "states", misturou-se com os ritmos africanos, dando origem a um tipo de dança ligeiramente diferente.
A diferença fundamental consiste no fato de os irlandeses não mexerem o tronco nem os braços enquanto que os americanos são muito mais exuberantes utilizando todas as partes do corpo.
Vem isto a propósito de uma conversa de café, onde o meu interlocutor defendia o génio de Michael Jackson incluindo a invenção do passo de dança conhecido por Moonwalk.
Feita uma pequena investigação na net (god bless) e em especial no YouTube chega-se à conclusão que o rapaz apenas o batizou.
Atente-se abaixo os professores e que lote.O rapaz era bom, muito bom, mas com professores destes...
Atente-se a lista: Sammy Davies Jr., Fred Astaire, Sandman, Bill Bailley, Buck and the Bubles, Clark Brothers, Cab Calloway Daniel Haynes
 



Acrescente-se que eu sou um adepto incondicional deste tipo de dança.
Pode encontrar-se cá em casa (quase) todo o Fred Astaire, Judy Garland, Gene Kelly, Gregory Hines e por aí fora.
Como o Youtube é como as cerejas e, por que gosto mais da escola americana, aqui ficam dois exemplos brilhantes da corrente americana e um fantástico da escola irlandesa:
O primeiro é extraído o filme Cotton Club (um daqueles que se leva para a ilha deserta), quando Gregory Hines leva a namorada a um clube de Tap Dancers amadores (absolutamente fascinante).



O segundo é extraído do filme TAP e conta com a presença vejam só, de Gregory Hines, Savio Glover, Sammy Davies Jr, Jimmy Slide, Sandman e um dos Nicolas Brothers, tudo gente que dispensa apresentações.

  

Finalmente, "last but not te least" a parte final de um espectáculo do grupo irlandês Riverdance.
Para além da dança  tem a vantagem da música ser também irlandesa, o que não é de somenos.
 .

2014/08/22

Albânia


A Albânia existe?
Por bons ou (quase sempre) maus motivos, todos os países do mundo são mais ou menos falados em comentários, jornais, acontecimentos os mais variadas mas, e a Albânia? 
Um pouco por todo mundo acontecem terramotos, maremotos, chuvas torrenciais, tufões, furacões,deslizamentos de terras, desastres de aviões mas, e na Albânia?
Ele há revoluções, guerras civis, atentados, separatismos, crises políticas e económicas, genocídios, tiroteios nas escolas e centros comerciais e atrocidades várias mas, e na Albânia?  
Por todo o lado se descobrem coisas, a medicina e a ciência em geral avançam, há missões humanitárias, expedições mais ou menos cientificas, provas todo-o-terreno, corridas de todo o género, campeonatos das mais diversas modalidades, atletas excecionais e outros nem por isso, eventos culturais, cinema, teatro, música mas, e na Albânia? 
Desde a morte de Henver Hoxa (1985) que se não fala da Albânia a não ser durante a crise do Kosovo e mesmo assim por causa dos albaneses...do Kosovo.
Será que a Albânia existe? Os mapas e a Wikipédia dizem que sim mas eu tenho sérias dúvidas. 

Adenda: Afinal a Albânia existe e, imagine-se a sua selecção de futebol vai jogar com a selecção portuguesa no dia 7 de Setembro para o apuramento do próximo Campeonato da Europa. 
Ah, parece que também concorrem ao Festival Eurovisão da Canção.
Eu é que sou ignorante.

2014/08/20

Last Dance



Em 2007 Keith Jarret e Charlie Hayden juntaram-se para fazer Jasmine.
Em 2014 juntaram-se novamente para fazer Last Dance.
Infelizmente seria mesmo a última porque o Charlie morreu a 11 de Julho de 2014 três dias antes do disco ser colocado nas prateleiras.
Genial.
Mais um "tens que ter e ouvir "(muitas vezes).

2014/07/23

1967

O texto que se segue foi publicado no Expresso de 2007/06/02 pelo crítico de músico João Lisboa.
Julgava tê-lo perdido mas hoje, vasculhando no fundo dos "directórios" ... encontrei-o.
Se, quem o ler, não chegar ao fim completamente estafado, como eu fiquei, não merece o texto e muito menos o esforço do João (velho companheiro de coro na Incrível Almadense e que não vejo à séculos).  



