2013/07/18

Serie grandes Inícios IX

Caro amigo, nas horas poeirentas e intemporais da cidade, agora que as ruas jazem negras e exalam nuvens de vapor na esteira de camiões cisterna e agora que os bêbedos e os sem-abrigo desaguaram nas vielas e nos terrenos baldios, abrigados junto aos muros, e os gatos vagueiam nas soturnas cercanias, esguios e de espáduas altaneiras, agora nestas galerias empredadas ou de tijolos enegrecidos de fuligem onde as sombras dos fios elétricos, formam uma harpa espectral nas portas das caves, ninguém caminhará senão tu.

Excerto da nota do tradutor Paulo Faria, o mesmo de Meridiano de Sangue:
 
...Certa vez, Peter Josyph fez-me notar que, em todos os seus livros, Cormac McCarthy parece dizer a cada um dos seus leitores :<És um irresponsável, devias ter mais medo do mundo> e, ao mesmo tempo:<És um cobarde , devias ter mais coragem> e, ao mesmo tempo:<És demasiado humano, devias assemelhar-te a Jesus Cristo>. Em Suttree, cujo protagonista pesca peixes mas também homens, qual Cristo moderno a caminhar sobre as águas num mar de pecado, estamos sempre a oscilar entre estes três vértices do triângulo da nossa condição humana... 

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