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2012/04/27

Contrato

Eu já assinei:
Precisam-se clientes,
com ou sem experiência.
Entrada imediata.

Nota: Como em todos os contratos aconselhamos a ler a letras pequeninas.

Condições e termos do contrato:


Habilitações necessárias: Gosto pela leitura. Dispensamos qualquer outro tipo de conhecimentos, nomeadamente informáticos.

Contrato: Sem termo, nada de recibos verdes e emprego garantido para toda a vida.

Características: Aceitamos candidatos de ambos os sexos, raça ou credo e sem limite de idade.

Horário: A tempo inteiro, a part-time ou a partir de casa.

Carreira: Não podia ser mais aliciante: quem não quer trabalhar no que gosta? Bom ambiente entre colegas, ideal para a valorização pessoal, formação profissional contínua e ascensão rápida de carreira.

Férias e folgas: Quando quiser, pode levar o trabalho para a praia.

Remuneração: Sabedoria e conhecimentos (livres de impostos).

2012/03/03

Livreiros independentes


Continua a Pó dos Livros a lutar, juntamente com muitos outros, contra esta asfixia que lhe é estupidamente imposta.
A única maneira de contribuir individualmente para esta luta é ir lá e comprar. Livros, daqueles que ganham pó e nos dão gozo só de olhar para as lombadas, 

2011/10/17

Plano de acção

Com a devida vénia ao Jaime Bulhosa aqui se transcreve um post brilhante que, já agora, pode ser transposto , para qualquer área de actividade, nomeadamente a bancária que eu conheço bem.


Uma grande empresa do grande capital e do sector editorial, que a partir de agora, por uma questão de comodidade, passaremos a chamar de Editores SA, pensa, embora contrariada, investir milhões de euros na compra e remodelação de uma grande cadeia de livrarias. Como o investimento é muito elevado, a Editores SA não pôde deixar ao acaso uma decisão destas, encomendando por isso um exaustivo estudo prévio sobre os hábitos de leitura e os factores principais de influência na decisão de compra de livros impressos e digitais, bem como o respectivo Plano de Acção, para mais tarde poder pôr em prática essa extraordinária ferramenta de gestão que é o benchmarketing.A melhor empresa alemã de consultadoria, que a partir de agora designaremos como Consultores SA, foi contratada. A Consultores SA sentiu o peso da responsabilidade e do cliente e também ela não quis deixar ao acaso um estudo desta importância. Assim, colocou ao serviço do seu cliente os melhores recursos técnicos de research. Depois de consultados os melhores especialistas na área, como, editores, autores, escritores, críticos literários, doutores, engenheiros, etc., a Consultores SA definiu o problema, desenvolveu o plano de pesquisa, recolheu os dados secundários e primários, tratou os dados, analisou e interpretou. Após largas semanas de árduo trabalho, finalmente elaborou um Plano de Acção, que de imediato foi enviado à Editores SA. O Plano de Acção consistia num relatório de 1000 longas páginas, com os mais belos e coloridos gráficos, de linha, cone, esferas e paralelepípedos, tabelas e análises desenvolvidíssimas, resultados de sondagem e inquéritos à porta de livrarias, por telefone, Internet, aos universos mais completos dos leitores, por idades, sexo, classes sociais, habilitações, gostos e passatempos, etc., etc. Nunca se havia visto melhor estudo de mercado sobre o livro. Era tão completo, que se podia saber pormenores interessantíssimos, como por exemplo: homens de meia-idade, de classe social A, que usam ceroulas, lêem apenas livros religiosos; os que não usam roupa interior lêem apenas teatro; e os que usam lingerie feminina lêem Margarida Rebelo Pinto. Na Editores SA foi uma excitação: com este Plano de Acção ninguém os poderia bater. Decidiu-se então a compra e remodelação da cadeia de livrarias e, como acção publicitária, anunciou-se a construção da maior e mais moderna livraria do País. Reunido grupo de trabalho com os melhores arquitectos, directores de marketing, informáticos e gestores, e depois de quase todos os temas e problemas terem sido debatidos, foi lançada uma nova questão:

-Pessoal, como vamos dividir o novo espaço comercial em termos percentuais das diversas secções temáticas de livros?
- Como assim?
- Sim, em que temas vamos apostar mais - ciências sociais, ficção, infantil... -, enfim, que livros vamos vender.

Primeiro fez-se um silêncio confrangedor.

Depois cada um e ao mesmo tempo, com elevados decibéis, dava um palpite. Com um murro no tampo, o Presidente do Conselho de Administração, pôs ordem na mesa.

- Silêncio, por favor! Mas, afinal de contas, para que é que encomendámos o estudo de mercado?Resposta quase em uníssono:
- É verdade! o nosso Digníssimo Presidente tem toda a razão.Mandou-se buscar o estudo. Depois de alguns meses a tentar interpretá-lo - sim, porque a produtividade das empresas portuguesas é assim, a brincar a brincar, trabalhamos mais meia hora, por dia, que os outros -, chegou-se à conclusão de que o Plano de Acção nada dizia sobre o assunto ou, se dizia, nas suas longas páginas não se conseguia descortinar.