De acordo com o calendário gregoriano, 1967 foi um «ano comum». Isto é, um ano não bissexto, de 365 dias. Mas não atribuamos demasiadas responsabilidades ao Papa Gregório XIII que, a 18 de Janeiro de 1582, o promulgou para substituir o anterior calendário juliano: nem através de ligação directa ao Grande Arquitecto do Universo poderia ele ter previsto a dimensão exacta pela qual o ano em que John Coltrane, Che Guevara, Woody Guthrie e René Magritte morreram e Kurt Cobain, Julia Roberts, Nicole Kidman e Noel Gallagher nasceram foi tudo menos um ano comum. No mundo, em geral, e na cultura pop, em particular, 1967 foi, indiscutivelmente, um daqueles anos de viragem e ruptura que não deixaria pedra sobre pedra do que para trás ficara e que marcaria irremediavelmente as quatro décadas que, até hoje, se lhe seguiram.

Porque é impossível não o referir, recorde-se já que foi em 1967 que, a 1 de Junho, os Beatles publicaram Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Enquanto marco simbólico do ano e da era, a sua importância permanece, mas deve também adiantar-se que, no âmbito mais restrito da sua ressonância na cultura pop posterior, já viu bem melhores dias: não só todo o resto que os Beatles editaram no mesmo período de doze meses - os singles «Penny Lane»/«Strawberry Fields Forever», «All You Need Is Love»/«Baby You’re a Rich Man» e «Hello Goodbye»/«I Am the Walrus» e o duplo EP Magical Mystery Tour - é francamente mais rico e interessante como, em sucessivas votações dos «all time best» (na última, do número de Junho da «Mojo», para «os 100 discos que mudaram o mundo», ficou-se por um modesto 16º lugar), tem vindo, aceleradamente, a ver a sua cotação desvalorizada relativamente a diversos outros concorrentes e até face a outras gravações da banda de Lennon e McCartney como Revolver, ou mesmo (na recentíssima da «Mojo») ao single de 1963, «I Want To Hold Your Hand» (um honroso segundo lugar atrás de «Tutti Frutti», de Little Richard).

As oscilações do gosto terão a sua própria lógica, mas a verdade é que, num ano em que - política, social e culturalmente - aconteceu incomparavelmente mais do que em muitas décadas, escolher um único objecto/figura emblemáticos não andaria muito longe de confiar no acaso de um lançamento de dados. Tomem, então, nota:

1) álbuns de estreia pop/folk/rock - The Velvet Underground & Nico, seguido, também em 1967, de White Light/White Heat; The Songs of Leonard Cohen; The Doors (e, no final do ano, Strange Days); The Piper at the Gates of Dawn, dos Pink Floyd; Safe as Milk, de Captain Beefheart; Are You Experienced?, da Jimi Hendrix Experience (e ainda Axis: Bold as Love); Mr. Fantasy, dos Traffic; The Grateful Dead; Buffalo Springfield (Neil Young+Stephen Stills) e (sobretudo), no Outono, Buffalo Springfield Again; Chelsea Girl, de Nico; David Bowie; Surrealistic Pillow, dos Jefferson Airplane, antecedendo After Bathing at Baxter’s; Moby Grape; Blowin’ Your Mind, de Van Morrison; Electric Music for the Mind and Body, de Country Joe & The Fish (que publicariam também I Feel Like I’m Fixin’ to Die); The Thoughts of Emerlist Davjack, dos Nice (casulo de Keith Emerson, futuramente Emerson, Lake & Palmer); H. P. Lovecraft; Big Brother & The Holding Company (voz Janis Joplin).

2) obras-primas avulsas, objectos de culto e sementes de futuro - Goodbye and Hello, de Tim Buckley; Forever Changes e Da Capo, dos Love; Pleasures of the Harbor, de Phil Ochs; Absolutely Free, dos Mothers of Invention; 5000 Spirits or the Layers of the Onion, da Incredible String Band; Days of Future Passed, dos Moody Blues; The Who Sell Out; Something Else by the Kinks; Between the Buttons e Their Satanic Majesties Request, dos Rolling Stones; Walk Away Renee/Pretty Ballerina, dos Left Banke; Ptoof, dos Deviants; Tenderness Junction, dos Fugs; Tangerine Dream, dos Kaleidoscope; Mass In F Minor, dos Electric Prunes; Younger than Yesterday, dos Byrds; Disraeli Gears, dos Cream (Eric Clapton+Jack Bruce+Ginger Baker); John Wesley Harding, de Bob Dylan; Easter Everywhere, dos 13th Floor Elevators.

