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2010/10/12

Prós e Contras

Eu não gosto do formato do programa.
Tentam meter o Rossio na Betesga, convidando tanta gente para opinar sobre o tema escolhido e normalmente não "há cú que aguente"
Eu não gosto da Fátima Campos Ferreira porque se transforma frequentemente no elemento absorvente, em vez de assumir o neutro, como não gosto da maioria dos moderadores, entrevistadores, "pivots" etc. da televisão, sobretudo quando têm aquele hábito terrivel da refrasear o que o entrevistado disse.
É um atestado de menoridade ao espectador, uma perda de tempo e, sobretudo, uma "muleta" para o entrevistador, que assim tem mais tempo para pensar na próxima pergunta.
Ontem no entanto havia um "must".
Não é fácil reunir Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio.
Suponho até, que só foi possível por estarmos na crise em que estamos.
Desta vez vou ver até ao fim.
Não fui defraudado.
Ramalho Eanes continuar a ser aquilo que sempre foi, quadrado, "general" e "cara de pau" como ele próprio afirmou mas, igual a si próprio, não fugiu às perguntas e discorreu simples e claro.
Mário Soares continua em grande forma.
O melhor foi Jorge Sampaio. Com um humor previamente estudado colocou o seu discurso num registo optimista que arrancou aplausos do público (é disto que a gente precisa?) contrariando o arengar pessimista e catastrófico da Fátima.
Depois daquele discurso imbecil do presidente da associação académica que lembrou que no tempo de universidade dos intervenientes não havia problema de emprego para os licenciados esquecendo-se (talvez não saiba por ignorancia) que nesse tempo eram tão poucos que não havia problema a surpresa da noite foi Henrique Granadeiro lembrando que há um país que liga pouco aos politicos e que faz o seu trabalho diariamente, sem problemas.
Ainda houve tempo para Jorge Sampaio recusar a dicotomia entre "nós" e "eles" assumindo-se embora como um dos "eles".
Nota final para verificar que a imprensa de hoje deu pouco relevo à coisa.
Confere.
Ninguém se irritou, ninguém se insultou, tudo decorreu com normalidade e elevação democrática.
Em consequencia, não é notícia.
Manquem-se como diz o meu filho João

2010/09/24

QUEM TRAMOU PASSOS?

Coma a devida vénia a Eduardo Pitta a qui se transcreve o que lhe vai na alma.
A ver vamos, como diz o cego, se assim será:

Na Primavera de 1983, a crise económica e financeira obrigou o PS e o PSD a entenderem-se. Assim nasceu o IX Governo Constitucional, que tomou posse a 9 de Junho. Resultado de um acordo entre os dois partidos, Mário Soares chefiou um executivo com ministros socialistas (Almeida Santos, Jaime Gama e outros), social-democratas (Carlos Mota Pinto, Rui Machete e outros), renovadores (Francisco Sousa Tavares) e independentes (Ernâni Lopes e outros). Durou até 6 de Novembro de 1985. Nesses 29 meses, o governo do Bloco Central pôs as finanças do país em ordem. E pudemos entrar na Europa.Agora vivemos uma crise parecida. Mas, hoje mesmo, o PSD recusou conversações com o governo sobre o Orçamento de Estado para 2011. De Figueiró dos Vinhos, Cavaco já reagiu.Nada disto espanta. Os seis meses que Pedro Passos Coelho leva de líder do PSD demonstraram à saciedade que, salvo incidente de natureza imprevisível, a actual direcção laranja não formará o próximo governo. Não é difícil perceber porquê. Se o chumbo do OE 2011 mergulhar o país numa situação explosiva, Cavaco acertará com Sócrates (e não com outro) os detalhes de um governo de emergência que assegurará a legislatura. Se, com chumbo ou sem ele, a situação se aguentar, mais aperto menos aperto, Sócrates leva a legislatura ao fim com uma perna às costas. Não tenham ilusões: em nenhuma destas circunstâncias Cavaco (ou Alegre) facilitará o caminho a Passos Coelho. Entretanto, até 2013, o PSD se encarregará de trazer Rui Rio ao colo para Lisboa.