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2012/04/12

E a puta que os pariu II

aqui tinha trancrito um post do Eduardo Pitta sobre o assunto. Trancrevo agora outro sobre o mesmo assunto mas agora sobre o burgo local.

Uma das polémicas que mais galvanizaram a bloga durante o consulado Sócrates foi a da proibição do fumo em restaurantes, bares e cafés. Arbítrio, totalitarismo, intromissão intolerável na liberdade dos cidadãos, de tudo o governo foi acusado por jornalistas e bloggers que hoje são secretários de Estado, adjuntos e assessores de gabinetes ministeriais e dos grupos parlamentares do PSD e do CDS-PP. Agora, o governo prepara-se para: a) acabar com as máquinas automáticas de venda de tabaco; b) estabelecer a proibição de fumar à porta de restaurantes, bares e cafés; c) acabar com o regime misto actualmente em vigor (o proprietário decide). E ninguém vai piar.

Acresce ainda que, a sanha legisladora, parece que vai proíbir que os condutores fumem quando transportam crianças.
Algumas questões:
Ficam também proíbidos os outros passageiros?;
Como é que a polícia vai fiscalizar esta lei?
Quando nos mandarem parar e se transportarmos crianças temos que mostrar se o cinzeiro tem beatas?

A legislação já contempla que não se podem atirar coisas para fora do carro incluindo beatas e também que é probido aos peôes atravessaren ruas a menos de cinquenta metros das passadeiras.
O MAI que tanto gosta de mostrar estatísticas alguma vez disse quantos cidadãos foram multados por terem violado estas leis?

A regra deveria ser só uma. O dono do espaço tem direito a decidir se nele se fuma, se se pode beber alcool, se se pode come refugados, se se pode dar um peido ou um arroto bem sonoro ou não.
Em casa do meu filho Pedro não se fuma ponto . Em minha casa fuma-se ponto,a não ser que alguns dos presentes me peça para não o fazer o que, por norma de boa educação, eu respeito ou, ainda, que os meus netos estejam presentes.
Mesmo no tempo em que era permitido fumar em todo o lado sempre perguntei aos vizinhos de circunstância se o facto de eu fumar os incomodava.
Chama-se a isso respeito e boa educação. Estes estúpidos, porque não são bem educados, querem impor aquilo que devia ser natural.
Estes legisladores da treta continuam entretidos com com merdas da treta, quando deviam estar a tratar daquilo que verdadeiramente interessa.


A puta que os pariu outra vez.

2007/06/29

Ideias para Lisboa

Com a devida vénia ao Fogareiro:

Ideias para Lisboa
As manhãs de sábado são de pouco trabalho e muitas leituras. Não dispenso o semanário «SOL» e muito em especial as crónicas do seu director, José António Saraiva. A última foi dedicada a Lisboa, que vive momento eleitoral. Transcrevo-a, com a devida vénia, neste cantinho pessoal.Em lugar de falar dos candidatos, parece-me mais útil aproveitar esta época eleitoral para fazer sugestões para Lisboa.Já fiz algumas, no passado, sem quaisquer resultados.Uma delas foi a cobertura da Rua Garrett, da Rua do Carmo e da Rua Nova do Almada com uma grande clarabóia de vidro, à semelhança da galeria Victor Emanuel, em Milão, tornando o Chiado um grande centro comercial de lojas tradicionais.Outra foi a transferência da Feira do Livro para a zona do Rossio, Praça da Figueira e Martim Moniz, ligando as três praças, chamando mais gente para o centro da cidade e dando-lhe um ambiente de festa – ao mesmo tempo que a feira beneficiaria da presença de esplanadas e lojas à volta (abertas à noite), que a tornariam mais atractiva.E o facto de aquela zona ser abrigada e plana, ao contrário do Parque Eduardo VII, que é inclinado e ventoso, seria um factor de comodidade para os visitantes.Hoje vou defender outra ideia, não tão original, mas que mudaria a parte ocidental de Lisboa.Um dos problemas que esta zona tem é a difícil ligação ao rio.Embora se estenda ao longo do Tejo, a faixa que vai do Terreiro do Paço a Algés não tem praticamente contacto com ele.Porquê?Essencialmente, porque a linha férrea funciona como uma barreira de arame farpado que corta o acesso à zona ribeirinha dos lisboetas que moram nessa parte da cidade.Os pontos de ligação resumem-se a meia dúzia de passagens aéreas e dois túneis, o que além de pouco prático é ridículo numa frente tão extensa.Por isso, em algumas propostas para Lisboa, defendeu-se o desnivelamento da linha férrea naquele troço – investimento que se verificou, porém, ser pouco rentável para a companhia.E o problema foi-se arrastando sem solução à vista.Sucede que, agora, a solução está na cara.Só não a vê quem não quer.Quando a linha de Cascais foi construída, no princípio do século XX, a zona a Ocidente do Cais do Sodré não passava de «arrabaldes».Havia lá meia dúzia de palácios, outras tantas quintas, uns monumentos erguidos na praia em memória de tempos passados – como os Jerónimos – e pouco mais.Entretanto, Lisboa cresceu para aí.A Exposição do Mundo Português, em 1940, atraiu gente e serviços.Alcântara, Belém, Pedrouços e Algés encheram-se de vida.E hoje, 100 anos passados, não faz qualquer sentido aquela zona ser atravessada por uma linha de caminho-de-ferro.Tratando-se de uma zona urbana, tem de ser bem servida por transportes urbanos.Juntando 1+1, ou seja, a vantagem de «enterrar» a linha férrea e a necessidade de dotar a parte ocidental de transportes «de cidade», o que resulta?Obviamente, acabar com o comboio entre o Cais do Sodré e Algés, e prolongar até aqui o Metropolitano.Julgo que obra mais óbvia não existe em Lisboa.Com a vantagem de ser uma obra de futuro.Porque, ao contrário de certas áreas da cidade que estão relativamente estabilizadas, a parte ocidental está em constante evolução.A zona ribeirinha, mesmo com os actuais condicionamentos, vai-se desenvolvendo – como se vê pelos bares e restaurantes das docas em Alcântara, pela animação na área de Belém e pelas instalações previstas para o local da Docapesca.O turismo não pára todos os anos de aumentar – e em Belém situa-se parte importante da oferta turística lisboeta, como o Museu dos Coches, o Palácio de Belém, os Jerónimos, o CCB, a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos, o Museu de Marinha, o Museu de Arqueologia e Etnografia, o Planetário. Finalmente, há projectos imobiliários de grande fôlego previstos para Alcântara, e novas urbanizações que têm surgido no lugar ocupado por antigas fábricas, no tempo em que ali era uma zona industrial.Saída do troço da linha da CP entre o Cais do Sodré e Algés, e sua substituição por uma linha de Metropolitano – aqui fica mais uma sugestão para Lisboa. Com poucas esperanças de que venha a ser aproveitada.