Que outro ano, anterior ou posterior, se poderá gabar de ter fundado uma mão-cheia de géneros musicais (o psicadelismo dos Pink Floyd, Grateful Dead, Country Joe & The Fish, Kaleidoscope, Traffic, Fugs, H. P. Lovecraft, Jefferson Airplane ou de Their Satanic Majesties; o rock-sinfónico/progressivo dos Nice ou Moody Blues; o «noise», com White Light/White Heat; os blues «cósmicos» de Jimi Hendrix, Big Brother ou Cream - ainda que, aqui, haja que reconhecer os antecedentes dos Yardbirds; as incursões pelos idiomas clássico, da vanguarda contemporânea/electrónica e das músicas orientais dos Electric Prunes, Tim Buckley, Nico, Incredible String Band, Love, Frank Zappa/Mothers of Invention, Phil Ochs e dos próprios Beatles que, já em Revolver, por aí haviam deambulado; a ópera-rock com The Who Sell Out), de ter revelado (ou confirmado, ao segundo álbum) figuras que marcariam indelevelmente a pop até hoje - Lou Reed, John Cale, Van Morrison, Neil Young, Jimi Hendrix, Nico, David Bowie, Tim Buckley, Leonard Cohen, Frank Zappa, Captain Beefheart - e, de um modo geral, ter participado intensamente nas convulsões que, daí em diante (e o Maio francês estava apenas a um ano de distância), virariam o século XX do avesso? A música aspirava o espírito do tempo e, ao expirá-lo, acelerava a rotação do mundo.

De facto, o ano em que, logo a 2 de Janeiro, Charlie Chaplin estreava o seu último filme (A Condessa de Hong Kong) e que, a 19 de Dezembro, ouviria o professor John Wheeler formular, pela primeira vez, o conceito de «buraco negro», foi um período de movimentos e eventos contraditórios: se a Guerra dos Seis Dias (entre 5 e 10 de Junho) incendiava irreversivelmente o Médio Oriente, o golpe de estado «dos coronéis», na Grécia, instalava mais uma ditadura europeia e o general Westmoreland garantia que a vitória americana no Vietname era certa, o «Gathering of the Tribes for a Human Be-In» que, a 14 de Janeiro, reunia 30 mil pessoas no Golden Gate Park de São Francisco, fazia convergir para um mesmo lugar as várias sensibilidades heterodoxas da época (ecologistas, velhos beatnicks, feministas, novos hippies, anarco-freaks, militantes anti-Vietname, contestatários estudantis, activistas anti-segregacionistas, radicais de esquerda, gurus místicos e apóstolos lisérgicos), dava a palavra a oradores como Allen Ginsberg, Jerry Rubin e Timothy Leary (que lançaria o mote do ano com o seu famoso «Turn on, tune in, drop out» aparentemente «soprado» por Marshall McLuhan, enquanto o «underground chemist», Owsley Stanley, abastecia generosamente as massas com LSD - ilegalizado desde 16 de Outubro de 1966 - especialmente sintetizado para a ocasião), oferecia o palco aos Jefferson Airplane, Grateful Dead e Quicksilver Messenger Service e, acima de tudo, anunciava o «Summer of Love» que, meses depois, faria convergir para o distrito de Haight-Ashbury, Berkeley e a baía de São Francisco mais de 100 mil «flower children» em busca de «amor livre», comunitarismo, transcendência e bucolismo utópicos «à la» Thoreau, êxtases químicos instantâneos e toda a parafernália cultural e filosófica que estaria na raiz da «New Age» e da contracultura «underground».