Ficou decidido passar a batata quente para a empresa de consultadoria, com o pretexto de se ter pago os olhos da cara por um Plano de Acção que era omisso relativamente a esta questão.
Exigiu-se um resumo que pudesse ser facilmente interpretado para esta matéria e em português, porque em alemão, não dava jeito.
A Consultores SA entrou quase em pânico, boquiaberta, com a excentricidade da exigência da empresa portuguesa, sintetizar não era o forte nem a missão da empresa de consultadoria alemã.

Reunido o conselho de emergência, debateu-se largamente o busílis da questão. Finalmente elaborou-se um novo Plano de Acção, desta feita o mais sintético possível, com apenas uma página, e que era lavrado nos seguintes termos:

Exmos. Senhores,
Conforme nos foi solicitado por vossas excelências, segue o relatório sintético do Plano de Acção. Propomos a seguinte divisão temática das edições e espaços comerciais (alertamos para a importância de não inovarem demasiado, pois o mercado actual obedece a esta divisão):

Grandes livros – 2%
Bons livros - 5%
Livros medíocres – 23%
Lixo – 70%

Nota: A escolha dos títulos aconselháveis não é da nossa responsabilidade. A Consultores SA, apenas aponta caminhos, nunca soluções.
Com os nossos melhores Cumprimentos.
Consultores SA

2011/05/22

Feira do Livro


É por estas e estas e ainda algumas mais que há muitos anos não frequento a Feira do Livro
Caro Jaime, para quando a Associação de Livreiros Independentes?

2011/02/04

Uma lição de vida ou partir pedra


O escritor francês Charles Péguy (1873-1914), conta a história de um homem que, na idade média, a caminho de Chartres, encontra um homem aplicado ao mais duro dos ofícios: partir pedra.
- Vivo como um cão – disse-lhe o homem. – Exposto à chuva, ao vento, ao granizo, ao sol, faço um trabalho penoso em troca de uns tostões. A minha vida não vale nada. Nem merece o nome de vida.
Um pouco mais longe, o nosso homem encontra outro canteiro, este com uma atitude completamente diferente.
- É verdade que é um trabalho duro – diz-lhe ele –. Mas, ao menos, é trabalho. Dá para alimentara mulher e os filhos. E depois, ando ao ar livre, vejo a gente que passa… Não me queixo. Há quem esteja pior do que eu.
Um pouco mais adiante, o homem encontra um terceiro canteiro, que lhe diz, olhando-o bem nos olhos:
- Eu, eu estou a construir uma catedral.

O Jaime continua a sua senda de excelentes posts

2011/02/01

Ladrão de Livros



A propósito deste post do Jaime Bulhosa comentei:

A páginas tantas, no magnifico As Aventuras de Augie March, de Saul Bellow, Augie torna-se um ladrão de livros profissional aliciado pelo seu amigo Padilla.
A propósito de satisfazer um cliente díficil roubou e, passo a transcrever:
"...Dois Volumes de A Vontade do Poder de Nietzshe, que suei para conseguir roubar porque estavam num armário de vidro fechado numa livraria especializada em livros de Economia; também lhe arranjei a Filosofia do Direito de Hegel, os últimos volumes de O Capital na livraria comunista da Division Street, A Autobiografia de Herzen e alguns livros de Tocqueville....".
Se o seu Ladrão Temático é um profissional do gabarito de Augie, esqueça.
Está condenado a repôr nas estantes os volumes em falta.
Abraço de solidariedade.

PS: O abraço de solidariedade estende-se à Isabel e ao Tó Zé Castanheira e atodos os livreiros que enfrentam o problema.

PSS: Quem rouba livros merece ser mais bem tratado que os ladrões de outra coisa qualquer?
Ná, diria eu.

2010/12/03

2010/10/22

Mistérios

O Jaime Bulhosa da Pó dos Livros colocou uma questão interessante:

Conta-se que um conhecido astrofísico e poeta francês, Michel Cassé, colocou a seguinte questão científica: «Sabendo que uma torrada cai sempre do lado da manteiga e que os gatos caem sempre em cima das quatro patas, perante estas duas verdades fundamentais, que se passará com um gato untado de manteiga?» Até ontem esta questão nunca tinha tido resposta.

Alguém sabe responder?

2010/09/27

Provérbio Chinês


O Jaime Bulhosa também vai às lojas dos chineses (perdão pela queixinha).

Entrei numa loja de chineses (um mundo de coisas ao preço da chuva) para comprar um porta-chaves que estava a precisar para juntar umas chaves suplentes que andam espalhadas há que tempos pela livraria. Reparei num expositor de porta-chaves com antigos provérbios escritos em chinês. Não chegavam a custar um euro. De imediato, e aleatoriamente, escolhi um. Por curiosidade perguntei o que aquele provérbio queria dizer. O empregado que não sabia falar bem português resolveu traduzir para inglês:

- Cheap things are not good, good things are not cheap.

Chinise Proverb

Ele riu, eu também.

Confere, diria eu.