No entanto, a 15 de Janeiro, um dia depois do «Human Be-In», no Ed Sullivan Show, os Rolling Stones, a bem da moral e dos bons costumes, seriam forçados a cantar «Let’s Spend Some Time Together» em vez do «Let’s Spend the Night Together» original e, um mês mais tarde, Mick Jagger e Keith Richards veriam a polícia londrina invadir-lhes uma festa privada e acusá-los de consumo e posse de drogas, pelo que, a 29 de Junho, acabariam mesmo por serem presos. Foi, sem dúvida, um ano em que manter-se a par das notícias não terá sido fácil: no mesmo dia em que as «tribos» se congregavam no Golden Gate Park, o «New York Times» revelava que o Exército americano realizava experiências em matéria de guerra biológica; a 1 de Março, a Revolução Cultural chinesa terminava com o regresso dos Guardas Vermelhos à escola, oito dias antes de Svetlana Alliluyeva, filha de Estaline, fugir para os EUA e, no penúltimo dia do mês, de os Beatles serem fotografados para a lendária capa de Sgt. Pepper’s, uma semana antes de levantar voo o primeiro Boeing 737 (a 11 de Dezembro, seria o baptismo de voo do Concorde). Outra linha de acontecimentos decorria paralelamente: a 28 de Abril, Cassius Clay/Muhammad Ali recusa combater no Exército dos EUA, e embora, a 12 de Junho, o Supremo Tribunal de Justiça norte-americano (do qual, a 30 de Agosto, Thurgood Marshall seria o primeiro membro afro-americano) tenha declarado inconstitucionais todas as leis que proibiam os casamentos interraciais, isso não impediu que, a 15 de Julho - dois dias antes da morte de John Coltrane -, expludam violentos motins raciais em Detroit (43 mortos, 342 feridos, 1400 edifícios incendiados), que alastraram a Nova Iorque, Washington DC e Alabama, e, a 21 de Setembro (quatro dias depois da estreia do musical hippie, Hair), dezenas de milhares marcharam sobre Washington contra a guerra do Vietname enquanto Allen Ginsberg entoava mantras com o objectivo de «fazer levitar o Pentágono».

A atmosfera cultural do «Verão do Amor» (que, na edição de 7 de Julho da «Time», a «cover story», intitulada «The Hippies: The Philosophy of a Subculture», descrevia como «faz o que te apetece, onde quer que o tenhas de fazer e fá-lo quando quiseres. Sai fora. Abandona a sociedade tal como a conheces. Abandona-a por completo. Assombra o espírito de todas as pessoas normais que possas encontrar. Converte-os. Se não às drogas, pelo menos à beleza, ao amor, à honestidade e à alegria»), seria, entretanto, perfeitamente caracterizada pelo Monterey Pop Festival - de 16 a 18 de Junho, 200 mil participantes e o primeiro festival pop/folk/rock, ao ar livre e gratuito -, na Califórnia, no qual actuaram Jimi Hendrix, The Who, The Byrds, Jefferson Airplane, Ravi Shankar, Hugh Masekela, The Grateful Dead, Janis Joplin com os Big Brother & The Holding Company, The Association, Buffalo Springfield, Country Joe & The Fish, Moby Grape, Quicksilver Messenger Service, Laura Nyro, Canned Heat, Simon & Garfunkel, The Paul Butterfield Blues Band, The Steve Miller Band, os Blues Project e Otis Redding, que morreria a 10 de Dezembro, num acidente de avião. Não foi a única baixa do universo cultural a lamentar: entre Maio e Agosto, juntar-se-lhe-iam Edward Hopper, Vivien Leigh, Jayne Mansfield, o poeta Carl Sandburg, o dramaturgo Joe Orton, René Magritte, o manager dos Beatles, Brian Epstein e Woody Guthrie. Tragédia de enorme dimensão foram as cheias de Lisboa, a 26 de Novembro, com 462 vítimas mortais, que se somariam às das guerras coloniais em curso, às do Vietname ou às decorrentes do abate pela República Popular da China de dois aviões norte-americanos que teriam violado o seu espaço aéreo.

Mas, mais visível ou invisivelmente, havia forças várias em movimento: a 26 de Junho (um dia antes de, em Enfield, no Reino Unido, o Barclays Bank abrir a primeira caixa Multibanco), Karol Wojtyla - futuro João Paulo II - é ordenado cardeal e, pela mesma altura, Lech Walesa começa a trabalhar como electricista, nos estaleiros Lenine, de Gdansk; a 4 de Julho, o Parlamento britânico descriminaliza a homossexualidade, Antony Hewish e Jocelyn Bell Burnell, da Universidade de Cambridge, descobrem o primeiro pulsar e, no final do ano (que se iniciara com a morte de Jack Ruby, assassino de Lee Harvey Oswald, putativo assassino de John Kennedy), Christiaan Barnard realiza, na Cidade do Cabo, na África do Sul, o primeiro transplante cardíaco. O «zeitgeist» da era impulsionaria, ainda Ralph J. Gleason e Jann Wenner a fundar a «Rolling Stone» (para onde Greil Marcus - salário: 30 dólares por semana -, Hunter S. Thompson ou Lester Bangs escreveriam), sobrevivente única de «rock magazines» históricos como a «Crawdaddy!» e a «CREEM». Muitos anos mais tarde, reflectindo sobre a atmosfera desses anos, um dos seus alegados heróis, Leonard Cohen, diria: «Os hippies não me interessaram especialmente. Em particular, quando começaram a poluir os rios e a deixar lixo por todo o lado, quando iam para o campo adorar Deus e a Natureza. Eram péssimos campistas! Eu, que fui escuteiro, posso dizê-lo».


UFF

PS: Na altura eu tinha 17 "aninhos" e muitas destas coisas só as recuperei muitos anos mais tarde.
Ainda hoje muitos dos citados são os meus favoritos.

Ver ainda aqui o que estava na moda.

Livrarias


Não posso estar mais de acordo.
Este post é dedicado aos corajosos livreiros independentes que insistem, contra tudo e contra todos, em nos manterem "seres pensantes" e sobretudo aos que não conseguiram resistir ao estúpido mainstream.

2014/06/24

WorldCup -Last round


Enviei hoje o mail que abaixo se transcreve ao meu amigo Stephan Becker que por esta altura se diverte à grande por terras de Santa Cruz:

My dear friend.

First of all I hope that you are doing good and had enough fun because from this momment on you are done. 

It goes like this.

As you know I am a man of multiple skills.

I arranged a special session of the Portuguese Parliament and they have approved a task force with  two goals (stupid word):

1 - Germany will strike the bloody americans with  5-0;
2 - Portugal will smash the @#%&?*+ ghanese with an attonishing three nil

Under my proposal and, considering that you are already in the field and after I describe your long and beautiful curriculum, they also appoint you as the Great Leader for the task force with a magnificent three minutes standing ovation.

I also obtain from FIFA's General Assembly a special authorization to send to Brazil an A - 380 full of portuguese footballers because we really don't know how many of them will fall in the first and second training sessions.    

Last but not the least I had a special meeting with Our Lady of Fátima (it's only 30 kms between our houses) and, lucky you, Marcos Reus is cured and can join "die Mannshaft".

Two days of real hard work.


Love 

Fernando


PS: What are you doing? Leave the internet and put your hands on the job. The clock is ticking   

2014/06/09

You'll never walk alone



O meu filho Pedro enviou-me este vídeo produzido pelos alunos e professores do 9º ano do colégio onde dá aulas.
Só é pena que não tenham feito uma montagem ou fazendo no fim uma referência à Bill Shankly's Gate em Anfield Road.


Muito bem. Continuem a sonhar

2014/02/09

Dragão Miam

Já me tinha referido num post anterior às potenciais qualidades artísticas do meu neto João que, mais uma vez, ficam demonstradas no desenho abaixo, não só pelo rigor do traço, mas também pela imaginação.
Espero que se confirmem.

2014/01/16

Sitting in my front porch...

Sentado no meu alpendre vejo e ouço a chuva cair.
O dia é cinzento, escorre pelas paredes, pegajoso, esverdeado, triste, apelando à melancolia e, no entanto, tem um encanto que me escapa e me faz passar muito tempo (demasiado?), imóvel, aguardando um não sei quê que nunca acontece.

Talvez seja o que sentia o prematuramente malogrado Otis Reding, sentado no cais, vendo os barcos entrar no porto.

 

2014/01/09

Ilustração Centífica

"A ilustração científica é uma técnica e uma arte velha de cinco séculos. É uma técnica especializada, que serve naturalistas, médicos, biólogos e outros cientistas. E é uma arte que tem produzido gravuras de incomparável beleza - gravuras que espantam, pelo pormenor e pela composição, tanto o cientista como o leigo."

A definição atrás foi retirada da página dedicada ao assunto pelo Instituto Camões.


Esta arte tem sido impulsionada recentemente por Pedro Salgado, biólogo e ilustrador que nesta entrevista revela o seu percurso e ambições de construir em Portugal uma escola de Ilustração Científica. 

Vem isto a propósito do desenho abaixo, produto de uma Workshop frequentada pelo meu neto João, de oito anos,  na escola de Belas Artes de Pedro Serrenho.


As aptidões são evidentes de comparamos com o desenho abaixo da autoria de Pedro Salgado.

Parabéns ao artista

  

2014/01/07

Paisagens

Agora que estamos no pino do Inverno e com saudades do Verão (que diabo já chega de chuva) Lembrei-me de comparar as mesmas paisagens em diferentes países e as suas semelhanças e diferenças nas referidas estações.
As duas primeiras são de dois plátanos gigantescos que emolduram a Fonte do Pião em Monsanto-Alcanena.
A fonte é lugar de amena cavaqueira nas tardes de verão, protegida da canícula, pelas copas frondosas que quase ameaçam tapar a estrada nacional que por ali passa.
Entre o Verão e o Inverno a diferença salta à vista, sendo que se reconhece o mesmo lugar sem sombra de dúvida.



O mesmo não se poderá dizer das seguintes que, sendo também tiradas no mesmo local e quase com o mesmo enquadramento nos mostram paisagens bem diferentes.
As fotos foram obtidas da varanda de um amigo que vive no Tirol numa aldeia que dá pelo nome de Fiberbrunn no município da famosa estância de ski kitzbuel.
Se não soubesse que o local é exatamente o mesmo (fui eu que tirei as fotos) hesitaria bastante em o reconhecer.
Na verdade, o manto de neve retira quase todos os pontos de referencia reconhecidos durante o verão, transformando uma paisagem rica em cores para a "pobreza" do preto e branco.








2013/12/08

Free Nelson Mandela

Tudo já foi dito e escrito nos telejornais, nos jornais e nos blogues sobre o Homem (assim, com H grande) e, portanto não vou acrescentar nada. 

Há, no entanto algo que até agora não vi/ouvi referido. Algo que é muito querido pelos amantes de Rugby que são simultâneamente amantes da liberdade. 

O Campeonato do Mundo de Rugby de 1995 foi disputado na África do Sul , num país que tinha acabado de eleger Presidente Nelson Mandela e à beira da guerra civil.

Mandela percebeu, como grande político (que saudade dos grandes políticos) qual era, a importância de um jogo que, até ao momento, era apenas jogado por brancos.

Os Sul Africanos não eram favoritos. 
Os All Blacks, que tinham como grande estrela Jonah Lomu (essa força da natureza), eram considerados mais do que favoritos. Com alguma sorte e muito empenho conseguiram chegar à final, que foi disputada no Soweto no Ellis Park Stadium

Morné du Plessis, capitão da equipa*, depois de um encontro com Madiba, conseguiu convencer os restantes elementos (brancos claro) a cantar o já então oficial Hino Sul Africano. E não foi fácil.
Madiba conseguiu convencer os pretos que a seleção era da África do Sul e não, apenas dos brancos.

Tudo isto está excelentemente dramatizado em Invictus de Clint Eastwood, com o também grande Morgan Freeman no papel de Mandela e Matt Demon no papel de Morné du Plessis.   

A final foi disputada sobre grande tensão. 

A mescla de brancos e pretos foi grande, unidos não só pelo sentimento nacional mas também com o sentimento de estarem a dar um grande passo na União nacional. 
Tanto quanto sei, foi a primeira vez que os Springboks, inspirados pelo seu capitão, cantaram o “já seu” Nkosi sikelel’ iAfrika (God Bless Africa).
Como todas as histórias esta acaba também acaba bem.
Os Springbocks ganharam à Nova Zelândia, de forma dramática, por 15-12 e sagraram-se Campeões do Mundo graças a um pontapé de ressalto que ficou na história executado por Joel Stransky, no prolongamento.

Diz-se que o desporto (não só) une os povos. Se fosse preciso prova esta é concludente.



Nelson Mandela morreu. Está final e verdadeiramente livre.
R.I.P.
  
Aqui fica a letra com referência a cada um dos idiomas e, na falta da gravação de 1995, deixo, para memória futura, uma gravação no Campeonato do Mundo de 2007 em França**. 


Xhosa 

Nkosi sikelel’ iAfrika 
Maluphakanyisw’ uphondo Iwayo 

Zulu 

Yizwa imithandazo yethu 
Nkosi sikelela thina lusapho Iwayo 

Sesotho 

 Morena boloka setjhaba sa heso 
O fedise dintwa le matshwenyeho 
O se boloke, o se boloke setjhaba sa heso 
Setjhaba sa South Africa 
South Africa 

Afrikaans 

Uit die blou van onse hemel 
Uit die diepte van ons see 
Oor ons ewige gebergtes 
Waar die kranse antwoord gee 

English 

Sounds the call to come together 
And united we shall stand 
Let us live and strive for freedom 
In South Africa our land




 * A influência de um Capitão numa equipa de Rugby não tem comparação com mais nenhum desporto coletivo.

** Neste Mundial tive o privilégio de assistir ao Jogo Lobos vs All Blacks em Lyon.
Levámos uma tareia mas valeu a pena

Adenda:
Não sei como fui confundir Francois  Piennar com Morné du Plessis.
Coisas da PDI ou, mais grave, de alguma falta de rigor que deve ser apanágio deste tipo de comunicação (das outras também).
Morné du Plessis foi capitão dos Springbocks entre 1975 e 1980.
Em 1995 era manager da equipa e não seu capitão como acima foi referido.
Peço desculpa a quem me ler pelo lapso.

2013/11/28

Festival Gastronómico da Cachola e da Morcela em Alcanena

Está a decorrer em Alcanena o festival que acima se anuncia. Os Restaurantes aderentes estão descritos no cartaz do evento sendo que, quase todos, são dirigidos por pessoas bem conhecidas no Concelho, alguns deles meus vizinhos ou amigos. Já fui a alguns, cujos nomes não revelo para, no caso de algum deles ler este escrito (parece-me a coisa francamente improvável, mas nunca se sabe))não ferir suscetibilidades.
A deslocação tem-se revelado, em média, bastante proveitosa, sobretudo as morcelas, que se têm revelado de grande qualidade, tendo ainda que ter em conta a relação qualidade/preço que é imbatível. Estas morcelas são típicas de Leiria e da região da Serra de Aires e dos Candeeiros, por incorporarem arroz, bem diferentes, por exemplo, das morcelas da Guarda. 
Confesso não ser grande apreciador de Cachola mais por ser um prato pesado, com "sustância" a requerer um "casqueiro" (ai o molho) e uma "vinhaça" que faça crescer pelos no peito e portanto, de difícil digestão, sendo de evitar comê-lo com frequência e mais ainda se tivermos de, a seguir, ir trabalhar (já não é o meu caso, felizmente). 
Acrescento-se que uma (ou mais) morcela pode ser comida como entrada ou como petisco a meio da tarde. O mesmo não se pode dizer da Cachola. De qualquer modo recomenda-se.

2013/11/25

That´s what friens are for



Hoje recebi um mail de uma amigo, cujo conteúdo não faz sentido transcrever aqui.
O único comentário que me apetece fazer tem o título acima.
Bem hajas. 

2013/11/24

Irlanda vs All Blacks


A avaliar pelo que é dito aqui e que é da mais absoluta confiança, perdi o melhor jogo da "janela" de Outono.
Damned.

2013/11/22

Ronaldo vs Messi


A polémica que envolve Cristiano Ronaldo e Lionel Messi faz-me sempre lembrar esta “anedota”.

Um homem conduzia pela arreata duas vacas, uma branca e outra preta.
Lindas vacas que o amigo leva aí, interpelou-o um passante.
A branca é, respondeu o pastor.
E a preta?
A preta também.
Devem dar muito leite observou o cidadão olhando para os úberos inchados das vacas.
É, a branca dá.
E a preta?
A preta também, respondeu já com algum enfado o produtor de leite.
Seguramente quando as matar darão muito leite?
A branca dará.
Então e a preta, perguntou o homem especado na beira da estrada, já com ar de poucos amigos.
A preta também.
Chateado com a conversa o perguntador avançou, olhe lá ó amigo porque é que você fala sempre primeiro na branca e só depois da preta?
Sabe, a branca é minha.
Então e a preta?
A preta... também.

Mutatis mutandis:

O Ronaldo é excecional?
É.
E o Messi?
Também.

O empolamento que os média dão a este assunto é verdadeiramente asqueroso.
Eu queria ver a reação, das virgens ofendidas se o Blatter (que ou é uma besta ou estava bêbado ou talvez as duas coisas juntas) denegrisse o Messi.
A prova disso é que ontem, as televisões correram a dar relevo às declarações de Mariano Rajoy, que, claro, como bom Madrilista disse ue o Ronaldo é melhor. Gostava de saber se mantinha a mesma opinião se ele jogasse no Barcelona.

A declaração mais sensata que li até agora foi a de Manuel Machado:
Nos desportos motorizados Ronaldo seria Campeão Mundial de Formula 1 e o Messi Campeão Mundial de Rallys.
Chapeau.